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Mercado Surdo: o sucesso do primeiro em Portugal

O primeiro Mercado Surdo reuniu artistas e empreendedores surdos em Lisboa, com mais de 150 visitantes e um impacto marcante na comunidade.

A versão em português escrito encontra-se a seguir.

No passado sábado, 11 de outubro, Lisboa viveu um momento histórico para a Comunidade Surda em Portugal. A sede da Associação Portuguesa de Surdos (APS) acolheu o primeiro Mercado Surdo

Fotografia por Ângelo Bártolo (Signomy)

Um espaço cheio de vida e reencontros

Ao longo do dia, entre as 10h e as 20h, a sede da APS — situada entre Telheiras e o Lumiar — recebeu mais de 150 visitantes vindos de várias regiões do país. Assim, o primeiro Mercado Surdo rapidamente ganhou vida: reencontros e celebração marcaram o ambiente do evento. Muitas pessoas surdas voltaram a ver-se após anos, enquanto a comunicação fluía de forma natural em Língua Gestual Portuguesa (LGP), o verdadeiro coração do evento.

Fotografia por Ângelo Bártolo (Signomy)

Mercado Surdo: 16 bancas de talento

O evento contou com 16 bancas, incluindo a da APS e a da Hoyara Jewellery, que coorganizou esta primeira edição. Estiveram representadas diversas áreas criativas: joalharia, vestuário, artesanato, doçaria, pintura, reiki, nails art, tatuagens, têxtil, acessórios e design.

Duas bancas destacaram-se pelo entusiasmo do público — Carolina Patrício (nails art) e Anabela Pereira (tatuagens) —, que continuaram a atender clientes mesmo após o encerramento às 20h. O feedback dos expositores foi unânime: o evento superou todas as expectativas em termos de vendas, envolvimento e reconhecimento.

Acessibilidade para ouvintes no Mercado Surdo

Garantiu-se a acessibilidade com o apoio de duas intérpretes de Língua Gestual Portuguesa, assegurando a comunicação com visitantes ouvintes sempre que necessário. Ainda assim, interagiu-se de forma espontânea através da escrita e da mímica, evidenciando que a vontade de comunicar é mais forte do que qualquer barreira.

Fotografia por Ângelo Bártolo (Signomy)

Um impacto duradouro na comunidade surda

O impacto do primeiro Mercado Surdo foi profundo e inspirador. Pela primeira vez, muitos empreendedores surdos puderam apresentar o seu trabalho ao público, conquistando visibilidade e reconhecimento. O evento mostrou o talento e a diversidade que caracterizam a comunidade surda portuguesa, reforçando a importância de criar espaços liderados por surdos, para surdos.

Dado o sucesso desta edição inaugural, a APS já confirmou a intenção de realizar o Mercado Surdo anualmente, incorporando melhorias com base na experiência adquirida e no feedback recebido dos participantes.

Mais do que um simples mercado, esta primeira edição representou um marco cultural e identitário. Aqui, criou-se um espaço onde a comunidade surda pôde celebrar o seu talento, partilhar conhecimento e afirmar a importância da Língua Gestual Portuguesa como língua viva e central na comunicação.

A energia sentida ao longo do dia revelou algo maior do que o próprio evento: uma vontade coletiva de continuar a construir espaços liderados por pessoas surdas, para pessoas surdas — mas abertos a todos.

Em suma, o Mercado Surdo foi mais do que uma estreia bem-sucedida; foi um lembrete poderoso de que, quando a comunicação é verdadeiramente acessível, todos ganham.

Pedro Mourão

Presidente da Associação Portuguesa de Surdos desde 2020, Pedro Mourão é licenciado em Língua Gestual Portuguesa, tendo recebido duas bolsas de mérito. É intérprete surdo, gestor de projetos, editor do Voz Gestual e detesta processos excessivamente burocráticos.

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