# Associação Portuguesa de Surdos > Comunidade Surda e Língua Gestual Portuguesa > Generated by All in One SEO Pro v5.0.3, this is an llms-full.txt file, used by LLMs to index the site. ## Artigos ### [Voz Gestual](https://apsurdos.org.pt/voz-gestual/) **Published:** Janeiro 16, 2024 **Author:** APS --- ### [Violência Doméstica: o Peso do Silêncio](https://apsurdos.org.pt/violencia-domestica-o-peso-do-silencio/) **Published:** Fevereiro 12, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** Vítimas surdas de violência doméstica enfrentam barreiras no acesso à justiça e apoio. Sem acessibilidade, não há proteção. O que falta em Portugal? **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-9a6e0f8) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Hoje, **supostamente, celebramos o amor.** Enquanto vemos corações nas montras, compramos flores e escrevemos postais para quem amamos, no silêncio de muitas casas, existem vítimas de um amor que se tornou violência. **Para algumas delas, pedir ajuda é ainda mais difícil – são surdas.** Em Portugal, no ano passado, foram registadas [**30.461**](https://www.cig.gov.pt/area-portal-da-violencia/portal-violencia-domestica/indicadores-estatisticos/) ocorrências de violência doméstica, das quais cerca de 70% das vítimas são mulheres. No primeiro semestre de 2024, a [**Associação Portuguesa de Apoio à Vítima**](https://apav.pt/) (APAV) procedeu à abertura de 7.037 novos processos de apoio, debruçando-se igualmente sobre 4.104 processos em acompanhamento. Apesar dos milhares de casos registados anualmente, as vítimas surdas continuam **sem rosto nas estatísticas oficiais**. Quantas denúncias foram feitas por pessoas surdas? **Não sabemos, porque não há registos públicos.** A **[União Europeia de Surdos](https://www.eud.eu/)** (European Union of the Deaf, EUD) elaborou um relatório, publicado em maio de 2024, que indica que as mulheres surdas **têm maior dificuldade em denunciar violência, obter apoio e aceder à justiça.** [ Relatório EUD - Violência contra Mulheres e Meninas Surdas na União Europeia ](https://www.eud.eu//wp-content/uploads/2024/03/Final.pdf) [ Vídeo-resumo do relatório em Gesto Internacional ](https://www.eud.eu/euds-gender-equality-report-highlights-strides-and-struggles-for-deaf-women-and-girls-in-europe/) Há que quebrar o silêncio e ver o que realmente faz falta em Portugal. Sem linhas de apoio acessíveis e serviços verdadeiramente adaptados, **muitas vítimas surdas continuam sem conseguir denunciar os abusos que sofrem.** ## A Realidade da Violência Doméstica contra Pessoas Surdas em Portugal A EUD analisou o ponto de situação de violência contra mulheres e meninas surdas na União Europeia, recolhendo dados de vários países e avaliando as respostas sociais existentes. O estudo baseou-se também na revisão das legislações europeias, incluindo a [**Diretiva da União Europeia sobre Violência contra as Mulheres e Violência Doméstica**](https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX%3A32024L1385). O relatório destaca **seis falhas críticas que aumentam a vulnerabilidade das vítimas surdas:** a falta de acessibilidade nos serviços de apoio e na justiça; a ausência de dados desagregados, que impede uma compreensão clara da realidade das vítimas e dos agressores surdos; a falta de sensibilização e formação dos profissionais que lidam com estas situações; barreiras no acesso aos cuidados de saúde; discriminação interseccional que agrava a exclusão das vítimas; e, por fim, a necessidade de reformas legislativas que garantam serviços acessíveis a nível europeu e nacional. Infelizmente, a realidade portuguesa confirma as conclusões do relatório da EUD. Um dos serviços disponíveis é a **linha de apoio da APAV**, acessível através do serviço de interpretação por videochamada da [**Serviin**](https://serviin.pt/Parceiros). No entanto, este serviço funciona apenas **em horário limitado, das 10:00 às 18:00 horas.** ### Mas e se a vítima precisar de ajuda à noite ou ao fim-de-semana? Segundo as [**estatísticas**](https://www.sg.mai.gov.pt/Documents/Relatório%20de%20Monitorização%20de%202021.pdf) do Ministério da Administração Interna, a maioria das participações relacionadas com a violência doméstica ocorre à noite (35,2%) e ao fim-de-semana, precisamente quando não há apoio acessível às vítimas surdas. Além disso, **a falta de formação dos profissionais cria uma barreira dupla**: os intérpretes não estão preparados para lidar com a vulnerabilidade das vítimas surdas e agir em situações de grande risco de saúde física e mental, e os profissionais de apoio desconhecem as especificidades culturais e linguísticas da Comunidade Surda. Se os serviços de apoio falham nos momentos mais críticos e os profissionais não estão preparados, **como podem estas vítimas sentir-se seguras?** ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-VD-portugal-768x384.webp "202502 - VD portugal - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Campanha de sensibilização contra a violência doméstica por entidades oficiais portuguesas, sem qualquer referência de acessibilidade para a Comunidade Surda. ## O que Já Funciona lá Fora? O silêncio só será quebrado quando houver respostas acessíveis. **Para tal, não é necessário inventar a roda.** Nos Estados Unidos da América (EUA), há décadas que existem vários serviços especializados, implementados a nível nacional e estadual. O seu progresso deveria ser uma referência para Portugal e para a Europa. Como linha de apoio, existe a **[The Deaf Hotline](https://www.thedeafhotline.org/)**, que oferece apoio especializado, com atendimento direto em Língua Gestual Americana (American Sign Language, ASL) **disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, sem necessidade de intérprete de língua gestual.** Os canais de contacto também estão disponíveis por mensagem e e-mail, permitindo que a vítima possa pedir ajuda discretamente caso não consiga fazê-lo por videochamada. **O atendimento é feito principalmente por profissionais surdos**, formados especificamente para lidar com casos de violência doméstica e abusos sexuais. Muitos deles já passaram por experiências semelhantes, o que lhes permite oferecer um apoio mais empático e informado. Este modelo garante uma comunicação direta e culturalmente sensível, sem barreiras linguísticas ou intermediários. Além disso, a linha funciona a nível nacional e encaminha as vítimas para [**os serviços locais disponíveis**](https://www.thedeafhotline.org/get-help/) no estado onde se encontram, assegurando um acompanhamento mais eficaz. Em várias cidades e estados dos EUA, existem **casas de acolhimento exclusivas para vítimas surdas**. Nestes espaços, são garantidas segurança e acessibilidade, podendo as vítimas manter a sua autonomia e uma rotina o mais normal possível. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-hotline-deaf-768x400.webp "202502 - hotline deaf - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") The Deaf Hotline, uma linha de apoio a vítimas surdas de violência doméstica, totalmente acessível em ASL. ## Sem Acesso, não há Proteção Para garantir que nenhuma vítima surda fica sem apoio, é essencial que o Estado português, as entidades de apoio às vítimas de violência doméstica e as instituições representativas da Comunidade Surda trabalhem em conjunto, com financiamento adequado para implementar soluções como: - **Linha de apoio de 24 horas, sete dias por semana**, podendo esta ser integrada noutros serviços de emergência (também inexistentes atualmente), empregando tanto pessoas surdas competentes para atuar nestas situações, bem como intérpretes para contacto com as autoridades; - **Abrigos** preparados para acolher as vítimas surdas, com acompanhamento especializado em todo o processo através da LGP; - **Formação específica para os mediadores surdos**, para que possam atuar como ponto de ligação seguro entre as vítimas e os serviços; - **Capacitação das autoridades e dos profissionais de saúde**, para que saibam como intervir em casos de violência doméstica na Comunidade Surda; - **Sensibilização da Comunidade Surda**, para que as vítimas saibam reconhecer e denunciar abusos; - **Criação de conteúdos acessíveis**, garantindo que as campanhas sejam pensadas para a Comunidade Surda e não apenas traduzidas de forma secundária, com a interpretação numa janela minúscula. A violência doméstica é um **problema estrutura**l e continua a afetar milhares de pessoas em Portugal. No entanto, **para as vítimas surdas, as barreiras são ainda maiores**: os serviços de apoio não são acessíveis, os profissionais não estão preparados e a resposta do Estado é insuficiente. Ainda temos muito por percorrer em Portugal para conseguir respostas concretas não só para as pessoas surdas, como também para **[as pessoas com deficiência](https://www.publico.pt/2014/12/02/sociedade/noticia/uma-em-cada-duas-mulheres-com-deficiencia-e-vitima-de-violencia-de-genero-1678187)**, para quem os recursos também ainda são insuficientes, embora tenham menor entrave do ponto de vista linguístico. **O caminho para a justiça e segurança não pode excluir ninguém.** ### E não esquecer que o silêncio nunca protege a vítima - apenas o agressor. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-silencio-768x576.webp "202502 - silencio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") "O silêncio permite a violência." **Categorias:** Acessibilidade, Política e Direitos --- ### [Interseccionalidade: Ser Mulher, Surda e Negra](https://apsurdos.org.pt/interseccionalidade-ser-mulher-surda-e-negra/) **Published:** Março 21, 2025 **Author:** Eunice Almeida **Excerpt:** Reflexões sobre interseccionalidade e identidade enquanto mulher surda negra, explorando desafios, representatividade e mudanças. **Content:** Reflexões sobre interseccionalidade e identidade enquanto mulher surda negra, explorando desafios, representatividade e mudanças. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-ab9039d) ### A versão em português escrito, transcrita e adaptada por Mariana Bártolo, encontra-se a seguir. Venho falar-vos de dois tópicos: o primeiro sobre a **interseccionalidade** e o segundo sobre **a minha identidade** ao longo da minha vida. Partilho a minha experiência em relação ao que observo no mundo à minha volta, incluindo em Portugal, o que me levou a várias reflexões que mudaram a minha perceção sobre quem sou e qual é a minha voz. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-movimentomulheresnegras.jpg "202503-movimentomulheresnegras - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Um protesto sobre os direitos das mulheres negras, nos anos 60, nos Estados Unidos da América. Imagem retirada do Google. ## O que é a Interseccionalidade? Em primeiro lugar, o que é a interseccionalidade? É um termo atribuído a identidades minoritárias, como ser surdo, homem ou mulher, a cor da pele, a religião, ser jovem ou idoso, entre outros. Hoje, na sociedade, ainda persistem conflitos em relação a estas minorias, não necessariamente por ódio, mas por falta de sensibilidade. As pessoas surdas são um exemplo disso, devido às suas barreiras de comunicação. Muitas situações são equiparáveis. ### Como surgiu este termo? Na década de 1960, emergiu o movimento feminista, que reivindicava direitos, mas que excluía as mulheres negras. Apesar de serem mulheres, também sofriam discriminação por parte de homens negros, enfrentando uma dupla opressão. **[Kimberlé Crenshaw](https://pt.wikipedia.org/wiki/Kimberl%C3%A9_Williams_Crenshaw)**, jurista, professora e investigadora afro-americana, analisou como as leis contra a discriminação nos Estados Unidos da América (EUA) falhavam em proteger as mulheres negras, pois consideravam separadamente o sexismo e o racismo. Assim, cunhou o termo interseccionalidade em 1989, através de um **[artigo](https://chicagounbound.uchicago.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1052&context=uclf)**. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-WFDYS-Youth-Camp-Estonia-1024x768.webp "202503-WFDYS Youth Camp Estonia - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Participação no EUDY Youth Camp, na Estónia. Eunice Almeida à esquerda e a júnior Telma Madail à direita. Foto cedida por Eunice Almeida. ## Interseccionalidade no Movimento Associativo Surdo A primeira vez que tive contacto com o termo interseccionalidade foi no *EUDY Junior Camp*, onde participei como líder e acompanhei uma rapariga júnior. O evento teve lugar na Estónia e teve como tema a interseccionalidade, abordando tópicos relacionados com os movimentos LGBT+, feminista e das pessoas racializadas. Assisti a vários workshops, palestras, discussões e reflexões, e percebi que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer. ### Em Portugal Por exemplo, no movimento associativo surdo, a direção da [**Federação Portuguesa das Associações de Surdos**](https://fpasurdos.pt/pt/home) (FPAS) é maioritariamente constituída por elementos da etnia branca. A única exceção é uma pessoa BIPOC (Black, Indigenous and People of Color – Pessoas negras, indígenas e de cor) – termo que inclui pessoas de origem africana, indiana, indígena, asiática, entre outras, que são frequentemente marginalizadas perante a supremacia branca. Esta pessoa BIPOC que integra a FPAS é de etnia indiana. Ainda na mesma direção, há apenas dois jovens, apesar do equilíbrio de género. Nas associações de surdos, as direções são, na maioria, compostas por pessoas brancas. No entanto, há um equilíbrio relativo em relação ao género e à orientação sexual. Esta realidade é visível e pode ser comprovada. Com maior diversidade nestes grupos, existiria uma representatividade mais ampla, e as suas vozes refletiriam uma Comunidade Surda mais unida. Vejo esta situação como um problema que precisa de ser resolvido. ### No Mundo Participei como representante na Assembleia Geral da **[Federação Mundial de Surdos – Secção Juvenil](https://www.instagram.com/wfdys/)** (World Federation of the Deaf – Youth Section, WFDYS), na ilha de Jeju, na Coreia do Sul. Nesse encontro, discutiram-se vários assuntos, incluindo a eleição de novos membros da direção da WFDYS. Também foram escolhidos os próximos locais para os acampamentos de crianças e juniores. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-AG-WFDYS-1024x768.webp "202503-AG WFDYS - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") À esquerda, Catarina (Kayla) Lopes e, à direita, Eunice Almeida, que representaram Portugal na Assembleia Geral da WFDYS, em Jeju, na Coreia do Sul (2023). Foto cedida por Eunice Almeida. Ao mesmo tempo, decorria a Assembleia Geral da [**Federação Mundial dos Surdos**](https://wfdeaf.org/) (World Federation of the Deaf, WFD), onde surgiu um conflito, pois os delegados de cada país (dois por país) votaram maioritariamente nos Emirados Árabes Unidos (EAU) para acolher o próximo Congresso Mundial de Surdos e o Youth Camp. No entanto, os EAU são um país com restrições significativas, o que gerou um impasse com os ideais da WFD sobre a igualdade entre todos os cidadãos. A política dos EAU não permite palestras sobre mulheres, temas LGBT+, entre outros assuntos. Por isso, vários delegados pediram à WFD uma assembleia geral extraordinária para discutir a possibilidade de eleger outro país, como a Noruega. Acompanhei todo este conflito. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Lubna-Medhi.webp "202503-Lubna Medhi - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Lubna Medhi, uma mulher surda muçulmana. Foto cedida por Eunice Almeida. ### Reflexões sobre a Representatividade Mais tarde, uma mulher surda muçulmana, chamada Lubna Medhi, de nome gestual (NG) \[*“L na covinha”*\], partilhou um vídeo no no Instagram. O seu discurso fez-me refletir profundamente. Ela explicou que, sendo tradição a realização do Congresso da WFD a cada quatro anos, o primeiro ocorreu em Itália, onde os participantes eram todos homens, brancos e heterossexuais. Com o tempo, esta realidade mudou. Hoje, há participação de mulheres, pessoas LGBT+, surdocegas e de diferentes etnias. Isso aconteceu porque houve espaço para debate e consenso, o que permitiu a evolução da Comunidade Surda nesse sentido. A minha reflexão leva-me a concordar que, se excluirmos certos grupos, **estamos a perpetuar a exclusão e a fragmentar a Comunidade Surda.** Os EAU são um exemplo disso. Se as pessoas surdas dos EAU querem derrubar barreiras, devemos juntar-nos a elas. Só assim avançamos juntos. Mas a questão não se limita a isso. A Lubna também referiu que, ao longo da história, os congressos da WFD ocorreram sobretudo na Europa. No continente africano, houve apenas um congresso. Na Ásia, dois. E na América Central e do Sul, nunca houve nenhum. Isso demonstra claramente o privilégio europeu, visto que outros países nunca tiveram a oportunidade de serem anfitriões. [table id=2 /] ### A WFD representa o mundo, não apenas a Europa. Por isso, deveria haver uma maior rotação e diversidade na escolha dos continentes anfitriões. Os delegados da WFD também refletiram sobre isso. Apesar das preocupações levantadas, decidiram manter a escolha dos EAU. Assim, o próximo Congresso da WFD, bem como as assembleias da WFD e da WFDYS, além do WFDYS Youth Camp, acontecerão em 2027 neste país. ### Lições do Passado, Reflexões do Presente, Mudanças para o Futuro Tudo isto faz-me refletir sobre a importância de escutarmos os grupos marginalizados. As pessoas surdocegas, pessoas de diferentes denominações religiosas, as mulheres e as pessoas racializadas **vivenciam na pele essas questões e têm uma experiência real sobre elas**. Em Portugal, a interseccionalidade é mais evidente entre pessoas surdas. Elas têm percorrido um longo caminho de lutas e reconhecimento. Dentro da Comunidade Surda, as pessoas LGBT+ conquistaram algum espaço e voz. Fala-se pouco sobre feminismo. Já existem partilhas de informação e sessões online, mas ainda não é um tema suficientemente debatido. Tenho esperança de que se discuta mais no futuro. Em relação às pessoas surdocegas, fala-se da criação de um departamento específico em breve, assim como também para as questões ligadas às BIPOC. **Estas reflexões acabam por proteger-nos a nós, pessoas surdas.** Olho para a História dos Surdos em Portugal e vejo que aqueles que viajaram para o estrangeiro trouxeram novos conhecimentos e os colocaram em prática. Foi o caso de José Bettencourt e João Alberto Ferreira, que, após terem ido para os Estados Unidos da América, voltaram motivados para fazer a diferença – e fizeram-no através da criação dos primeiros cursos de Língua Gestual Portuguesa e da formação para intérpretes de LGP, entre outras iniciativas. **Comigo aconteceu o mesmo – a experiência internacional abriu-me muitas perspetivas.** ## A Construção da minha Identidade: Ser Mulher, Surda e Negra ### Ser Surda Cresci enquanto pessoa surda, com uma identidade bem construída. Ter uma identidade surda “forte” não significa, necessariamente, ter um domínio perfeito da Língua Gestual Portuguesa (LGP). Significa, sim, ter uma cultura própria, sentir orgulho de ser surda, participar no movimento associativo surdo e conhecer a história da Comunidade Surda, tanto em Portugal como no mundo – **[como é o caso da proibição da língua gestual para impor o oralismo](/audismo-o-preconceito-silencioso-contra-as-pessoas-surdas/)**. Um exemplo que ilustra estas dinâmicas foi a divulgação de um vídeo onde uma pessoa ouvinte gestuava o hino de um clube de futebol. Muitas pessoas surdas aplaudiram e partilharam esse vídeo, até que outra pessoa surda, com uma identidade bem construída e participação ativa no movimento associativo, chamou à atenção para uma situação de apropriação cultural, onde existia o uso indevido da LGP, que é a língua da Comunidade Surda. Se a pessoa ouvinte apoiasse e desse visibilidade a uma pessoa surda, esse problema não existiria. Mas agiu sozinha. A isto chamamos **privilégio ouvinte** – um reflexo da desigualdade estrutural que priva as pessoas surdas de muitas oportunidades acessíveis às pessoas ouvintes. ### Quando olham para mim, veem uma mulher surda negra. No entanto, identifico-me, em primeiro lugar, como **pessoa surda**, porque foi este o ambiente que me rodeou desde cedo. ### Ser Mulher Enquanto mulher, aprendi na escola sobre a opressão e a luta pelos direitos das mulheres. A História ensina-nos que, durante muito tempo, as mulheres ficavam em casa a cuidar dos filhos, não podiam trabalhar nem praticar desporto. As suas lutas permitiram que hoje possamos aceder ao mercado de trabalho e ao desporto, ainda que a desigualdade salarial persista. Celebramos essas conquistas no dia **8 de março**, mas, apesar do progresso, tenho a sensação de que as mulheres ainda não se defendem o suficiente. Durante a pandemia, a equipa da [**Comissão Nacional de Juventude Surda**](https://www.instagram.com/cnjs_fpas/) (CNJS), na altura formada por Ana Lopes, Sebastião Palha, Bruna Alexandra, Luís Pereira e Liliana Mendes, organizou uma série de webinares sobre vários temas, um deles foi sobre o feminismo, onde recordo-me de uma intervenção da Ana, que dizia que uma mulher considerada promíscua é muitas vezes rotulada de “prostituta” ou “porca”, enquanto os homens na mesma situação são aplaudidos. Esta analogia reflete a diferença na forma como olhamos para os dois géneros. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-masculinidade-toxica.webp "202503-masculinidade tóxica - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Palestra sobre a masculinidade tóxica, no Baltic Deaf Youth Festival. Foto cedida por Eunice Almeida. Outro momento que me marcou foi a minha participação no **[Baltic Deaf Youth Festival](https://www.instagram.com/bdyf2024_/)** (Festival da Juventude Surda dos Balcãs), na Lituânia, onde se discutiu sobre a **masculinidade tóxica**. Foi mencionado um exemplo claro de desigualdade: quando uma mulher veste roupa justa e curta ou usa maquilhagem, muitas vezes assume-se que o faz para atrair atenção ou para relações sexuais, quando pode simplesmente ser uma questão de gosto. Esta rotulagem é feita sobretudo por homens, mas dificilmente acontece no sentido inverso. Esta experiência ensinou-me a defender-me enquanto mulher. Percebi o impacto que esses rótulos têm no bem-estar psicológico e na autoestima. Acredito que o feminismo deve ser discutido mais vezes, pois ainda há um longo caminho a percorrer. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Eunice-com-boneca-1.webp "202503-Eunice com boneca 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Em criança, com uma boneca branca, de cabelo loiro e olhos azuis. Foto cedida por Eunice Almeida. ### Ser Negra Em relação à minha identidade como **pessoa negra**, esta descoberta aconteceu há relativamente pouco tempo – **há cerca de dois anos e meio** comecei a construir-me nessa identidade, a ser mais consciente de mim mesma e a ter orgulho em ser negra. Foi o efeito de um workshop que discuti intensamente com outra pessoa negra sobre as nossas experiências de opressão, que eram distintas. Ela sofreu situações graves de discriminação, enquanto o que eu tinha vivenciado eram **microagressões** e **discriminação subtil**. Por exemplo, ao crescer, tive sempre uma grande influência de pessoas brancas, especialmente através da televisão. Na escola, os meus desenhos eram sempre de figuras brancas, nunca negras. No Natal ou no meu aniversário, recebia sempre bonecas brancas de cabelo louro e olhos azuis, que eu adorava e considerava mais bonitas. Houve também quem me dissesse que eu tinha sorte por ter a pele castanha relativamente clara, pois era “melhor” do que ter a pele muito escura. Eu concordava, sem perceber a dimensão do que isso significava. Isto é colonização sistemática – eu estava completamente colonizada a nível da minha identidade e do meu orgulho. Lembro-me de momentos em que cheguei a dizer a amigos que a minha pele era mais bonita que a deles, tudo por causa dessa influência externa. ### O Impacto dos Nomes Gestuais Esta colonização também se manifesta na própria língua gestual. Embora eu tenha consciência de que não há uma intenção de discriminação, muitos nomes gestuais foram atribuídos com base no género, orientação sexual e cor de pele, e considero que isso não é correto. Embora seja evidente a nossa identidade, não há necessidade de a rotular. Antes, eu acreditava que a Comunidade Surda tivesse uma perspetiva diferente da do mundo ouvinte, mas depois encontrei esta frase: > "Uma mulher negra diz que é uma mulher negra. Uma mulher branca diz que é uma mulher. Um homem branco diz que é uma pessoa." > > Grada Kilomba Isto acontece na Comunidade Surda em relação aos nomes gestuais. O meu NG é \[*Negra sorridente*\]. Exemplos de outros nomes gestuais de pessoas que conheço são NG \[*Negra com totós*\], NG \[*Negro com queixo pontiagudo*\], NG \[*Negro com orelhas grandes*\], NG \[*Negro com olhos amendoados*\], entre tantos outros. Isto também acontece em relação ao género feminino, com os nomes gestuais como NG \[*Mulher sorridente*\], NG \[*Mulher com tótó no alto da cabeça*\], NG \[*Mulher com bochechas*\]. Isto é muito raro acontecer com homens, sendo o NG \[*menino esperto*\] um exemplo disso. É mais evidente com mulheres, mas muito mais ainda com pessoas negras. Não é uma forma explícita de discriminação, é antes uma rotulagem. ### A Descoberta da minha Cultura Muitas vezes, discutia com outras pessoas surdas e sentia-me indignada por sofrer discriminação **dentro da própria Comunidade Surda**, justamente por aqueles que também vivem a experiência da opressão no mundo ouvinte. Isso fez-me perceber que, apesar da interseccionalidade ser um tema recente em Portugal, **ainda há um longo caminho a percorrer**. Acredito que, um dia, mais pessoas abrirão as suas mentes. Compreenderemos melhor uns aos outros, porque é **isto o que quero.** Na escola, nunca me ensinaram que unhas compridas são tradição africana. Nem que perucas foram inventadas por pessoas negras. Ensinaram-me, sim, sobre a grandiosidade dos Descobrimentos portugueses. O seu impacto económico foi real. Mas há também culpa na colonização, escravatura e na morte de muitas pessoas. **Muito da história africana** foi apagado ou distorcido, o que nos leva a não reconhecê-la nem valorizá-la. Explorar e conhecer mais sobre a cultura africana impactou-me profundamente. Influenciou a minha construção pessoal e o processo de autoaceitação. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-relaxante-capilar.webp "202503-relaxante capilar - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Uma embalagem de relaxante capilar, com a representação de uma mulher negra de cabelo liso e sedoso. Antes, eu **alisava o cabelo com relaxante capilar** e não aceitava usá-lo natural. Hoje, o meu cabelo é afro e eu aceito-o como parte de mim. Percebi também que muitas amigas minhas **não se aceitam completamente**, porque cresceram a considerarem-se mais feias por causa do que os outros lhes diziam, sentindo-se assim inferiores. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Eunice-cabelo-liso.webp "202503-Eunice cabelo liso - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Na altura em que utilizava o relaxante capilar para alisar o cabelo. Foto cedida por Eunice Almeida. Tudo isto faz parte da **minha experiência e da minha descoberta sobre quem sou** – o abraçar das minhas identidades enquanto **mulher surda negra**. Nunca se sabe se um dia descobrirei uma **quarta identidade**. Espero que estas reflexões vos façam pensar sobre a importância da interseccionalidade. ### Acima de tudo, escutem-nos. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Eunice-orgulho.webp "202503-Eunice orgulho - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Hoje mulher surda negra com orgulho. Foto cedida por Eunice Almeida. **Categorias:** Opinião --- ### [O Apagão de 28 de Abril: Acessibilidade em Crise](https://apsurdos.org.pt/o-apagao-de-28-de-abril-acessibilidade-em-crise/) **Published:** Maio 23, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** O apagão de 28 de abril expôs falhas de acessibilidade para a Comunidade Surda. Uma reflexão urgente sobre direitos, crise e cidadania. **Content:** O apagão de 28 de abril expôs falhas de acessibilidade para a Comunidade Surda. Uma reflexão urgente sobre direitos, crise e cidadania. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-3e52df6) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-apagao-carro-1024x576.webp "202505 apagao carro - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") No dia 28 de abril de 2025, às 11 horas e 33 minutos, **as luzes apagaram-se**. No início, pensou-se que seria apenas um corte de eletricidade, mais um. Mas rapidamente se percebeu, através das redes sociais, que o apagão era geral e afetava todo o país. Pouco depois, e para surpresa de muitos, chegaram **[notícias](https://pt.wikipedia.org/wiki/Apag%C3%A3o_na_Pen%C3%ADnsula_Ib%C3%A9rica_em_2025)** de que também Espanha estava às escuras. Entretanto, as hipóteses multiplicaram-se. Um ataque russo com submarinos, um incêndio em França, uma manobra secreta da Comissão Europeia. Informações aqui, desinformações acolá. E, no meio do caos, o fio da verdade perdia-se. Três horas depois, também a rede móvel colapsou. As SMS ficavam presas no enviar. As chamadas não chegavam ao outro lado. Os comboios e o metro pararam. O mundo ficou subitamente longe. A rádio tornou-se, para muitos, a única forma de saber o que se passava. Mas não para todos. A rádio é som. E o som não chega às pessoas surdas. Este apagão expôs uma questão antiga: como sobrevive quem é deixado fora dos sistemas de emergência, dos avisos, das instruções? A Comunidade Surda foi forçada a refletir, **outra vez**, sobre a sua invisibilidade em tempos de crise. Este artigo nasce dessa urgência. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-radio-1024x576.webp "202505 radio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## No dia 28 de abril, a acessibilidade não foi prioridade No momento do apagão, eu e o meu marido estávamos em casa de amigos, no Norte. Nos primeiros minutos, pensei que era algo normal. Assim que soubemos que era um fenómeno geral, pusemo-nos a caminho de casa. No início da viagem, ia acompanhando o telemóvel e as notícias. Fiquei assustada com a quantidade de desinformação e com a rapidez com que se espalhava. Através do meu marido, que ouve, consegui aceder à informação que estava a ser transmitida na rádio. Foi assim que soube que, como consequência do apagão, iriam cessar as comunicações em poucas horas. Imediatamente pensei nas pessoas surdas, que podiam não ter acesso a esta informação. Nesse momento, publiquei o que sabia nos stories do meu Instagram e fiz questão de legendar tudo, para que todos pudessem aceder ao que estava a ser dito. Poucos minutos depois, perdi o contacto com a minha família, os meus amigos, o mundo. Ao longo do dia, desligada do resto, apesar de estar em viagem, a usufruir de um dia de sol e a contemplar paisagens, senti-me profundamente inquieta pela Comunidade Surda — e pela informação que só me chegava por interposta pessoa: o meu marido. Em retrospetiva, o apagão foi… só um apagão. Somente isso. Muitos, inclusive dentro da própria Comunidade Surda, já esqueceram o 28 de abril. Para mim, foi um abre-olhos. Uma antevisão do que pode ser uma crise real, uma catástrofe. E daquilo que, nesses momentos, continua a não ser prioridade: **a acessibilidade**. ## **No dia 29 de abril, a Comunidade Surda despertou** Com a luz já de volta e todo o país a partilhar as suas experiências do apagão, as reações foram diversas. Muitos comentaram que saíram à rua, aproveitaram o dia, passearam, conversaram e que, apesar de tudo, tiveram um bom dia. Outros entraram em pânico, esgotaram papel higiénico, água, enlatados, cereais e pão nos supermercados, fizeram filas em gasolineiras, como se fosse, finalmente, o fim do mundo. ### **E quanto à Comunidade Surda?** Despertou após um torpor de horas sem comunicações e começou, nas redes sociais, uma troca acesa de ideias sobre como garantir acessibilidade em situações em que o único veículo de informação é sonoro, como a rádio. Houve partilha de experiências, opiniões e soluções. Bruna Alexandra, uma jovem surda, contou nas **[redes sociais](https://www.instagram.com/reel/DJRkIN_N0it/?igsh=MTNxZGxkdXhrMHdwNg==)** que estava em Lisboa quando aconteceu o apagão e apanhou boleia de desconhecidos para conseguir chegar a casa, na Margem Sul. > [Ver esta publicação no Instagram](https://www.instagram.com/p/DJB6cUaIKuZ/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=loading)[Uma publicação partilhada por 𝐉𝐞𝐬𝐬𝐢𝐜𝐚 𝐒𝐢𝐥𝐯𝐚 🌙 (@ajessilvaa)](https://www.instagram.com/p/DJB6cUaIKuZ/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=loading) Jéssica Silva, também jovem surda e atual coordenadora da Comissão Nacional de Juventude Surda (CNJS-FPAS), **[partilhou](https://www.instagram.com/p/DJB6cUaIKuZ/)** o sonho de criar um protótipo de rádio com transcrição automática de voz para texto e, eventualmente, com interpretação em Língua Gestual Portuguesa. A partir daí, gerou-se um movimento visível. Várias reclamações foram feitas através da [**página**](http://fpasurdos.pt) da Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS), de forma a alertar as entidades governativas para a urgência de incluir a Comunidade Surda nos planos de resposta a crises. No [**comunicado recente**](https://www.instagram.com/reel/DJuKDHaojRh/?igsh=eTRhbnVocTE1em9h), divulgado no dia 16 de maio, o presidente desta instituição, Pedro Costa, sublinhou essa preocupação, referindo ainda que é necessário apresentar soluções. No final, foi um dia de profunda introspecção e reflexão. E, enquanto pessoa surda, senti orgulho. São raros os momentos em que vejo a Comunidade Surda unida por uma causa, a pensar em soluções e a sonhar em grande. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-apagao-1-1024x576.webp "202505 apagao - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O impacto imediato do apagão O apagão de 28 de abril deixou o país sem eletricidade e, horas depois, sem comunicações móveis. Para muitas pessoas, a rádio foi a única fonte de informação. Para a Comunidade Surda, porém, não houve nenhuma. A total ausência de canais acessíveis de emergência tornou evidente que, em momentos de crise, as pessoas surdas continuam a ser excluídas do direito à informação. Para agravar a situação, não foi emitido qualquer aviso por SMS por parte da proteção civil, mesmo sabendo que a rede móvel colapsaria em breve. Na prática, este apagão mostrou como ainda dependemos totalmente de ferramentas digitais para garantir o mínimo de inclusão e como tudo isso se desfaz quando a energia falha. Não existem planos de contingência específicos para situações de crise que envolvam pessoas surdas. Mais grave ainda, a maioria dos funcionários públicos e operacionais da proteção civil não tem formação em acessibilidade. Por outro lado, o impacto também não foi igual para todos. As pessoas surdas que vivem sozinhas, ou em zonas com poucos recursos comunitários, ficaram ainda mais expostas. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-apagao-1024x576.webp "202505 apagão - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## **Um olhar para o passado** Antes da era digital, antes dos smartphones e das videochamadas, a Comunidade Surda já comunicava e já se organizava. Antes da internet moldar a nossa forma de viver, a comunicação entre pessoas surdas fazia-se com base em rotinas comunitárias e encontros regulares. Os pontos de encontro eram essenciais, fossem nas associações, em cafés, nas escolas, e a informação circulava dentro do possível. E funcionava. Por isso, durante o apagão, pensei muito nisso. Em como, durante décadas, a sobrevivência da Comunidade Surda dependeu da presença física e da rede de apoio próxima. E em como isso foi possível graças a um sentido de comunidade que, em muitos contextos, se perdeu ou foi desvalorizado. Neste sentido, os pontos de encontro são uma solução imediata e realista. Até que sejam criadas alternativas acessíveis e eficazes para todas as pessoas, cabe à Comunidade Surda e às próprias associações organizarem-se para criar estratégias locais de comunicação em situações de crise. Não podemos depender apenas do Estado ou da tecnologia. A proximidade comunitária pode fazer a diferença entre o isolamento e a segurança. ## A importância das associações e da formação As associações de surdos desempenham um papel fundamental na criação de redes de apoio. Em tempos de crise, estas estruturas podem funcionar como pontos de referência seguros, onde a informação é partilhada de forma clara e onde se pode encontrar apoio. No entanto, é importante reconhecer que muitas dessas associações funcionam com recursos mínimos. Apesar do seu papel essencial, a maioria não tem funcionários permanentes e opera com base em trabalho voluntário. As que têm funcionários estão, muitas vezes, sobrecarregadas, precisamente porque têm de suprir as falhas das entidades que deviam, em primeiro lugar, garantir o cumprimento dos direitos das pessoas surdas e dar-lhes as respostas de que precisam. Ainda assim, as associações de surdos podem e devem ser envolvidas na definição de planos de ação locais, em articulação com a proteção civil e as autarquias. Isto inclui identificar pontos de encontro seguros, com sinalização acessível, e fomentar redes comunitárias capazes de atuar quando a tecnologia falha. Para além disso, é essencial investir em formações específicas para emergências, tanto para a Comunidade Surda como para os profissionais que atuam na área. As pessoas surdas devem saber como agir em diferentes cenários de crise. E os profissionais de emergência devem estar preparados para comunicar eficazmente com toda a população, sem excluir ninguém. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-luz-1024x576.webp "202505 luz - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## **Do apagão à ação política** O apagão de 28 de abril foi mais um teste à nossa capacidade de garantir direitos fundamentais em tempos de crise. E, mais uma vez, falhámos. O direito à informação, previsto na Constituição da República Portuguesa, não pode ser suspenso por falta de eletricidade ou de planeamento. > Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações. > > Constituição da República Portuguesa, artigo 37.º, alínea a) As eleições legislativas de 18 de maio trouxeram mudanças políticas importantes. Este é um momento decisivo para estarmos atentos e exigirmos que a acessibilidade não seja apenas uma promessa vã. As pessoas surdas, através das associações que as representam, têm um papel fundamental: fazer chegar às diferentes entidades a urgência de medidas concretas. É preciso legislar com clareza, garantir acessibilidade em situações de crise e incluir a Comunidade Surda nos planos de proteção civil. **Voltou a eletricidade. Agora falta garantir que a informação também chegue a todos.** **Categorias:** Acessibilidade, Política e Direitos --- ### [Entre dois mundos: o testemunho de uma jovem surda](https://apsurdos.org.pt/entre-dois-mundos-o-testemunho-de-uma-jovem-surda/) **Published:** Abril 18, 2025 **Author:** Margarida Santos **Excerpt:** Uma jovem surda relata o que sente ao viver entre dois mundos e deixa uma mensagem a quem, como ela, conhece o silêncio da exclusão social. **Content:** Uma jovem surda relata o que sente ao viver entre dois mundos e deixa uma mensagem a quem, como ela, conhece o silêncio da exclusão social. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-c6c06d1) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. *Este artigo foi escrito pela Margarida Santos e, a seu pedido, foi adaptado para Língua Gestual Portuguesa por [Mariana Bártolo.](/author/marianabartolo/)* ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-margarida-em-crianca-1024x769.webp "202504 - margarida em criança - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Margarida no jardim da infância, ainda na inocência da infância. Foto cedida por Margarida Santos. ## Entre a inocência da infância e a descoberta da exclusão Crescer sendo surda profunda foi, nos meus primeiros anos de vida, algo indiferente para mim. Desde sempre, vivi na minha realidade, sem sentir grande diferença. Não me sentia diferente e nem sequer compreendia que havia uma diferença. Era o meu mundo, e ele fazia sentido para mim. Contudo, a partir da adolescência – por volta dos 12 anos – comecei a tomar consciência de um sentimento que, até então, me era desconhecido: a exclusão. Esse sentimento tornava-se mais evidente, sobretudo nos contextos sociais – como os jantares de família ou as saídas com os meus amigos ouvintes. Nessas ocasiões, percebia que as risadas, as conversas rápidas, os segredos sussurrados e os momentos partilhados escapavam-me. **[Ficava de fora, sem que ninguém realmente quisesse isso.](/a-margem-da-mesa-a-experiencia-da-sindrome-da-mesa-de-jantar/)** ### Mas o silêncio, nesses momentos, não era paz, era solidão. E, paradoxalmente, por conviver maioritariamente com ouvintes, também me sentia afastada da comunidade surda. Vivia entre dois mundos, sem pertencer completamente a nenhum. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-margarida-familia-1024x681.webp "202504 - margarida família - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Margarida, a mais nova, com os seus pais e irmãos. Foto cedida por Margarida Santos. ## Quando comunicar é o primeiro gesto de pertença Ainda assim, o início da minha jornada foi marcado por uma aceitação muito natural. Quando os meus pais descobriram que eu era surda – tinha apenas seis meses – não hesitaram: procuraram imediatamente uma escola de referência para surdos. Mas o gesto que mais me comove até hoje foi o de amor incondicional da minha família. Todos – os meus pais, irmãos, avós, tios e primos – começaram a aprender a Língua Gestual Portuguesa. Não foi apenas um ato de inclusão, foi um ato de amor, de dedicação, de querer comunicar e partilhar o mundo comigo. A minha aprendizagem começou cedo. Com apenas seis meses, recebia os professores em casa. Aos 11 meses, comecei a frequentar a escola e, até hoje, continuo no mesmo agrupamento escolar, agora no 11.º ano. O percurso foi feito passo a passo, de forma muito natural, mesmo nos momentos em que a tristeza pela minha diferença aparecia. Recordo-me de, quando criança, não compreender por que razão tinha de ser diferente dos outros. A minha mãe dizia-me que eu era especial, mas não entendia o que havia de especial em não ouvir o que todos os outros ouviam. Hoje, com mais maturidade e autoconhecimento, aceitei-me. Percebi que a minha diferença não é um obstáculo – é uma força, uma identidade. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-margarida-amigas-1024x765.jpeg "202504 -margarida - amigas - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Com as suas amigas. Foto cedida por Margarida Santos. ## O dia-a-dia invisível de uma jovem surda Felizmente, nunca vivi situações explícitas de discriminação, o que reconheço como um privilégio. Ainda assim, a exclusão foi e é, às vezes, uma realidade silenciosa. Não por maldade, mas por desconhecimento ou distração. No mundo dos ouvintes, até dentro da minha própria família ou entre amigos, fui muitas vezes deixada de lado. Contudo, aos poucos, as pessoas à minha volta têm feito um esforço para incluir-me, para traduzir conversas, para lembrar-se de mim. Nem sempre acontece, mas há uma vontade crescente de melhorar, de fazer diferente. E isso significa muito. O meu desejo é que a Língua Gestual Portuguesa seja encarada com a mesma importância que o inglês ou até o português. Afinal, **[é uma das três línguas oficiais de Portugal](https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/decreto-aprovacao-constituicao/1976-34520775-49472775)** e, como tal, deveria ser ensinada e promovida da mesma forma. A sua aprendizagem não é apenas uma questão de acessibilidade, mas de respeito, de cidadania e de empatia. ## Para jovens como eu: não estás sozinho! **A minha história é apenas uma entre muitas.** Mas, se há algo que gostaria que ficasse deste relato, é que ser surda não é o que me limita – o que realmente limita são as barreiras invisíveis que a sociedade insiste em manter. Felizmente, há quem, como a minha família e os meus amigos, escolha derrubá-las, gesto a gesto, movimento a movimento, expressão a expressão! Para vocês, que se sentiram excluídos como eu… Sei o que é estarmos no meio de uma conversa e sentir que não fazemos realmente parte dela. Sei o que é vermos as risadas à nossa volta sem sabermos qual foi a piada. Sei o que é querermos falar, mas não termos ninguém que nos entenda. Sei o que é tentar acompanhar um mundo que, muitas vezes, não se esforça para nos incluir. Se também sentem isso, quero que saibam que não estão sozinhos. A exclusão pode ser silenciosa, mas a nossa voz – sim, a nossa voz! – é forte! Comunicamos com as mãos, com o olhar, com a expressão, com o corpo e com os movimentos. E isso é poderoso. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-margarida-amigos-1024x707.jpeg "202504 - margarida - amigos - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Uma saída com os amigos. Foto cedida por Margarida Santos. ## Ser jovem surda é resistir Crescer sendo surda profunda fez-me perceber que o problema nunca esteve em mim, mas sim nas barreiras que a sociedade impõe. Mas sabem o que mais aprendi? Que há pessoas que querem derrubar essas barreiras. A minha família e os meus amigos aprenderam Língua Gestual Portuguesa para comunicar comigo. Há professores que se esforçam para tornar o ensino mais acessível. E eu sei que ainda há muito a mudar, mas cada pequena atitude faz a diferença. Quero dizer-vos que a nossa presença importa. Que a nossa língua importa. Que a nossa identidade enquanto pessoas surdas é válida e valiosa. Não é errado sentir tristeza por ser deixado de parte, mas não deixem que essa tristeza vos faça duvidar do vosso valor. Juntos, podemos tornar o mundo mais acessível. Podemos exigir o nosso espaço, a nossa voz, os nossos direitos. E, acima de tudo, podemos apoiar-nos uns aos outros. Se algum dia duvidarem da vossa força, lembrem-se disto: ### Ser diferente não nos enfraquece, fortalece-nos. Nós somos a prova viva disso! **Categorias:** Crónicas --- ### [Cinema Português para Todos: O Lugar dos Sonhos](https://apsurdos.org.pt/cinema-portugues-para-todos-o-lugar-dos-sonhos/) **Published:** Outubro 31, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** O Lugar dos Sonhos abriu as portas do cinema português à Comunidade Surda — um passo histórico rumo a uma cultura verdadeiramente acessível. **Content:** *O Lugar dos Sonhos* abriu as portas do cinema português à Comunidade Surda — um passo histórico rumo a uma cultura verdadeiramente acessível. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-9b09cd5) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/202510-cartazfilme.webp "202510-cartazfilme - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Cartaz das sessões do filme O Lugar dos Sonhos acessíveis para a Comunidade Surda. No verão fui ao cinema, não para ver *O Lugar dos Sonhos*, mas outro filme qualquer. Antes da sessão, passou o trailer desse novo filme português, realizado por **Diogo Morgado**. Bastou perceber a ausência de legendas para surgir aquele pensamento automático: “Mais um filme português sem legendas.” Há um cansaço que se entranha quando o padrão se repete demasiadas vezes. Depois de tantas lutas pela acessibilidade e de tantas promessas, já nem há indignação. Fica apenas a constatação de que, mais uma vez, não é para nós. Naquele momento, não me ocorreu travar mais uma batalha. Quis apenas desligar o espírito militante e aproveitar a noite. Algum tempo depois, voltei a ouvir falar de *O Lugar dos Sonhos*. O título reapareceu nas redes sociais, desta vez acompanhado por algo que me chamou a atenção: o nome do filme escrito em letras do alfabeto manual e o anúncio de uma sessão legendada e interpretada em Língua Gestual Portuguesa (LGP). À medida que as partilhas aumentavam, crescia também a curiosidade dentro da Comunidade Surda. Setembro é o Mês Internacional das Pessoas Surdas. Por isso, muitos pensaram, naturalmente, que o filme seria sobre pessoas surdas. Contudo, não era esse o caso. Ainda assim, o que estava prestes a acontecer era inédito: um filme português com acessibilidade comunicacional completa, projetado em várias cidades do país ao mesmo tempo. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/202510cinema-1024x577.webp "202510cinema - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A Comunidade Surda em peso no cinema NOS Amoreiras, em Lisboa. Fotografia de Pedro Mourão. ## O cinema português abriu as suas portas para a Comunidade Surda A ideia nasceu de uma história simples. A [**Rosa Bela**](https://www.instagram.com/p/DPY-TLYjOVR/), que é atriz e trabalha na Cinemate, a produtora do filme, é também filha de pais surdos. Ao perceber que eles nunca poderiam ir ao cinema e compreender o filme, por não saberem ler e escrever, teve uma ideia: criar uma sessão acessível para que também eles pudessem viver essa experiência. Da vontade de uma filha, nasceu um movimento. A NOS acolheu a proposta, e no dia 15 de outubro, exibiu *O Lugar dos Sonhos* em doze salas de cinema espalhadas pelo país, incluindo os Açores e a Madeira, todas às 21 horas. Nessa noite, as salas encheram-se de rostos familiares. Pessoas surdas de várias gerações, amigos reencontrados, famílias, intérpretes, curiosos. As conversas misturavam-se num bailado de mãos, expressões e risos. Era mais do que uma ida ao cinema. Era uma ocupação cultural, um momento coletivo de pertença. Pela primeira vez em muitos anos, senti que o cinema português se abria para nós. E isso, só por si, já era histórico. O filme, de tom familiar, cómico e melancólico, conta a história do João, um rapaz de 10 anos viciado em videojogos e redes sociais. Durante uns dias, passa tempo com o avô Júlio, um antigo projecionista de cinema que mantém o seu velho videoclube, “O Lugar dos Sonhos”. Longe dos ecrãs modernos, o João aventura-se pelos filmes. Assim, descobre a magia das memórias e a importância das relações entre gerações. O filme torna-se um regresso à simplicidade, à presença e à imaginação. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/lugar-dos-sonhos-II-1024x499.webp "lugar dos sonhos II - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Frame que representa o avô Júlio e o João, protagonistas do filme. Imagem retirada do Google Images. ## Entre as imagens, os gestos e as legendas A versão acessível contou com legendagem e interpretação em LGP, esta última feita pela intérprete Alexandra Ramos, também filha de pais surdos. As legendas apresentavam-se no formato clássico *close caption*, com cores e descrições sonoras, lembrando o antigo teletexto 888 que tantas pessoas surdas usaram durante décadas para poder acompanhar novelas e programas televisivos. Há uma certa nostalgia nisso. Em parte, é um regresso à infância, quando a acessibilidade era uma conquista feita programa a programa. Para mim, neste filme, as legendas tiveram um valor especial: permitiram-me aceder a expressões idiomáticas e culturais da língua portuguesa às quais, de outro modo, não teria acesso. A janela de interpretação, posicionada no canto inferior direito do ecrã, exigia algum tempo de adaptação. Para quem nunca viu um filme assim, pode parecer estranho. A atenção divide-se entre o filme em si, a legendagem e a interpretação. Inevitavelmente, alguns pormenores perdiam-se. Além disso, há aspetos técnicos a rever. A sobreposição de alguns frames e o *chroma key* por vezes dificultavam a leitura gestual. As legendas omitiram as letras das músicas, o que empobreceu a experiência musical, sobretudo para pessoas surdas que não dominam a LGP. Em suma, são pequenos ajustes que fazem diferença. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/leila-hanaumi_1-1.webp "leila-hanaumi_1 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") "Barbie, the Movie", na versão em Língua Gestual Americana, interpretada por Leila Hanaumi. ## Por um cinema com espaço para pessoas surdas Apesar do mérito, há também fragilidades a apontar e é importante dizê-lo, porque só a crítica construtiva faz evoluir. Qualquer interpretação pode beneficiar de uma consultoria linguística feita por pessoas surdas, garantindo maior fidelidade cultural e idiomática. A título de exemplo, as personagens foram referidas apenas como “mãe”, “avô”, “filho” ou “amiga”, em vez de Sofia, Júlio, João e Inês, sem nomes gestuais próprios. Esse detalhe acabou por gerar alguma confusão à medida que a narrativa se tornava mais densa. Estas observações não diminuem o valor da iniciativa; pelo contrário, reforçam a importância de equipas verdadeiramente colaborativas, onde profissionais surdos e ouvintes trabalham lado a lado desde o início do processo. A presença de profissionais surdos nas equipas — como consultores, tradutores, intérpretes ou atores — enriquece qualquer projeto e torna-o culturalmente coerente. A acessibilidade plena só se concretiza quando é construída *com* as pessoas surdas, e não apenas *para* elas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a versão em língua gestual americana (*American Sign Language*, ASL) do filme *Barbie* contou com a participação da intérprete surda **[Leila Hanaumi](https://people.com/all-about-barbie-sign-language-performer-leila-hanaumi-8420195)**, cuja presença acrescentou uma dimensão de identidade e pertença à obra. Em Portugal, estamos apenas a dar os primeiros passos. Mas é assim que tudo começa: com gestos concretos, ainda que imperfeitos, que abrem caminho a uma nova consciência cultural. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/202510rosabela-1024x577.webp "202510rosabela - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") O momento emotivo em que Rosa Bela conta a sua história, enquanto filha de pais surdos, perante espetadores surdos no cinema NOS Amoreiras. Fotografia de Pedro Mourão. ## De um sonho individual a uma conquista coletiva Para lá das críticas, é essencial perceber o que este momento representa. Num país onde o cinema português raramente é legendado e onde as sessões acessíveis são exceção, ver doze salas cheias de pessoas surdas foi formidável. Assim, *O Lugar dos Sonhos* tornou-se, por um instante, uma metáfora para algo maior: o sonho de um cinema que pertença a todos. No final da sessão em Lisboa, no Cinema NOS Amoreiras, a emoção foi palpável. A Rosa Bela veio ter connosco e contou a história que inspirou tudo isto: o amor pelos pais e a vontade de lhes oferecer o prazer simples de compreender um filme do início ao fim. Disse também que aquela tinha sido a primeira vez que a mãe tinha ido ao cinema. Havia lágrimas, sorrisos, e muitas mãos aplaudindo no ar. Foi um daqueles momentos em que a cultura deixa de ser “acessível” e passa a ser “nossa”. Quando criámos a **[Voz Gestual](/voz-gestual/)**, há quase um ano, imaginámos um espaço onde as pessoas surdas pudessem falar na sua voz – nas suas vozes gestuais e escritas — sobre o que as toca, o que as representa e o que ainda as exclui. Esta é a primeira review feita nesse espírito. E *O Lugar dos Sonhos* merece esse lugar. Não por ser perfeito, mas por ter ousado ser possível. Afinal, a acessibilidade não é um ponto de chegada. É um caminho partilhado, que se constrói com escuta, tempo e vontade. E talvez o mais bonito deste filme seja isso mesmo: ter-nos lembrado de que sonhar, juntos, é o primeiro passo para mudar a realidade. O meu bilhete, esse, já está guardado, como símbolo de um sonho que, pela primeira vez, começou a ganhar forma. **Categorias:** Notícias --- ### [Mercado Surdo: o sucesso do primeiro em Portugal](https://apsurdos.org.pt/mercado-surdo-o-sucesso-do-primeiro-em-portugal/) **Published:** Outubro 17, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** O primeiro Mercado Surdo reuniu artistas e empreendedores surdos em Lisboa, com mais de 150 visitantes e um impacto marcante na comunidade. **Content:** O primeiro Mercado Surdo reuniu artistas e empreendedores surdos em Lisboa, com mais de 150 visitantes e um impacto marcante na comunidade. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-7a29455) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. No passado sábado, **11 de outubro**, Lisboa viveu um momento histórico para a Comunidade Surda em Portugal. A sede da **[Associação Portuguesa de Surdos (APS)](/)** acolheu o **primeiro Mercado Surdo** ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/202510-mercadobancas-1024x576.webp "202510-mercadobancas - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia por Ângelo Bártolo (Signomy) ### Um espaço cheio de vida e reencontros Ao longo do dia, entre as **10h e as 20h**, a sede da APS — situada entre **Telheiras e o Lumiar** — recebeu **mais de 150 visitantes** vindos de várias regiões do país. Assim, o primeiro Mercado Surdo rapidamente ganhou vida: reencontros e celebração marcaram o ambiente do evento. Muitas pessoas surdas voltaram a ver-se após anos, enquanto a comunicação fluía de forma natural em **Língua Gestual Portuguesa (LGP)**, o verdadeiro coração do evento. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/202510-carolinapatricio-1024x576.webp "202510-carolinapatricio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia por Ângelo Bártolo (Signomy) ## Mercado Surdo: 16 bancas de talento O evento contou com **16 bancas**, incluindo a da APS e a da **[Hoyara Jewellery](https://www.hoyarajewellery.com/)**, que coorganizou esta primeira edição. Estiveram representadas diversas áreas criativas: **joalharia, vestuário, artesanato, doçaria, pintura, reiki, nails art, tatuagens, têxtil, acessórios e design**. Duas bancas destacaram-se pelo entusiasmo do público — **Carolina Patrício (nails art)** e **Anabela Pereira (tatuagens)** —, que continuaram a atender clientes mesmo após o encerramento às 20h. O feedback dos expositores foi unânime: o evento superou todas as expectativas em termos de vendas, envolvimento e reconhecimento. ### Acessibilidade para ouvintes no Mercado Surdo Garantiu-se a **acessibilidade** com o apoio de **duas intérpretes de Língua Gestual Portuguesa**, assegurando a comunicação com visitantes ouvintes sempre que necessário. Ainda assim, interagiu-se de forma espontânea através da escrita e da mímica, evidenciando que a vontade de comunicar é mais forte do que qualquer barreira. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/202510-maosquecantam-1024x576.webp "202510-maosquecantam - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia por Ângelo Bártolo (Signomy) ## Um impacto duradouro na comunidade surda O **impacto do primeiro Mercado Surdo** foi profundo e inspirador. Pela primeira vez, muitos **empreendedores surdos** puderam apresentar o seu trabalho ao público, conquistando visibilidade e reconhecimento. O evento mostrou o talento e a diversidade que caracterizam a comunidade surda portuguesa, reforçando a importância de criar espaços liderados por surdos, para surdos. Dado o sucesso desta edição inaugural, a APS já confirmou a intenção de **realizar o Mercado Surdo anualmente**, incorporando melhorias com base na experiência adquirida e no feedback recebido dos participantes. **Mais do que um simples mercado, esta primeira edição representou um marco cultural e identitário.** Aqui, criou-se um espaço onde a comunidade surda pôde celebrar o seu talento, partilhar conhecimento e afirmar a importância da **Língua Gestual Portuguesa** como língua viva e central na comunicação. A energia sentida ao longo do dia revelou algo maior do que o próprio evento: **uma vontade coletiva de continuar a construir espaços liderados por pessoas surdas, para pessoas surdas — mas abertos a todos.** Em suma, o Mercado Surdo foi mais do que uma estreia bem-sucedida; foi um lembrete poderoso de que, **quando a comunicação é verdadeiramente acessível, todos ganham.** **Categorias:** APS, Arte e Cultura, Notícias --- ### [67.º Aniversário da Associação Portuguesa de Surdos](https://apsurdos.org.pt/67-o-aniversario-da-associacao-portuguesa-de-surdos/) **Published:** Setembro 24, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** APS celebra 67 anos de história, resistência e conquistas pela Comunidade Surda e pela Língua Gestual Portuguesa em Portugal. **Content:** APS celebra 67 anos de história, resistência e conquistas pela Comunidade Surda e pela Língua Gestual Portuguesa em Portugal. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-ebc4dc9) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Em 1958, a Associação Portuguesa de Surdos foi fundada. Poucos imaginariam que, quase sete décadas depois, a instituição continuaria a ser um ponto de referência para milhares de pessoas surdas. O país vivia ainda sob um regime fechado, marcado pela desigualdade e pelo silêncio em torno de muitas minorias. Para a comunidade surda, a invisibilidade era quase total. Não havia políticas públicas, não havia acesso real à educação em Língua Gestual, não havia reconhecimento da sua identidade. ![Sócio Fundador António Freire a segurar a bandeira da APS](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/202509-antoniofreire.webp "202509-antoniofreire - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") António Freire, um dos sócios fundadores, no 64.º aniversário da APS. Fotografia por Signomy. Foi nesse cenário adverso que um grupo de pessoas ousou organizar-se. A criação da APS nasceu de uma necessidade urgente, mas também de uma coragem rara. Tratava-se de dar voz a uma comunidade esquecida. De construir um espaço de encontro e de luta comum. De afirmar a Língua Gestual Portuguesa como identidade cultural e como ferramenta essencial de cidadania. Mais do que uma associação, a APS tornou-se um símbolo de resistência e de futuro. A semente lançada germinou num terreno difícil e abriu caminho para gerações que já não aceitariam viver na sombra. Porém, deu origem a uma história de 67 anos marcada por mudanças profundas, conquistas inesperadas e uma comunidade cada vez mais consciente da sua força. Ao longo de 67 anos, a APS foi atravessando tempos de mudança e soube adaptar-se a cada um deles, acompanhando transformações políticas, sociais e culturais que marcaram o país. Esteve presente em momentos decisivos, desde a conquista de direitos fundamentais até ao reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa. Pelo caminho, acumulou vitórias importantes: [a consagração da Língua Gestual Portuguesa na Constituição](https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/decreto-aprovacao-constituicao/1976-34520775-49472775#:~:text=h%29%20Proteger%20e%20valorizar%20a%20l%C3%ADngua%20gestual%20portuguesa%2C%20enquanto%20express%C3%A3o%20cultural%20e%20instrumento%20de%20acesso%20%C3%A0%20educa%C3%A7%C3%A3o%20e%20da%20igualdade%20de%20oportunidades%3B), a abertura de novas oportunidades de educação e emprego para pessoas surdas, o fortalecimento de uma cultura própria que encontrou espaço em teatros, livros e exposições, a afirmação no desporto com equipas que levaram o nome da comunidade mais longe, e a participação em redes internacionais que deram visibilidade a Portugal e criaram pontes de colaboração. A formação de intérpretes, também impulsionada pela APS, acompanhou este movimento, mas sempre como meio para um fim maior. Este foi garantir que as pessoas surdas pudessem ocupar o seu lugar na sociedade com autonomia e dignidade. Nenhuma destas conquistas aconteceu de forma automática. Não foram apenas o resultado de leis aprovadas ou de boas intenções no papel. Cada avanço foi construído passo a passo, fruto da persistência de pessoas concretas que recusaram a resignação, que se organizaram, que enfrentaram barreiras e que acreditaram que valia a pena lutar por mais. Este aniversário é, por isso, também um tributo a todas as pessoas surdas que se organizaram e deram forma à APS, a dirigentes que sacrificaram tempo e energia em prol da comunidade, a técnicos e intérpretes que dedicaram anos ao serviço da acessibilidade, e a parceiros e amigos que compreenderam a importância de caminhar connosco. É impossível contar a história da APS sem falar da coragem, da resiliência e da criatividade da própria Comunidade Surda, que sempre esteve no centro deste percurso. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/202509-avenidaliberdade.webp "202509-avenidaliberdade - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Pintura da antiga sede na Avenida da Liberdade. Original por Carlos Ferro, oferecida para o 50.º aniversário da APS, mas editada com IA para estar em formato widescreen (com algumas imprecisões face à pintura original). Celebrar 67 anos não é apenas olhar para trás com nostalgia; é reconhecer que cada etapa trouxe novos desafios e que o futuro não será mais fácil. A sociedade portuguesa continua a ter barreiras que impedem uma plena participação das pessoas surdas. É preciso garantir intérpretes qualificados em mais contextos. Reforçar a presença da LGP nos serviços públicos. Valorizar a juventude surda que hoje procura o seu espaço. Respeitar a memória dos mais velhos, que guardam as raízes desta luta. Também é necessário investir em novas tecnologias, em plataformas digitais acessíveis, em projetos culturais e desportivos que mostrem a riqueza da nossa identidade. Entrar no 68.º ano de vida é assumir um compromisso renovado: continuar a ser uma associação de referência, capaz de responder às necessidades do presente sem esquecer o legado do passado. A APS quer ser mais do que uma instituição que presta serviços; quer ser uma casa aberta, onde a Comunidade Surda se reconhece, se fortalece e encontra caminhos para o futuro. A todos os que estiveram connosco neste percurso, o nosso profundo agradecimento. Aos que agora se juntam, o convite para continuar a escrever esta história connosco. Porque na APS não são apenas paredes ou estatutos. Existe uma comunidade viva, feita de pessoas, de língua, de cultura e de sonhos que não se deixam apagar. **Categorias:** Notícias --- ### [Comunicação social: por Sinésio Cá e por mais dignidade](https://apsurdos.org.pt/comunicacao-social-por-sinesio-ca-e-por-mais-dignidade/) **Published:** Julho 25, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** Uma homenagem a Sinésio Cá e um apelo a uma comunicação social mais justa, que respeite a memória, a dignidade e a voz das pessoas surdas. **Content:** Uma homenagem a Sinésio Cá e um apelo a uma comunicação social mais justa, que respeite a memória, a dignidade e a voz das pessoas surdas. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-102fec3) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. > Sinésio Cá, um jovem surdo de 18 anos, morreu na Lagoa do Falcão. A forma como a sua história foi tratada pelos meios de comunicação deixou a Comunidade Surda revoltada. Este artigo procura honrar a sua memória e questionar como a comunicação social continua a perpetuar estereótipos sobre as pessoas surdas. Na quarta-feira, 16 de julho de 2025, a Comunidade Surda perdeu um dos seus: o **Sinésio Cá**, jovem surdo de 18 anos, morreu na **Lagoa do Falcão**, em Torres Vedras, durante uma excursão da Casa Pia de Lisboa. O Sinésio era um jovem cheio de sonhos e de sorriso fácil. Era querido entre amigos e determinado a tornar-se jogador profissional de basquetebol e chegar à NBA. Era amigo, filho, atleta, sonhador. Mas para a comunicação social, o Sinésio foi reduzido a um “jovem desaparecido”, ou pior, um “jovem que não sabia nadar”, ignorando por completo quem ele era. ## Como a comunicação social falhou O jornal Correio da Manhã publicou, no dia seguinte, um título que dizia: *“Rapaz de 18 anos não sabia nadar, mas mergulhou com colega sem os responsáveis se aperceberem.”* Esta formulação, além de fria e desumanizante, espalhou desinformação. Os amigos e os familiares garantem que o Sinésio sabia “*nadar muito bem”* (sic). Não usava colete porque se encontrava na zona balnear. O jornal também se referiu a “problemas de comunicação” entre os amigos, quando na verdade eles nadavam e brincavam juntos momentos antes do seu desaparecimento. Vários jornais repetiram a versão do Correio da Manhã. Não confirmaram os factos com as testemunhas ou pessoas próximas. Outros órgãos, como a **[TVI](https://tviplayer.iol.pt/programa/jornal-nacional/63e6588b0cf2665294d4f012/video/6879545b0cf216cd3ad38bd0)**, reforçaram estes erros em horário nobre e usaram termos como “surdo‑mudo” para se referir ao Sinésio — um termo incorreto e ofensivo, rejeitado há muito pela Comunidade Surda. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/202507-jornais-1024x576.webp "202507 - jornais - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Vários exemplos de notícias com títulos que destacam os termos "surdo-mudo" e "linguagem gestual". ## Um problema que não começou aqui O caso do Sinésio é apenas mais um capítulo numa longa história de más práticas jornalísticas sobre as pessoas surdas. Exemplos não faltam: - *“Pescador surdo‑mudo impedido de ir ao mar”* — Correio da Manhã, 2007 - *“Surdo‑mudo condenado por violação”* — Correio da Manhã, 2012 - *“O surdo‑mudo foi morto por um mal‑entendido”* — Jornal de Negócios, 2020 - *“Surdo‑mudo que abusou da filha condenado a sete anos de prisão”* — SAPO Lifestyle, 2015 - *“Menino surdo‑mudo salvo na Índia”* — Diário de Notícias, 2022 - *“Surdo‑mudo salvo de incêndio graças aos vizinhos”* — Correio da Manhã, 2024 Nestes títulos, o termo “surdo‑mudo” domina as narrativas, reduzindo a pessoa à surdez e apagando a sua identidade. Além de incorreto, o rótulo sugere que as pessoas surdas não têm voz, autonomia ou capacidade para comunicar, o que é falso. Por vezes, é ainda pior – quando as pessoas surdas cometem crimes, a surdez é colocada no centro da narrativa, como se explicasse a sua maldade. Os intérpretes de língua gestual são igualmente vistos como “ajudantes” e não como profissionais que traduzem entre duas línguas. A comunicação social ainda chama à Língua Gestual Portuguesa “linguagem gestual”. Assim, desvaloriza o seu estatuto já reconhecido na Constituição desde 1997. Esta linguagem faz a sociedade ver as pessoas surdas como frágeis, incapazes, mudas, contribuindo para o **[audismo](/audismo-o-preconceito-silencioso-contra-as-pessoas-surdas/)**. Esse preconceito alimenta a exclusão em escolas, no trabalho e nos serviços públicos, aliás em toda a cidadania. Por isso, devemos exigir um jornalismo mais responsável, que trate as pessoas surdas com a dignidade e o respeito que merecem. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/202507-instagram-sinesio-1024x576.webp "202507 - instagram sinésio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Exemplos de textos que circularam nas redes sociais, a expressar a revolta por as informações sobre a situação do Sinésio terem sido erroneamente divulgadas nos meios de comunicação social. ## A Comunidade Surda repõe a verdade Indignados com as distorções, os amigos e familiares de Sinésio e vários membros da Comunidade Surda reagiram nas redes sociais. Imagens de jornais circularam com anotações a corrigir os erros. Ao contrário do que foi dito pela comunicação social, ele sabia nadar e não havia coletes naquela área. O socorro demorou mais do que o reportado e não houve falhas de comunicação entre os amigos. E, mais uma vez, os meios de comunicação usaram termos incorretos e desrespeitosos. Essas publicações, vindas sobretudo de quem o conhecia, acabaram por fazer o papel que a comunicação social deveria ter cumprido: transmitir a verdade e honrar a memória do jovem. Importa referir que, até ao momento em que este artigo é escrito, as entidades competentes ainda não divulgaram os resultados oficiais da autópsia. Espera-se que esses esclarecimentos tragam alguma paz aos familiares e amigos e que sejam tratados com a seriedade e o respeito que o Sinésio merece. ## Por uma comunicação social mais justa e humana Este artigo homenageia, acima de tudo, o Sinésio. É também um apelo a uma comunicação social mais responsável: que conte histórias com humanidade e que use palavras certas — **pessoa surda**, nunca “surdo‑mudo”; **Língua Gestual Portuguesa**, nunca “linguagem gestual”. O Sinésio não foi apenas uma vítima. Foi um jovem com espírito de luta, com vida, alegria, sonhos e dignidade. Queria o melhor para a Comunidade Surda. A sua história merece ser contada assim. Quando a comunicação social falha, qualquer cidadão pode e deve agir. É possível apresentar queixa à **[Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC)](https://www.erc.pt/pt/portal-das-participacoes/)**, que tem competência para analisar e sancionar práticas jornalísticas que violem a ética ou a lei. As denúncias podem ser feitas diretamente através do site oficial da ERC, indicando os detalhes da publicação ou emissão, o meio de comunicação, a data e a razão da queixa. Estas chamadas de atenção responsabilizam os meios de comunicação e contribuem para um jornalismo de qualidade. ## Nota final Este artigo marca também o início do verão para a **[Voz Gestual](/voz-gestual/)****.** Em setembro, voltaremos com o compromisso de continuar a dar espaço às vozes da Comunidade Surda, de informar com verdade, de denunciar injustiças e de celebrar as conquistas que nos pertencem. Continuaremos a escrever, a gestuar, a resistir e a honrar quem somos – por nós e pelo Sinésio. **Nota adicional:** *Os vídeos de Sinésio neste artigo foram realizados por Ângelo Bártolo (Signomy), no contexto do X Encontro Nacional de Jovens Surdos (2023), organizado pela Comissão Nacional de Juventude Surda.* **Categorias:** Opinião, Política e Direitos --- ### [Entre o silêncio que acalma e o que isola](https://apsurdos.org.pt/entre-o-silencio-que-acalma-e-o-que-isola/) **Published:** Julho 11, 2025 **Author:** Catarina Dias **Excerpt:** O relato de uma filha de mãe surda sobre barreiras invisíveis, audismo, silêncio imposto e a necessidade de inclusão real nos serviços de saúde. **Content:** O relato de uma CODA sobre barreiras invisíveis, audismo, silêncio imposto e a necessidade de inclusão real nos serviços de saúde. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-2f2eee2) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Às sextas-feiras, espero pela Voz Gestual como quem espera por uma boa amiga. Aquela amiga com quem nos sentamos com um chá e nos perdemos em conversas que tanto nos alegram como nos desafiam a pensar. A Voz Gestual tornou-se para mim uma porta aberta para a Comunidade Surda… uma janela de conhecimento, memória e identidade. A surdez é frequentemente invisível. No entanto, muitas pessoas surdas, apesar de utilizarem aparelhos auditivos ou se expressarem oralmente, enfrentam barreiras significativas na comunicação. Foi precisamente enquanto digeria três artigos recentes: “**[O que é ser surdo?](/o-que-e-ser-surdo/)**”, “[**Alexander Graham Bell e a Comunidade Surda**](/alexander-graham-bell-e-a-comunidade-surda-o-lado-obscuro/)” e “[**O Apagão de 28 de Abril**](/o-apagao-de-28-de-abril-acessibilidade-em-crise/)”, que comecei a pensar na minha própria experiência como CODA (Child of Deaf Adults – filha de pessoa surda). ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/202507-triste.webp "202507-triste - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia de Jeremy Wong (Unsplash). ## O peso da marginalização e do não reconhecimento da diversidade auditiva Este tipo de exclusão, como a Voz Gestual já nos explicou, tem um nome: audismo. É a discriminação (consciente ou inconsciente) contra pessoas surdas, baseada na suposição de que ouvir e falar são superiores… e muitas vezes, quem pratica audismo fá-lo sem má intenção, sejam professores, profissionais de saúde ou até familiares. Nos anos 60, em Portugal, a Língua Gestual Portuguesa (LGP) era proibida. A minha mãe, como tantas outras pessoas surdas da sua geração, foi empurrada para a leitura labial. Nunca teve a oportunidade de aprender a língua da comunidade que poderia ser sua. (E para quem acha que leitura labial é “fácil”, deixo um desafio: peçam a alguém que faça os sons das letras M, B e P. Agora digam se conseguem distinguir qual é qual… sem som. Sejam sinceros!) À minha mãe, como a tantas outras pessoas da sua geração, foi negada a possibilidade de crescer numa comunidade que a compreendesse, por decisões tomadas por pessoas bem-intencionadas, mas sem conhecimento real das suas necessidades. Mais de cinquenta anos depois, o desconhecimento persiste e os estereótipos mantêm-se. A minha mãe cresceu sem se identificar como surda. Se lhe perguntarem, diz que não é surda porque ouve com o aparelho. Porquê? Porque lhe disseram, desde cedo, que os surdos não falam. A sua surdez foi frequentemente desvalorizada por saber falar. Quando a sua audição mudou, aos 13 anos, diziam-lhe: “Não és surda-muda, sabes falar!” Quando começou a usar aparelho auditivo, disseram-lhe: “Não és surda, ouves com o aparelho”. ### Quando a surdez não se mostra, muitos esquecem que ela existe, como se a ausência de gestos ou uso de aparelhos apagasse a diferença. Estas mensagens refletem a influência do oralismo, defendido por Bell, que acreditava que as pessoas surdas deviam adaptar-se ao modelo da sociedade ouvinte, aprendendo a falar em vez de usar língua gestual. Esta visão moldou políticas educativas que desencorajaram (e muitas vezes proibiram) o uso da língua gestual, privando gerações de surdos de uma língua, de uma comunidade e de uma identidade. Apesar de falar bem e usar aparelhos auditivos, a minha mãe continua a enfrentar grandes dificuldades de comunicação. Vive com a fadiga de tentar compreender e a ansiedade de não perceber o que se passa à sua volta. Nunca aprendeu LGP, não por escolha, mas por imposição. Tudo isto demonstra que a falta de conhecimento sobre a surdez permanece uma das maiores barreiras. E, nos hospitais, essa falta de conhecimento pode transformar-se num risco real, porque a comunicação é essencial nos cuidados de saúde. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/202507-linguagestual.webp "202507-linguagestual - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia de Tessy Negrillo (Unsplash). ## Uma língua a ensinar, um sistema a repensar A comunicação não deve ser um luxo… é uma necessidade e um direito e a LGP deve ser ensinada nas escolas. Mas deve também ser integrada noutros contextos, especialmente nos hospitais. Os hospitais salvam vidas. Mas também são lugares onde muitas pessoas surdas sofrem, não só pelas doenças, mas pela ausência de comunicação. Imaginem: uma pessoa surda acorda da anestesia. A visão ainda turva, os sons ausentes, e ninguém que comunique em LGP. Onde estou? Estou viva? O que aconteceu? O medo é ampliado por um silêncio que não devia existir. E se o médico ou o enfermeiro não sabe comunicar? Também sofre. Porque quer ajudar, mas sente-se impotente. A maioria dos profissionais de saúde não tem formação para lidar com a comunidade surda… e está já sobrecarregada com excesso de trabalho. Falo também enquanto CODA. Muitas vezes, sinto que estou constantemente a fazer *codasplaining* (um termo que descreve quando filhos de pessoas surdas têm de estar sempre a explicar, traduzir, justificar, ou assumir o papel de intérprete informal, muitas vezes, sem escolha). E isso esgota! Já acompanhei a minha mãe várias vezes ao hospital e quase sempre tenho de repetir… uma, duas, três, quatro, cinco vezes que ela é surda. Mesmo assim, ouço pessoas a falar com ela de costas, com a máscara na cara, a gritar “não faça assim que é perigoso”, sem sequer a olharem nos olhos. E eu, ali, a relembrar (mais uma vez) que a minha mãe é surda. A construir pontes onde já deviam existir caminhos. E, às vezes, não é só a surdez da minha mãe que passa despercebida… é ela inteira que se torna invisível. As perguntas são feitas a mim. As decisões são comentadas comigo. E ela, presente, deixa de ser vista, como se não ouvir significasse não estar. Desde que me lembro, dou por mim a ter conversas que não entendo bem, porque, para muitos, a minha mãe simplesmente… não existe! E isto não acontece só com pessoas surdas que usam LGP. Há quem seja surdo e não utilize língua gestual. Há quem ouça, mas não fale. Há quem se comunique melhor por escrita, por leitura labial, por tecnologia assistiva. A comunicação deve ser adaptada, personalizada, humana. A surdez é um espectro, e não existe uma só forma de comunicar. A inclusão não se faz apenas com boas intenções. Faz-se com preparação, com recursos, com políticas públicas e formação adequada. Não para sobrecarregar ainda mais os profissionais de saúde, mas para lhes dar ferramentas para cuidarem melhor, com menos frustração, mais eficácia e, acima de tudo, mais humanidade. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/202507-maternidade.webp "202507-maternidade - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia de Aditya Romansa (Unsplash). ## Compreender para poder cuidar A maior parte dos pais de crianças surdas são ouvintes. E quando recebem o diagnóstico, muitos sentem-se perdidos. Procuram respostas em médicos que, sendo formados numa lógica biomédica, tendem a ver a surdez como algo a corrigir. Fala-se em aparelhos auditivos, implantes cocleares, terapias da fala. Mas quase nunca se fala de identidade, de comunidade, de LGP. Porque o foco é curar, não integrar. E quem melhor para acompanhar esses pais do que pessoas surdas… com diferentes vivências, línguas e percursos, que compreendem por dentro o que é crescer num mundo que nem sempre está preparado para a diferença? Por isso, penso ser crucial que os hospitais integrem pessoas surdas nas equipas ou, pelo menos, estabeleçam uma articulação real e contínua com associações e representantes da comunidade surda. Porque ninguém melhor do que quem vive essa realidade para apoiar, orientar e acolher famílias que estão a dar os primeiros passos num território desconhecido. Estudos europeus, incluindo trabalhos realizados por instituições, como a [**European Union of the Deaf**](https://eud.eu/eud-represents-the-rights-of-deaf-people-in-healthcare-access-workshop-in-brussels/), mostram que a presença de intérpretes e profissionais surdos nos serviços de saúde melhora significativamente os resultados clínicos, reduz o stress e aumenta a confiança dos pacientes surdos. Em Portugal, o estudo “[**Cuidar de mulher surda: desafios para a Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica**](https://comum.rcaap.pt/bitstreams/7d6b49aa-4731-4fe8-b05a-4c968aea1b23/download)” aborda precisamente a invisibilidade da pessoa surda nos contextos hospitalares e como isso afeta o acesso aos cuidados. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/202507-hospital2.webp "202507-hospital2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia de Eriel Ezequiel Reves Saviñon (Unsplash). ## Um sistema mais justo para todos Ser surdo é uma forma diferente de estar no mundo. Os hospitais, como espaços de cuidado, devem garanti-lo a todos, independentemente da forma como comunicam. Não se trata de culpar os profissionais de saúde… longe disso. Muitos deles trabalham sob uma pressão constante, a enfrentar turnos longos, escassez de recursos, equipas reduzidas e uma lista interminável de responsabilidades. São frequentemente chamados a responder a situações complexas e urgentes, muitas vezes, sem tempo sequer para respirar. Nesse contexto, esperar que dominem todos os aspetos da comunicação com todos os tipos de pacientes, incluindo os surdos, sem o apoio necessário, é simplesmente injusto. A verdade é que também eles são vítimas de um sistema que não os prepara para a diversidade comunicacional dos utentes que atendem. Não é por falta de empatia ou vontade, mas por falta de formação específica, de tempo e de apoio institucional. Por isso, as mudanças necessárias devem ser estruturais, e não individuais: mais formação em Língua Gestual Portuguesa, mais intérpretes disponíveis nos serviços de saúde, e mais envolvimento direto da comunidade surda na criação de soluções acessíveis. Simples medidas também podem fazer a diferença. Assim como existem pulseiras de cores diferentes para identificar rapidamente o nível de gravidade clínica de um paciente, poderia existir uma pulseira específica que sinalize, de forma imediata e discreta, que aquele paciente é surdo ou tem outra necessidade comunicacional. Esta pequena ação poderia prevenir mal-entendidos, reduzir a ansiedade e garantir uma resposta mais adequada desde o primeiro contacto. Para construirmos um sistema de saúde verdadeiramente inclusivo, tanto para quem cuida como para quem é cuidado, é essencial que trabalhemos juntos. A surdez pode não se ver… mas a acessibilidade tem de se fazer ver! **Categorias:** Opinião --- ### [Futsal para Surdos: Conquista do 12.º Campeonato Nacional](https://apsurdos.org.pt/futsal-para-surdos-conquista-do-12-o-campeonato-nacional/) **Published:** Junho 13, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** O 12.º Campeonato Nacional de Futsal para Surdos reuniu atletas de todo o país num fim de semana vibrante de desporto, cultura e identidade. **Content:** O 12.º Campeonato Nacional de Futsal para Surdos reuniu atletas de todo o país num fim de semana vibrante de desporto, cultura e identidade. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-e6bb695) #### A versão em português escrito encontra-se a seguir. No passado fim de semana, dias 7 e 8 de junho de 2025, realizou-se o 12.º Campeonato Nacional de Futsal para Surdos. O evento decorreu no Pavilhão Desportivo São Julião da Barra, em Oeiras, e reuniu atletas surdos de várias regiões do país. A organização esteve a cargo da Associação Portuguesa de Surdos e da Liga Portuguesa de Desporto para Surdos. Em conjunto, proporcionaram um momento desportivo e comunitário de grande significado para a Comunidade Surda em Portugal. Mais do que uma simples competição, o campeonato assumiu um papel simbólico. Foi um espaço de representação, de encontro e de afirmação cultural, com o desporto como linguagem comum. Ao longo dos anos, a continuidade deste evento tem demonstrado dois elementos essenciais. Por um lado, o empenho das associações envolvidas. Por outro, a paixão crescente da Comunidade Surda pelo futsal. Para muitos, jogar futsal não é apenas uma atividade desportiva — é também uma forma de comunicar talento, esforço e identidade. ![Futsal para Surdos - Quatro voluntárias com as t-shirts da APS, de cor verde](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-voluntarios-aps-1024x576.webp "202506-voluntarios-aps - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Quatro voluntárias da organização Foto por Pedro Perfeito ## Diversidade regional no Futsal para Surdos Participaram oito equipas, vindas de diferentes regiões do país. Representaram a diversidade da Comunidade Surda em Portugal: Associação Portuguesa de Surdos, Associação de Surdos do Porto, Associação de Surdos do Concelho do Seixal, Associação de Surdos de Guimarães e Vale do Ave, Associação Cultural dos Surdos de Águeda, Associação de Surdos de Apoio a Surdos de Matosinhos, Surdisol – União de Apoio ao Surdo e Populações Especiais e Associação de Surdos da Ilha de São Miguel. Cada uma destas equipas trouxe muito mais do que jogadores de futsal para surdos, alguns os quais já se conhecem na [seleção nacional](/futsal-para-surdos-portugal-apurado-para-o-europeu-2026/). Trouxeram consigo histórias, vivências e formas de estar. Juntas, ajudaram a construir o ambiente humano e competitivo que marcou o evento. Entre todas, destacou-se a equipa de Guimarães e Vale do Ave. Com uma prestação surpreendente, alcançou o segundo lugar e esteve perto de se sagrar campeã. A sua participação inesperada trouxe nova energia ao campeonato. Provou-se, assim, que no desporto há sempre espaço para surpresas. ![Foto que retrata parte do público que assistiu aos jogos, mais de uma centena figura na foto.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-futsal-publico-1024x576.webp "202506-futsal-publico - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Alguns dos adeptos que assistiram ao evento Foto por Pedro Perfeito ## Público e Cultura Surda em Destaque Ao longo dos dois dias, o pavilhão foi palco de emoções intensas dentro e fora das quatro linhas. Mais de 250 pessoas passaram pelo espaço, oriundas de várias zonas do país, reforçando o espírito nacional do evento. Estiveram presentes famílias inteiras, antigos atletas, jovens entusiastas e amigos que vieram apoiar os seus clubes. A maioria do público era composta por pessoas surdas, o que tornou o ambiente verdadeiramente único: não havia gritos nas bancadas, mas havia vibração, aplausos visuais, sorrisos e abraços — uma outra forma de torcer, tão legítima quanto qualquer outra. A diversidade era clara e inspiradora: pessoas de diferentes idades, géneros, cores e histórias, todas ali com um propósito comum. ### A LGP como centro no Futsal para Surdos A Língua Gestual Portuguesa foi, naturalmente, a língua dominante durante todo o evento de futsal para surdos. Desde os momentos de aquecimento até às entrevistas informais, quase tudo se desenrolou em LGP. Isso incluía também pedidos logísticos e orientações técnicas. Esta presença constante permitiu uma comunicação fluida entre jogadores, treinadores e adeptos. Mais do que isso, tornou o campeonato num verdadeiro reflexo da cultura Surda. Nos poucos momentos em que foi necessária mediação com pessoas não utilizadoras de LGP — como os técnicos do pavilhão ou chamadas para o exterior —, contámos com a colaboração de duas intérpretes estagiárias da [Escola Superior de Educação de Coimbra](https://www.ipc.pt/oferta-formativa/esec/licenciatura/licenciatura-em-lingua-gestual-portuguesa/). A sua intervenção assegurou acessibilidade total, em ambas as direções. ![Equipa de futsal da APS após ser campeã, com os elementos a mostrarem uma mão de palma aberta para sinalizar a 5.ª conquista do campeonato, conforme o número de dedos.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-aps-campea-1024x576.webp "202506-aps-campea - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A equipa vencedora do Campeonato Foto por Pedro Perfeito ## Vitória da APS e novo marco histórico no futsal para surdos Em termos desportivos, o campeonato não desiludiu. Pelo contrário, trouxe intensidade, rivalidade saudável e grandes exibições. A APS, enquanto organizadora e cabeça de série no grupo A, assumia a responsabilidade de dar o exemplo — e não fugiu ao desafio. Apesar de uma entrada difícil, com uma derrota por 4-6 frente à surpreendente equipa de Guimarães, a APS reagiu com maturidade. Venceu confortavelmente os jogos seguintes frente à Surdisol (9-0) e à Associação de Águeda (4-0), garantindo assim a qualificação para as meias-finais. Aí enfrentou um adversário tradicionalmente forte, a Associação do Seixal, num jogo tenso que terminou com uma vitória por 1-0, conquistada com muita garra. A final, por sua vez, foi uma espécie de desforra: a APS voltou a defrontar Guimarães, agora mais preparada para o desafio. O jogo foi equilibrado até ao fim, mas a APS acabou por vencer por 4-3 e reconquistar o título nacional, tornando-se bicampeã. Para além da vitória colectiva, destacou-se Ricardo Zacarias, jogador da APS, que foi distinguido como o melhor jogador do campeonato — um reconhecimento merecido para quem demonstrou consistência, técnica e visão de jogo em todos os encontros. ### Resumo dos jogos da APS: #### Fase de Grupos (Jogo 1) ![Logótipo da Associação Portuguesa de Surdos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/APS.webp "APS - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")João Antunes Ricardo Zacarias Gonçalo Fernandes (2x) #### 4 - 6 ![Logótipo da Associação de Surdos de Guimarães e Vale do Ave](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/ASGVA.webp "ASGVA - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")Hélder Carvalho Álvaro Garelli (2x) Sebastian dos Santos José Vinhas (2x) #### Fase de Grupos (Jogo 2) ![Logótipo da Associação Portuguesa de Surdos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/APS.webp "APS - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")Diogo Pereira Tiago Farias (2x) Mário Simões João Antunes Vítor Gouveia Ricardo Zacarias Gonçalo Fernandes Afonso Lopes #### 9 - 0 ![Logótipo da Surdisol](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/Surdisol.webp "Surdisol - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") #### Fase de Grupos (Jogo 3) ![Logótipo da Associação Portuguesa de Surdos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/APS.webp "APS - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")Ricardo Zacarias (2x) Leandro Flores João Antunes #### 4 - 0 ![Logótipo da Associação Cultural dos Surdos de Águeda](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/ACSAgueda.webp "ACSAgueda - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") #### Semi-final ![Logótipo da Associação Portuguesa de Surdos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/APS.webp "APS - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")Gonçalo Fernandes #### 1 - 0 ![Logótipo da Associação de Surdos do Concelho do Seixal](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/ASCSeixal.webp "ASCSeixal - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") #### Final ![Logótipo da Associação Portuguesa de Surdos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/APS.webp "APS - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")Nicolas Fonseca Diogo Pereira Tiago Farias Ricardo Zacarias #### 4 - 3 ![Logótipo da Associação de Surdos de Guimarães e Vale do Ave](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/ASGVA.webp "ASGVA - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")Hélder Carvalho (2x) Álvaro Garelli ## Considerações finais O evento de futsal para surdos foi, em todos os sentidos, um reflexo da capacidade da Comunidade Surda de se organizar, competir, acolher e brilhar. A partilha de experiências nos intervalos, os reencontros entre membros de diferentes associações, os gestos trocados entre desconhecidos e as fotografias que eternizaram o momento revelam que o campeonato não vive apenas nos resultados, mas no que deixa para trás: memórias, ligações e inspiração. Para os mais jovens, assistir a este evento é perceber que é possível sonhar, jogar e vencer em LGP. Para os mais velhos, é testemunhar o legado a continuar. A Associação Portuguesa de Surdos e a Liga Portuguesa de Desporto para Surdos agradecem a todas as equipas participantes, aos voluntários que tornaram tudo possível, às intérpretes, ao público presente e às instituições que colaboraram para que este evento se concretizasse com dignidade e profissionalismo. A organização demonstrou que é possível fazer mais com menos, quando existe motivação e pertença. O 12.º Campeonato Nacional de Futsal para Surdos foi, acima de tudo, uma celebração: da língua, da cultura, da força e da união de uma comunidade que continua a afirmar-se, dentro e fora de campo. A bola rolou, os corações vibraram e a identidade foi, uma vez mais, a verdadeira vencedora. **Categorias:** APS, Desporto, Notícias --- ### [Síndrome de Usher: Comunicar, Sentir e Existir](https://apsurdos.org.pt/sindrome-de-usher-comunicar-sentir-e-existir/) **Published:** Junho 27, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** Explora a Síndrome de Usher no Dia Internacional das Pessoas Surdocegas, com um olhar sobre a diversidade e diferentes formas de comunicar. **Content:** Explora a Síndrome de Usher no Dia Internacional das Pessoas Surdocegas, com um olhar sobre a diversidade e diferentes formas de comunicar. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-78b2588) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Hoje, **dia 27 de junho**, pela primeira vez, celebra-se o **Dia Internacional das Pessoas Surdocegas**. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu oficialmente esta data a 16 de junho de 2025. Esta escolha foi intencional porque assinala o nascimento de **Helen Keller** (1880–1968), uma figura icónica da luta pelos direitos das pessoas com deficiência. A criação desta data foi impulsionada pela **[Federação Mundial das Pessoas Surdocegas](https://wfdb.eu/)** (World Federation of the Deafblind, WFDB). Com efeito, com o apoio de organizações parceiras e da sociedade civil, defendeu-se a visibilidade da comunidade surdocega a nível global. Para além disso, a **[resolução da ONU](https://docs.un.org/en/A/79/L.92)** reconhece que as pessoas surdocegas enfrentam barreiras específicas e múltiplas. Por isso, necessitam de apoios individualizados e serviços especializados, como intérpretes-guia, tecnologias assistivas e acesso à informação. Neste sentido, é fundamental garantir políticas públicas que contemplem esta realidade de forma transversal. Entre outras, a **Síndrome de Usher** é uma das mais comuns causas de surdocegueira. Por isso, queremos compreender melhor esta condição genética e os desafios que coloca na vida em sociedade. Para além disso, refletiremos sobre o lugar das pessoas surdocegas na diversidade humana. ## O que é a Síndrome de Usher? A Síndrome de Usher é uma condição genética rara que afeta dois sentidos: **a audição e a visão**. O nome da síndrome vem de **[Charles Howard Usher](https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Usher)**, um médico oftalmologista escocês que, em 1914, observou e descreveu 69 pessoas que eram surdas desde o nascimento e mais tarde também começaram a perder a visão, demonstrando que se tratava de algo hereditário. Afeta principalmente três áreas: - - - **Audição:** A perda pode ser total desde o nascimento ou começar mais tarde e piorar com o tempo. - - **Visão:** A retinite pigmentosa é uma doença nos olhos que afeta a retina (a parte que recebe a luz). Primeiro, há dificuldade para ver no escuro (cegueira noturna). Depois, a visão periférica fica cada vez mais estreita (“visão em túnel”). - - **Equilíbrio:** Algumas pessoas (sobretudo no tipo I) têm dificuldades para manter o equilíbrio e fazer movimentos com segurança. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-Retinose_Pigmentar.webp "202506 - Retinose_Pigmentar - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Exemplo de retinite pigmentose (à direita), em comparação com um exame à retina normal (à esquerda). ### Tipos da Síndrome de Usher Existem três tipos diferentes da Síndrome de Usher. Em cada um deles e conforme o gene afetado, os sintomas variam em idade de início e gravidade. ## Tipo I A pessoa **nasce surda** e tem dificuldades no equilíbrio. A visão começa a deteriorar-se **ainda na infância**. ## Tipo II A pessoa nasce com **perda auditiva parcial**. **Não afeta o equilíbrio**, mas a visão começa a deteriorar-se **na adolescência**. ## Tipo III A pessoa nasce a ouvir e a ver. Com o tempo, **perde ambos os sentidos**, de forma progressiva e variável. Estima-se que esta síndrome afete entre 4 a 17 pessoas por cada 100000. Apesar de ser rara, é importante conhecê-la, pois representa cerca de metade dos casos de surdocegueira hereditária. Por este motivo, deve-se adaptar o acompanhamento clínico e educacional à evolução de cada caso. [ ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-usher-portadores-1024x573.webp "202506 - usher portadores - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](https://www.ushersyndroom.nl/en/home-2/) Transmissão genética da Síndrome de Usher. Imagem retirada de www.ushersyndroom.nl ## ## **Como a Síndrome de Usher se transmite?** A Síndrome de Usher é causada por alterações, chamadas mutações, em determinados genes que ajudam a controlar o funcionamento da audição, da visão e do equilíbrio. Esses genes funcionam como um manual de instruções. Por conseguinte, quando há um erro nessas instruções, o corpo não consegue fazer certas células funcionarem corretamente. Com o tempo, essas células deixam de cumprir o seu papel e acabam por se deteriorar. É uma condição hereditária de padrão **autossómico recessivo**. Por esse motivo, é importante compreender como funciona a transmissão genética, em particular, da Síndrome de Usher. De forma simplificada, cada pessoa tem duas cópias de cada gene: uma herdada da mãe e outra do pai. Para desenvolver a Síndrome de Usher, a pessoa precisa de herdar **duas cópias alteradas** do mesmo gene (uma de cada progenitor). Se tiver apenas uma cópia alterada, a pessoa é **portadora**: não desenvolve sintomas, mas pode transmitir o gene alterado aos filhos. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-Usher-genes-1024x568.webp "202506 - Usher genes - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Conjunto de vários genes que influenciam tanto a visão como a audição, nos diferentes tipos da Síndrome de Usher. Os genes mais frequentemente envolvidos são: MYO7A, USH2A, CLRN1, entre outros. Cada tipo de Usher está associado a diferentes genes. Por exemplo, o tipo I está geralmente associado ao gene MYO7A, o tipo II ao gene USH2A e, por fim, o tipo III está ligado ao gene CLRN1. **O conhecimento destes genes permite um diagnóstico mais preciso.** Além disso, pode ajudar as famílias no processo de compreender melhor a síndrome e planear os cuidados de forma mais informada, respeitando sempre a diversidade e a autonomia das pessoas envolvidas. De igual forma, o aconselhamento genético pode ser uma ferramenta útil para famílias que tenham antecedentes da síndrome. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-diagnostico-1.webp "202506 diagnostico 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Resultados de meios complementares de diagnóstico, com avaliação da audição e da visão. À esquerda, retinite pigmentosa. À direita, um audiograma que indica surdez severa. ## Como saber se tenho Síndrome de Usher? O diagnóstico da Síndrome de Usher pode não ser imediato, pois os sintomas aparecem de forma progressiva e variam de pessoa para pessoa. **Em muitos casos, só é identificada quando se associa a perda auditiva com as alterações na visão.** Nas crianças surdas, o aparecimento de dificuldades na visão noturna ou no equilíbrio pode levantar suspeitas. Logo que surgem sinais de deterioração visual ou outros sintomas, é essencial iniciar a investigação adequada. Os seguintes exemplos de exames confirmam o diagnóstico: - **Audiograma**: mede a capacidade de ouvir diferentes sons e volumes. - **Exames oftalmológicos**: como o fundo de olho e o campo visual, que ajudam a detetar sinais de retinite pigmentosa. - **Avaliação do equilíbrio**: como a videonistagmografia, que analisa os movimentos dos olhos em resposta ao movimento do corpo. - **Testes genéticos**: analisam o ADN para confirmar se existem mutações nos genes associados à Síndrome de Usher. Além disso, a história clínica e os relatos familiares podem dar pistas relevantes no processo de diagnóstico, por isso é importante recolher essa informação logo nas primeiras consultas. **Entre 3 a 6% das crianças surdas desde o nascimento podem ter esta síndrome**, mas em muitos casos apenas é identificada anos depois. Em suma, o diagnóstico precoce é fundamental para planear apoios adequados, como estratégias de comunicação e recursos educativos, promovendo o bem-estar da pessoa. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-comunicacao-1-1024x682.webp "202503 - comunicação - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Comunicação tátil, utilizada por muitas pessoas surdocegas. Fotografia cedida por Daniel Colaço. ## Intervenções, Tecnologias e Cuidados Centrados na Pessoa **A Síndrome de Usher não tem cura.** Apesar disso, existem diversas estratégias e recursos que podem melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas. O foco está em **responder às necessidades individuais**, com respeito pela identidade e formas próprias de comunicação e a sua percepção do mundo. Entre as diferentes intervenções possíveis, incluem-se: - **Língua gestual**, com possível adaptação para comunicação tátil; - Escrita em **Braille**; - **Aparelhos auditivos** ou **implante coclear**, quando são adequados à pessoa; - **Tecnologias de apoio à visão** e treino de mobilidade (bengalas, lupas, contraste visual); - **Comunicação alternativa e aumentativa**; - **Cão-guia**; - **Apoio psicossocial**, reabilitação e redes de suporte entre pares. Em alguns casos, pode ser recomendada a **suplementação de vitamina A**, sob acompanhamento médico, porque acredita-se que pode retardar a progressão da retinite pigmentosa. Acima de tudo, é essencial que qualquer avanço científico seja acompanhado por um **olhar ético** e **centrado na pessoa**, respeitando as escolhas e a diversidade das pessoas surdocegas. Em paralelo, o acesso à informação acessível e à educação continua a ser um pilar fundamental para a sua autonomia. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-poster-1024x655.webp "202506 poster - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Cartaz para campanha de sensibilização sobre as pessoas surdocegas, promovido pelo Helen Keller - Centro Nacional para Jovens e Adultos Surdocegos (Estados Unidos da América). ## "Deafblind Gain" Naturalmente, a surdocegueira traz desafios na comunicação, na aprendizagem, no trabalho e na autonomia numa sociedade que depende tradicionalmente da audição e da visão, inclusive na própria Comunidade Surda. No entanto, muitas pessoas surdocegas desenvolvem outras formas de perceção e interação com o mundo, como através do tato, do olfato e da percepção do espaço. Neste contexto, a ideia de ***deafblind gain***, inspirada no conceito de *deaf gain*, reconhece que viver com surdocegueira pode gerar formas únicas de conhecimento, expressão e perceção sensorial que enriquecem a sociedade. Portanto, convida-nos a repensar o modo como comunicamos, como habitamos o espaço e como nos relacionamos com os outros. **Acima de tudo, desafia as normas dominantes e amplia o nosso entender sobre o que significa ser humano.** ## Dar Visibilidade à Surdocegueira A criação do Dia Internacional das Pessoas Surdocegas representa um marco na luta pela visibilidade, pelos direitos e pela dignidade de uma minoria tantas vezes invisibilizada. Por sua vez, a Síndrome de Usher, enquanto uma das principais causas genéticas de surdocegueira, ilustra bem essa complexidade. Ao longo deste artigo, procurámos mostrar que compreender esta síndrome é essencial para garantir diagnósticos precoces, apoios adequados e, acima de tudo, para valorizar as múltiplas formas de existir e comunicar no mundo. Mais que isso, falar de Síndrome de Usher é também reconhecer diferentes modos de estar, num contexto que tende a privilegiar apenas certas formas de perceção e expressão. Por este motivo, é urgente respeitar e valorizar outras formas de comunicar, sentir e existir. A história do Daniel Colaço, já publicada na Voz Gestual, mostra de forma íntima o que é viver com a Síndrome de Usher. [**Leia aqui o seu testemunho.**](/surdocegueira-identidade-desafios-e-comunidade/) **Categorias:** Saúde e Bem-Estar --- ### [Alexander Graham Bell e a Comunidade Surda: o lado obscuro](https://apsurdos.org.pt/alexander-graham-bell-e-a-comunidade-surda-o-lado-obscuro/) **Published:** Maio 16, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** Descobre o lado obscuro de Alexander Graham Bell: da invenção do telefone à tentativa de apagar a cultura surda em nome da eugenia e do oralismo. **Content:** Descobre o lado obscuro de Alexander Graham Bell: da invenção do telefone à tentativa de apagar a cultura surda em nome da eugenia e do oralismo. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-cadc03b) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. **Alexander Graham Bell** é, sem dúvidas, uma das personalidades que mais marcaram o mundo. Foi ele quem lançou uma invenção que **mudou tudo**: o **telefone**. No início, era apenas uma tecnologia simples. Ainda assim, evoluiu e mudou a nossa forma de viver. Hoje, o ***smartphone*** — herdeiro direto dessa invenção — está em quase todas as mãos. **Por isso mesmo, parece difícil não admirar Bell.** Afinal, quem o odiaria? No entanto, há **outra perspetiva**. Por outro lado, para muitos de nós, existe um culpado claro: a ***Comunidade Surda***. De facto, poucos sentem simpatia por Alexander Graham Bell. Isto porque o seu legado não se limita ao telefone. Pelo contrário, há um lado obscuro nesta história. Em muitos casos, é uma **herança pesada**. Aliás, muitos livros sobre a Comunidade Surda mostram este homem como o símbolo de um **período negro**. E, para piorar, esse tempo ainda não acabou. ![Da esquerda à direita: Elsie May Bell, Mabel Gardiner Hubbard, Marian Hubbard Bell e Alexander Graham Bell (1885)](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-alexanderbell-familia.webp "202505-alexanderbell-familia - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Da esquerda à direita: Elsie May Bell, **Mabel Gardiner Hubbard**, Marian Hubbard Bell e **Alexander Graham Bell** (1885) ## Influências familiares de Alexander Graham Bell: Mãe Surda e Esposa Oralizada Nascido em 1847 em **Edimburgo, Escócia**, Bell cresceu numa família profundamente envolvida com questões de fala e surdez. A sua mãe, Eliza Grace Symonds, era surda — perdeu parcialmente a audição aos 12 anos como resultado da escarlatina. Eliza cresceu numa família culta e educada, e mostrou talento para música e arte. Em 1843, casou-se com **Alexander Melville Bell**, pai do inventor do telefone. O pai era professor de fala e locução que desenvolveu um **[sistema de fala visível (Visible Speech)](https://pt.wikipedia.org/wiki/Visible_Speech)** para o ensino de pessoas surdas. Bell aprendeu a usar o **alfabeto manual britânico**, com duas mãos, para comunicar com a mãe. Ela ainda conseguia ouvir alguns sons graças a um **tubo auditivo**. Por isso, desde cedo percebeu que comunicar com pessoas surdas que era possível — mas também difícil. Além da mãe, outra figura importante foi **Mabel Gardiner Hubbard**. Foi aluna de Bell e, mais tarde, sua esposa. Mabel ficou surda em criança, por causa da escarlatina. No entanto, a sua família optou por educá-la pelo **método oral**. Em vez de língua gestual, ensinaram-lhe leitura labial e fala. Bell conheceu-a como professor de oralismo. Em 1873, ela tornou-se sua pupila, com apenas 15 anos. Quatro anos depois, casaram-se. Tanto a mãe como a esposa de Bell comunicavam pela fala e pela leitura labial. **Eram surdas oralizadas**. Dessa forma, Bell passou a acreditar que a **integração pela oralidade** era o caminho “correto” para as pessoas surdas. ![Em 1896, em Filadélfia, o Grupo de Diretores da Associação Americana para a Promoção do Ensino da Fala a Surdos reuniu-se. Alexander Graham Bell — ao centro, na segunda fila — observa dois membros a comunicar por gestos.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-bell-grupo.webp "202505-bell-grupo - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Em 1896, em Filadélfia, o Grupo de Diretores da Associação Americana para a Promoção do Ensino da Fala a Surdos reuniu-se. **Alexander Graham Bell** — ao centro, na segunda fila — **observa dois membros a comunicar por gestos**. ## Campeão do Oralismo e Oposição à Língua Gestual Bell mudou-se para **Boston, EUA**, em 1871. Nessa altura, já conhecia a **língua gestual americana** da época. De facto, admitiu isso sem hesitar. No entanto, usava-a apenas como **último recurso**. Ou seja, preferia falar. **Comunicava com adultos surdos por gestos. Por outro lado, não os usava com crianças.** Como consequência, essa decisão marcou o seu modo de ensinar. Aliás, a **educação de crianças surdas** foi o seu grande propósito de vida — mais do que inventar coisas novas. Tal como o pai, e por influência deste, dedicou-se a ensinar pessoas surdas a falar. Tornou-se um grande defensor do ***oralismo***. Acreditava que as pessoas surdas deviam aprender a falar e a ler os lábios, e assim integrar-se na sociedade ouvinte. Por isso, **rejeitava o uso da língua gestual nas escolas**. > “Perguntar qual o valor da fala é como perguntar o valor da vida.” > — Alexander Graham Bell Estas palavras mostram como Bell via **a fala como algo essencial**. Como resultado, promoveu uma mudança profunda na educação. Para a Comunidade Surda, no entanto, foi um ***retrocesso***. Defendia que as crianças surdas **não deviam usar gestos**. Deviam ser ensinadas a falar e a fazer leitura labial. Além disso, queria **afastar das escolas os professores surdos** ou os que usavam língua gestual, com medo de que isso influenciasse os alunos. Graças ao seu prestígio, muitas escolas seguiram este caminho, e **proibiram o uso de gestos nas aulas**. Bell via o **método oral puro** como algo melhor do que a língua gestual. Acreditava que, se todas as crianças surdas fossem obrigadas a **oralizar**, teriam mais oportunidades no trabalho e na sociedade. ## O Congresso de Milão de 1880 Muitos pensam que **Alexander Graham Bell participou no Congresso de Milão de 1880**. Esse encontro marcou **o início do oralismo** e afastou a língua gestual das escolas para surdos. Mas Bell não esteve presente. Nem ele, nem o seu pai, **Alexander Melville Bell**, aparecem nos registos do evento. Mesmo assim, **vários oradores falaram deles e dos seus métodos**. Foi isso que criou a ideia de que Bell influenciou o Congresso. Durante o Congresso, alguns oradores falaram do **método oral da família Bell**. Nem todos concordavam com essa forma de ensinar, diferente do método tradicional. Mesmo assim, Bell já era visto de forma especial, pois **a sua fama como inventor do telefone dava-lhe destaque**. Para alguns, o sucesso das tecnologias auditivas ajudava a defender o ensino pela fala. Relatos da época descrevem o Congresso como dominado por ***fervor ideológico***, mais do que uma discussão séria sobre ensino. Muitos autores acreditam que Bell influenciou esse ambiente, **não tanto pelas ideias, mas pela força da sua imagem**. Aliás, havia até quem achasse que **a fama do telefone servia para vender a ideia do ensino pela fala**. É importante lembrar que **Bell não liderou nem dominou o Congresso**, apesar do que muitos pensam. A sua influência foi mencionada, mas não teve grande peso nas decisões. O verdadeiro impacto veio mais tarde, nos Estados Unidos, quando **aproveitou as resoluções de Milão para impor as suas ideias**: acabar com a língua gestual, defender só o oralismo e afastar professores surdos. **Bell usou o que restou do Congresso de Milão para impor as suas ideias**, num tempo sem espaço para ouvir outras vozes. Ajudou a criar políticas que afastaram, durante anos, a identidade surda e a sua língua. Ao contrário do que muitos pensam, Bell não foi protagonista — **foi oportunista do que ficou do Congresso**. ![Jean Massieu à esquerda, Ferdinand Berthier no meio e Thomas Gallaudet na direita](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-personalidades-artigo-bell.webp "202505-personalidades-artigo-bell - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Impacto de Alexander Graham Bell na Educação de Surdos após 1880 Antes de 1880, muitas escolas **usavam a língua gestual** e também tinham **professores surdos**. Esse tempo é chamado de **“idade de ouro” da educação surda**. Os alunos aprendiam com língua gestual e **sabiam ler bem**. Alguns tornaram-se **escritores, professores e líderes**. Em França, **Jean Massieu** foi um professor surdo famoso. **Ferdinand Berthier** foi um ativista que organizou o primeiro congresso de surdos, em 1834. Nos EUA, **Thomas Gallaudet** fundou uma universidade para surdos que existe até hoje. Depois de 1880, **tudo mudou**. A partir daí, Bell e o Congresso de Milão deram início ao **“período negro” da educação**. Assim, **o oralismo passou a ser o modelo dominante**. As crianças surdas tinham de aprender só pela fala, mesmo **sem ouvir**. Contudo, muitas saíram da escola **sem saber escrever bem nem ler o básico**, por não terem acesso à sua língua natural. Diziam que era inclusão, mas criaram **isolamento**. Como resultado, muitos alunos, sem gestos nem som, ficaram num limbo. Ou seja, **não entendiam nem se faziam entender**. *Sugestão: ver em velocidade 2x* **Mesmo assim, a resistência surgiu cedo.** Em 1880, nasceu a **National Association of the Deaf (NAD)**, nos EUA. Já em 1893, a NAD **condenava o oralismo puro**. Um dos seus líderes surdos, **George Veditz**, destacou-se na defesa da língua gestual. Em 1913, **gravou um vídeo com uma mensagem forte**: “Enquanto existirem surdos, existirá língua gestual.” Esse gesto foi uma resposta direta à tentativa de apagar essa língua. Mesmo assim, **Bell não recuou**. Em 1890, fundou uma associação para promover o ensino oral. Até hoje, essa organização ainda existe com o nome **Alexander Graham Bell Foundation**. ![Imagem de uma edição da Eugenical News de agosto de 1929, destacando Alexander Graham Bell como presidente do conselho científico do Eugenics Record Office, reforçando o seu papel histórico na promoção da eugenia nos Estados Unidos.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/2025-bell-chairman-eugenics.webp "2025-bell-chairman-eugenics - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Edição de 1929 da Eugenical News mostra Bell como **presidente do conselho científico** do Eugenics Record Office. A imagem reforça o seu papel na eugenia nos EUA. ## Eugenia: O Medo de uma "Raça de Surdos" Alexander Graham Bell **não se limitou à educação**. Pelo contrário, envolveu-se numa ideia ainda mais perigosa: a eugenia. Influenciado pelas teorias de **Francis Galton**, primo de Charles Darwin, passou a ver a **surdez como um problema genético**. Assim, em 1883, escreveu um relatório onde dizia que os **casamentos entre surdos podiam criar uma “raça de surdos”**. Para travar este “perigo”, sugeriu **três coisas**: acabar com os gestos nas escolas, afastar professores surdos e colocar crianças surdas em escolas de ouvintes. No fundo, o alvo era simples: **impedir que os surdos se conhecessem e casassem**. É verdade que Bell nunca tentou criar uma lei para proibir esses casamentos. No entanto, usou a sua influência para os desencorajar de forma sistemática. Através de discursos, relatórios e contactos, **moldou a sociedade para afastar os surdos uns dos outros**. Em suma, não proibiu com leis, mas **bloqueou socialmente** — o que teve quase o mesmo efeito. Mais tarde, em 1907, Bell liderou uma comissão que discutiu a hipótese de proibir esses casamentos. Muitos surdos viram nele uma ameaça. Na altura, **George Veditz chamou-o de “inimigo mais temível dos surdos”**, porque **fingia estar do lado deles enquanto tentava apagar a sua comunidade**. Contudo, Bell estava errado. **A maioria das pessoas surdas nasce de pais ouvintes**. Mesmo quando dois surdos se casam, os filhos costumam ser ouvintes. A ideia de uma “raça de surdos” era um **mito sem base científica**. Mas as suas palavras foram **usadas durante décadas**. Internatos, castigos por usar gestos e afastamento de professores surdos foram justificados com esse medo. Em 1921, **Bell foi homenageado num congresso de eugenia**. Isso mostrou o seu apoio a essas ideias. Nenhuma lei nacional chegou a proibir os casamentos entre surdos, mas o medo espalhou-se. Como resultado, **muitas famílias viveram com receio e vergonha**. ![Bell telefonou de Chicago para Nova Iorque em 1892, marcando a estreia de uma ligação com 1520 quilómetros. Mais tarde, a 7 de janeiro de 1927, realizou-se a primeira chamada telefónica transatlântica oficial.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-bell-telefone.webp "202505-bell-telefone - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Invenção do Telefone: Um Projeto de Alexander Graham Bell para os Surdos? É irónico, mas **o telefone nasceu do trabalho de Bell com pessoas surdas**. Na verdade, ele via-se primeiro como professor e estudioso da fala, e só depois como inventor. Nos anos 1870, enquanto dava aulas em Boston e ensinava alunos surdos, **Bell fazia experiências com sons**. Queria ajudar a mãe, que era surda, a comunicar melhor. Além disso, também queria facilitar conversas à distância. Isso levou-o a tentar enviar voz por eletricidade. Entre 1873 e 1876, com apoio de amigos do ensino de surdos, **Bell criou o primeiro telefone**. A primeira frase dita foi: “Sr. Watson, venha aqui, quero vê-lo.” Ironicamente, **nem a mãe nem a esposa de Bell podiam usá-lo** — ambas eram surdas. Diz-se que Bell raramente telefonava. Nunca o fez para elas. Mesmo assim, via o telefone como **parte de uma missão maior: vencer barreiras na comunicação**. Tentou criar outros aparelhos, como fonógrafos ou objetos que vibravam com a fala. Ainda assim, **recusava usar aparelhos auditivos em crianças**, com medo de que isso enfraquecesse o treino da fala e da leitura labial. O telefone mostra o lado duplo do seu legado. De um lado, um génio que mudou o mundo. Do outro, um homem que tentou “corrigir” a surdez e ajudou a oprimir a língua gestual. Por fim, **até a fundação Volta Bureau, criada com um prémio ganho pelo telefone, serviu para apoiar estudos sobre surdez e voz** — mostrando que, no seu percurso, o telefone e a surdez estiveram sempre ligados. ## Conclusão: O Gesto Final de um Silêncio Construído Alexander Graham Bell **foi um génio, mas também um paradoxo**. Viu a surdez não como identidade, mas como erro. A mãe e a esposa eram surdas, mas isso não o fez valorizar a língua gestual. Pelo contrário, tentou apagá-la — com ciência, influência e boas intenções mal fundadas. Ao expulsar a língua gestual das escolas, Bell empurrou os surdos para um século de silêncio imposto. Não fez leis, mas moldou sistemas. Influenciado pela eugenia, **chegou a tratar o amor entre surdos como uma ameaça genética**. Fê-lo **sem ódio** — apenas com a convicção cega de quem pensa estar certo. O que é, talvez, **o erro mais perigoso de todos**. Mas **a ironia mais cruel da sua história aconteceu no fim**. No leito da morte, Bell comunicou com a esposa surda através de um gesto: **soletrou “não” com os dedos**. Usou o alfabeto manual que aprendera em criança — o mesmo que passou a vida a tentar apagar. Quando já não podia falar, recorreu ao que sempre quis silenciar. **A sua última palavra foi um gesto**. Hoje, Bell é lembrado não só como o homem que inventou o telefone, mas como um aviso: **o progresso que não ouve pode oprimir**. A luta das pessoas surdas pela sua língua e cultura — visível na ação de tantas lideranças nos dias de hoje — é uma resposta direta ao seu legado. E uma vitória sobre ele. Por fim, se quiseres compreender melhor como esta visão ainda afeta o presente, recomendamos **[a leitura do artigo da Voz Gestual sobre audismo](/audismo-o-preconceito-silencioso-contra-as-pessoas-surdas/).** **Categorias:** Educação, História --- ### ["O que é ser surdo?"](https://apsurdos.org.pt/o-que-e-ser-surdo/) **Published:** Junho 6, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** Explora o que é ser surdo numa sociedade ouvinte: entre identidade, resistência e cultura visual, a Língua Gestual Portuguesa ergue-se como casa e voz. **Content:** Explora o que é ser surdo numa sociedade ouvinte: entre identidade, resistência e cultura visual, a Língua Gestual Portuguesa ergue-se como casa e voz. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-57ecca1)  ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. **“O que é ser surdo?”** — uma pergunta tão frequente que chega a roçar o cansaço. Para quem vive dentro deste corpo, com esta identidade, não há uma resposta de bolso. Ser surdo não cabe numa frase. Na verdade, é um percurso, uma forma de estar, um modo diferente de sentir o mundo a acontecer. Mas antes de lhe dar a minha resposta, deixo-lhe uma pergunta em troca, caro ouvinte: **“O que é ser ouvinte?”** Já parou, alguma vez, para pensar nisso? ![Grupo de pessoas ouvintes felizes com fones nos ouvidos, e grupo de pessoas surdas infelizes sem nada nos ouvidos.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-felicidade-ouvir-1024x683.webp "202506-felicidade-ouvir - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## A falsa neutralidade de pergunta: "O que é ser surdo?" A pergunta “O que é ser surdo?” surge porque a Comunidade Surda é, de facto, uma minoria na sociedade. Não pertencemos a uma classe privilegiada: o sistema dominante comunica-se através do som e da voz. Todos os dias, há milhares de pessoas que, ao cruzarem-se com um surdo, sentem pena. Imaginam-nos presos a uma vida triste, vítimas de um destino cruel, de uma falha de Deus, de uma maldição da Natureza , de crimes de uma vida passada — ou, simplesmente, de má sorte. “Eu não conseguiria viver sem música”, pensam muitos. E é precisamente daí que nasce o preconceito. É nesse instante que se constrói uma ilusão: a de que ser ouvinte é, à partida, ser melhor. Como não haveria de se pensar assim? A sociedade foi edificada por ouvintes, moldada segundo a lógica dos ouvintes, e a cultura dominante orbita à volta da audição. Praticamente tudo o que se aprende, se consome, se valoriza… parte do som. A norma ergueu-se sobre esse alicerce: ser *normal* é ser ouvinte. Logo, quem não é ouvinte, é o quê? Um desvio. Uma exceção. Um erro a corrigir. Na lógica dominante, ser ouvinte é sinónimo de plenitude. Não ser ouvinte é não se conseguir ser feliz. A surdez é retratada como uma falha, um problema técnico, uma anomalia biológica a eliminar. E sejamos honestos: quantos de vós, ouvintes, nunca imaginaram um mundo perfeito onde ninguém fosse surdo? Admita. A ideia agrada: um estalar de dedos, e a surdez desaparece da Natureza — que utopia, não é? ![Símbolos de audição e visão, postos lado a lado](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-ouvir-e-ver.webp "202506-ouvir-e-ver - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O que é "Não ouvir" em detrimento de "O que é ser surdo?" “Não ouvir” parece uma resposta simples. Há até quem diga: “A única diferença entre nós é que tu ouves e eu não oiço. Só isso.” E, de certa forma, não estão errados — mas também não estão certos. É que o “não ouvir” não vive no vazio. Vive dentro de uma sociedade construída para “ouvir”. E é aí que tudo muda. Para o ouvinte comum, a ideia de não ouvir é assustadora. Intolerável, até. Raro é quem, genuinamente, não se importaria de perder a audição. E, atenção: não vale invocar aquela velha piada de “que sorte, não teres de ouvir melgas à noite”. Isso é apenas uma frase vazia para nós. Na realidade, o cérebro humano adapta-se. Está cientificamente provado que, na ausência de audição, a capacidade visual tende a expandir-se. Não, não desenvolvemos visão de raios-X (ainda não fomos picados por nenhuma aranha radioactiva). Também não temos zoom telescópico embutido. Mas o que temos é uma espécie de radar visual. A nossa visão periférica é mais aguçada. Somos mais rápidos a detetar movimentos, ler expressões, perceber microgestos, identificar mudanças subtis nos ambientes. Captamos o mundo com os olhos, como outros o fazem com os ouvidos. E tal como é raro um surdo atingir uma independência auditiva e oral próxima da de um ouvinte (ainda que com tecnologia e terapias), também é raro um ouvinte atingir o nível de acuidade visual e comunicativa que um surdo pode desenvolver — especialmente em língua gestual, na leitura de emoções faciais, ou na rapidez de perceção visual. Não é uma competição. Não há um lado “melhor”. Há apenas dois modos de estar no mundo — diferentes, sim. Com vantagens e desvantagens, sim. Mas legítimos, ambos. O problema começa quando um desses modos é visto como norma… e o outro, como falha. ![Imagem de Surdo a gestuar, no âmbito de uma visita a um Museu](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-visita-museu-oriente-1024x683.webp "202506-visita-museu-oriente - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## A Língua que nos ergue: a Língua Gestual Portuguesa Há quem pense que a Língua Gestual Portuguesa é “apenas um conjunto de gestos”. Outros ainda acreditam que é “português com as mãos”. Há até quem a trate como um recurso de apoio, tipo bengala linguística para quem não consegue “falar normalmente”. Spoiler: tudo errado. A LGP não é uma versão mimada do português. É uma língua completa. Com gramática própria, estruturas visuais, sintaxe espacial e uma riqueza expressiva que muitos ouvintes nunca vão alcançar, mesmo na sua língua materna. Quem cresce com a LGP desenvolve não apenas uma forma de comunicar, mas uma forma de pensar. De sentir. De construir o mundo. Não se trata de “traduzir português para gestos”. Trata-se de viver numa língua cuja lógica é visual, tridimensional, simultânea. Uma língua onde a emoção está no olhar, a intensidade no movimento, e o tempo pode acontecer no espaço à frente do corpo. Mas há um problema: a maioria dos surdos em Portugal não tem acesso a essa língua desde o início da vida. Muitos são empurrados para sistemas educativos que promovem a oralização forçada, como se a fala fosse condição para a inteligência. São ensinados a esconder as mãos. A engolir gestos. A viver em silêncio, mesmo podendo gestuar com eloquência. Quando finalmente descobrem a LGP, é como encontrar casa depois de anos a vaguear. Uma casa onde se pode respirar. Onde a linguagem não é um esforço, mas uma extensão do corpo. Onde o mundo finalmente se alinha com a mente. ![20.º Aniversário do Grupo de Seniores da APS - um grupo de seniores surdos à frente do Restaurante Fogo no Chão, em Lisboa](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-grupo-seniores-20-aniversario-1024x512.webp "202506-grupo-seniores-20-aniversario - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Comunidade Surda: um Povo invisível e o que é ser surdo Os surdos estão por todo o lado – vivem, trabalham, estudam, criam, resistem. Mas quase sempre de forma invisível – não por falta de presença, mas por ausência de reconhecimento. A Comunidade Surda não é apenas um grupo de pessoas com uma característica em comum – é um povo, com língua, cultura, tradições e uma memória coletiva construída à margem da história oficial. Um povo sem território, apenas diferimos neste sentido se comparado com outros povos. Durante séculos, a surdez foi tratada como um problema individual, um defeito a ser corrigido, uma anomalia a esconder. E, por isso, os surdos foram silenciados – às vezes literalmente. Proibidos de usar a língua gestual nas escolas. Obrigados a repetir sons que não compreendiam. Castigados por comunicar com o corpo. A cultura surda, nesse tempo, teve de sobreviver às escondidas, passada de mão a mão, como uma herança clandestina. Hoje, resistimos com outra força. Há encontros culturais surdos, há poesia gestual, há desporto surdo, há teatro visual, há humor surdo – aquele que só quem vive isto entende. Existem valores comuns: solidariedade, partilha, sobrevivência. E há uma forma muito própria de estar no mundo. Ser surdo, para muitos de nós, não é uma condição médica. É uma pertença. Uma identidade. Mas essa pertença continua a ser ignorada por quem insiste em olhar para nós como “pessoas com deficiência”. Claro que há barreiras. Muitas. Mas não são as nossas mãos que nos limitam. É o sistema que insiste em ver-nos como quebrados. A cultura surda não é um anexo da cultura ouvinte. Não é uma subcultura. É uma cultura inteira — simplesmente, não audível. O problema é que a maioria do mundo não tem paciência para escutar o que não se ouve. ![Imagem com mãos presas, símbolos de proibição de língua gestual, e uma boca a oralizar](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/202506-audismo-handtalk.webp "202506-audismo-handtalk - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Imagem retirada de [Hand Talk](https://www.handtalk.me/br/blog/ouvintismo/) ## Audismo: o preconceito que não se ouve O racismo é contra a cor da pele. O sexismo, contra o género. E o audismo? Contra quem não ouve. Não é uma palavra muito conhecida — e isso já diz tudo. Quando o preconceito é tão subtil, tão normalizado, que nem tem nome na boca das pessoas… é porque está entranhado demais para ser questionado. [Audismo é quando se assume que ouvir é superior a não ouvir](/audismo-o-preconceito-silencioso-contra-as-pessoas-surdas/). Que falar é mais “normal” do que gestuar. Que a língua portuguesa vale mais do que a Língua Gestual Portuguesa. Que o desenvolvimento de uma criança surda depende do quanto ela conseguir parecer ouvinte. Audismo é isso tudo — e muito mais. É quando uma mãe é pressionada no hospital a colocar um implante coclear no filho recém-nascido antes sequer de conhecer a LGP. É quando uma escola se recusa a contratar intérprete porque “temos colegas simpáticos que ajudam o aluno surdo a integrar-se”. É quando um surdo é elogiado por falar oralmente como se fosse um “bom exemplo”. É quando se diz: “Mas ele é surdo e conseguiu ser advogado!” — como se fosse um milagre, não uma profissão. O audismo é traiçoeiro. Às vezes vem em forma de boa intenção. Outras, em forma de ignorância. Mas o resultado é sempre o mesmo: inferiorização. A nossa forma de comunicar é tratada como alternativa. A nossa forma de viver, como obstáculo. E os nossos direitos? Condicionados à paciência do sistema. Combatê-lo não é só pôr intérpretes nos serviços públicos. É reconhecer que há uma cultura, uma língua e uma forma de estar no mundo que não se mede pela audição. É parar de ver o surdo como “aquele que não tem som” e começar a vê-lo como “aquele que tem visão, presença, história, e algo a dizer”. ![Maços com lápis de cor. Um maço contém lápis de várias cores com a inscrição de várias palavras usadas para discriminar surdos, o maço tem um design old school. Já o maço novo, mais moderno, contém lápis de cor com palavras para identificar surdos de uma forma correta.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/DeafIdentityCrayons1999bestblue-1024x768.webp "DeafIdentityCrayons+1999+best+blue - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Arte por Silver, Deaf Art Movement. "The Original Deaf Identity Crayons 1899" e "Deaf Identity Crayons 1999." ## Entre dois mundos: identidade plural Nem todos os surdos são iguais. Parece óbvio, mas para muitos ainda não é. Existe esta ideia generalizada de que todas as pessoas surdas vivem as mesmas coisas, comunicam da mesma forma, pensam da mesma maneira — como se fôssemos um bloco homogéneo e previsível. Não somos. Há quem nasça surdo e tenha acesso à LGP desde cedo — são poucos, mas existem. Há quem nasça surdo e só descubra a sua língua na adolescência, ou na idade adulta — e sinta que esteve perdido até lá. Há quem perca a audição mais tarde na vida, e viva entre a memória do som e a adaptação ao silêncio. Há surdos que usam implantes. Outros que os rejeitam. Há quem oralize com fluência e quem nunca tenha dito uma palavra. Há quem se mova confortavelmente entre o mundo surdo e o mundo ouvinte. E há quem não se sinta em casa em nenhum dos dois. Tudo isto é identidade surda. Mas há também feridas internas. Há quem julgue outros surdos por não saberem gestuar bem. Por não conhecerem o “vocabulário certo”. Por terem sotaque na LGP. Por usarem aparelhos auditivos. Como se a identidade surda fosse um cartão de membro com requisitos fixos. A verdade? A nossa identidade não precisa de polícia. Precisa de espaço. Ser surdo é também viver em constante negociação: entre o que nos ensinaram a esconder e o que aprendemos a afirmar. Entre o que esperam de nós e o que queremos ser. Entre o mundo visual e o mundo sonoro, sem pertencer inteiramente a nenhum deles — ou pertencer aos dois, mas em condições assimétricas. Muitas vezes, somos forçados a escolher um lado. Outras vezes, não nos deixam entrar em lado nenhum. Mas a verdade é que somos múltiplos. E isso não é fraqueza — é resistência. ### Afinal, o que é ser surdo? Ser surdo é ouvir com os olhos e falar com o corpo. É captar um mundo que não passa por cabos nem frequências sonoras. É viver entre silêncios que não são vazios, e gestos que gritam mais do que mil palavras. Ser surdo é ser constantemente interpretado por outros, mesmo quando não se pediu tradução. É ser infantilizado, elogiado por coisas banais, romantizado por resiliências que não são escolha, mas necessidade. Ser surdo é andar numa sociedade que exige adaptação… mas raramente se adapta. É pedir intérprete e receber compaixão. É querer igualdade e receber condescendência. É tentar comunicar e ouvir: “Depois explico”. Mas ser surdo também é mais. É sentir a língua nos dedos, no rosto, na vibração do corpo. É estar num espaço onde o olhar vale mais do que o som. É partilhar histórias com as mãos, rir com os olhos, abraçar com gestos. É encontrar outros como nós… e perceber que afinal não estávamos sozinhos. Ser surdo é não caber na norma. É ser desvio — e fazer disso um território. É transformar a diferença em identidade. A resistência em pertença. O silêncio em linguagem. Ser surdo é ser inteiro. Mesmo quando o mundo insiste em tratar-nos como metades. ### A pergunta que lhe devolvo Chegámos ao fim. Falámos de língua, identidade, cultura, preconceito, pertença. Disse-lhe o que é ser surdo — ou, pelo menos, parte do que isso significa. E agora pergunto-lhe de novo, como fiz no início: “O que é ser ouvinte?” Consegue responder? Mas responda sem comparações. Sem pensar em sons ou músicas. Sem usar os surdos como espelho. Quem é você, enquanto ouvinte, quando ninguém o/a ouve? A verdade é que quase ninguém se questiona sobre o que tem por garantido. A audição é vista como ponto de partida universal, mas não é. É apenas uma das muitas formas de estar no mundo. Talvez ser ouvinte não seja apenas ouvir. Talvez seja também aprender a escutar o que não vem do som. A respeitar o que não se traduz em palavras por voz. A reconhecer que há outras formas de linguagem, de cultura, de humanidade — completas, válidas, inteiras. Ser surdo é isso. E você, ouvinte, está pronto para deixar de ouvir só com os ouvidos? **Categorias:** Opinião --- ### [Gestos Ancestrais: a Outra História das Línguas Gestuais](https://apsurdos.org.pt/gestos-ancestrais-a-outra-historia-das-linguas-gestuais/) **Published:** Maio 30, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** Gestos ancestrais em comunidades não surdas mostram que a linguagem visual é universal, estratégica e profundamente humana. **Content:** Gestos ancestrais em comunidades não surdas mostram que a linguagem visual é universal, estratégica e profundamente humana. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-767f143)  ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Será que as línguas gestuais nasceram da comunidade surda? Por um lado, é, sem dúvida, a forma através da qual muitas pessoas surdas comunicam, mas terá sido essa a sua origem? Assim como no dilema clássico d’ **“o que veio primeiro: o ovo ou a galinha?”**, talvez a resposta não seja tão linear. De facto, as línguas gestuais são frequentemente associadas às pessoas surdas. Contudo, a história humana mostra-nos algo mais complexo. Hoje, existem comunidades não surdas que, ainda assim, utilizam gestos como forma principal de comunicação. Por exemplo, encontramos esta realidade entre caçadores do deserto africano, mulheres em rituais na Austrália e povos indígenas das planícies da América do Norte. Três continentes. Realidades distintas. Ainda assim, **um ponto em comum: todos criaram sistemas gestuais próprios**, que se transmitem de geração em geração. Por outras palavras, utilizam uma linguagem visual para viver, partilhar e sobreviver. Não é por acaso: os gestos ancestrais são, de facto, **a forma mais primitiva e universal de comunicação humana.** ## Vestígios vivos de gestos ancestrais Com a globalização e a influência crescente do mundo ocidental, muitas comunidades ancestrais estão em vias de extinção. No entanto, ainda encontramos vestígios de formas antigas de comunicar, baseadas na linguagem corporal, nas expressões faciais e nos gestos. Ainda que discretamente, esses sistemas continuam a evoluir localmente, apesar da pressão externa. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-Bushmen-1-1024x746.webp "- Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Gestos que correspondem a diferentes animais, criados pelos San. ### Os San: os gestos ancestrais como ferramenta de sobrevivência Um desses exemplos é o dos San, cuja prática destaca-se pela complexidade e adaptabilidade dos seus gestos. No sul do continente africano, entre as savanas do Botsuana, da Namíbia e da África do Sul, estende-se o deserto do Kalahari. É aqui que os **San**, também conhecidos como Bushmen, desenvolveram formas complexas de comunicação gestual, usadas sobretudo durante a caça. De modo a não alertar os animais, movimentam-se em grupo, em silêncio absoluto, e recorrem a gestos para indicar os animais, as direções, os tipos de pegadas ou alertas de perigo. Assim, desde cedo, estes gestos transmitem-se pela observação e pela prática. Além disso, os San são também conhecidos pelas suas línguas faladas que utilizam cliques, sons produzidos com movimentos específicos da língua e do palato. A complexidade sonora e gestual da sua comunicação evidencia ainda mais esta característica: duas linguagens que se sobrepõem. Assim, vemos que o gesto e o som coexistem como estratégias comunicativas distintas e complementares. Por conseguinte, a partir da necessidade de sobreviver num ambiente exigente, **o gesto acaba por ser uma escolha estratégica, adaptada ao território e ao estilo de vida.** ### As Warlpiri: os rituais em silêncio Por outro lado, no deserto central da Austrália, os **Warlpiri**, uma das muitas comunidades aborígenes, criaram um sistema gestual estruturado, conhecido como ***rdaka-rdaka***. As mulheres, nomeadamente viúvas, utilizam esta forma de comunicar durante longos períodos de luto em que a fala é tabu. Além disso, é utilizada em contextos onde o silêncio é valorizado, como a caça ou os rituais. Entretanto, este sistema gestual segue a mesma estrutura gramatical da língua falada. Por outro lado, este silêncio partilhado cria maior proximidade. Como resultado, **a comunidade torna-se mais coesa e sensível à presença do outro.** Para além do luto, as mulheres usam o *rdaka-rdaka* em cerimónias, onde transmitem conhecimentos sobre a terra através de danças e gestos. Por isso mesmo, têm um papel central nesta cultura. Na Austrália, existem outras línguas gestuais utilizadas pelas tribos aborígenes e que estão a ser investigadas. Este trabalho de investigação pode ser consultado neste **[website](https://www.iltyemiltyem.com/)**. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/Mofu-Gudur-1-1024x576.webp "Mofu Gudur 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Alguns gestos recolhidos dos Mofu-Gudur. Le langage gestuel des Mofu-Gudur au Cameroun, de Liliane Sorin-Barreteau. ### Os Mofu-Gudur: as histórias através de gestos ancestrais Além disso, no norte dos Camarões, a comunidade **Mofu-Gudur** desenvolveu um repertório de cerca de **1500 gestos**, usados em vários contextos sociais, provavelmente com influência das pessoas surdas que ali habitam. Ou seja, mesmo assim, os ouvintes também gestuam uns com os outros, sobretudo em narrativas, conselhos ou rituais. São uma forma de complementar a fala e permitem expressar ideias complexas, sentimentos e histórias **com maior clareza**. Podemos dizer que, nesse contexto, o gesto também é uma forma de performance. A riqueza deste sistema mostra, por conseguinte, que o corpo pode ser usado como forma de linguagem, **mesmo em sociedades predominantemente orais.** ### Plains Indian Sign Language: a língua gestual como forma de diplomacia Por fim, entre os povos indígenas das planícies da América do Norte, como os Lakota, Cheyenne, Blackfoot, Kiowa e Arapaho, desenvolveu-se um sistema gestual intertribal conhecido como Plains Indian Sign Language (Língua Gestual dos Índios das Planícies, PISL), também chamada *Hand Talk*. Esta língua visual permitia a comunicação entre grupos linguísticos distintos, em contextos como comércio, caça e cerimónias. Diversas nações indígenas compreendiam a PISL e esta funcionou como uma língua que transcendia as fronteiras linguísticas. Estima-se que, em 1885, **mais de 110.000 indígenas a utilizavam**. Simultaneamente, desempenhava um papel central na partilha de histórias, ensinamentos e rituais. Este sistema **não era exclusivo de pessoas surdas**, era uma escolha comunicativa partilhada por comunidades ouvintes, valorizada pela sua eficácia e beleza simbólica. Diversos estudos, bem como as próprias comunidades indígenas, reconhecem a PISL como uma das línguas mais antigas da América do Norte, anterior à colonização europeia. No entanto, a PISL sofreu um declínio devido às políticas de assimilação. Apesar disso, tanto as comunidades indígenas como as surdas têm lutado para recuperá-la. Um exemplo disso é o maior mural já pintado pela artista surda **[Nancy Rourke](/nancy-rourke-da-opressao-a-expressao-em-tres-cores/)**, na Universidade Gallaudet, onde estão sete figuras indígenas a comunicar em PISL – imagem que escolhi para capa deste artigo. Estes quatro exemplos mostram que os gestos ancestrais não pertencem apenas ao passado. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/05/202505-Plain-Indians.webp "202505 - Plain Indians - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Língua Gestual dos Índios das Planícies. Exemplos de frases. ## Desde sempre, gestuar é uma forma de comunicar **Os gestos nascem da própria condição humana.** Em cada uma destas comunidades abordadas, os gestos ancestrais desenvolveram-se e transmitiram-se, de geração em geração, como forma de expressão. Na verdade, acompanharam a história humana desde os seus primórdios. Este percurso desafia a ideia de que a oralidade é a forma dominante ou superior da linguagem. Nesse sentido, obriga-nos a perguntar: **o que é uma língua?** **Quem tem o poder de defini-la?** **E por que razão as línguas gestuais continuam, tantas vezes, a ser vistas como inferiores?** Atualmente, numa altura em que as línguas gestuais ganham visibilidade, reconhecimento legal e espaço público, lembrar os gestos ancestrais também é um ato político, ao provar que existe neles história, cultura e valor desde o início da humanidade. Desta forma, e com evidência, percebemos assim que **a comunicação gestual sempre foi estruturada, simbólica e tão legítima quanto qualquer língua falada – uma forma de expressão profundamente enraizada no ser humano.** **Nota:** Ao longo deste artigo, utilizei a expressão *gestos ancestrais* para referir práticas gestuais enraizadas em contextos culturais diversos. No entanto, em linguística, o termo técnico mais preciso para estes sistemas é *línguas gestuais alternativas* (*alternate sign languages*). Chamam-se “alternativas” porque são usadas em alternativa à fala em comunidades não surdas, muitas vezes em contextos rituais, de silêncio imposto ou de discrição necessária, como na caça. Deixo também aqui um grande “obrigada” à minha colega Mariana Martins que me deu algumas dicas preciosas para este artigo. **Categorias:** Língua Gestual --- ### [Dia da Europa: Unidade, Diversidade e Comunidade Surda](https://apsurdos.org.pt/dia-da-europa-unidade-diversidade-e-comunidade-surda/) **Published:** Maio 9, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** No Dia da Europa, celebramos a diversidade com as mãos. A Comunidade Surda constrói, há décadas, uma Europa mais justa e acessível. **Content:** No Dia da Europa, celebramos a diversidade com as mãos. A Comunidade Surda constrói, há décadas, uma Europa mais justa e acessível. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-ecbc6cc) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-dia-da-europa.webp "202505-dia-da-europa - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Origem e Simbolismo do Dia da Europa O Dia da Europa celebra-se a 9 de maio e simboliza a paz e a unidade no continente europeu. A data recorda a Declaração Schuman, apresentada a 9 de maio de 1950 por Robert Schuman, então Ministro dos Negócios Estrangeiros de França. Nessa declaração, Schuman propôs criar uma comunidade europeia para gerir, em conjunto, o carvão e o aço. Era uma proposta simples, mas visionária. O objetivo era claro: evitar novas guerras entre nações europeias, sobretudo entre França e Alemanha. Como afirmou Schuman, “qualquer guerra entre a França e a Alemanha não seria apenas impensável, mas materialmente impossível”. Este gesto marcou o início do projeto europeu, sendo reconhecido como o ponto de partida da atual União Europeia. A celebração oficial do Dia da Europa só surgiu em 1985, quando os líderes europeus aprovaram a data como símbolo da integração. Anos depois, em 2000, foi adotado o lema “Unida na diversidade”. A frase resume bem o espírito europeu: promover a paz e a prosperidade, sem apagar as culturas, línguas e tradições que distinguem os povos. É nesse contexto que surge a importância das línguas gestuais e da Comunidade Surda. Tal como outras línguas e culturas, fazem parte do mosaico europeu. Respeitar essa diversidade é dar-lhe lugar pleno na construção da Europa. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-eud.webp "202505-eud - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Fundação da União Europeia de Surdos (EUD) Se os anos 50 marcaram o início da construção europeia, os anos 80 trouxeram um despertar para as comunidades surdas. Em 1985, o mesmo ano em que o Dia da Europa foi oficializado, nasceu a União Europeia de Surdos (EUD). A EUD surgiu da necessidade de dar à Comunidade Surda uma voz comum a nível europeu. Numa Europa em rápida integração, era urgente garantir que também a Comunidade Surda tivesse representação e influência. Com sede em Bruxelas, a EUD é uma organização não governamental, sem fins lucrativos. Reúne as Associações Nacionais de Surdos de diversos países e promove o diálogo com as instituições europeias. A visão da EUD assenta na igualdade plena das pessoas surdas em todos os aspetos da vida pública e privada. Para concretizá-la, definiu três grandes objetivos: ## Reconhecimento das Línguas Gestuais Ver mais **Garantir o direito ao uso da língua gestual nativa como base da identidade e da cidadania surda.** ## Acesso à Comunicação e Informação Ver mais **Promover a acessibilidade nos media, na tecnologia e nos serviços.** ## Igualdade na Educação e no Trabalho Ver mais **Criar oportunidades reais em contextos educativos e profissionais, eliminando barreiras e discriminação.** Desde então, a EUD tem sido um elo entre a Comunidade Surda e a União Europeia. Participa em reuniões, emite pareceres e trabalha em articulação com as associações nacionais. Além disso, integra o Fórum Europeu da Deficiência (EDF) e colabora com o Conselho da Europa. A sua presença garante que a perspetiva das pessoas surdas está presente nos grandes debates europeus sobre acessibilidade, inclusão e direitos humanos. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-eudy.webp "202505-eudy - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Fundação da União Europeia de Juventude Surda (EUDY) Em 1987, dois anos após o nascimento da EUD, foi criada a União Europeia de Juventude Surda (EUDY). A sua missão? Representar os interesses específicos dos jovens surdos em toda a Europa. A EUDY reconhece que a juventude surda enfrenta desafios próprios. Além disso, acredita que estes jovens são os futuros líderes e guardiães da cultura surda. Atualmente, a organização reúne mais de 30 associações nacionais de jovens surdos. É a única entidade europeia dedicada exclusivamente a esta faixa etária da Comunidade Surda. A EUDY promove a emancipação desde a infância e adolescência, trabalhando para garantir direitos e oportunidades iguais. Foca-se em três áreas principais: ## Desenvolvimento Pessoal e Liderança Ver mais **Organiza formações, intercâmbios e workshops. Estas atividades fortalecem a confiança e as competências dos jovens.** ## Reforço da Identidade Surda Ver mais **Promove o orgulho na língua gestual e na herança cultural surda. Organiza encontros juvenis e campos de férias europeus, criando laços de amizade além-fronteiras.** ## Advocacia em Fóruns de Juventude Ver mais **Representa os jovens surdos junto de entidades políticas.** Tal como a EUD, a vertente juvenil tem também uma visão de igualdade e participação plena. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-impacto-politico-europa.webp "202505-impacto-politico-europa - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Impacto Político e Cultural na União Europeia Ao longo das décadas, a EUD e a EUDY marcaram presença no coração da construção europeia. O seu trabalho teve impacto político e cultural em toda a União Europeia. Estas organizações atuam em várias frentes. Participam na criação de políticas de acessibilidade, lutam pelo reconhecimento oficial das línguas gestuais e promovem a cultura surda a nível europeu. Mais do que discursos, concretizam os valores da União Europeia: inclusão, diversidade linguística e igualdade de oportunidades. Através de ações consistentes, mostraram que a Comunidade Surda não é apenas um grupo a integrar, mas uma parte ativa e enriquecedora do projeto europeu. ### Contributos para políticas de acessibilidade A EUD tem sido uma voz firme na defesa da acessibilidade em toda a União Europeia. Acompanha de perto a legislação europeia e propõe melhorias concretas. Por exemplo, contribuiu para o Ato Europeu de Acessibilidade, que define regras para tornar produtos e serviços acessíveis a pessoas com deficiência. Também interveio na revisão da Diretiva dos Serviços de Média Audiovisual. Graças a esse trabalho, as metas de legendagem, interpretação em língua gestual e áudiodescrição tornaram-se mais ambiciosas — tanto na televisão como nas plataformas de streaming. Outro contributo importante foi a influência no Código Europeu das Comunicações Eletrónicas. Este código exige que o número de emergência europeu (112) seja acessível a pessoas surdas, através de texto em tempo real ou videochamada com interpretação gestual. A EUD participou em consultas públicas, enviou pareceres técnicos e liderou campanhas de sensibilização. Estes esforços resultaram em mudanças visíveis. Hoje, é mais comum ver: - Intérpretes em eventos públicos; - Conteúdos televisivos com acessibilidade; - Websites governamentais mais inclusivos. Estas melhorias não beneficiam apenas a Comunidade Surda. Tornam a sociedade mais justa e acessível para todos. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-reconhecimento-linguas-gestuais-1024x576.webp "202505-reconhecimento-linguas-gestuais - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Reconhecimento legal das línguas gestuais ao nível nacional, World Federation of the Deaf (2022) ### Reconhecimento das línguas gestuais na Europa A EUD tem sido uma defensora incansável das línguas gestuais europeias. Desde 1988, tem pressionado os Estados-Membros a reconhecerem legalmente as suas línguas gestuais. Este esforço deu frutos. [Várias resoluções do Parlamento Europeu, durante décadas, reforçaram o apelo ao reconhecimento nacional.](https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/TA-8-2016-0442_EN.html#def_1_2) Com o tempo, quase todos os países da UE oficializaram as suas línguas gestuais — através de constituições, leis específicas ou decretos. Um exemplo marcante é Portugal. Em 1997, a Língua Gestual Portuguesa (LGP) foi consagrada na Constituição. O Estado passou a ter a responsabilidade de a “proteger e valorizar, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades”. Esta conquista foi celebrada pela Comunidade Surda portuguesa e pelos seus pares na Europa. Representou um passo firme rumo à igualdade linguística e cultural — exatamente como a EUD tem defendido desde a sua fundação. ### Representação e influência institucional A EUD tem assento no Fórum Europeu da Deficiência (EDF), onde dialoga diretamente com a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu. Participa em grupos de trabalho, consultas públicas e recomendações políticas. Também possui estatuto consultivo no Conselho da Europa. Aí contribui para temas ligados aos direitos humanos, inclusão e diversidade linguística. Além disso, colabora com a ONU, monitorizando a aplicação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) na União Europeia. Por seu lado, a EUDY representa os jovens surdos no Fórum Europeu da Juventude. Atua em programas como o Diálogo Jovem da UE e o Erasmus+, defendendo mais intercâmbios acessíveis e igualdade no Corpo Europeu de Solidariedade. Esta representação reflete-se numa presença cada vez maior de líderes surdos em eventos institucionais. Em conferências, audições parlamentares e fóruns europeus, é comum vê-los comunicar em língua gestual, com interpretação assegurada. A ex-eurodeputada [Helga Stevens](https://www.europarl.europa.eu/meps/pt/125105/HELGA_STEVENS/history/8 "Helga Stevens"), da Bélgica, tornou-se um símbolo desse progresso em 2014. Surda e jurista, representou um exemplo claro de que a inclusão política é possível — e desejável — ao mais alto nível. Antes dela, já em 2009, tinha sido eleito o húngaro [Ádám Kósa](https://www.eppgroup.eu/who-we-are/our-members/adam-kosa), também advogado e surdo, tornando-se o primeiro eurodeputado a usar língua gestual no Parlamento Europeu. Tudo isto reforça o princípio que guia a ação da EUD e da EUDY: “Nada sobre nós, sem nós.” Nenhuma decisão sobre a Comunidade Surda deve ser tomada sem a sua participação direta e ativa. ### Cultura e sensibilização O impacto cultural da EUD e da EUDY é profundo — e não pode ser ignorado. Ao ligarem comunidades surdas de diferentes países, estas organizações ajudaram a construir um sentido de pertença europeia também entre as pessoas surdas. Eventos como o Dia Internacional das Línguas Gestuais, celebrado a 23 de setembro, ganharam destaque europeu graças ao seu trabalho. Com o apoio da UE, vídeos em línguas gestuais nacionais são divulgados por toda a Europa. As campanhas de sensibilização da EUD abordam temas como: - Educação bilingue; - Reconhecimento de línguas gestuais e da profissão de intérpretes; - Emprego e saúde apoiados para pessoas surdas. Estas iniciativas circulam entre os países membros, gerando consenso, partilha e boas práticas. A EUDY tem também um papel essencial. Os seus campos de jovens e crianças surdas, organizados bianualmente por toda a Europa, promovem um intercâmbio cultural riquíssimo. ​Em agosto de 2023, Portugal acolheu o EUDY Youth Camp & Assembleia Geral, que reuniu jovens surdos de toda a Europa. O evento decorreu em Lisboa, de 10 a 20 de agosto, sob o tema [“Deaf Youth Fighting Against Climate Changes”](https://eudy.info/project/campaign-videos-deafyouth-fighting-against-climate-change/). Esta dimensão cultural fortalece a visão de uma Europa onde a diversidade linguística é motivo de orgulho — nunca de separação. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-Grupo-1024x768.webp "202503-Viena-Grupo - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Participação da APS no Contact-Making Event Erasmus+ em Viena (2025) ## Uma Europa que também se expressa com as Mãos A 9 de maio, quando vemos a bandeira azul-estrelada erguer-se, celebramos mais do que tratados. Celebramos a paz e a unidade que a Europa soube construir ao longo de décadas. Mas essa unidade não exige uniformidade. Pelo contrário, nasce da diversidade: de línguas, de culturas, de formas de comunicar. A história do Dia da Europa ensina-nos que a cooperação pode nascer de um sonho partilhado de paz. A história da EUD e da EUDY mostra que esse sonho só se cumpre quando todos participam — inclusive os que se expressam por gestos, e não por voz. Hoje, graças à luta de gerações de ativistas surdos e aliados, a Comunidade Surda está presente e ativa no espaço europeu. Influencia políticas, celebra a sua cultura e recorda-nos que a língua — falada ou gestual — é parte essencial da identidade de qualquer povo. Claro que os desafios persistem: faltam intérpretes, há barreiras na empregabilidade, e a acessibilidade digital ainda não é plena. No entanto, quando olhamos para o caminho percorrido desde 1950, vemos um fio condutor de progresso, solidariedade e esperança. Hoje, na Europa, [uma pessoa surda portuguesa pode participar num projeto Erasmus+ com interpretação](/a-nossa-experiencia-erasmus-de-viena-para-portugal/ "uma pessoa surda portuguesa pode participar num projeto Erasmus+ com interpretação"), estagiar no Parlamento Europeu ou representar o seu país num evento internacional — em igualdade de condições. Neste Dia da Europa, celebramos as vozes… mas também as mãos. Celebramos os passos dados por todos os europeus que constroem uma sociedade mais justa, mais acessível e mais plural. Porque, como lembrou Robert Schuman, a Europa “não se fará de uma vez só, nem segundo um plano único; far-se-á através de realizações concretas que criem primeiro uma solidariedade de facto”. A trajetória da EUD e da EUDY é uma dessas realizações concretas – uma solidariedade construída dia após dia, que enriquece o projeto europeu. **Categorias:** Política e Direitos --- ### [Nancy Rourke: da Opressão à Expressão em Três Cores](https://apsurdos.org.pt/nancy-rourke-da-opressao-a-expressao-em-tres-cores/) **Published:** Maio 2, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** Da opressão à expressão, Nancy Rourke usa três cores para denunciar o audismo e celebrar a arte surda, a identidade e a cultura visual da Comunidade Surda. **Content:** Da opressão à expressão, Nancy Rourke usa três cores para denunciar o audismo e celebrar a arte surda, a identidade e a cultura visual da Comunidade Surda. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-9076aaf) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-Nancy-1-1024x772.webp "202505 -Nancy 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Nancy Rourke e a Torre de Belém pintada por si. Fotos cedidas por Mariana Bártolo. Há uns anos, sem me aperceber, conheci uma figura marcante da Comunidade Surda e do mundo das artes. Tratava-se de uma mulher pacífica, bondosa, humilde e paciente. Pintava, em pequenos cartões, os monumentos que observava — em **apenas três cores: azul, vermelho e amarelo.** E complementava-as com preto e branco, para criar contraste. Vi-a a pintar o Palácio da Pena, a Torre de Belém, o Castelo de S. Jorge e as paisagens de Lisboa e Sintra. Mas não fazia ideia de que era ela, a Nancy Rourke em pessoa. Foi uma grande surpresa quando lhe tirei uma fotografia, publiquei no meu Instagram e, logo a seguir, recebi muitas mensagens de membros da Comunidade Surda. De repente, parecia que estar na sua presença tinha sido algo de extraordinário. Por isso, decidi pesquisar. O seu nome, as suas fotografias e a sua arte surgiam em várias páginas do Google. Nesse momento, caiu-me a ficha. Finalmente, percebi o enorme privilégio que tinha sido tê-la conhecido e convivido com ela em pessoa, na sua vinda a Portugal. **Hoje é impossível falar sobre a Comunidade Surda e a Arte Surda, sem mencionar a Nancy Rourke.** No entanto, ela ainda é desconhecida para muitos da minha geração. Por essa razão, quero trazer um pouco da sua vida e da sua arte para a Voz Gestual. Já a referimos há umas edições atrás na capa do artigo sobre o **[Audismo](/audismo-o-preconceito-silencioso-contra-as-pessoas-surdas/)**, escrito pelo **[Pedro Mourão](/author/pedromourao/)**. Recomendo vivamente a sua leitura. Afinal, é a experiência do audismo uma base importante para a arte de Nancy Rourke. E espero fazer-lhe jus com este artigo. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-Nancy-2-1024x887.jpg "202505 - Nancy 2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Nancy a pintar no Instituto de Surdos de Turim (@nancyrourke) ## Quem é Nancy Rourke? Nancy Rourke nasceu surda, mas só foi diagnosticada aos seis anos. Começou a desenhar para comunicar com os seus pais e com o mundo. Naquela época, o acesso à Língua Gestual era muito limitado. Essa necessidade de expressão levou-a a escolher a arte como caminho, começando por pintar em pedras. Estudou no Instituto Nacional Técnico para Surdos (NTID). Mais tarde, formou-se em design gráfico e pintura no Instituto Tecnológico de Rochester (RIT), em Nova Iorque. Durante 16 anos, trabalhou como designer gráfica em empresas como a Xerox, a Microsoft e a 20th Century Fox, onde coloriu os filmes clássicos como “King Kong”. Nesse período, esteve afastada da pintura. Apenas quando foi despedida é que voltou à arte. Foi nesse regresso que reencontrou a sua identidade. Começou a explorar, na pintura, as frustrações da sua experiência enquanto mulher surda. A partir daí, passou a dedicar-se por completo à arte, com nova clareza sobre quem era e o seu lugar no mundo. A partir de 2010, começou a criar obras que representam a cultura, a história e a opressão vividas pelas pessoas surdas. Descobriu assim a sua verdadeira paixão e assumiu a sua identidade através de três cores. Foi por causa destas cores que ganhou o seu nome gestual – [**N de Nancy e 3 de três cores**](https://www.youtube.com/watch?v=FD8rJRBt0WM). Para além da sua identidade surda, Nancy Rourke também é indígena norte-americana. É membro oficial da Nação Kumbayaay, uma comunidade indígena na Califórnia. Sem dúvida, esta diversidade de herança cultural também contribui para a riqueza do seu olhar artístico e a complexidade das suas mensagens visuais. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-sindrome-mesa-jantar.webp "202505 - sindrome mesa jantar - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Síndrome da Mesa de Jantar (www.nancyrourke.com) ## A arte como forma de ativismo Há muitas formas de fazer arte e de fazer ativismo. No entanto, Nancy Rourke faz ambos em um só: **artivismo**. Na sua obra, expõe várias formas de discriminação que afetam a Comunidade Surda. Esta denúncia abrange desde os tempos antigos, como o pensamento de Aristóteles, até aos dias de hoje. Assim, evidencia a opressão, a oralização forçada, os traumas de infância, a reabilitação auditiva e os riscos da engenharia genética. Basicamente, tudo o que ameaça a diversidade linguística e cultural da Comunidade Surda. Contudo, a Nancy não se limita a retratar a dor; pelo contrário, **celebra também a Língua Gestual, a identidade surda, a cultura visual e o sentido de comunidade.** Como ela própria diz: ### Não estou zangada por ser surda. Estou zangada com a opressão. Lembro-me de um jantar com um grupo de surdos, amigos da Nancy, incluindo o seu marido, no qual vários usavam gravatas com estampados da sua arte — com destaque para a celebração da Língua Gestual Americana (ASL, American Sign Language), através da qual orgulhosamente comunicavam. Cada quadro pintado por Nancy tem uma estrutura intencional. **Quanto mais se compreende, mais se descobre camadas e mensagens ocultas.** Ela própria explica o significado de cada obra no seu **[site](http://www.nancyrourke.com)** e **[canal de YouTube](https://www.youtube.com/user/nancyrourke)**. E, desculpem a expressão em inglês, mas é absolutamente *mindblowing*. Pinta de forma aparentemente caótica. De acordo com o que contou num **[documentário](https://www.google.com/search?q=documentary+nancy+rourke&oq=documentary+nancy+rourke&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigATIHCAIQIRifBTIHCAMQIRifBdIBCDM5NzNqMWo3qAIAsAIA&sourceid=chrome&ie=UTF-8#sv=CBMSGQoIZjZmOGJmYTcSCzZPZzRCTWNwM1dBGAAg8_PGsg0wAQ)**, costuma pintar quatro quadros por dia, saltando entre eles ao mesmo tempo. No entanto, a sua produção é extremamente organizada: cada obra integra um tema, uma categoria e motivos visuais recorrentes como mãos, olhos, bocas, corações, fitas azuis, buracos negros. A sua pintura sobre a Síndrome da Mesa de Jantar é um exemplo — **[tema sobre o qual também já escrevi aqui na Voz Gestual](/a-margem-da-mesa-a-experiencia-da-sindrome-da-mesa-de-jantar/)**. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-isolation2MED.webp "202505 - isolation2MED - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Isolamento (www.nancyrourke.com) ## De'VIA - Deaf View/Image Art O movimento **De’VIA** surgiu em 1989, criado por um grupo de artistas surdos. Desde então, o seu objetivo tem sido representar, através da arte, a vivência da Comunidade Surda. Ao contrário de obras que apenas retratam pessoas surdas, a arte De’VIA parte, efetivamente, da perspetiva de quem vive essa identidade no corpo e na cultura. Assim, as obras abordam temas como o audismo, o oralismo, a perda de identidade linguística, a resistência cultural e a celebração da Língua Gestual. As características visuais do De’VIA são muito marcantes. De forma simbólica, utilizam a cor, as mãos em movimento, as bocas abertas e os olhos que observam. Além disso, é uma arte profundamente emocional, muitas vezes confrontativa, que comunica através da cor, da composição e da memória. A Nancy encontrou neste movimento uma casa para a sua expressão artística, e ao mesmo tempo redefiniu o seu rumo. Assim, tornou-se também uma educadora, usando a sua arte como ferramenta de sensibilização. Atualmente, é uma das principais representantes do movimento De’VIA, onde a experiência surda é expressa de dentro para fora, através da arte. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-deafandproudMED.webp "202505 - deafandproudMED - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Deaf and Proud (www.nancyrourke.com) ## Rourkenismo: o legado de Nancy Rourke Fortemente inspirada pelo fauvismo, por Jean-Michel Basquiat e por elementos do cubismo, Nancy desenvolveu um estilo visual próprio e único no mundo — o **Rourkenismo**. A sua obra em três cores combina revolta e celebração: expressa frustração, raiva e crítica ao audismo, mas também exalta a beleza da Língua Gestual, da cultura visual e da comunidade surda. A sua arte já foi exibida em várias instituições internacionais, consolidando-se como uma referência na arte contemporânea. Por outro lado, conto-vos um episódio engraçado: em conversa com o marido da Nancy, ele contou-me que, apesar de admirar e apoiar de forma incondicional a obra e a missão dela, já não pode mais ver as três cores. Na sua casa, é tudo dessas cores — até pratos, talheres, copos e guardanapos. São cores que carregam grande simbolismo e se tornaram a identidade da Nancy. O legado de Nancy está na forma como usa a arte para inspirar novas gerações de artistas visuais, nomeadamente jovens surdos. Além disso, através da sua obra, mostrou que é possível transformar a experiência pessoal em linguagem coletiva. ## Uma grande obra no Instituto de Surdos de Turim ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-Instituto-de-Surdos-de-Turim-1024x785.webp "202505 - Instituto de Surdos de Turim - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") No Instituto de Surdos de Turim (@nancyrourke) No ano passado, fui em trabalho até ao Instituto de Surdos de Turim, onde, além das minhas funções, aproveitei para visitar um mural de um edifício recém-construído — pintado por Nancy. Ver de perto e ao vivo uma obra tão grande e com um significado tão profundo foi, sem dúvida, uma grande honra para mim. Por isso, demorei-me a observar cada detalhe deste projeto colaborativo com jovens surdos que trabalham neste Instituto. Trata-se de uma verdadeira mistura de memória, identidade e luta, que, consequentemente, honra a história da comunidade surda italiana, pintada com resistência e orgulho. Existem três seções que celebram a Comunidade Surda italiana. A primeira mostra uma mãe com uma criança ao colo, simbolizando a importância da Língua Gestual Italiana (LIS) desde cedo. Em seguida, a figura ao centro remete para a união da Comunidade Surda, através da qual tudo floresce. E, por fim, uma figura marcante da cultura italiana — a estátua de David, de Michelangelo — a gestuar “Cultura Surda”. Esta celebração, que levou a Nancy Rourke várias semanas de trabalho, deixou-me profundamente comovida. Tornou-se ainda mais especial por conhecer pessoalmente a artista por trás desta obra. Contudo, este não é o único mural que pode ser visitado. Na Universidade de Gallaudet, Nancy Rourke criou o seu maior mural até à data, medindo cerca de 5,8 metros de altura por 17 metros de largura. Esta obra monumental, composta por oito painéis, retrata sete figuras indígenas das tribos Piscataway e Nacotchtank, originárias da região de Washington D.C. Cada figura utiliza gestos indígenas, reconhecendo que o território onde se situa a universidade pertence originalmente a estas comunidades. Este mural integra ainda a exposição ‘We, Native Deaf People, Are Still Here!’, e estará em exibição por pelo menos dois anos. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202505-deafcanMED.webp "202505 - deafcanMED - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Deaf Can (www.nancyrourke.com) ## Da opressão à expressão É impossível não sentir algo ao olhar para a arte de Nancy Rourke. As cores vibram, os traços gritam em silêncio, e as mãos parecem querer comunicar. **A sua arte é uma arma contra o audismo.** Na realidade, há muitas formas de fazer ativismo, que é tão necessário enquanto vivemos numa sociedade que teima em não nos dar as respostas de que precisamos. Umas formas são mais combativas, outras mais subtis. A arte de Nancy Rourke lembra-nos que na resistência há muita dor, mas também há muita cor, mesmo que só em três. **Categorias:** Arte e Cultura --- ### [Comunidade Surda antes e depois do 25 de Abril](https://apsurdos.org.pt/comunidade-surda-antes-e-depois-do-25-de-abril/) **Published:** Abril 25, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** Durante o Estado Novo, as escolas reprimiam a língua gestual, mas nas ruas, a Comunidade Surda usava-a livremente para comunicar e partilhar cultura. **Content:** Durante o Estado Novo, as escolas reprimiam a língua gestual, mas nas ruas, a Comunidade Surda usava-a livremente para comunicar e partilhar cultura. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-994dd7a) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ![Comunidade Surda - Logótipos do Grupo Desportivo Os Mudos e do Grupo Desportivo de Surdos-Mudos de Lisboa](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-logo-mudos-gdsml-1024x400.webp "202504-logo-mudos-gdsml - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") À esquerda, o logótipo do Grupo Desportivo Os Mudos (na sigla identifica-se como Club Football Os Mudos), à direita o logótipo do Grupo Desportivo de Surdos-Mudos de Lisboa ## Nas margens do sistema: o associativismo como refúgio da Comunidade Surda Muito antes do 25 de Abril, os surdos organizaram-se. Em 1936, Lisboa, nasceu o **Grupo Desportivo Os Mudos**, cuja atividade era predominantemente o futebol. A partir daí, **o desporto tornou-se a primeira trincheira da identidade surda lisboeta**. Em 1954, com a fundação do **Grupo Desportivo Surdos-Mudos de Lisboa (GDSML)**, a Comunidade Surda encontrava-se na Sociedade Filarmónica João Rodrigues Cordeiro. Lá, realizavam torneios de xadrez, jogos de futebol e peças de teatro mímico. Esses espaços, ainda que recreativos, funcionavam como locais de afirmação cultural, onde a LGP fluía sem censura. O grupo fundador da Associação Portuguesa de Surdos (APS), em 1958, adotou inicialmente uma **lógica de reabilitação**. No entanto, os sócios surdos rapidamente demonstraram que não precisavam de uma abordagem reabilitativa. O que realmente queriam era **um espaço de convívio, cultura e comunidade**. A primeira Presidente, Maria Madalena Pires, uma mulher surda, impediu o acesso dos próprios sócios surdos à associação. Para a sociedade, esse insucesso gerou a perceção de que a liderança devia voltar a estar nas mãos de ouvintes. Foi o segundo Presidente, Adriano Jordão, ouvinte, que atendeu aos desejos e reivindicações da Comunidade Surda. Guiou a APS para uma vivência mais autêntica e representativa. Este episódio, em que **um ouvinte devolve à comunidade o que um membro da própria comunidade tinha restringido**, permanece como **um dos paradoxos históricos mais marcantes da instituição**. Mesmo assim, esta mentalidade de liderança ouvinte perpetuou-se como regra até ao fim do Estado Novo. Apesar do controlo ideológico e do paternalismo, o Estado subsidiava mensalmente a APS através do Ministério da Saúde. Assim, **a APS transformou-se num espaço seguro para a LGP e para a Comunidade Surda**. Tornou-se um ponto de encontro essencial: para jogar, para conviver, para aprender e para partilhar. **Em suma, uma bolha de liberdade num país fechado**. ## Como a sociedade via a Comunidade Surda Nas ruas, os surdos **não eram perseguidos — mas também não eram compreendidos**. A maioria da sociedade, com raízes profundas no **[audismo](/audismo-o-preconceito-silencioso-contra-as-pessoas-surdas/ "audismo")**, via-os com pena. **João Morais**, um dos utentes do nosso grupo de seniores, lembra-se dos comentários dos ouvintes: > **“são uns coitadinhos”.** Mas também se lembra de os ignorar. Mesmo perante o regime, os surdos não eram prioritários para a repressão. **Avelino Rodrigues** contou como **alguns surdos foram detidos por criticar o regime — mas não foram torturados**, ao contrário dos ouvintes. Há quem considere que essa diferença se deve, em parte, à imagem pública dos surdos como “coitadinhos”. Essa visão paternalista, embora reducionista e discriminatória, pode ter contribuído para que fossem vistos como inofensivos. A PIDE, ao não compreender a língua gestual, aliava o desconhecimento à condescendência, desvalorizando os surdos como possíveis ameaças. Paradoxalmente, **o preconceito acabou por funcionar como uma proteção involuntária**. A barreira linguística serviu, assim, de escudo — mas também de sinal claro de invisibilidade política. ## A Comunidade Surda nas Escolas: realidades paralelas sob o silêncio As escolas variavam, mas todas impunham o silêncio e a oralidade. Eis alguns exemplos: ### Casa Pia de Lisboa Na Casa Pia, a repressão era severa — mas limitava-se às salas de aula. Professores impunham **castigos físicos**, como reguadas nas mãos, sempre que viam um aluno a gestuar. Avelino e João relatam com clareza o ambiente de medo que ali se vivia durante as aulas. Os gestos tinham de ser escondidos, usados às escondidas, como um **segredo vergonhoso**. No entanto, fora das salas, o ambiente mudava. Nos recreios, os surdos comunicavam abertamente entre si. Por vezes, surgiam **críticas ao regime salazarista entre os próprios surdos**. Na maioria dos casos, tratava-se de comentários esporádicos, feitos com a confiança de que ninguém à volta os compreendia. A língua gestual, sendo invisível para a maioria dos ouvintes e incompreendida pela PIDE, oferecia essa margem de expressão informal — **não como resistência deliberada, mas sim como escape ocasional**. Dentro das aulas, punia-se o gesto. Fora delas, pelo contrário, era **ferramenta de liberdade e sem controlo do Estado**. ### **Institutos Religiosos: Araújo Porto e Imaculada Conceição** No Instituto de Surdos Araújo Porto, a situação era ligeiramente diferente. Algumas freiras **ensinavam uma forma rudimentar de língua gestual**, mas, em simultâneo, incentivavam e impunham a oralidade. Este sistema gestual, com influências regionais e da Galiza, **sobrevivia graças à criatividade das crianças surdas** e algumas educadoras. Mantinha-se num equilíbrio frágil entre uma permissão tácita e uma repressão formal dentro do contexto escolar. Era tolerado nos recreios, mas escondido nas salas de aula. Mais tarde, elementos deste sistema acabariam por ser integrados numa das variantes regionais do Norte da atual LGP. Essa evolução reflete **a riqueza e diversidade dos gestos praticados em diferentes zonas do país**. Maria João e Ana Maria Guerreiro estudaram nesta escola e recordam um ambiente ambíguo, onde se permitia discretamente, mas nunca se valorizava. O gesto era visto como um auxílio, nunca como uma verdadeira língua — uma ferramenta de recurso e não de identidade. Já no [Instituto de Surdos-Mudos da Imaculada Conceição](https://www.institutodaimaculada.pt/quemsomos.html), onde Carlos Gonçalves estudou, os gestos eram naturais nos recreios, entre pares. Havia mais liberdade informal, ainda que, dentro da sala de aula imperasse o oralismo. Carlos conta que as freiras não proibiam o gesto nos intervalos, mas exigiam silêncio gestual sempre que a madre ou figuras do regime visitavam a escola. **Os gestos paravam, os corpos alinhavam-se** — era o ritual da obediência. ![Comunidade Surda - José da Cruz Filipe com a sua aluna Maria Manuel Salgado](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-jose-da-cruz-filipe.webp "202504-jose-da-cruz-filipe - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") O Professor José da Cruz Filipe com uma das suas alunas, Maria Manuel Salgado, ex-Presidente da APS entre 2010 e 2012 ### Colégio Cruz Filipe O Colégio do Professor José da Cruz Filipe, onde estudou Sofia\*, representa o extremo da repressão linguística e corporal. A oralização era imposta de forma autoritária e violenta. As crianças eram, por vezes, castigadas de forma severa quando eram apanhadas a gestuar. Um dos castigos relatados incluía **serem amarradas às cadeiras com cordas durante o dia, impedidas de levantar os braços** — não como prática diária, mas como punição exemplar para intimidar os restantes. Outros castigos incluíam o uso de colheres de pau nas mãos, sempre que se detetava o uso de mímica ou qualquer gesto. Sofia recorda com clareza estes castigos, praticados pelo **Professor José da Cruz Filipe** que, ironicamente, também era **Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APS**, mesmo durante os tempos da bolha de liberdade gestual. Esta contradição entre o papel institucional e a prática pedagógica revela o conflito interno de uma época em que a própria comunidade era, por vezes, instrumento da repressão. Ali, a oralização não era apenas um método — **era uma doutrina inquestionável e rígida**. Funcionava como mecanismo de controlo, mascarando o apagamento identitário sob o pretexto de integração social. ## O 25 de Abril: liberdade anunciada, mas incompreendida pela Comunidade Surda No dia da Revolução dos Cravos, **muitos surdos não sabiam o que estava a acontecer**. Maria João, dentro do colégio, não ouviu falar de nada — o ambiente era tão fechado que a revolução não entrou pelas paredes. Carlos viu aviões a sobrevoar a escola e ficou intrigado, mas foi só em casa que o pai lhe explicou, com gestos simples, que “as armas acabaram”. Mesmo assim, **o contexto era difícil de entender**. Sofia foi impedida pela mãe de sair de casa, mas não compreendeu verdadeiramente o motivo; sem acesso à língua gestual e sem informação visual, as palavras da mãe não tinham força suficiente para lhe explicar a dimensão da mudança. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-liberdade-incompreendida.webp "202504-liberdade-incompreendida - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Ana Maria, que se encontrava na Alemanha, recorda-se de ver o pai a chegar a casa com grande entusiasmo e a sinalizar-lhe que algo importante tinha mudado em Portugal. No entanto, naquele momento, **não compreendeu verdadeiramente o que se estava a passar**. Foi apenas mais tarde, através das explicações do marido — também surdo, mas com mais consciência política — que Ana começou a entender a dimensão e o impacto da Revolução dos Cravos. João, por sua vez, estava a trabalhar e só soube do que se passava quando viu os colegas ouvintes em alvoroço; mais tarde, viu na televisão as comemorações, mas sem compreender a fundo o que via. **O som das ruas não lhe dizia nada, e a imagem, por si só, não era suficiente para traduzir a mudança que o país vivia**. ### Acesso precário à informação Diferentemente dos dias de hoje, **a Comunidade Surda não tinha acesso à informação que circulava na sociedade**, porque esta era predominantemente sonora. As televisões não tinham legendas nem intérpretes, e **os meios de comunicação funcionavam à margem das necessidades da comunidade surda**. A comunicação entre ouvintes e surdos era mínima — tanto na rua como dentro de casa. Carlos, por exemplo, tinha grande dificuldade em comunicar com a mãe, que nem sabia ler. Avelino recorda que com a sua família ouvinte a comunicação se fazia apenas por mímica e oralidade limitada, sem frases completas. Sofia cresceu num ambiente onde a oralidade era imposta pelos pais e a gestualidade reprimida. Ana Maria, por sua vez, recorria a uma comunicação rudimentar com os familiares. João dependia da mãe e do primo para mediar qualquer contacto com a sociedade. Os poucos ouvintes que sabiam LGP eram **familiares ou amigos próximos**; a maioria comunicava com os surdos de forma superficial, quando comunicava de todo. **Não havia intérpretes**, nem qualquer estrutura formal de acessibilidade linguística. A ausência de informação acessível fez com que a revolução fosse, para muitos, um **evento distante**. Só mais tarde, com o tempo e com a comunidade, perceberam a dimensão do que se passou. ## Depois do 25 de Abril: mais direitos, novas lutas Com a democracia, **vieram mudanças**. A LGP começou a ganhar espaço, tendo **os cursos iniciado na APS em 1982**. Os **intérpretes surgiram**, ainda de forma tímida, mas representaram um marco no acesso à informação e aos serviços. A comunidade passou a ter mais visibilidade, mais direitos, mais voz — ainda que com esforço contínuo. Ana Maria sente orgulho ao ver os **jovens a escrever melhor**, **a terem mais oportunidades** e a **crescerem com uma identidade linguística mais reconhecida**. João reconhece que **hoje há acessibilidade** — nas escolas, nos serviços públicos, até nos media — mas também lamenta que, com essa conquista, tenha vindo uma desvalorização da cultura gestual em favor de modelos mais híbridos, muitas vezes centrados no português oral e escrito. Carlos, agora professor de LGP, **lamenta o afastamento das gerações mais novas das associações e convívios**, onde antes se construía laço, cultura e memória coletiva. Para ele, a Comunidade Surda parece ter perdido parte do espírito de entreajuda e participação ativa. Hoje, a Comunidade Surda é diferente. **Mais informada, mais livre, mas também mais dispersa**. Por isso mesmo, a comunidade já não esconde os gestos — mas deve preservá-los, cultivá-los e vivê-los como herança cultural de resistência e identidade. ## Conclusão: o futuro nas mãos da memória A história da Comunidade Surda não começa nem acaba em 1974. A revolução foi importante, sim — mas foi dentro da própria comunidade que se ergueram as verdadeiras mudanças. **A LGP sobreviveu apesar das escolas**. A APS e os poucos espaços de surdos da época cresceram num contexto autoritário, mas sem sofrerem um controlo direto. Aliás, as autoridades permitiram facilmente esses espaços, por os verem como recreativos ou como locais onde deixavam os “coitadinhos” entregues ao seu próprio mundo, sem impacto político relevante. Esta permissividade era menos sinal de apoio e mais reflexo de uma condescendência social que subestimava por completo o potencial organizativo e reivindicativo da comunidade surda. A cultura surda persistiu apesar do paternalismo, e foi precisamente dentro destes espaços, limitados mas autênticos, que encontrou abrigo, expressão e sentido de pertença. Por isso, **cabe-nos proteger essa história**. Lembrar que, antes da liberdade escrita em decretos, **houve liberdade escrita nas mãos** — em gestos sussurrados nos intervalos das escolas, mas também nos encontros discretos da APS, onde se partilhavam histórias, cultura e cumplicidades. Eram **mãos que desenhavam conceitos no ar**, olhares cúmplices entre crianças e adultos que aprendiam e ensinavam uma língua que lhes diziam para esquecer. Essa liberdade não era oficial, não era reconhecida, mas era **vivida com coragem** — nas salas escondidas, nas conversas à margem, nos gestos trocados com orgulho contido. E é essa coragem que hoje nos inspira a continuar, não apenas a recordar, mas a agir — para que **a memória se transforme em futuro**. *\*Sofia é um nome fictício usado para preservar a identidade da pessoa entrevistada. O seu testemunho foi fundamental para a construção histórica deste artigo.* **Categorias:** APS, História --- ### [Doença de Alzheimer: a Língua Gestual protege o cérebro?](https://apsurdos.org.pt/doenca-de-alzheimer-a-lingua-gestual-protege-o-cerebro/) **Published:** Abril 11, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** Estudos sugerem que comunicar em duas línguas pode atrasar a Doença de Alzheimer. E a Língua Gestual? Há respostas e muitas perguntas. **Content:** Estudos sugerem que comunicar em duas línguas pode atrasar a Doença de Alzheimer. E a Língua Gestual? Há respostas e muitas perguntas. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-f9b2eba) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-alzheimer-1-1024x576.webp "202504 - alzheimer 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Vivemos mais anos do que nunca A medicina evoluiu, a qualidade de vida melhorou e, hoje, é possível chegar aos 80, 90 ou até 100 anos. Com este aumento da esperança média de vida, chegam também novos desafios ligados ao envelhecimento, como as doenças neurodegenerativas, entre elas, a **Doença de Alzheimer**. O que acontece quando o corpo envelhece, mas o cérebro começa a esquecer? O que sentimos ao ver alguém próximo esquecer o nosso nome, perder-se num lugar familiar, ou já não reconhecer o próprio rosto ao espelho? A Doença de Alzheimer é uma das realidades mais duras do envelhecimento. Tira-nos aos poucos o que temos de mais humano: **a memória, a linguagem, as relações.** E se pudéssemos fazer algo para proteger o nosso cérebro ao longo da vida? Será que a forma como comunicamos – e a língua que usamos – pode reverter a doença? E será que a Língua Gestual tem um papel importante nesta situação? ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-alzheimer-2-1024x576.webp "202504 - alzheimer 2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O que é a Doença de Alzheimer? A **demência** acontece quando o cérebro começa a perder capacidades que antes eram naturais – como lembrar de nomes, encontrar o caminho para casa ou até tarefas simples do dia a dia, como cozinhar ou vestir-se. Este declínio cognitivo é progressivo e suficientemente grave para interferir na autonomia funcional da pessoa. Entre os vários tipos de demência, a Doença de Alzheimer **é a mais comum**, representando cerca de 60 a 70% dos casos. O nome aparentemente estranho atribuído a esta doença é uma homenagem ao neurologista alemão **[Alois Alzheimer](https://pt.wikipedia.org/wiki/Alois_Alzheimer)**, que a descreveu pela primeira vez em 1906, ao identificá-la numa mulher com perda de memória e linguagem. Após a morte desta mulher, observou, ao microscópio, uma amostra do seu tecido cerebral e identificou alterações específicas. De forma simplificada, o cérebro vai diminuindo de volume e perdendo neurónios. Imagina uma rede de ligações eléctricas que vão se desligando e ficando emaranhada. As áreas cerebrais mais afetadas são as da memória, linguagem e orientação espacial. Pode afetar qualquer pessoa. Em termos de idade, a maioria dos casos surge a partir dos 65 anos, mas a doença pode manifestar-se em pessoas mais jovens. A idade avançada é o principal fator de risco, mas existem outros como a história familiar de demência, estilo de vida e nível de educação. ### Diagnóstico e tratamento da Doença de Alzheimer Para um diagnóstico correto, o acompanhamento deve ser realizado por médicos especialistas. Normalmente, são neurologistas, que estudam o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso. Em muitos casos, também podem estar envolvidos geriatras, com experiência em envelhecimento e saúde da pessoa idosa, e psiquiatras, especialmente quando existem alterações do comportamento ou humor. O processo baseia-se na história clínica detalhada, testes cognitivos, exames complementares e nos relatos de familiares ou pessoas próximas, que ajudam a identificar mudanças comportamentais na pessoa. Atualmente, a Doença de Alzheimer não tem cura. Trata-se de uma condição neurodegenerativa crónica e progressiva. No entanto, existem medicamentos e intervenções não farmacológicas que podem abrandar o ritmo da doença e melhorar a qualidade de vida da pessoa com demência e da sua rede de apoio. De forma semelhante ao exercício físico para os músculos, também podemos exercitar o cérebro. Isso ajuda a mantê-lo ativo e saudável por mais tempo. As intervenções não farmacológicas têm esse objetivo – estimular o cérebro e preservar as capacidades funcionais durante mais tempo – tais como jogos de memória, atividades de raciocínio, interações sociais e ambientes adaptados. Não é possível prevenir totalmente a Doença de Alzheimer. No entanto, alguns hábitos podem reduzir significativamente o risco. Entre eles estão manter um estilo de vida saudável, controlar doenças crónicas como a diabetes e a hipertensão, estimular o cérebro ao longo da vida com aprendizagens, desafios e relações sociais. E, claro, comunicar em mais do que uma língua – como veremos a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-alzheimer-3-1024x576.webp "202504 - alzheimer 3 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Benefícios do bilinguismo na prevenção da Doença de Alzheimer Quando pensamos na doença de Alzheimer, pensamos naturalmente em formas de estimular o cérebro. Uma das mais eficazes, segundo vários estudos científicos, é o uso regular de duas línguas. Há um ditado popular português que diz: “Burro velho não aprende línguas.” Mas a verdade é que aprender e usar línguas ao longo da vida é um dos melhores exercícios para a mente. Nesse contexto, o bilinguismo – isto é, o domínio funcional de duas línguas (orais, escritas ou gestuais) – está associado ao reforço da reserva cognitiva. ### O que é a reserva cognitiva? O conceito de reserva cognitiva, proposto por **[Stern (2002)](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2739591/)**. Refere-se à capacidade do cérebro para lidar com lesões ou alterações neurológicas sem manifestar, de imediato, sintomas visíveis – como a perda de memória, a confusão ou as dificuldades de linguagem. De forma simples, é como se o cérebro tivesse um “colchão extra” que o protege. Mesmo com alterações como a morte de neurónios ou o encolhimento de certas áreas, esse efeito protetor mantém-se. As pessoas com maior reserva cognitiva conseguem manter as suas funções mentais ativas durante mais tempo. ### O que nos diz a ciência? **[Um dos estudos mais citados nesta área foi publicado em 2010, por Craik, Bialystok e Freedman.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21060095/)** Os autores analisaram 211 pessoas com diagnóstico de Doença de Alzheimer – 102 bilingues e 109 monolingues. Os resultados mostraram diferenças claras entre os dois grupos. Os doentes bilingues relataram o início dos sintomas, em média, 5,1 anos mais tarde. Também foram formalmente diagnosticados, em média, 4,3 anos depois dos doentes monolingues. Importa salientar que, neste estudo, os dois grupos tinham desempenho cognitivo, ocupação e género semelhantes. Curiosamente, os monolingues tinham até mais anos de escolaridade formal. Isso torna os resultados ainda mais expressivos. Estes dados sugerem que o bilinguismo atua como fator protetor, contribuindo para uma maior resiliência neurológica e retardando a manifestação dos sintomas da Doença de Alzheimer. Usar duas línguas exige esforço mental constante. O cérebro precisa de alternar entre sistemas linguísticos, inibir uma língua (clicar no botão *off*) enquanto ativa outra língua (botão *on*), adaptar-se ao contexto e escolher o vocabulário com precisão. Como resultado, este processo reforça a atenção e a concentração. Além disso, melhora a flexibilidade cognitiva, aumenta a memória de trabalho e estimula a neuroplasticidade (mais ligações entre neurónios). Por fim, contribui para uma melhor capacidade de resolução de problemas. Resumidamente, o cérebro bilingue é mais eficiente, adaptável e resistente ao envelhecimento. Tomem atenção a este pormenor importante: o bilinguismo não impede o surgimento da Doença de Alzheimer, mas pode atrasar significativamente o aparecimento dos sintomas. Isto traduz-se em mais anos de autonomia e qualidade de vida. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-alzheimer-4-1024x576.webp "202504 - alzheimer 4 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Língua Gestual e Doença de Alzheimer: há uma ligação? A investigação científica sobre os efeitos da Língua Gestual na prevenção da demência ainda é escassa. No entanto, sabe-se que o bilinguismo bimodal – isto é, o uso regular de uma língua oral (ou escrita) e de uma língua gestual – ativa áreas cerebrais adicionais. Esse impacto é diferente do observado no bilinguismo unimodal, que envolve duas línguas orais. Entre essas áreas, incluem-se zonas associadas ao espaço, ao movimento e à memória visual, o que poderá conferir vantagens cognitivas específicas. ### A exclusão das pessoas surdas no acesso à saúde e à investigação Apesar deste potencial, não existem até à data estudos que comparem diretamente pessoas surdas com Doença de Alzheimer com pessoas ouvintes, sejam monolingues ou bilingues orais. Na verdade, esta ausência não é meramente académica. É o reflexo de um problema estrutural: o acesso das pessoas surdas aos serviços de saúde continua limitado, sobretudo em áreas que envolvem comunicação, cognição e linguagem. A maioria dos profissionais de saúde não está preparada para comunicar com pessoas surdas. Além disso, poucos têm formação sobre as especificidades linguísticas e culturais da Comunidade Surda. Como resultado, as pessoas surdas são frequentemente excluídas de estudos clínicos, mal diagnosticadas ou mal acompanhadas, o que perpetua um ciclo de invisibilidade e desigualdade. Neste contexto, surge uma hipótese ainda pouco explorada, mas com grande potencial: o chamado *Deaf Gain*. Esta ideia propõe que a experiência surda, e o domínio da língua gestual, pode trazer vantagens cognitivas, culturais e sociais. Além disso, a Língua Gestual é muito rica em conteúdo visual e espacial. Muitos surdos bilingues vivem uma experiência constante de alternância linguística. Assim, é legítimo perguntar: **poderá existir aqui uma forma de proteção cognitiva ainda por estudar? E poderá ela beneficiar também muitas pessoas idosas ouvintes?** Ao mesmo tempo, o envelhecimento natural das pessoas surdas traz novos desafios. Com a idade e a perda progressiva de autonomia, muitas são afastadas dos seus contextos comunicativos naturais e colocadas, por decisão familiar, em instituições onde não existe acesso à Língua Gestual. Esta exclusão linguística e cultural potencia o isolamento social e o declínio cognitivo, tornando-as mais vulneráveis à demência. Este é outro assunto por explorar oportunamente na **[Voz Gestual](/voz-gestual/)**. **Categorias:** Investigação, Saúde e Bem-Estar --- ### [Desafios da Parentalidade: do Silêncio ao Gesto](https://apsurdos.org.pt/desafios-da-parentalidade-do-silencio-ao-gesto/) **Published:** Abril 4, 2025 **Author:** Filipa Nobre **Excerpt:** Parentalidade é também reaprender. Uma mãe conta como a surdez do Afonso transformou a sua família e lhes deu uma nova voz. **Content:** Parentalidade é também reaprender. Uma mãe conta como a surdez do Afonso transformou a sua família e lhes deu uma nova voz. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-4467be6) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. *Este artigo foi escrito por Filipa Nobre e adaptado para Língua Gestual Portuguesa por [Mariana Bártolo](/author/marianabartolo/).* ## Era uma vez um casal que engravidou... E foi assim que começou a nossa história e o nosso caminho naquela que seria a maior aventura da nossa vida. Sim, a parentalidade, sem dúvida que é uma aventura – mas não é a isso que me refiro… **O Afonso nasceu!** A felicidade, a preocupação, a alegria, a incerteza, o amor profundo e todo um misto de sentimentos surgem. É a maior montanha-russa de emoções: a maternidade. Entre exames, testes, vacinas e afins, o Afonso não passa no Rastreio Auditivo Neonatal Universal (RANU), um exame realizado em recém-nascidos para detetar precocemente possíveis problemas auditivos. Na altura, éramos pais de primeira viagem. Apesar de nervosos e ansiosos, a despreocupação médica com o resultado do exame acalmou o nosso coração. O mesmo exame foi repetido e os resultados revelaram-se sempre iguais; exames complementares foram realizados e a resposta obtida era sempre a mesma: “provavelmente será imaturidade do sistema auditivo”. Desse momento, ficou-nos na memória: ele (o Afonso) está nos 50. Nunca percebemos muito bem o seu significado e a equipa médica nunca teve muito interesse em explicar-nos… Afinal seria apenas “imaturidade do sistema auditivo”… Com um ano de idade, a equipa médica pede para dar tempo e para voltar aos três anos. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202504-Afonso-6.webp "202504 - Afonso 6 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A primeira vez que se assumiu nas redes sociais que o Afonso é surdo, passados três meses da colocação das próteses auditivas. Foto cedida pela Filipa Nobre. ## O diagnóstico: "O seu filho é surdo" Dois anos se passaram – e tanto se passou… A audição do Afonso piorou drasticamente, a oralidade não se desenvolveu, a comunicação com os outros tornou-se difícil e surgiram comportamentos que mostravam que algo se passava. Mudança de hospital, alteração de equipa médica, consultas de especialidade, repetição de exames, operação, consulta de pós-operatório… ### "Mãe, o seu filho é surdo e terá que usar aparelhos auditivos." E os ditos 50 voltaram a ecoar na nossa cabeça e o nosso mundo desabou! **Como assim, surdo?!** Nós somos ouvintes e não temos surdos na família. E, com esse diagnóstico, viemos para casa… ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202504-Afonso-10.webp "202504 - Afonso 10 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") O primeiro dia em que o Afonso utilizou as próteses auditivas. Foto cedida por Filipa Nobre. ## O acesso às próteses e o (não) direito à informação Nesta altura, o Afonso estava a fazer três anos. As próteses auditivas facultadas pelo hospital tinham previsão de um ano para serem entregues… e nós não tínhamos direito porque tínhamos um emprego e habitação própria. Comprámos as próteses auditivas! Soubemos, depois, que os argumentos utilizados não eram válidos. Afinal, era (é) um direito do Afonso. Dois dias antes de completar três anos de vida, o Afonso colocava as próteses auditivas. **E agora?** Mais dois anos se passaram. Confirmou-se a origem da surdez – congénita (sim, é surdo de nascença; sim, poderia ter sido tudo diferente se a equipa médica tivesse tido uma abordagem correta). Seguiram-se as consultas complementares de despistes de outras especialidades, o tempo de (suposta) adaptação às próteses auditivas e a pressão médica para nos mantermos inertes e esperançosos de que tudo iria decorrer dentro da “normalidade”. Que a oralidade iria surgir… ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202504-Afonso-9.webp "202504 - Afonso 9 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Foto cedida por Filipa Nobre. ## Quando o Afonso encontrou a sua língua Perto dos cinco anos de idade, quase como que o “grito de Ipiranga”, revoltámo-nos com a equipa médica e demonstrámos que não estava tudo bem. Não aceitávamos continuar neste estado de dormência, numa espera que se revelava infundada e infrutífera. Procurámos soluções. Colocámos o Afonso numa escola de referência para o ensino bilingue. Teve, então, o primeiro contacto com a Língua Gestual Portuguesa (LGP). **E foi simplesmente mágico!** Num curto espaço de tempo, o Afonso deixava de ser uma criança receosa, tímida, com competências interpessoais e comunicacionais fracas para a sua faixa etária. ### E assim (re)nasceu um novo Afonso! ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/202504-Afonso-7-1024x655.webp "202504 - Afonso 7 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") O Afonso na Concentração Nacional pela Acessibilidade para a Comunidade Surda, no dia 15 de novembro de 2024. Foto cedida por Filipa Nobre. ## A parentalidade de uma criança surda Desde então, toda a nossa vida tem sido um processo… Decisões médicas, decisões educativas, decisões comunicacionais, decisões e pressões vindas de todo o lado, que trazem uma carga brutal a uma família. Sem apoio e suporte familiar, seria muito difícil, senão mesmo impossível. Neste processo, não há tempo para o luto. O tempo é passado entre a aceitação, a procura de informações, a luta pelos direitos, o acompanhamento de perto do Afonso, o estado vigilante pela saúde mental do núcleo familiar, o conhecimento e a consciencialização da existência de uma cultura e uma língua que é a sua língua materna e o dilema diário de como vamos conseguir estar à altura das expectativas que temos enquanto pais – e garantir que não prejudicamos a vida do Afonso, agora e no futuro… ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202504-Afonso-5-1024x768.webp "202504 - Afonso 5 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Em família. Foto cedida por Filipa Nobre. ## Para outros pais que estão a começar A vida deu-nos a oportunidade de sermos pais de uma criança fantástica, que nos ensina diariamente a aceitar a diferença e a encará-la como um caminho para sermos melhores pessoas. Aceitamos a surdez e a LGP como parte da nossa família e, todos os dias, damos pequenos passos na sua consolidação. Não é fácil, mas quem disse que a parentalidade é fácil?! Com esta partilha, pretendo apenas mostrar aos pais ouvintes de crianças surdas que este não tem que ser um caminho solitário. Que, apesar de minoritários, somos o suficiente para nos apoiarmos e para lutarmos juntos pelos direitos dos nossos filhos, pela acessibilidade da LGP e pela igualdade e equidade de oportunidades na educação e na sociedade. Por outro lado, destacar a importância de uma intervenção precoce e de um acesso à língua nos primeiros anos de vida é fundamental para o desenvolvimento da criança. Por último, mas não menos importante, reafirmar que **a informação é um direito**. Que os pais têm o direito a ter acesso a diferentes opiniões, a diferentes formas de encarar e aceitar a surdez, a saber o que é o bilinguismo, a ter conhecimento sobre as diferentes intervenções médicas, a ter noção de quais são as possibilidades escolares, a conhecer outros pais que partilhem das mesmas experiências e dúvidas… Para que no final, independentemente das decisões que tomem, **sejam decisões conscientes, informadas e alinhadas com o que lhes vai no coração.** **Categorias:** Crónicas --- ### [Surdocegueira: Identidade, Desafios e Comunidade](https://apsurdos.org.pt/surdocegueira-identidade-desafios-e-comunidade/) **Published:** Março 28, 2025 **Author:** Daniel Colaço **Excerpt:** Daniel Colaço partilha sua jornada com surdocegueira, desde o diagnóstico até à descoberta da comunidade surdocega e a luta por mais acessibilidade. **Content:** Daniel Colaço partilha sua jornada com a surdocegueira, desde o diagnóstico até à descoberta da comunidade surdocega e a luta por mais acessibilidade. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-894f3f1) ### A versão em português escrito, transcrita e adaptada por Mariana Bártolo, encontra-se a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Daniel-1-1024x768.webp "202503 - Daniel 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Daniel, com cerca de três anos de idade. Foto cedida por Daniel Colaço. ## Quem sou eu? Sou o Daniel, com o meu nome gestual **(NG) \[*olhos azuis*\]**. Tenho 26 anos e estou a estudar na licenciatura de Engenharia Informática. Sou homem branco. **E sou surdocego.** Nasci como qualquer criança. Mais tarde, os meus pais descobriram que eu era surdo. Comecei a usar próteses auditivas aos dois anos, mas como não ouvia nada, acabei por deixá-las. Por volta dos três ou quatro anos, fui com a minha família ao Oceanário, no Parque das Nações, em Lisboa. Tive muito medo e chorei bastante. Os meus pais estranharam e pensaram que podia ser medo do escuro – ou talvez outra coisa. Foi uma experiência muito bonita para todos, com tantos peixes diferentes, mas para mim foi muito difícil. Mais tarde, já um pouco mais velho, adorava brincar com carrinhos. Sempre que perdia um, deitava-me no chão, encostava a cabeça ao mesmo e olhava com atenção para o chão todo, para o encontrar. Até hoje, mantenho esse hábito – quando procuro algo, uso esse método. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Daniel-2.jpg "202503 - Daniel 2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Daniel, na primeira fila, o quarto da direita para a esquerda, com uma t-shirt vermelha. Está com o grupo da Unidade de Alunos Surdos da sua escola. Foto cedida por Daniel Colaço. ## Os Primeiros Sinais de Surdocegueira Aos sete anos, fiz a cirurgia para colocar o implante coclear e comecei a terapia da fala. Nessa altura, a minha escola integrava um projeto de teatro para a Comunidade Surda. Fiz parte de várias peças e, por vezes, apresentávamo-las noutras escolas. Um desses dias, a minha escola foi convidada para ir até Évora para apresentar a nossa peça de teatro. Estávamos todos num auditório escuro, onde estavam a ser passadas várias peças de teatro. Eu estava sentado ao lado de colegas surdos e estávamos a conversar, mas tive dificuldade em compreendê-los. Por isso, fui gozado. Na altura, a Joana Pereira, a intérprete de Língua Gestual Portuguesa que me acompanhou durante a infância, estava a fazer o mestrado na Universidade Católica Portuguesa e, nesse contexto, teve contacto com uma pessoa surdocega, por isso estava mais consciente sobre a realidade da surdocegueira. Ela começou a suspeitar que algo se passava comigo e falou com a minha mãe, que também já desconfiava de algum problema a nível da visão, principalmente em casa. Até então, eu só tinha sido acompanhado por oculistas e, por isso, deram-me uns óculos simples. Foi então que me encaminharam para uma avaliação especializada, na área da oftalmologia. Fiz exames completos, incluindo testes genéticos, através dos quais fui diagnosticado com [**Síndrome de Usher**](https://en.wikipedia.org/wiki/Usher_syndrome). ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Daniel-3-1-768x655.webp "202503 - Daniel 3 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Daniel com o seu irmão mais velho, que também tem o gene da Síndrome de Usher tipo 1. Foto cedida por Daniel Colaço. ## Viver com Síndrome de Usher: o Diagnóstico da Surdocegueira ### Os Tipos da Síndrome de Usher Existem três tipos genéticos na Síndrome de Usher, que se diferenciam essencialmente no período em que os sintomas se manifestam: - **Tipo 1**, geralmente a surdez é logo à nascença e a visão pode ser diminuída de forma progressiva. - **Tipo 2**, as manifestações da síndrome ocorrem mais tarde. - **Tipo 3**, os sintomas surgem ainda mais tarde, geralmente já em idade adulta. Nesta síndrome, é frequente que a **audição**, a **visão** e o **equilíbrio** sejam afetados. No meu caso, tenho **Síndrome de Usher tipo 1**. O meu irmão também tem o mesmo gene, mas ele é ouvinte e vê bem. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-oftalmologista.webp "202503 - oftalmologista - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Alguns dos equipamentos para avaliação oftalmológica. ### O Processo de Diagnóstico da Surdocegueira O diagnóstico de surdocegueira não é feito à base de suposições — deve ser feito por **médicos especialistas**, com base no resultado de vários exames. No caso do teste genético, não é algo simples – são análises muito específicas e os resultados não saem do laboratório em trinta minutos, um dia ou dois dias. O normal é demorarem meses ou anos até estarem prontos. A nível da visão, esta não deve ser avaliada numa loja de óculos, mas sim por oftalmologistas, com todas as máquinas adequadas para avaliar cada componente do olho e da visão. Só dessa forma é feita uma avaliação aprofundada. Muitos oftalmologistas pedem exames genéticos para compreenderem a origem da perda da visão, em simultâneo com a surdez. É por isso que priorizam ambos os tipos de exames – genéticos e os direcionados à visão. Só assim se compreenderá se a perda é acidental, ambiental ou genética. E isso é importante para a compreensão e a manutenção da saúde visual. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-cegueira-noturna.webp "202503 - cegueira noturna - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Exemplo de cegueira noturna. A imagem da direita corresponde à visão de alguém que tem cegueira noturna. ## Comunicação e Acessibilidade: a Diversidade dentro da Surdocegueira ### Um Gesto para a Diversidade O termo surdocegueira, cujo gesto mais recente é **\[surdo + *“blind”*\]**, apesar de existir outro gesto **\[surdo + cego\]**. Este último não é muito bem aceite porque o gesto **\[cego\]** remete para a ideia de ausência total da visão, um verdadeiro *blackout*, em que não é sequer possível ver a luz solar. Isso não se adequa à diversidade visual que existe – diferentes formas de ver o mundo, como a **visão em túnel**, a **visão com pintas** ou a **cegueira noturna**. Por isso, o gesto atual é um empréstimo do Gesto Internacional, já utilizado também em Portugal. Abrange todas as pessoas surdocegas, incluindo aquelas com baixa visão. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-comunicacao-1-1024x682.webp "202503 - comunicação - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Comunicação em língua gestual tátil entre três pessoas surdocegas. Foto cedida por Daniel Colaço. ### Na Surdocegueira, Não Há Só Uma Forma de Comunicar As pessoas surdocegas têm diferentes necessidades de acessibilidade e comunicação. Nas várias formas de comunicar, o mais importante e aquilo que tem maior impacto é a **língua materna**. Esse é um fator decisivo que influencia a forma como cada pessoa surdocega escolhe comunicar. Existem diferentes grupos de pessoas surdocegas. Há pessoas que nascem surdas e, mais tarde, vão perdendo a visão. Neste caso, se a Língua Gestual Portuguesa (LGP) for a sua língua materna, há uma tendência natural para manter essa forma de comunicação. No entanto, adapta-se a forma como recebem a informação. Pode ser através da comunicação táctil, ou em conversas a dois, cara a cara, no campo visual da pessoa surdocega, num local bem iluminado. Há também quem nasça cego, mas vá perdendo a audição ao longo da vida. Nesse caso, existe uma preferência pela via oral, recorrendo à leitura labial e ao sentido vibratório ao tocar na face da outra pessoa que está a falar. Eventualmente, também recorrem à cirurgia do implante coclear. Existem ainda situações em que a audição e a visão se perdem de forma repentina, seja por doença ou acidente. Se a comunicação não for possível nem por LGP nem pela via oral, há quem opte por outras estratégias. Algumas pessoas usam a leitura de legendas ou transcrições escritas, ou ainda a escrita em Braille, caso tenham aprendido. Há uma grande diversidade na forma de proporcionar **acessibilidade comunicativa**. ### É necessário perguntar à pessoa surdocega o que ela precisa e prefere. **Não devemos impor uma única forma de comunicar**, mesmo que nos pareça a melhor. É fundamental adaptarmo-nos à diversidade de perfis e vivências dentro da comunidade. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Daniel-4-300x300.webp "202503 - Daniel 4 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Durante a adolescência. Foto cedida por Daniel Colaço. ## A minha Adolescência sem Referências Quando eu tinha por volta de 11 anos, na altura em que estavam a investigar a possibilidade de eu ser surdocego, eu já usava o implante coclear. Os colegas da escola começaram a saber da minha situação e começaram alguns boatos. Nessa escola, **não existia nenhuma outra pessoa surdocega** que pudesse ser um modelo para mim – eu era o único com surdocegueira e o único com implante coclear. A minha diferença chamava à atenção e, por isso, fui alvo de **bullying**. Ao mesmo tempo, estava a ter dores de cabeça com muita frequência, causadas pelo implante coclear. Diziam-me que era o implante coclear que me estava a causar problemas na visão. Esse medo, aliado às dores, levou-me a parar de usá-lo. A nível do desporto, nomeadamente nas aulas de educação física, acontecia o típico: os líderes de equipa escolhiam os colegas. Eu era sempre o último a ser escolhido. Evitavam-me por causa da surdocegueira e do implante coclear. Por outro lado, a minha avó tinha uma vizinha que era surdocega – era casada, tinha filhos e levava uma vida normal. Às vezes, quando ia a casa da minha avó, aproveitava para a visitar e conversar um pouco com ela. Mas naquela altura, eu não a identificava como um modelo surdocego. Entretanto, o tempo foi passando. ### A Maioridade que Não Trouxe Liberdade Quando fiz 18 anos, achei que ia tornar-me finalmente independente. Acreditava que ia tirar a carta de condução, apanhar bebedeiras, eventualmente poderia ser preso – entre outras coisas a que, na minha cabeça, todos os adultos tinham direito. Tentei começar o processo para tirar a carta de condução, mas os médicos não me deram permissão. Antes disso, **eu não valorizava a questão da minha visão**. Achava que era normal, que não tinha nada de especial. Foi nesse momento que percebi que **o problema era real, que não era tão simples**. Era mesmo uma limitação séria. Essa situação provocou em mim uma **raiva enorme**. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Camp-Daniel-6-1024x768.webp "202503 - Camp Daniel 6 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") O grupo que participou no primeiro acampamento europeu para pessoas surdocegas, na Bélgica. Foto cedida por Daniel Colaço. ## A Entrada no Mundo da Surdocegueira Em 2022, vi um anúncio nas redes sociais da **[Comissão Nacional de Juventude Surda](https://www.instagram.com/cnjs_fpas/)** (CNJS) sobre um acampamento europeu para jovens surdocegos. Era o primeiro acampamento deste tipo e ia decorrer na Bélgica. Quis logo participar. **E foi aí que entrei pela primeira vez no mundo surdocego, na comunidade surdocega.** Durante o acampamento, estive numa verdadeira imersão pela primeira vez na minha vida. Aprendi tanto que quis continuar ligado a este evento. Por isso, integrei a comissão de organização do segundo acampamento, que aconteceu na Alemanha. Tive uma grande responsabilidade: **garantir acessibilidade para todos através da tecnologia e multimédia.** Conseguimos criar um espaço totalmente acessível, com telas gigantes, legendagem e até com som. Foi o primeiro acampamento europeu totalmente acessível à diversidade das pessoas surdocegas, o que nunca tinha acontecido antes. Normalmente, falta sempre qualquer coisa — ou a legendagem, ou o som. Mas desta vez, conseguimos garantir tudo. **Foi uma conquista que me enche de orgulho.** Neste acampamento, **também foi a primeira vez que tive dois assistentes.** Não por verdadeira necessidade, mas sim para me habituar e aprender a colaborar com eles. Precisava de dar esse passo por mim, Daniel, – **para que, no futuro, se vier a precisar, já estar preparado e ter esse conhecimento.** ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Daniel-e-assistentes.webp "202503 - Daniel e assistentes - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Daniel e os assistentes, Inês Laia e Roberto Camacho, no segundo acampamento de surdocegos, na Alemanha. Foto cedida por Daniel Colaço. ## Assistentes e Intérpretes para Pessoas Surdocegas Há alguma semelhança com a função de intérprete de Língua Gestual, mas existem diferenças importantes entre um assistente e um intérprete para surdocegos. O **assistente de surdocegos** é alguém que vê, podendo ser surdo ou ouvinte, e tem como função apoiar a pessoa surdocega, como se fosse os seus olhos – “os segundos olhos” da pessoa surdocega. Por exemplo, numa palestra em que a pessoa surdocega é oradora, o assistente fica por trás dela e dá indicações nas costas. Se alguém na plateia levanta a mão, o assistente indica nas costas da pessoa surdocega o local exato, como se tivesse uma planta imaginária do espaço desenhada nas costas. Assim, a pessoa surdocega sabe onde está a pessoa que quer intervir e pode responder-lhe. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Camp-Alemanha-1024x532.webp "202503-Camp-Alemanha - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Daniel a apresentar-se, com a assistente a dar-lhe indicações nas costas, no segundo acampamento europeu de pessoas surdocegas, na Alemanha. Foto cedida por Daniel Colaço. ### Porquê nas costas? Porquê o toque? Uma pessoa tem cinco sentidos: audição, visão, paladar, olfato e tato. A pessoa surdocega não tem a audição nem a visão, e por isso desenvolve **uma maior sensibilidade nos sentidos restantes**, sobretudo no tato e no olfato. Essa sensibilidade é o que permite, por exemplo, o uso eficiente do Braille e da comunicação táctil. ### O Papel do Intérprete para Pessoas Surdocegas Em relação aos intérpretes de surdocegos, **a sua função é traduzir e interpretar de uma língua para outra**, seja da via oral para a Língua Gestual ou vice-versa. No caso das pessoas surdocegas, essa tradução/interpretação é feita através da comunicação tátil. Por exemplo, se um orador estiver a comunicar em Gesto Internacional, o intérprete pode traduzir para a forma tátil, ou seja, transmite a mesma língua, mas adaptada para a perceção tátil da pessoa surdocega, ou para outra língua gestual, como a LGP. Portanto, são funções diferentes entre o assistente e o intérprete. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-bengala.webp "202503 - bengala - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A experimentar a bengala branca e vermelha (que indica que a pessoa é surdocega) nas ruas de Barcelona. Foto cedida por Daniel Colaço. ## Não Forçar, Não Ensinar Se não és uma pessoa surdocega, se és ouvinte ou surdo, e se encontrares uma pessoa surdocega sem nenhuma referência ou modelo ou que está perdida na sua identidade, ou sequer ainda descobriu que é surdocega, **não a forces a aceitar-se nem deves ensinar-lhe como viver com a surdocegueira.** É necessário ter cuidado e tato, pois é fundamental que ela tenha um modelo a quem possa seguir. Esse modelo deve ser uma outra pessoa surdocega. Se conheceres alguém que seja surdocego, apresenta-os e estabelece o contacto entre ambos, pois são essas pessoas que sentem na própria pele as mesmas barreiras, as mesmas dificuldades e o mesmo sofrimento. É isso o que enriquece mais todo o processo. Se forem pessoas surdas ou ouvintes a tomar um papel paternalista, o impacto pode ser negativo. Dicas e ajuda no encaminhamento podem ser úteis, **mas devem sempre ser feitas com cuidado para não se tornarem abusivas.** ### Compreender a Surdocegueira Também é extremamente importante saber que está tudo bem se uma pessoa surdocega ainda não se aceitou. **Está tudo ok!** Este é um processo que exige tempo, sem “quando’s”. A pessoa precisa de tempo para se descobrir e aprender com as barreiras que vai encontrando ao longo do caminho. O principal é que a pessoa em questão tenha **contacto com outra pessoa surdocega**, que possa ser uma referência. Pode ser uma pessoa surdocega, um grupo ou o movimento associativo. É também olhar para as redes sociais, como no Instagram ou no Facebook, e procurar por referências e vídeos que já são muito difundidos – nos dias de hoje, o acesso à tecnologia e à internet é facilitado. Participar em eventos, workshops, atividades, acampamentos ou encontros sobre surdocegueira é outra forma de internalizar a realidade e de contribuir para uma maior aceitação e mudanças na vida diária. Acima de tudo, **é** **compreender a surdocegueira**. Esse é o principal. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-cao-de-assistencia.webp "202503 - cão de assistência - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Pessoa surdocega com um cão de assistência. Foto cedida por Daniel Colaço. ## Exclusão Social e a Falta de Acessibilidade Algo que também é necessário e importante é **a criação de espaços seguros**. As pessoas surdocegas, enquanto minoria, têm um maior risco de exclusão. Hoje em dia, não vemos muitas pessoas surdocegas – são escassas. Isto porque muitas delas estão institucionalizadas ou vivem excessivamente protegidas pelos pais, numa espécie de prisão domiciliária. Na área da educação, ainda não há respostas suficientes. Esses fatores fazem com que muitas pessoas surdocegas não tenham acesso a uma vida independente e, como consequência, participem menos na comunidade surdocega. É também por isso que há menos contacto com modelos de liderança surdocega. ### O Impacto da Falta de Acessibilidade Isso também depende do país em que se vive e se existe maior ou menor poder económico. Se houver **mais investimento na área da inclusão**, **há** **mais apoio à vida independente,** nomeadamente através de assistentes. Sem isso, não existe uniformidade nas respostas que poderiam ter impacto na vida das pessoas surdocegas. Também existe um problema a nível das **associações de surdos**. Por norma, estas não proporcionam condições a nível de espaço seguro e da acessibilidade para a participação das pessoas surdocegas. Isto também se deve ao facto de a maioria das pessoas surdocegas não terem carta de condução, o que dificulta ainda mais o acesso às associações. Como referi anteriormente, é necessário **um investimento maior** para que seja possível proporcionar transporte coletivo a estas pessoas, para que possam frequentar as associações. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-xadrez.webp "202503 - xadrez - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Tabuleiro de xadrez adaptado e acessível para pessoas cegas ou com baixa visão, podendo ser utilizado por todos. Foto cedida por Daniel Colaço. ### O Exemplo da Alemanha Como exemplo, posso dizer com base no que vi e experimentei no **estrangeiro**, em diversos países, aquele que me marcou mais e para mim se destaca mais é a Alemanha. As organizações governativas alemãs estão mais sensibilizadas para as questões da inclusão e existe um maior investimento nesta área — isto afeta as pessoas surdas, surdocegas e cegas, entre outras. Se existe um grande apoio financeiro para a Comunidade Surda em geral, possibilitando a sua participação no movimento associativo e noutros eventos, de forma gratuita ou com baixos custos, isso tem um impacto inevitável também para as pessoas surdocegas, possibilitando a contratação de assistentes e uma maior frequência com que elas se encontram. Inclusive o passe para transportes públicos é gratuito em todo o país, permitindo que as pessoas surdocegas se desloquem e tenham contacto com os seus pares. Além disso, os intérpretes de Língua Gestual estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, de forma gratuita, sendo tudo financiado pelo Estado. ### A Realidade em Portugal **Em Portugal, isso não acontece.** Precisamos de dar passos significativos para melhorar a inclusão e o apoio a pessoas surdocegas. Na Alemanha, há várias referências de pessoas surdocegas, o que torna o movimento mais forte e unido, apesar de ser verdade que a população alemã é muito maior que a portuguesa. Mas, em Portugal, podemos começar a dar os passos necessários para nos tornarmos uma referência na área da surdocegueira. O meu sonho é que, daqui a 100 anos, possamos viver num **mundo com mais equidade**. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Daniel-9-1024x311.webp "202503 -Daniel-9 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Segundo acampamento para pessoas surdocegas, na Alemanha. Foto cedida por Daniel Colaço. ## A Descoberta da Identidade Surdocega Geralmente, a descoberta da identidade surdocega acontece muito tarde. No caso de muitos, a participação em acampamentos e eventos internacionais é onde finalmente conseguem identificar-se e encontrar outros modelos com os quais se identificam. Dou como exemplo a idade de participação nos acampamentos de surdocegos a nível europeu. Normalmente, a faixa etária é de 18 a 40 anos. Mas por que até os 40 anos? Porque, de facto, a maioria das pessoas surdocegas só descobre a sua identidade depois dos 30 anos. Isso cria um grande impacto, porque as pessoas surdocegas têm menos oportunidades de participar em eventos com uma faixa etária mais curta, como os eventos da **[European Union of Deaf Youth](https://eudy.info/)** (EUDY), normalmente destinados para jovens de 18 a 30 anos. São raros os participantes com menos de 30 anos nos acampamentos para pessoas surdocegas. Muitas pessoas surdas, por outro lado, já nascem ou crescem com a sua identidade bem construída, ao contrário das pessoas surdocegas, que são uma minoria pequena e têm menos oportunidades de se descobrirem e de se identificarem. ### O meu Exemplo Agora, faço parte de três organizações, todas na área da surdocegueira. Uma delas é a comissão de organização do terceiro acampamento de pessoas surdocegas, que vai ocorrer em Malta, em 2026. Sou também representante **[European Deafblind Union](https://www.edbu.eu/)** (EDbU), mais especificamente na [**seção juvenil**](https://www.instagram.com/edbu_youth/), numa equipa composta por três jovens como eu. Estou também em processo de criação de um departamento para pessoas surdocegas na **[Federação Portuguesa das Associações de Surdos](https://fpasurdos.pt/pt/home)** (FPAS), como forma de dar mais respostas às pessoas surdocegas em Portugal. Estamos a trabalhar para proporcionar mais apoio e mais visibilidade. ## Uma Mensagem Final Se és uma pessoa surdocega ou ainda tens dúvidas sobre a tua identidade, se sentes dificuldade em ver e ouvir, se encontras várias barreiras ao teu redor e te sentes perdido ou confuso, o mais importante é encontrar outra pessoa surdocega com quem possas conversar. Eventualmente, poderás contactar-me ou procurar referências nas redes sociais — Facebook ou Instagram. Há muitas pessoas surdocegas a partilhar as suas histórias e experiências, e elas podem ajudar-te a **descobrir quem és e a construir um espaço seguro para ti**. **Categorias:** Opinião --- ### [A Nossa Experiência Erasmus+: de Viena para Portugal](https://apsurdos.org.pt/a-nossa-experiencia-erasmus-de-viena-para-portugal/) **Published:** Março 14, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** A APS em Viena: acessibilidade, redes e uma nova experiência Erasmus+ para a Comunidade Surda. O que aprendemos e como vamos agir. **Content:** A APS em Viena: acessibilidade, redes e uma nova experiência Erasmus+ para a Comunidade Surda. O que aprendemos e como vamos agir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-agencia-nacional-768x450.jpg "202503-agencia nacional - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **Nota:** A participação da APS no Contact-Making Event Erasmus+ em Viena foi apoiada pela [**Agência Nacional Erasmus+ Juventude/Desporto e Corpo Europeu de Solidariedade**](https://www.juventude.pt/pt), a quem agradecemos pelo apoio na viabilização desta experiência de formação, intercâmbio de conhecimentos e criação de redes internacionais para a Comunidade Surda. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-3d92db4) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-Grupo-1024x768.webp "202503-Viena-Grupo - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Um grupo diverso que se juntou em prol dos projectos Erasmus+ e Corpo Europeu de Solidariedade. Foto cedida por Carlos Gauna-Vargas. ## Porque fomos a Viena: a experiência Erasmus+ Entre os dias 26 de fevereiro e 2 de março de 2025 na Áustria, a cidade de Viena recebeu o evento “**[Contact-Making Event: Erasmus+ Youth and European Solidarity Corps – What’s in it for organisations of or working with Deaf and Hard of Hearing young people?](https://www.salto-youth.net/tools/european-training-calendar/training/contact-making-event-erasmus-youth-and-european-solidarity-corps-what-s-in-it-for-organisations-of-or-working-with-deaf-and-hard-of-hearing-young-people.12894/)**” (Evento de Criação de Contatos: Erasmus+ Juventude e Corpo Europeu de Solidariedade – O que podem ganhar as organizações de ou que trabalham com jovens Surdos e com deficiência auditiva?), organizado pela **Agência Nacional Austríaca Erasmus+ Juventude e Corpo Europeu de Solidariedade**. Este encontro destinou-se a organizações que apoiam e trabalham diretamente com pessoas surdas e com deficiência auditiva. O principal objetivo foi proporcionar um espaço para *networking*, desenvolvimento de projetos e partilha de boas práticas, visando aumentar a participação destas pessoas nos programas Erasmus+ e Corpo Europeu de Solidariedade. As atividades incluíram workshops sobre elaboração de projetos, sessões de partilha de experiências e oportunidades para estabelecer novas parcerias. A participação da Associação Portuguesa de Surdos (APS) neste evento **reforça o seu compromisso em integrar redes internacionais e explorar novas oportunidades para a Comunidade Surda.** Este tipo de iniciativa permite à APS fortalecer-se enquanto organização e ampliar a sua resposta social a nível nacional e internacional. ### Representação da Associação Portuguesa de Surdos A APS contou com a presença de [**Pedro Mourão**](/author/pedromourao/) e **[Mariana Bártolo](/author/marianabartolo/)** no evento. Ambos tiveram um papel ativo nas atividades e nas discussões, trazendo a perspetiva da Comunidade Surda portuguesa e explorando novas possibilidades de colaboração com outras entidades. Este artigo reflete **a nossa experiência** neste evento, num relato que combina informação sobre o encontro e uma visão pessoal enquanto pessoas Surdas. Partilhamos aqui as aprendizagens, desafios e reflexões que emergiram desta oportunidade, bem como a sua relevância para o futuro da APS e da Comunidade Surda. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-IS-interpreters-1024x599.webp "202503-Viena-IS interpreters - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Enquanto duas intérpretes traduziam para inglês o que o participante surdo gestuava, uma terceira intérprete assegurava as respostas do inglês para Gesto Internacional. Foto cedida por Katrina Neudolt. ## Um evento de ouvintes? O que (não) esperávamos encontrar Naturalmente, os nossos receios iniciais prendiam-se ao facto de este ser um evento organizado por uma entidade de ouvintes. Com base na nossa experiência em vários eventos em Portugal, temíamos que a acessibilidade não fosse garantida de forma sólida e que o lugar de fala fosse predominantemente ocupado por ouvintes. ### Desta vez, não poderíamos estar mais enganados. A participação de **pessoas surdas gestuantes, surdas oralizadas, surdocegas e ouvintes, de diversos países e contextos,** foi acompanhada por um forte compromisso com a acessibilidade, assegurando a plena participação de todos. Como todos os participantes surdos dominavam o Gesto Internacional, estiveram presentes **quatro intérpretes** (dos Países Baixos, Bélgica, Reino Unido e Áustria), além de **uma intérprete estagiária**, que desempenharam um papel fundamental na comunicação entre todos os pares, garantindo um ambiente fluido e equilibrado. ### Identificação e Rotatividade dos Intérpretes Um pormenor curioso e muito eficaz foi **o uso de pins com mãos** para identificar quem estava em funções. Dessa forma, sabíamos exatamente quem estava a interpretar em cada momento, respeitando os períodos de descanso dos restantes profissionais. Os intérpretes trabalhavam de forma rotativa e cuidadosa, **permitindo que todos os participantes se envolvessem ativamente nas formações, sem o habitual sentimento de segregação**. Para os surdos oralizados, duas intérpretes asseguraram a transcrição para inglês escrito de tudo o que era dito. Já para os surdocegos, mais duas intérpretes especializadas em comunicação tátil garantiram **[o acesso total à informação ao longo do evento](https://www.instagram.com/reel/DGqex6KorCD/?igsh=MXg3aGJiYmJjaHQwNg==)**. Outro aspeto que nos surpreendeu foi a qualidade da interpretação para voz, em inglês. Ao contrário do que frequentemente acontece, sentimos uma enorme confiança para comunicar diretamente com as pessoas ouvintes, sem receio de interpretações erradas – sobretudo porque estávamos a comunicar em Gesto Internacional. Outro ponto fundamental, para além da acessibilidade, foi ter connosco também uma facilitadora surda, a **[Katrina Neudolt](https://www.instagram.com/katrinneudolt/)**, uma atleta surdolímpica austríaca medalhada no badminton, que desempenhou um papel essencial na mediação entre os participantes e os formadores de diferentes agências nacionais. Deste modo, **construiu-se um espaço seguro**, onde pudemos intervir frequentemente e ter a nossa voz representada. **Curiosamente, quase todas as intervenções foram feitas por pessoas surdas**, um contraste significativo com a realidade a que estamos habituados em Portugal. ### Fortalecimento de Relações e Momentos de Convívio Esta experiência não só nos permitiu ver os intérpretes e organizadores como bons aliados, como também possibilitou a criação de relações profissionais sólidas em pouco tempo, abrindo portas para futuras parcerias, nomeadamente com organizações de grande impacto em projetos europeus. À noite, depois das atividades, era natural que nos juntássemos – **nós, os surdos** – para longas horas de conversa e convívio, enquanto os restantes iam dormir. Mas, mesmo assim, houve um ou outro ouvinte curioso, um deles sem qualquer contacto prévio com a Comunidade Surda, que quis entrar no nosso mundo. Fizeram um grande esforço para comunicar connosco, conhecer-nos melhor e, acima de tudo, rir muito connosco. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-Workshop-1-768x576.webp "202503-Viena-Workshop - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Uma das sessões sobre gestão de projectos, que foi dada de uma forma muito clara e simples. ## Do conhecimento à ação - o desenvolvimento da experiência Erasmus+ O evento esteve muito equilibrado entre formações expositivas e atividades práticas, com vários intervalos e muita flexibilidade para se adequar consoante as nossas expetativas e necessidades. Proporcionou-nos ainda a oportunidade de discutir ideias nas quatro prioridades horizontais da Comissão Europeia: - Inclusão e Diversidade - Transformação digital - Ambiente e combate às alterações climáticas - Participação na vida democrática Aprendemos várias estratégias para aumentar as hipóteses de aprovação de projetos europeus. Para nós, destacam-se dois aspetos: a importância de uma **boa relação com a Agência Nacional** e a necessidade de **apresentar um projeto alinhado com a nossa paixão e o desejo genuíno de resolver uma problemática relevante, de acordo com os nossos próprios valores.** A participação neste evento inspirou-nos a desenvolver várias ideias para futuros projetos em nome da APS, que esperamos implementar em breve. As discussões com formadores de diferentes Agências Nacionais Erasmus+/ESC e os seus convidados, bem como com organizações experientes e já acreditadas, reforçaram a nossa confiança para avançar com candidaturas a financiamentos europeus. Desta forma, a APS posiciona-se para ter um maior impacto, tanto a nível nacional como internacional, fortalecendo o seu papel no desenvolvimento de iniciativas inovadoras e de relevância para a Comunidade Surda. De um modo global, foi uma experiência muito enriquecedora, que contribuiu para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional, enquanto também fortaleceu o trabalho de equipa e ampliou as nossas redes de contacto. Acima de tudo, permitiu-nos compreender melhor o funcionamento do universo dos projetos Erasmus+, o que será essencial para um futuro próximo. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-Witaf-768x576.webp "202503-Viena-Witaf - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") O grupo na Witaf, uma das associações mais antigas da Europa. ## Das ruas de Viena às raízes da Educação Surda austraíca Nem todo o tempo foi passado no recinto do Europahaus Wien, onde estivemos alojados e participámos no seminário. Na sexta-feira à tarde, tivemos a oportunidade de visitar a **[Witaf](https://www.witaf.at/)**, uma das associações de surdos mais antigas da Europa, fundada em 1865, antes do Congresso de Milão de 1880. A visita iniciou-se com uma apresentação introdutória sobre a instituição, onde também ficámos a conhecer um projeto Erasmus+ em curso, do qual a Witaf é parceira. Este contacto permitiu-nos vislumbrar, na prática, o potencial dos projetos europeus e inspirou-nos a considerar novas iniciativas para a APS. Explorámos parte das instalações da Witaf, situadas num prédio muito antigo no centro de Viena, e conhecemos alguns dos seus membros seniores. Diferentemente do modelo de “centro de dia” da APS, os seniores da Witaf frequentam a associação diariamente, de segunda a sexta-feira, das 13 às 18 horas. Como uma das suas respostas sociais, a Witaf conta com três funcionários totalmente dedicados a dinamizar atividades e promover o bem-estar destes seniores surdos. De seguida, ao anoitecer, fizemos uma visita guiada pelo centro de Viena, dentro do anel de quatro quilómetros, onde se encontram a maioria dos monumentos mais importantes da cidade. A visita foi conduzida por Josefine, uma guia turística local surda. A vantagem de ter uma guia surda local é que, além de aprendermos sobre a cidade, também levamos connosco um pouco da história da comunidade surda austríaca. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-EscolaSurdos-768x576.webp "202503-Viena-EscolaSurdos - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A gravura em metal que está num dos pilares ao redor da estátua do Imperador Josef II, que ilustra o método gestualista, com uma tabuleta com a letra A em língua gestual. ### Origens da Educação para Surdos em Viena Segundo a Josefine, a primeira escola para surdos em Viena foi fundada em 1779, inspirada no trabalho do Abade Charles-Michel de L’Épée, pioneiro na educação de surdos e fundador da primeira escola para surdos em Paris. O Imperador Josef II, após conhecer o método de L’Épée, enviou o padre austríaco Joseph May para aprender com ele durante um ano. Ao regressar, May estabeleceu a primeira escola para surdos em Viena. Este interesse pela educação refletia a visão progressista da sua mãe, a Imperatriz Maria Teresa, conhecida como a “Mãe da Áustria”. Durante o seu reinado, Maria Teresa promoveu reformas significativas no sistema educativo, tornando a escolaridade obrigatória para as crianças de ambos os sexos entre os seis e os doze anos, uma medida inovadora para a época. Atualmente, a antiga escola de surdos de Viena, já demolida, dá nome a uma estação de metro: [**Taubstummengasse**](https://maps.app.goo.gl/VMq9ReSDzLj49fhY6), que pode ser traduzida como “Rua dos Surdos-Mudos”. Além disso, na estátua do Imperador Josef II, montado a cavalo, junto ao palácio, existem quatro pilares com gravuras em metal que representam momentos importantes da sua vida, incluindo a introdução do método gestualista na Áustria. ### De um Problema Real à Educação Surda: A Viagem de Josef II Durante a visita, a Josefine também nos contou uma história curiosa sobre a irmã mais nova de Josef II, a famosa Maria Antonieta, e o seu casamento com o futuro rei francês Luís XVI (o mesmo casal que foi decapitado na Revolução Francesa). Este casamento não foi consumado durante vários anos, o que gerou muita pressão sobre ambos. Acredita-se que Luís XVI sofria de fimose, uma condição que poderia dificultar a relação sexual. Através de uma cirurgia de circuncisão, o problema foi resolvido, permitindo que o casal tivesse filhos. Esta história, que mistura a intimidade da corte com a política europeia da época, é um exemplo das dinâmicas familiares e diplomáticas entre as monarquias austríaca e francesa, enquanto serviu de pretexto para a visita de Josef II a França, durante a qual conheceu o Abade L’Épée. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-Josefine-768x576.webp "202503-Viena-Josefine - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A Josefine, a nossa guia turística. Soubemos também que, no **[Hofburg](https://maps.app.goo.gl/kMnX5wJrS1EGsYZc8)**, o palácio onde o Hilter deu o seu último discurso em Viena, no dia 15 de março de 1938, sendo também a última pessoa a discursar naquela varanda – “The Hilter Balcony”, perante uma multidão de milhares de pessoas, realizou-se, anos mais tarde, um momento histórico para a Comunidade Surda: o XII Congresso Mundial de Surdos, em 1995. Se não fosse pelo vasto conhecimento da Josefine sobre a história da Áustria e da comunidade surda local, não teríamos tido acesso a este pequeno, mas significativo, pedaço que também é tão nosso, enquanto pessoas surdas. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/202503-Viena-aprendizagens-e1741692940166-1024x476.webp "202503-Viena-aprendizagens - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Quadro sobre expetativas e desafios em relação ao universo dos projectos Erasmus+. ## Considerações finais quanto à experiência Erasmus+ De um modo geral, a participação neste evento superou as nossas expectativas. O receio de que a falta de acessibilidade e a ausência de um espaço seguro fossem obstáculos à nossa participação dissipou-se à medida que encontrámos a inclusão no seu verdadeiro sentido, onde as vozes surdas foram protagonistas e a comunicação fluiu de forma natural. Este evento reforçou a importância de a APS se integrar em redes internacionais, ampliando o seu impacto na Comunidade Surda. A troca de experiências inspirou-nos a apostar em novos projetos europeus, fortalecendo a presença da APS no panorama internacional. Saímos de Viena com novas aprendizagens, perspetivas e parcerias, mas, acima de tudo, com a certeza de que a Comunidade Surda tem um papel ativo a desempenhar nestes projetos – e que devemos ocupá-lo. Agora, o desafio é transformar esta experiência em ação. **Categorias:** APS, Internacional, Notícias --- ### [Novo Guia de Acessibilidades da UEFA - um modelo verdadeiramente social](https://apsurdos.org.pt/novo-guia-de-acessibilidades-da-uefa-um-modelo-verdadeiramente-social/) **Published:** Dezembro 13, 2024 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** Novo Guia de Acessibilidades da UEFA: um modelo que transforma o futebol em experiências sem barreiras para todos os adeptos. **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-ceaca0d) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. A APS foi convidada a marcar presença na apresentação do novo **Guia de Acessibilidades da UEFA**, um documento inovador que promete transformar o panorama do futebol europeu, tornando-o mais inclusivo e acessível. O [evento](https://www.uefa.com/news-media/news/0293-1c731bfe1fab-b011b1e2a5a7-1000--accelerating-accessibility-in-football/), organizado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em parceria com a UEFA, decorreu na emblemática Cidade do Futebol, reunindo especialistas, organizações e representantes da comunidade para discutir estratégias de acessibilidade no desporto. ![Guia de Acessibilidades da UEFA](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-lancamento-guidelines-e1733260463386.webp "2024.12.UEFA-lançamento-guidelines - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Abertura com intérprete de Gesto Internacional O futebol, sendo o desporto mais popular do mundo, tem o potencial de unir pessoas de todas as origens. No entanto, para muitos adeptos com deficiência, o acesso aos estádios, eventos e experiências futebolísticas continua a ser um desafio. Consciente desta realidade, a UEFA desenvolveu este guia como um recurso prático e universal para clubes, federações e organizadores, visando criar ambientes mais acessíveis e acolhedores. Este modelo é mais do que um conjunto de diretrizes técnicas: é um compromisso social. Ao focar-se no impacto positivo que a acessibilidade tem na vida de milhões de pessoas, o guia estabelece um novo padrão para o desporto, desafiando organizações a olharem para a inclusão não apenas como uma obrigação, mas como uma oportunidade de criar um futebol verdadeiramente para todos. ## Para quem é este Guia de Acessibilidades da UEFA? O **Guia de Acessibilidades da UEFA** foi concebido para abranger todos os intervenientes no ecossistema do futebol, promovendo um ambiente acessível para todos. Destinado a proprietários e operadores de estádios, organizadores de eventos e Disability Access Officers (DAOs), este documento destaca as boas práticas e requisitos de acessibilidade essenciais. O documento incentiva melhores práticas em infraestruturas, orienta na integração da acessibilidade em eventos e oferece aos DAOs uma estrutura clara para colaborar com equipas e voluntários, promovendo um futebol verdadeiramente inclusivo. O guia dá um passo significativo ao adoptar uma abordagem centrada no modelo social da deficiência, afastando-se da visão tradicionalmente médica. Este enfoque reconhece que são as barreiras impostas pela sociedade — e não a condição da pessoa em si — que limitam a participação plena no desporto. Assim, o documento reforça a necessidade de eliminar obstáculos físicos, comunicacionais e organizacionais, promovendo a acessibilidade como um direito universal e não como um benefício adicional. > *Este grupo inclui pessoas surdas (ou seja, aquelas que não conseguem ouvir de forma funcional), que frequentemente utilizam a língua gestual para comunicar e beneficiam de serviços de interpretação, informação visual e sistemas de retransmissão telefónica texto-para-voz. \[...\] Pessoas surdas ou com perda auditiva podem enfrentar limitações devido a barreiras comunicacionais ou atitudinais.* > > UEFA Accessibility Guidelines - Página 17 ## No que toca à Comunidade Surda, o que é abordado no Guia de Acessibilidades? Com base na riqueza de informações que o guia oferece, selecionámos cuidadosamente os pontos que consideramos mais relevantes. Este resumo reflete as medidas e práticas que, a nosso ver, podem transformar os estádios em espaços verdadeiramente inclusivos, assegurando que todos, sem exceção, possam viver a paixão do futebol de forma plena e igualitária. ![Guia de Acessibilidades da UEFA - Voluntários](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-funcionarios-segurancas.webp "2024.12.UEFA-funcionarios-segurancas - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **1. Voluntários, Funcionários e Seguranças** Estas funções desempenham um papel fundamental na criação de uma experiência inclusiva, ao fornecerem suporte direto e adaptado às necessidades específicas dos adeptos surdos e/ou com deficiência auditiva, assegurando que todas as barreiras comunicacionais sejam reduzidas. Nos eventos e jogos, é essencial contar com voluntários específicos para apoiar adeptos e participantes. Assim: - **Formação de sensibilização**: Receber formação aprofundada sobre serviços de acessibilidade, diversidade de deficiências e prioridades estratégicas da UEFA, com instruções tais como comunicar-se diretamente com a pessoa surda e não o acompanhante, disponibilizar papel e caneta para comunicação escrita se necessário, ou utilizar termos como “pessoa surda” e “língua gestual” em vez de termos patronizantes; - **Formação em Língua Gestual:** É recomendado que os funcionários e seguranças de dias de jogo e eventos sejam formados em língua gestual para facilitar a comunicação com pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Além disso, sempre que possível, deve-se incluir voluntários que já tenham conhecimentos de língua gestual; - **Colaboração com Associações de Surdos:** os clubes podem recorrer a associações de surdos para apoio na formação ou recrutamento de voluntários com conhecimentos específicos, como a língua gestual. ![Guia de Acessibilidades da UEFA - Bilheteria](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-bilheteria.webp "2024.12.UEFA-bilheteria - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **2. Bilheteira e balcões** Estas medidas específicas são cruciais para garantir que pessoas surdas tenham acesso equitativo à comunicação e aos serviços de bilheteira e atendimento, promovendo uma experiência inclusiva: - **Serviços de atendimento:** Permitem a comunicação com recurso a um operador para tradução entre texto e voz ou língua gestual; - **Iluminação e vidros**: Boas condições de iluminação e vidro não refletivo nos balcões para facilitar a comunicação; - **Contactos disponíveis**: Devem estar disponíveis alternativas acessíveis, como telefone, email e correio, para que pessoas surdas possam contactar o estádio ou clube. Exemplo disso é o do [Arsenal Football Club](https://www.arsenal.com/disabilityaccess), que inclui o serviço SignVideo; - **Pessoal formado em Língua Gestual**: Deve haver pessoal com esta formação disponível em dias de jogo para facilitar a comunicação com adeptos surdos. ![Guia de Acessibilidades da UEFA - Sinalização](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-sinalizacao.webp "2024.12.UEFA-sinalizacao - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **3. Sinalização e Orientação** A sinalização consistente e acessível promove autonomia para a comunidade surda ao reduzir a dependência de interações verbais para orientação: - **Sinalização Eficaz:** A sinalização clara e legível é essencial para pessoas surdas, pois pode facilitar a navegação em espaços onde pedir direções pode ser mais desafiante. Símbolos universais e facilmente compreensíveis, como os relacionados com a acessibilidade, são preferidos em vez de texto; - **Repetição e Visibilidade:** A sinalização deve ser repetida em intervalos regulares nas rotas de acesso para garantir que as pessoas estão no caminho certo, reduzindo potenciais dúvidas ou necessidade de interação verbal; - **Áreas Específicas:** Entradas acessíveis, bilheteiras, pontos de informação, elevadores, e áreas como restaurantes e casas de banho devem ser devidamente sinalizados com clareza para facilitar a orientação. ![Guia de Acessibilidades da UEFA - Planos de Lugares Inclusivos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-planos-lugares-inclusivos.webp "2024.12.UEFA-planos-lugares-inclusivos - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **4. Planos de Lugares Inclusivos** Um plano de lugares flexível assegura que pessoas surdas tenham uma experiência igualitária, promovendo a comunicação e o acesso à informação, ao mesmo tempo que respeita a diversidade de preferências individuais: - **Flexibilidade nos Lugares:** Pessoas surdas devem ter a possibilidade de escolher onde se sentar em qualquer setor do estádio, promovendo inclusão e garantindo a sua autonomia; - **Lugares Agrupados:** Muitos adeptos surdos expressam preferência por se sentarem juntos, o que facilita a comunicação e camaradagem entre eles. Esta configuração permite também a presença de intérpretes de Língua Gestual próximos, assegurando o acesso a informações importantes durante o jogo; - **Consulta Direta:** É recomendável que os organizadores dialoguem com adeptos surdos para compreender as suas preferências e necessidades, garantindo que estas opções sejam respeitadas sem restringir a escolha individual. ![Guia de Acessibilidades da UEFA - Formatos Alternativos e Media](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-formatos-alternativos-media.webp "2024.12.UEFA-formatos-alternativos-media - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **5. Formatos Alternativos e Media** Estas adaptações garantem que pessoas surdas têm pleno acesso à informação durante o evento, eliminando barreiras comunicacionais, garantindo também informação em situações de emergência ou em zonas isoladas: - **Vídeos e áudio**: Devem incluir legendas ou descrições textuais, acompanhadas de interpretação em Língua Gestual sempre que possível. Informações importantes, como anúncios e instruções, devem ser projetadas em ecrãs principais ou placares, tanto no campo como nos estabelecimentos tais como lojas, museus e cafés ou restaurantes; - **Captioning em Tempo Real:** Este serviço oferece uma descrição detalhada e em tempo real da ação ao vivo, capturando a atmosfera dinâmica e a emoção do jogo, bem como fornecendo detalhes de informações visuais que outros adeptos podem dar como garantidas. Paralelamente, a disponibilização de interpretação em Língua Gestual para anúncios no estádio e jogos ao vivo representa um passo significativo para garantir que os adeptos surdos e com dificuldades auditivas não fiquem excluídos, mas sim plenamente integrados no centro da ação, como por exemplo quando, durante o jogo, o árbitro explica ao público as suas decisões. Aqui em Portugal, o [Futebol Clube do Porto](https://www.fcporto.pt/pt/noticias/20230906-pt-ecras-do-estadio-do-dragao-passam-a-utilizar-lingua-gestual) já deu um passo neste sentido; - **Luzes de Aviso para Emergências**: Embora seja razoável esperar que pessoas surdas dependam de outros adeptos ou staff para alertas de emergência, deve-se considerar a instalação de luzes de aviso intermitentes em áreas isoladas, como casas de banho, onde estas possam estar sozinhas. ![Guia de Acessibilidades da UEFA - Cafés e Restaurantes](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-cafes-restaurantes-1024x320.webp "2024.12.UEFA-cafes-restaurantes - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **6. Cafés e restaurantes** Estas adaptações promovem a independência e garantem que pessoas surdas possam navegar e usufruir das instalações de restauração com confiança, eliminando barreiras comunicacionais e melhorando a experiência no estádio: - **Exibição de Preços e Opções:** As caixas registadoras devem ser frontalmente visíveis com um ecrã digital para que pessoas surdas possam acompanhar os preços e confirmar as transações. Esta funcionalidade é também útil para adeptos que não dominam a língua local; - **Menus Visuais:** Todos os menus devem incluir imagens que facilitem a escolha, permitindo que pessoas surdas apontem para os itens desejados, especialmente em casos de comunicação limitada; - **Informação sobre Alergénios**: Os alergénios devem ser comunicados por códigos ou símbolos, nunca apenas através de cores, assegurando clareza e acessibilidade para todos. ## O nosso veredito: mas que documento excelente! ⭐ O **Guia de Acessibilidades da UEFA** impressionou-nos pela atenção aos detalhes e pela inclusão de medidas práticas que têm o potencial de revolucionar a experiência das Pessoas com Deficiência no desporto. Para a **Comunidade Surda**, é um modelo tão bem estruturado que pode ser facilmente replicado noutros contextos, mesmo fora do futebol ou do desporto. A UEFA merece um aplauso (visível!) por esta iniciativa pioneira, ao reunir num único documento informações até agora dispersas. Tudo está acessível, centralizado e pronto para ser implementado. Resta agora aos clubes seguir o modelo e colaborar ativamente com associações representativas, pois, embora o guia seja excecional, é indispensável a voz das comunidades como critério inegociável para garantir que as políticas se traduzem em práticas inclusivas reais. No entanto, como nada na vida é perfeito, há um aspeto que merece atenção: o cargo de **Disability Access Officer (DAO)**. Apesar do rigor e cuidado no restante conteúdo, sentimos que houve uma omissão significativa neste ponto. O guia não recomenda que este papel seja desempenhado por Pessoas com Deficiência, algo que vai contra o lema “Nada sobre nós, sem nós!” — um princípio defendido pela ONU e pela [Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência](https://www.inr.pt/convencao-sobre-os-direitos-das-pessoas-com-deficiencia). Este é um aspeto crítico. Por mais qualificada ou sensibilizada que uma pessoa sem deficiência possa ser, apenas quem vive a realidade das barreiras sociais pode trazer uma perspetiva verdadeiramente autêntica e necessária ao cargo. ![Guia de Acessibilidades da UEFA - Jo Becker](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12.UEFA-jo-becker.webp "2024.12.UEFA-jo-becker - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Jo Becker, DAO do Manchester City FC O exemplo de **Jo Becker**, Líder de Acessibilidade do Manchester City Football Club, ilustra bem esta questão. Antes sem deficiência, ela adquiriu uma condição numa fase posterior da vida e explicou como isso transformou profundamente a sua visão e atuação. É este tipo de experiência real e vivida que queremos ver representada no papel de DAO, não só para cumprir o lema, mas para assegurar que as políticas inclusivas não ficam apenas no papel. O guia é, sem dúvida, uma vitória para a acessibilidade, mas o seu impacto dependerá da implementação. Está nas mãos dos clubes e das organizações transformar estas diretrizes numa realidade inclusiva para todos. Este é o início de um caminho promissor, e agora é altura de o percorrer com responsabilidade, compromisso e, acima de tudo, com a colaboração das próprias comunidades que representa. [ Guia de Acessibilidades (UEFA) ](https://editorial.uefa.com/resources/0291-1bc63c80c17d-3b06fdde0dbe-1000/uefa_accessibility_guidelines.pdf) [ Lista de Verificação de Acessibilidade (UEFA) ](https://editorial.uefa.com/resources/0291-1bc63ba3eec7-12788e9d227f-1000/uefa_accessibility_checklist.pdf) **Categorias:** Acessibilidade, Notícias --- ### [KPIs pela Inclusão e Representatividade na Comunidade Surda](https://apsurdos.org.pt/kpis-pela-inclusao-e-representatividade-na-comunidade-surda/) **Published:** Janeiro 31, 2025 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** Os KPIs são essenciais para medir a inclusão na Comunidade Surda. Sem dados, não há mudança. Descubra como melhorar a acessibilidade e a representatividade. **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-b1ecf88) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Fala-se muito sobre a necessidade de mudanças no panorama da Comunidade Surda, mas quanto disso se baseia realmente em números e dados concretos? **Sem estatísticas que mostrem quem somos, quais são as nossas necessidades e onde estão as falhas, como podemos exigir políticas eficazes?** As decisões políticas que afetam a nossa vida diária são feitas muito **à base de estatísticas** – ou na falta delas. É aqui que entram os **Key Performance Indicators** **(KPIs)**, ferramentas que ajudam a medir o que está ou não a funcionar. Mais do que simples números, os KPIs são essenciais para garantir que a diversidade, equidade e inclusão (DEI) não sejam apenas conceitos abstratos, mas objetivos mensuráveis que levam a mudanças reais. ## O que são Key Performance Indicators (KPIs)? Os **Key Performance Indicators (KPIs)**, ou **Indicadores-Chave de Desempenho**, são métricas utilizadas para medir o progresso de uma empresa, organização ou projeto em direção aos seus objetivos. São ferramentas estratégicas que ajudam a avaliar a eficácia das ações, permitindo identificar o que está a funcionar bem e o que precisa de melhorar. Na área da diversidade, equidade e inclusão, os KPIs mostram se uma organização ou iniciativa está a promover a inclusão de diferentes pessoas, ao proporcionar oportunidades iguais e um ambiente acolhedor, ajudando a perceber se as ações estão a melhorar a diversidade e a criar espaços seguros para todos. Vamos utilizar uma metáfora. Imaginemos um jardim, onde queremos que cresçam muitas flores diferentes, bonitas e saudáveis. Para garantir que o jardim floresce como idealizado, precisamos de medir algumas coisas: #### **Diversidade** **Questão:** Temos diferentes tipos de flores no jardim – rosas, tulipas e girassóis? **KPI:** Contar quantos tipos diferentes de flores temos. #### Equidade **Questão:** Cada flor está a receber os cuidados certos com água, sol e sombra? Algumas precisam de mais atenção que outras. **KPI:** Avaliar se cada flor recebeu a quantidade certa de água e luz. #### **Inclusão** **Questão:** As flores estão a crescer juntas num espaço harmonioso, sem que algumas estejam a bloquear outras ou a murchar por falta de espaço ou de luz? **KPI:** Observar se o jardim parece equilibrado, com todas as flores a crescerem saudáveis. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-KPI-Jardim-768x432.webp "202501 - KPI Jardim - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Agora, imagina que este jardim é uma comunidade. As flores representam as pessoas, e os KPI são como um bloco de notas onde anotamos o que observámos para garantir que todas têm as condições certas para crescer e florescer. Se alguma não estiver bem, sabemos onde ajustar os cuidados para melhorar o jardim. Embora os KPIs sejam amplamente utilizados no mundo empresarial, também podem ter um papel fundamental a nível das organizações sem fins lucrativos, como a Associação Portuguesa de Surdos (APS), ao ajudar a medir e melhorar a diversidade, equidade e inclusão nos seus eventos e iniciativas. ## O que a Associação Portuguesa de Surdos tem feito em relação aos KPI? ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-KPI-workshop.webp "202501 - KPI workshop - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Workshop "Segue os teus Sonhos", dinamizado pela Dra. Helena Marques, no dia 25 de janeiro de 2025. A APS já utiliza estas ferramentas para avaliar a diversidade nos seus eventos. Um exemplo prático são os **formulários de inscrição**, que permitem analisar o perfil dos participantes e compreender melhor o seu interesse nestes eventos. O último evento da APS, organizado pela APS Jovens, no dia 25 de janeiro, contou com **com o workshop dado pela Dra. Helena Marques, psicóloga Surda, intitulado de “Segue os teus Sonhos” e um torneio de FC25**. A inscrição incluía questões sobre a idade, o género, a etnia, identidade na Comunidade Surda (surdo, ouvinte, CODA) e fluência em Língua Gestual Portuguesa (LGP), entre outros aspetos. Estes dados, analisados de forma cumulativa com os de outros eventos, permitem identificar as áreas de melhoria para tornar a APS um espaço cada vez mais acessível, seguro e representativo. Importa referir que o formulário de inscrição não foi obrigatório para todas as pessoas que frequentaram o espaço da APS durante o evento. Assim, os dados recolhidos refletem apenas os participantes que efetivamente preencheram o formulário, podendo não representar a totalidade das pessoas que estiveram presentes. Destacam-se os seguintes dados recolhidos neste evento **nos gráficos abaixo**: ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-KPI-APS-1024x576.webp "202501 KPI APS - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Dados obtidos através do formulário de inscrição para o evento do dia 25 de janeiro de 2025. **Género** Ao analisar estes dados, a participação foi **maioritamente masculina** (23 participantes), **comparada com sete participantes do género feminino.** Esta diferença pode estar relacionada com o foco do evento no torneio de FC25, um jogo de consola baseado em futebol, que tradicionalmente atrai mais homens. No entanto, importa questionar se as mulheres se sentiram à vontade para participar ou se ambiente do evento pode ter influenciado para a sua ausência. A monitorização destes KPIs ao longo do tempo permitirá compreender se esta tendência se mantém ou se foi um caso isolado. **Acessibilidade Linguística** A representatividade da Comunidade Surda foi bastante elevada, indicando que **o evento atingiu o seu público-alvo**. Um dado relevante é que **todos os participantes inscritos (30) eram fluentes em LGP**, criando um ambiente linguística e culturalmente acessível. Embora seja importante atrair aliados da Comunidade Surda para promover maior sensibilização e envolvimento, é fundamental garantir que a APS continue a ser um espaço seguro e confortável para as pessoas surdas. **Diversidade étnica** A diversidade étnica é um aspeto fundamental na Comunidade Surda, dada a sua subrepresentação ao longo da História. Dos 30 participantes, 57% identificaram-se como caucasianos, enquanto 17% identificaram-se como pessoas de cor. No entanto, **23% preferiram não responder**, o que pode indicar um desconforto com a pergunta ou desconhecimento da sua importância para fins estatísticos. Esta métrica, ao longo do tempo, permitirá perceber se a representatividade étnica varia conforme o evento e de que forma se poderá incentivar a participação dos grupos minoritários dentro da Comunidade Surda. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-APS-FC25-1-1024x768.webp "202501 APS FC25-1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Torneio de FC25 na Associação Portuguesa de Surdos, no dia 25 de janeiro de 2025. É essencial acompanhar a evolução destes KPIs ao longo do tempo para identificar tendências e onde se pode melhorar. Se determinados grupos estão subrepresentados em determinados eventos, pode ser necessário ajustar estratégias de divulgação e formatos das atividades para garantir uma participação mais diversa. Pode parecer “só mais um” formulário, mas cada resposta pode contribuir para um futuro mais representativo. Sem dados concretos, não teríamos uma visão realista das áreas que precisam de melhoria para garantir que **a APS continue a evoluir como um espaço seguro para todos.** ## Porque é que os KPIs são essenciais para a Comunidade Surda? Sem dados concretos, torna-se impossível identificar problemas ou exigir soluções eficazes. A **falta de acessibilidade para a Comunidade Surda** muitas vezes passa despercebida, especialmente porque estas barreiras nem sempre são óbvias para quem não as vive diretamente. Os **KPIs** ajudam a medir a representatividade, identificar barreiras, melhorar a acessibilidade e fundamentar políticas públicas. Na sociedade em geral, existem metas mensuráveis que, embora não sejam necessariamente KPI, podem ser acompanhadas para avaliar o progresso. Um exemplo disso é a [**carta de reivindicações**](https://fpasurdos.pt//assets/documentacao/FPAS-CARTA-Acessibilidade-para-a-Comunidade-Surda-15NOV2024-FINAL.pdf) apresentada pela Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS) à Assembleia da República, no dia 15 de novembro de 2024, e a **[Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência](https://www.inr.pt/documents/11309/284924/ENIPD.pdf) (ENIPD 2021-2025)**. Ambas estabelecem objetivos importantes que podem ser monitorizados através de indicadores concretos, permitindo avaliar se as medidas estão a ser implementadas de forma eficaz. Aqui estão alguns exemplos de medidas que as instituições representativas da Comunidade Surda têm defendido: **Meta:** Garantir a acessibilidade em todos os serviços públicos. **Possíveis KPIs:** 1. Percentagem de serviços públicos que disponibilizam intérpretes de LGP, presencialmente ou por vídeochamada. 2. Percentagem de serviços públicos com atendimento digital acessível, por escrito ou com interpretação em LGP. 3. Número de serviços públicos que promovem formação sobre acessibilidade em LGP para os seus funcionários. **Meta:** Melhorar o acesso das crianças surdas à educação bilíngue (em LGP e português escrito). **Possíveis KPIs:** 1. Número de escolas públicas que adotam o ensino bilíngue. 2. Percentagem de crianças surdas matriculadas em escolas públicas com ensino bilíngue. 3. Número de professores com fluência em LGP. **Meta:** Garantir o direito à informação acessível para pessoas surdas nos meios de comunicação social. **Possíveis KPIs:** 1. Percentagem de programas televisivos nacionais com legendagem e interpretação em LGP. 2. Número de horas semanais de programação acessível em LGP ou legendada. 3. Percentagem de comunicados governamentais transmitidos com interpretação em LGP ao vivo. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-KPI-AR-768x512.webp "202501 - KPI AR - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Apresentação da Carta de Reivindicações pela Acessibilidade para a Comunidade Surda, na Assembleia da República, no dia 15 de novembro de 2024. Foto de Ângelo Bártolo \| Signomy. Os [**Censos 2021**](https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=9oNlylAbA_w&t=505s) representam um exemplo importante de como a falta de dados concretos pode afetar a acessibilidade e o impacto de novas medidas para a **Comunidade Surda**. Estes Censos poderiam ter sido uma ferramenta essencial para recolher informações detalhadas sobre as características e as necessidades da população, incluindo a identificação das pessoas surdas e falantes da LGP. No entanto, a forma como as perguntas foram estruturadas impediu uma contagem precisa e realista. Os principais problemas identificados nestes Censos incluem **questões mal formuladas**, onde a pergunta sobre pessoas surdas focou-se apenas na dificuldade auditiva e na comunicação como limitação, ignorando a especificidade da identidade linguística e cultural da Comunidade Surda. Além disso, a LGP, **reconhecida na Constituição da República Portuguesa desde 1997**, não foi de todo mencionada nas questões dos Censos – não houve qualquer tentativa de identificar quantas pessoas a utilizam diariamente, uma oportunidade perdida para valorizar esta língua, também como parte do património linguístico português. A **sobrestimação da população surda** foi outra falha grave, já que as questões sobre audição e comunicação contemplam em simultâneo, por exemplo, idosos com perda auditiva devido ao envelhecimento natural, distorcendo os resultados e criando, mais uma vez, uma visão que se distancia da realidade. Por fim, as questões relacionadas com dificuldades na vida diária, como deficiência, **foram incluídas numa secção “de resposta facultativa”**, o que reduziu ainda mais a fiabilidade dos dados recolhidos. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Censos-KPI-1024x576.webp "202501 - Censos KPI - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Questões 29 e 29.2 dos Censos 2021. Retiradas de fonte oficial do Instituto Nacional de Estatística. **Se os Censos 2021 tivessem utilizado KPIs mais adequados**, teriam permitido uma representação mais realista da população surda e dos falantes da LGP, contribuindo para decisões políticas e sociais mais concretas e direcionadas à melhoria da acessibilidade. Sem estes dados, a realidade da Comunidade Surda continua a ser invisível, dificultando a criação de medidas que garantam a verdadeira inclusão. **Sem dados, não há progresso. Sem KPIs, não há mudança.** Se queremos uma sociedade acessível, precisamos de medir a inclusão e agir com base nesses dados. A Comunidade Surda não pode ser ignorada nas estatísticas – **porque o que não é medido, é esquecido.** **Categorias:** Acessibilidade, Investigação, Política e Direitos --- ### [Educar para Incluir: a Língua Gestual nas Escolas](https://apsurdos.org.pt/educar-para-incluir-a-lingua-gestual-nas-escolas/) **Published:** Fevereiro 21, 2025 **Author:** Catarina Dias **Excerpt:** A Língua Gestual nas escolas promove inclusão, equidade e benefícios cognitivos. Ensinar LGP é essencial para uma sociedade acessível. **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-a7e7237) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. *Este artigo foi escrito por Catarina Dias e adaptado para Língua Gestual Portuguesa por Mariana Bártolo.* Sou educadora de infância e trabalho numa escola internacional trilingue, mas antes de continuar, deixem-me fazer-vos uma pergunta: quando mencionei “**trilíngue**“, quantos de vocês pensaram em línguas gestuais? Pois é, quase nunca pensamos nisso, certo? Quase sempre (senão sempre) que falamos em **bilinguismo** ou **multilinguismo**, associamos estas palavras ao domínio de línguas orais ou escritas, como português, inglês ou francês. No entanto, **raramente consideramos as línguas gestuais**, que são igualmente ricas, complexas e importantes. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-LGP-escolas-1.webp "202502 - LGP escolas 1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **É hora de ampliar essa visão!** Com base na minha experiência como educadora de infância e na minha formação em educação de infância, complementada por um mestrado em educação internacional e bilinguismo, gostaria de partilhar as razões pelas quais considero fundamental que a Língua Gestual Portuguesa (LGP), assim como outras línguas gestuais, sejam integradas nos currículos escolares, não apenas em Portugal, mas em todo o mundo. ## Reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-educacao-maos-ouvidas.webp "202502 - educação mãos ouvidas - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Imagem retirada da página de Facebook da Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS). A **[LGP foi oficialmente reconhecida em Portugal em 1997](https://www.sg.pcm.gov.pt/a-sgpcm/noticias/2024/novembro/dia-nacional-lgp/)**, um marco histórico que trouxe visibilidade à comunidade surda. Este reconhecimento legal, **[consagrado no artigo 74.º da Constituição da República Portuguesa](https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/decreto-aprovacao-constituicao/1976-34520775-49472775)**, representou um avanço, mas deixou muito por fazer. Em 2024, a luta pela igualdade deu um novo passo com o reforço do reconhecimento da LGP como parte essencial da identidade cultural do país. Contudo, a sua presença no sistema educativo continua muito limitada. Pensem nisto: temos uma língua oficial que representa uma parte significativa da nossa sociedade, mas que não é amplamente ensinada nas escolas. Se queremos construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva, **oferecer a possibilidade de aprender LGP nas escolas tem de ser um dos nossos objetivos!** ## Mitos e Benefícios do Bilinguismo Durante muito tempo, acreditou-se que aprender mais do que uma língua podia atrasar o desenvolvimento linguístico ou até mesmo o desenvolvimento global. Como educadora de infância, já tive pais que me perguntaram se ensinar várias línguas aos seus filhos seria a decisão certa, receando que isso os pudesse confundir. Sempre fiz questão de explicar que essa ideia se baseava em estudos científicos – desatualizados – nos quais as crianças eram avaliadas numa segunda língua (a língua não dominante), e que por esse motivo, as crianças monolíngues, avaliadas na sua primeira e única língua, apresentavam melhores resultados nesses estudos. Hoje sabemos que aprender várias línguas **proporciona vantagens cognitivas significativas.** Recentemente, descobrimos que a minha priminha é surda. Enquanto tentávamos compreender o grau da sua surdez, aprendi Língua Gestual Portuguesa e incentivei o resto da família a fazer o mesmo. Notei que, tal como alguns pais me demonstravam receio em relação aos seus filhos aprenderem várias línguas, alguns familiares meus também receavam que o uso da língua gestual pudesse interferir no desenvolvimento da língua oral da minha priminha. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-educacao-2.webp "202502 - educação - 2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Mas sabiam que as crianças gesticulam muito antes de aprenderem a falar? Pensemos em canções infantis como “*O coelhinho branco*”, “*A galinha põe o ovo*” ou “*Se estás feliz bate palmas*”. Quase todas incluem gestos que as crianças aprendem e elas imitam muito antes de conseguirem cantar as palavras. O mesmo acontece com a língua gestual: **as crianças começam a gestuar muito mais cedo do que a falar.** Apesar disso, [**esta predisposição natural para gestuar**](https://www.degruyter.com/document/doi/10.1515/9783110874099.689/pdf?licenseType=restricted) é frequentemente desencorajada à medida que as crianças crescem, como se língua gestual não fosse uma forma legítima de comunicação. ## As Vantagens Únicas das Línguas Gestuais As línguas gestuais oferecem benefícios únicos, tais como: **a percepção espacial**, **as habilidades motoras finas** e **o desenvolvimento cognitivo**. Há ainda estudos que mostram que ensinar língua gestual a bebés e crianças pequenas pode ajudar a reduzir frustrações e superar barreiras de comunicação. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-lingua-gestual-criancas.png "202502 - lingua gestual crianças - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Na escola onde trabalho, **introduzimos gestos básicos para facilitar a comunicação desde cedo** (a partir dos 12 meses), e notei uma diferença significativa em relação a outras escolas onde trabalhei que não utilizavam gestos. As crianças conseguem expressar-se melhor, o que resulta numa redução considerável das birras na sala de aula, já que, ao conseguirem comunicar as suas necessidades, sentem menos frustração. Apesar de todos estes benefícios, a língua gestual continua a não receber a mesma atenção que as línguas orais no ensino formal. As línguas estrangeiras são frequentemente priorizadas em detrimento das línguas gestuais, mostrando que muitas vezes valorizamos mais a possibilidade de nos inserirmos em comunidades estrangeiras e pior… que **ignoramos a importância de criar pontes com as nossas próprias comunidades.** ## Justiça Histórica e Reconhecimento Cultural ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-amarras.webp "202502 - amarras - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") **Durante mais de um século, as línguas gestuais foram rejeitadas** **e, em muitos casos, proibidas.** Um exemplo claro foi a [**Conferência de Milão de 1880**](http://projetoredes.org/wp/wp-content/uploads/artigo-Surdos-Notícias»-3º-numero.pdf), onde se decidiu, **SEM consultar a comunidade surda**, que as línguas gestuais seriam substituídas pelo ensino oralista. Esta decisão, apesar de ter como objetivo principal a integração da comunidade surda na sociedade, teve impactos profundamente negativos em gerações de surdos, ao limitar as suas possibilidades de comunicação e aprendizagem. Apesar disso, **as comunidades surdas resistiram!** Mantiveram as suas línguas vivas, muitas vezes em segredo, como um ato de preservação cultural. Em 2010, **[a Federação Mundial de Surdos recebeu um pedido de desculpas oficial](https://wfdeaf.org/news/international-congress-of-the-deaf-iced-july-18-22-2010-vancouver-canada/)** pela exclusão histórica das línguas gestuais. **Contudo, o verdadeiro passo para corrigir este erro seria valorizar ativamente as línguas gestuais através da educação.** ## Benefícios de incluir a LGP nas escolas A inclusão da LGP nos currículos escolares traz benefícios que vão muito além da comunicação. Ao incluir a LGP, abrimos também portas para que professores surdos ensinem oficialmente a sua língua, promovendo emprego e integração. Além disso, **[aprender uma língua é também conhecer a sua cultura.](https://revistas.ufpr.br/letras/article/viewFile/20046/13227)** Ao expor os alunos à história e identidade da comunidade surda, formamos uma geração mais empática e preparada para viver num mundo multicultural. ## O impacto de aprender LGP **Ensinar LGP nas escolas não é apenas um gesto simbólico, mas uma necessidade prática.** Ao incluir a LGP nos currículos, mostramos às crianças que todas as línguas têm valor e que a diversidade é uma riqueza. Mais do que isso, garantimos que a inclusão não seja apenas um ideal, mas uma prática concreta. ### A verdade é esta: quando não há comunicação, não há inclusão. Se apenas a comunidade surda aprender LGP, a comunicação continuará a enfrentar barreiras, porque, basicamente, estamos a pedir à comunidade surda que faça todo o esforço (seja leitura labial, usar implantes ou encontrar formas de se adaptar). **Mas a solução mais simples seria ensinar LGP a toda a população, começando nas escolas.** Se todos tivessem conhecimento (mesmo se básico) de LGP, assim como aprendem inglês ou outra língua estrangeira, já seria um enorme passo. Além disso, como vimos previamente, o bilinguismo tem inúmeras vantagens, e deveríamos começar por promover a LGP (a nossa língua gestual) antes de outras línguas. **A educação é a base para construir uma sociedade mais justa e empática.** A inclusão da LGP nos currículos não só melhora a comunicação entre comunidades, como promove igualdade e aproxima culturas. É um passo essencial que não podemos mais adiar! **Categorias:** Educação, Opinião --- ### [Futsal para Surdos - Portugal apurado para o Europeu 2026](https://apsurdos.org.pt/futsal-para-surdos-portugal-apurado-para-o-europeu-2026/) **Published:** Fevereiro 28, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** Portugal apurou-se para o 7.º Europeu de Futsal para Surdos após quase 20 anos. Descobre como a seleção alcançou esta vitória histórica. **Content:** Portugal apurou-se para o 7.º Campeonato Europeu de Futsal para Surdos após quase 20 anos. Descobre como a seleção alcançou esta vitória histórica. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-8a2c738) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Se há atividade capaz de unir a Comunidade Surda, é o desporto. No passado, o futebol foi o desporto-rei entre nós, dando origem aos antigos Grupos Desportivos de Surdos-Mudos, como o de Lisboa (1954) e o do Porto (1951). Um desses grupos evoluiu para a Associação Portuguesa de Surdos. Atualmente, é o futsal que ocupa esse destaque. Este artigo foca-se na Qualificação para o 7.º Campeonato Europeu de Futsal para Surdos, organizado pela European Deaf Sport Organisation (EDSO). ## A Qualificação em Terras Lusas Portugal acolheu o Grupo A entre 21 e 23 de fevereiro, no Pavilhão Municipal da Maia. Participaram quatro países — Portugal, Suíça, Israel e Azerbaijão — num evento coorganizado pela Liga Portuguesa de Desporto para Surdos (LPDS) e pela Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência (FPDD), com o apoio da Câmara Municipal da Maia. Os jogos foram transmitidos em direto no [YouTube](https://www.youtube.com/@MediaLPDS/streams), permitindo que muitos adeptos seguissem cada momento. Este torneio marcou o regresso da seleção portuguesa a uma grande competição internacional, após quase duas décadas de ausência. Apesar de treinar há mais de um ano e realizar jogos amigáveis, este foi o primeiro teste oficial da equipa. Os jogadores portugueses conheciam-se bem como rivais em campo, mas, desta vez, uniam forças pela primeira vez como companheiros de equipa. ![Seleções de Portugal e Israel](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-portugal-israel-1024x591.webp "202502-portugal-israel - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O Caminho para a Qualificação do Europeu de Futsal para Surdos ### Portugal vs Israel (1-1) O primeiro jogo colocou Portugal frente ao adversário mais temido do grupo: Israel. Desde o apito inicial, ficou claro que seria um encontro equilibrado. Israel mostrava-se ofensivo, mas a defesa portuguesa, liderada pelo guarda-redes João Duarte, esteve irrepreensível. O jogo teve um revés logo nos primeiros minutos, quando João Antunes sofreu uma lesão que o afastou do restante torneio. Apesar do contratempo, Portugal manteve-se firme. O golo inaugural surgiu após um remate de Cleyton Tavares defendido pelo guarda-redes israelita, com Zé Pedro a aproveitar a recarga para abrir o marcador. O pavilhão, meio preenchido apesar de ser sexta-feira à hora de almoço, explodiu em celebração quando o público português se levantou em uníssono para aplaudir efusivamente. Israel aumentou a pressão, utilizando um guarda-redes avançado na segunda parte. João Duarte brilhou com defesas impressionantes, mantendo a vantagem até quase ao fim. Contudo, a dois minutos do apito final, Miguel Silva recebeu um segundo cartão amarelo após uma infração desnecessária, deixando Portugal com menos um em campo. Israel aproveitou a vantagem numérica e empatou o jogo. O empate deixou um sabor amargo, especialmente após o esforço incansável e a exibição apaixonada da equipa, que merecia sair vitoriosa daquele confronto intenso. [ Vídeo - Portugal vs Israel ](https://www.youtube.com/watch?v=kAgqOdinsbQ) ### Portugal vs Azerbaijão (11-1) No segundo dia, Portugal jogou contra o Azerbaijão, que vinha de uma pesada derrota frente à Suíça (9-2). Os portugueses dominaram desde o início. Aos seis minutos, uma infração do guarda-redes adversário colocou Portugal numa posição privilegiada. Hugo Passos converteu e, em menos de um minuto, Diogo Pereira e Henzo Zacarias ampliaram a vantagem. O primeiro tempo terminou com um expressivo 6-0. Na segunda parte, a selecionadora Sara Almeida aproveitou a vantagem para testar diferentes formações e estratégias, incluindo o uso de um guarda-redes avançado. O resultado final, 11-1, demonstrou a superioridade portuguesa e serviu como preparação para o decisivo jogo contra a Suíça. [ Vídeo - Portugal vs Azerbaijão ](https://www.youtube.com/watch?v=19UP8lcb1XQ) ### Portugal vs Suíça (4-1) O terceiro jogo era crucial. Israel já garantira a qualificação, e Portugal precisava apenas de um empate. A Suíça, por outro lado, necessitava da vitória. O jogo começou equilibrado, mas Portugal mostrou eficácia. Diogo Pereira e Ricardo Ribeiro marcaram os dois primeiros golos em lances disputados onde a sorte esteve do lado português. Antes do intervalo, Miguel Silva fez o terceiro, após uma excelente jogada individual de Henzo Zacarias. Na segunda parte, a Suíça arriscou com um guarda-redes avançado desde o início, pressionando intensamente. A defesa portuguesa manteve-se sólida e, num contra-ataque rápido, Henzo Zacarias marcou o quarto golo. Já nos instantes finais, um autogolo infeliz de Miguel Silva reduziu para 4-1, mas não manchou a exibição coletiva. O gesto de apoio dos colegas a Miguel após o autogolo demonstrou o espírito de equipa e união. [ Vídeo - Portugal vs Suíça ](https://www.youtube.com/watch?v=8iffmBelcic) ## Rumo ao Campeonato Europeu de Futsal para Surdos [table id=1 /] Com duas vitórias e um empate, Portugal garantiu o segundo lugar do grupo, empatado em pontos com Israel mas com menor diferença de golos. Este resultado garantiu a tão desejada qualificação para o 7.º Campeonato Europeu de Futsal para Surdos, que se realizará entre 9 e 22 de março de 2026 em Poreč, na Croácia. O regresso da seleção à elite europeia foi marcado por momentos de superação, espírito de equipa e o apoio incondicional dos adeptos, muitos dos quais viajaram de vários pontos do país para apoiar a equipa. Alguns até marcaram férias para assistir ao primeiro jogo. Parabéns à selecionadora Sara Almeida, aos jogadores e a todos os que contribuíram para este sucesso. Que esta qualificação seja apenas o início de um novo capítulo vitorioso para o futsal português da Comunidade Surda. **Categorias:** Desporto, Notícias --- ### [GR360: A Conquista dos Professores de LGP](https://apsurdos.org.pt/gr360-a-conquista-dos-professores-de-lgp/) **Published:** Março 7, 2025 **Author:** Isabel Morais **Excerpt:** Descubra a história do GR360 e a luta pelo reconhecimento dos professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP). **Content:** Descubra a história do GR360 e a luta pelo reconhecimento dos professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP). [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-e0e5c63) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. *Este artigo foi escrito por Isabel Morais e adaptado para Língua Gestual Portuguesa por Pedro Mourão.* ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/20250307-formacao-formadores.webp "20250307-formacao-formadores - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O Início da Formação de Professores de LGP e a Atuação dos Monitores Surdos A história dos professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP) é rica e cheia de desafios e conquistas. A formação de professores de LGP começou a ganhar destaque a partir dos anos 90, com a crescente necessidade de inclusão dos alunos Surdos nas escolas. Desde os anos 90, nas escolas que possuíam departamentos de Educação Especial, os alunos Surdos enfrentavam dificuldades para adquirir conhecimentos sociais e científicos dentro da sala de aula. Muitos não sabiam utilizar a LGP, o que levou à procura por modelos Surdos que pudessem “traduzir” a Língua Portuguesa (LP) para LGP. Aos poucos, conseguiram contratar monitores Surdos através de recibos verdes. Os monitores Surdos, com habilitação própria, geralmente provinham de associações de Surdos e eram formados e certificados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). As principais instituições associativas, como a Associação Portuguesa de Surdos, em Lisboa, e a Associação de Surdos do Porto, ofereciam cursos profissionais pós-laborais para adultos Surdos. O objetivo desses cursos era capacitar os Surdos para que pudessem ensinar LGP a pessoas ouvintes interessadas em aprender a comunicar-se em LGP. Além disso, essas iniciativas não só promoveram a inclusão dos alunos Surdos no ambiente escolar, mas também fortaleceram a comunidade Surda, criando oportunidades de emprego e valorizando a cultura Surda. A formação contínua e a contratação de monitores Surdos contribuíram significativamente para a melhoria da qualidade de ensino e para a integração dos alunos Surdos na sociedade. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/20250307-formacao-formadores2.webp "20250307-formacao-formadores2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Dificuldades e Desafios da Profissão de Monitor Surdo Nessa época, poucos monitores conseguiam ter emprego temporário, com poucas horas por semana, e mais acompanhamento com professores ouvintes na mesma sala de aula com alunos Surdos. Não existiam aulas próprias de LGP. Do ponto de vista dos professores ouvintes, se os alunos conseguissem falar bem oralmente, não era necessário adquirir a LGP como língua. Aqueles que tinham dificuldades “cognitivas ou de linguagem” podiam ficar com monitores Surdos, como apoio individual ou em grupo. Os monitores começaram a destacar-se pelo empenho no trabalho e pelos resultados positivos que os alunos Surdos apresentavam nas suas aprendizagens. A promulgação da LGP na Constituição da República Portuguesa em 1997 foi um marco importante, pois reconheceu a LGP como língua materna e garantiu o acesso à educação em LGP para todos os alunos Surdos. Isso impulsionou a procura por professores qualificados e levou à criação de mais cursos e programas de formação. A partir de 1999, as escolas com alunos Surdos começaram a ter necessidade de contratar mais monitores. Como não tinham poderes políticos, solicitaram às Direções Regionais (de Lisboa e do Norte) mais contratações de formadores. Assim, começaram a abrir concursos públicos. Nas colocações de monitores nas escolas, estes eram considerados formadores por possuírem certificado profissional do IEFP, continuavam a trabalhar em pouco tempo com alunos Surdos – 15 a 20 horas por semana, e não participavam nas reuniões de cada período, nem davam avaliação qualitativa e quantitativa. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/20250307-afomos-e1741202776228.webp "20250307-afomos - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## A Luta pelo Reconhecimento e a Criação da AFOMOS Em algumas escolas, iniciaram turmas-piloto com crianças para que os formadores pudessem dar aulas de LGP como língua materna aos alunos Surdos e como língua estrangeira aos alunos ouvintes, o que foi considerado um sucesso. Estes formadores, que se empenhavam na sua profissão tal como os professores de outras disciplinas, eram tratados de forma precária, com poucas horas por semana, e não tinham o devido reconhecimento profissional. Não se sentiam com os mesmos direitos que os professores de outras disciplinas. Durante muitos anos, os concursos iniciavam-se sempre com atraso, em comparação com os concursos de professores de outras disciplinas. Com este atraso, os alunos Surdos frequentavam a escola sem aulas de LGP como língua materna. Só em meados ou no final do primeiro período de cada ano letivo é que a maioria dos formadores de LGP começava a executar as suas tarefas como profissionais educativos. Por causa desta precariedade, em 2002, foi criada uma associação que defende a profissão de monitores e formadores surdos, no Porto, intitulada de [Associação de Formadores e Monitores Surdos (AFOMOS)](https://www.facebook.com/afomos.lingua.gestual/), com o objetivo de lutar e exigir os mesmos direitos que os dos professores. Nas escolas, os formadores contratados através de concursos foram considerados técnicos especializados: já não passavam recibo verde, e tinham 30 horas letivas e 5 horas não letivas, incluindo reuniões e projetos. ### A Criação da Licenciatura e o Impacto no Reconhecimento Profissional A licenciatura em LGP para professores iniciou-se no ano letivo de 2005/2006 na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC). Esta foi a primeira licenciatura do país voltada para a formação de docentes bilíngues para o ensino de LGP. Anos mais tarde, os formadores certificados pelo IEFP começaram a sentir-se prejudicados por não terem licenciatura e sentiram-se obrigados a frequentar e concluir um curso superior para não perderem o emprego. Alguns desistiram de trabalhar nas escolas e mantiveram-se a dar aulas a ouvintes nas associações e nos centros de formação. Após a conclusão da licenciatura de LGP, muitos continuaram a trabalhar nas escolas com precariedade, com horas exaustivas, ainda vistos como técnicos especializados, do ponto de vista do Ministério da Educação. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/03/20250307-grupo360.webp "20250307-grupo360 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## A Criação do Grupo de Recrutamento 360 (GR360) Com reclamações dos professores de LGP à AFOMOS, por se equipararem a técnicos especializados, a direção liderada por Alexandra Perry, como presidente, decidiu ir à luta e pôr em prática os direitos destes, à semelhança dos professores de outras disciplinas. Com a ajuda da [Federação Nacional de Professores (FENPROF)](https://www.fenprof.pt/), criou-se uma petição online que atingiu mais de 7 mil assinaturas, e entregaram-na à Assembleia da República. Antes da criação do Grupo de Recrutamento, foram realizadas várias reuniões com diversos partidos políticos e duas audiências de comissões parlamentares da Educação. Depois foi criado o Grupo de Recrutamento 360 para professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP), oficialmente pelo [Decreto-Lei n.º 16/2018](https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/16-2018-114825662), de **7 de março**. Este grupo foi estabelecido para formalizar e regulamentar a contratação de docentes especializados em LGP, garantindo assim uma melhor estruturação e reconhecimento profissional para estes professores. Para os formadores e, mais tarde, como técnicos especializados com licenciatura em LGP, após anos de precariedade, a criação do GR 360, com a LGP como disciplina, foi uma vitória para a AFOMOS e para a Comunidade Surda, nomeadamente no meio educativo. Este marco histórico não só melhorou as condições de trabalho dos professores de LGP, mas também contribuiu para a valorização da LGP e para a inclusão dos alunos Surdos no sistema educativo. Todos os anos, comemora-se no dia **7 de março** o **Dia Nacional do Professor de LGP**. **Categorias:** Educação, História, Política e Direitos --- ### [Audismo: O Preconceito Silencioso Contra as Pessoas Surdas](https://apsurdos.org.pt/audismo-o-preconceito-silencioso-contra-as-pessoas-surdas/) **Published:** Fevereiro 7, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** O audismo é um preconceito pouco conhecido, mas profundamente enraizado na sociedade. Os ouvintes sequer sabem o que é, e os surdos apenas o sentem. **Content:** O audismo é um preconceito pouco conhecido, mas profundamente enraizado na sociedade. Os ouvintes sequer sabem o que é, e os surdos apenas o sentem. [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-db37a40) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Este conceito é a **crença de que a audição e a oralidade são superiores à surdez e à língua gestual**. Novo no vocabulário comum da sociedade, mas antigo no seu quotidiano, o audismo é o nosso maior obstáculo. O termo foi cunhado pelo investigador surdo [Tom L. Humphries](https://communication.ucsd.edu/people/faculty-emeriti/humphries-tom.html "Tom Humphries"), e perpetuado por [Harlan L. Lane](https://en.wikipedia.org/wiki/Harlan_Lane) na sua obra “A Máscara da Benevolência: A Comunidade Surda Amordaçada” (originalmente publicado em 1992). > "\[O audismo manifesta-se\] na forma de pessoas que julgam continuamente a inteligência e o sucesso das pessoas surdas com base na sua capacidade na língua da cultura ouvinte." > > Humphries, Tom L. (1977). Communicating across cultures (deaf - hearing) and language learning. Ohio: Union Institute and University Originalmente, o audismo de Humphries aplicava-se às atitudes e práticas individuais, mas Harlan Lane ampliou o seu sentido para indicar a **dominância ouvinte perante uma comunidade inteira**. Dessa forma, contribuiu-se para a ideia que o audismo era institucional e revelaram-se estruturas de pensamento e crenças que anteriormente estavam invisíveis. Detectar a opressão institucional é bastante difícil, pois muitas vezes disfarça-se como práticas do senso comum, e a hegemonia da audição como norma tem raízes na identidade humana. ![Audismo - Moeda de Aristóteles no meio de moedas europeias](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-audismo-aristoteles.webp "202502-audismo-aristoteles - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O audismo de Aristóteles ainda existe nos dias de hoje A ideia da incapacidade de pensamento dos surdos, simplesmente porque não oralizavam, já vem de Aristóteles. Afirmava ele que: "aqueles que nascem surdos tornam-se incapazes de compreender e de raciocinar". O filósofo acreditava que **“de todas as sensações, \[foi\] a audição que contribuiu mais para a inteligência e o conhecimento”**. Esta noção é profundamente audista, e inferioriza completamente qualquer pessoa surda. Hoje em dia, a linguística já provou há mais de 60 anos que **uma língua gestual consegue ser tão complexa como uma língua oral**. A neurolinguística já veio provar, também, que **o ser humano consegue comunicar pela via oral, escrita ou gestual de forma igual**. Assim, a via oral não detém o monopólio da língua. Se alguém afirmasse que esta filosofia de Aristóteles seria extremista nos dias de hoje, não pareceria ridículo… afinal, certamente ninguém pensa que os surdos não têm capacidade para pensar sequer! Mas será mesmo assim tão descabido? Vejamos outra afirmação dele: "O ser humano só pode ser instruído através da audição ". Ainda no presente continuamos a lutar contra as pretensões oralistas nas políticas educativas. Em pleno 2025, temos professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP) insatisfeitos com a primazia ao oralismo por parte das escolas. A LGP ainda está, aos olhos da sociedade, reduzida ao nível de “linguagem gestual”. Quantas vezes vemos e lemos esta expressão? Pergunte-se, por que é que não é uma língua, mas sim uma linguagem. Muitas das vontades de aprender LGP são, no fundo, para “ajudar os surdos”, é isso que inúmeras pessoas transmitem, diretamente, à Comunidade Surda. E a ideia de que a LGP é mais uma língua e que aprendê-la é adquirir novos conhecimentos? Não aprendemos inglês para ajudar ingleses, alemão para ajudar alemães, grego para ajudar gregos. ![Audismo - Pintura de Nancy Rourke sobre o Congresso de Milão de 1880](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-audismo-congresso-milao-1880-2.webp "202502-audismo-congresso-milao-1880-2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Pintura de [Nancy Rourke](https://www.nancyrourke.com/milan1880onthetable.htm) ## O Congresso de Milão como maior símbolo do preconceito O **Congresso de Milão de 1880** foi decisivo na educação de surdos, onde especialistas ouvintes impuseram o oralismo e **proibiram a língua gestual nas escolas**. Acreditavam que os surdos só se integrariam se aprendessem a falar e ler nos lábios. Esta decisão prejudicou gerações de crianças surdas, limitando o acesso à educação e reforçando o audismo institucional, cujas consequências persistem hoje. No fundo da pintura de Nancy Rourke, vemos uma referência de [Robert P. McGregor](https://usdeafhistory.com/wp-content/uploads/2013/12/mcgregor-robert-bio1.pdf "Robert P. McGregor"), educador surdo e primeiro Presidente da *National Association of the Deaf*. Eis a referência: > "Que crime hediondo cometeram os surdos para que a sua língua deva ser proibida?… Por quem, então, são os gestos proibidos? Pelos… educadores de surdos, cujo orgulho é não compreender gestos e não querer compreendê-los… pelos pais que não entendem as condições necessárias para a felicidade dos seus filhos surdos… Alegando não ter outro objetivo senão o bem-estar dos surdos, \[os educadores\] demonstram um total desprezo pelas opiniões, desejos e vontades dos próprios surdos. E porque não deveríamos ser consultados numa questão de interesse tão vital para nós? Esta é uma pergunta à qual nenhum homem deu ainda uma resposta satisfatória." A citação é de 1880. Assim, vamos ver como é em 2025, isto é, passados 145 anos depois. Educadores que não percebem língua gestual, não querem perceber, e dão primazia ao oralismo? Temos muitos nas escolas. Pais que não aprendem língua gestual? São eles a maioria, sendo os pais que aprendem uma raridade. Opiniões, desejos e vontades dos próprios surdos ignoradas por educadores (e legisladores)? Atualmente, o [Decreto-Lei n.º 54/2018](https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/54-2018-115652961), que regula a educação inclusiva, não teve em consideração o que a Comunidade Surda pensa do mesmo… o anterior [Decreto-Lei n.º 3/2008](https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/3-2008-386871) estava muito mais bem-desenhado, pois teve a consulta das instituições representativas da comunidade. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-audismo-raizes-sistema.webp "202502-audismo-raizes-sistema - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## As raízes do audismo no sistema são profundas O **audismo passivo** é uma forma subtil, mas profundamente enraizada, de discriminação contra as pessoas surdas. Ao contrário do audismo ativo, **não há uma intenção direta de excluir**. No entanto, as normas e estruturas da sociedade favorecem as pessoas ouvintes, ignorando assim o impacto negativo na Comunidade Surda. Dessa forma, este tipo de audismo surge porque falta acessibilidade e desrespeitam a Língua Gestual Portuguesa. Além disso, impõem soluções auditivas e orais como únicas opções. Frequentemente, os serviços públicos não garantem um atendimento acessível e assim, reforçam a marginalização. A falta de reconhecimento da identidade surda mantém estas barreiras e, em vez de promoverem soluções eficazes, perpetuam desigualdades. A seguir, analisamos exemplos claros de audismo passivo em vários sistemas. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-audismo-saude.webp "202502-audismo-saude - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Saúde No sistema de saúde, a ausência de intérpretes nas consultas médicas providas pelo Estado continua a ser um dos maiores problemas da Comunidade Surda. Embora o SNS24 em Língua Gestual exista, a sua qualidade decaiu drasticamente desde que a gestão foi transferida da Federação Portuguesa das Associações de Surdos para uma empresa privada sem conhecimento da realidade surda. Como resultado, **os nossos sócios evitam utilizar o serviço** e acabam por recorrer aos nossos intérpretes, o que demonstra a ineficácia do atual modelo. Além disso, **acessibilidade parece ser uma preocupação secundária**, e os apelos constantes para melhorar a situação têm sido amplamente ignorados. O MAI112, um sistema de emergências em videochamada em LGP, foi uma grande conquista… mas **morreu devido a questões burocráticas**. Desde então, o Estado nunca mais se responsabilizou por resolver este problema, tornando-o uma prioridade esquecida. Agora, **imagine o que é depender sempre de pessoas próximas ou vizinhos para ligar ao 112**, simplesmente porque não há acessibilidade para si, e quem pode resolver o problema opta por não o fazer. Pior ainda, imagine-se numa situação de emergência, sem capacidade de pedir ajuda, e, acima de tudo, impossibilitado de contactar o 112 sozinho. Por fim, quando nasce uma criança surda, a primeira notícia é quase sempre dada por um médico a pais ouvintes que desconhecem a Comunidade Surda e a língua gestual. O choque inicial dos pais é seguido pela apresentação de terapias auditivas e de fala com a garantia que a criança pode ter uma vida normal. Até aqui, parece sensato. **O problema surge quando a LGP é intencionalmente omitida**, baseada na crença errada de que prejudicará o desenvolvimento auditivo e oral. Os pais têm o direito de receber toda a informação, mas raramente recebem esta informação de um médico, sendo obrigados a procurá-la por outras vias. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-audismo-emprego.webp "202502-audismo-emprego - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Emprego Muitas empresas não contratam surdos, não por discriminação consciente, mas sim por desconhecimento ou receio de dificuldades de comunicação. Consequentemente, isso impede oportunidades iguais e perpetua a exclusão. Além disso, as entrevistas de emprego raramente são adaptadas. A ausência de intérpretes de Língua Gestual ou métodos acessíveis **obriga os candidatos surdos a esforçarem-se mais para demonstrar as suas competências**. Como resultado, muitos ficam fora do processo seletivo, não porque lhes falte capacidade, mas sim pela ausência de condições justas. Mesmo quando contratados, os desafios continuam. Por exemplo, poucas empresas oferecem formações ou reuniões de trabalho acessíveis, o que limita a progressão na carreira. Além disso, ambientes de trabalho pouco inclusivos criam barreiras à comunicação entre colegas, dificultando a integração. Por essa razão, **muitos surdos ainda vivem do salário mínimo, sem condições para progredirem**. A tecnologia também reflete este problema. De facto, muitas ferramentas corporativas dependem excessivamente do áudio, sem alternativas visuais. Por exemplo, reuniões virtuais raramente contam com interpretação ou legendagem em tempo real. Dessa forma, a falta de preocupação com estas questões mantém as pessoas surdas em desvantagem, **tornando difícil competir em igualdade de condições**. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/02/202502-audismo-educacao.webp "202502-audismo-educacao - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Educação Para além do que já foi exposto acima, reforça-se que muitas escolas continuam a privilegiar métodos orais, forçando crianças surdas a depender da leitura labial ou da oralização. Nesse sentido, **colocam-se as crianças surdas com implante coclear (a maioria) em turmas de ouvintes sem qualquer adaptação, porque acredita-se que já estão “feitas”**. Ignora-se que isso é um mito. Na realidade, uma criança com implante coclear continuará a precisar de adaptações, porque ouvir e falar exigem sempre um esforço não natural, repito, não natural. Por outro lado, as crianças surdas que não usam tecnologia para ouvir são colocadas em turmas extremamente diversas. Frequentemente, partilham a sala com imigrantes que não falam português, crianças com outras deficiências ou surdos de diferentes idades e anos escolares. Obviamente, o problema nunca está nas crianças, mas sim na falta de estrutura. Dessa forma, como esperam que os docentes lidem com tantas adaptações individualizadas? Além disso, a situação piora quando **muitos professores não sabem LGP, tornando a comunicação uma barreira diária**. Assim, a aprendizagem torna-se inconsistente, prejudicando o desenvolvimento destas crianças. A acessibilidade no ensino superior é mínima. Como consequência, as universidades, tendo autonomia, decidem se investem na inclusão de intérpretes de LGP, mas poucas o fazem. Muitas vezes, recusam este custo, argumentando que um só aluno surdo não justifica um investimento de 20 a 30 mil euros anuais. No entanto, os seus orçamentos chegam a milhões. Dessa forma, o sistema continua a funcionar como sempre: **através de números**. A prioridade não é a acessibilidade, mas sim a gestão financeira. ## A conclusão do artigo sobre o audismo Não se fala mais, porque depois nunca mais se terminará. Se verificarmos até onde as raízes vão, corremos o risco de entrar numa viagem interminável. Muito ainda tem de ser feito e poderá ser feito. Eis uma última questão para si: **não acha que seria mais fácil que todos os surdos ouvissem e falassem?** Isto resolveria todos os problemas, certo? Talvez… mas com essa solução, também desapareceriam mais de [300 línguas gestuais diferentes, utilizadas por mais de 72 milhões de pessoas surdas no mundo](https://education.nationalgeographic.org/resource/sign-language/). A língua gestual é um produto da humanidade, e a cultura nasce a partir da língua. **Em Portugal, cerca de 30.000 pessoas surdas utilizam a LGP, formando uma comunidade rica em cultura e arte.** Existem comunidades locais, regionais e dialetos da LGP. Atletas surdos participam nos Surdolímpicos (mais antigos que os Paralímpicos). Temos o Clin d’Oeil (equivalente ao Festival de Cannes), a União Europeia de Surdos e muitas outras iniciativas, todas com um denominador comum: comunicamos com as mãos e o corpo. **Há um mundo desconhecido para a sociedade.** Repete-se a pergunta: não seria mais fácil um mundo sem surdos? A luta contra o audismo está ao alcance de todos nós, incluindo pessoas ouvintes, e **começa por primeiro olharmos para nós próprios e refletirmos qual o nosso papel num preconceito bastante enraizado no sistema**. Por fim, um bónus para finalizar o artigo: há décadas que a Comunidade Surda tenta sensibilizar o Instituto Nacional de Estatística para incluir a pergunta: **“tem conhecimentos de Língua Gestual Portuguesa?”**. No entanto, estas pretensões são sempre recusadas, pois consideram suficiente perguntar **“tem dificuldades auditivas?”**… sim, dificuldades, com foco apenas na audição. Por esta razão, sugerimos a leitura de um [artigo](/kpis-pela-inclusao-e-representatividade-na-comunidade-surda/) dedicado a estatísticas e dados da autoria da [Dr.ª Mariana Bártolo](/author/marianabartolo/), médica surda e com a LGP como língua nativa. **Categorias:** Política e Direitos --- ### [Entre Vozes e Silêncio](https://apsurdos.org.pt/entre-vozes-e-silencio/) **Published:** Janeiro 17, 2025 **Author:** Catarina Dias **Excerpt:** Catarina Dias reflete sobre ser filha de mãe surda, os desafios de comunicação familiar e a importância da Língua Gestual na inclusão. **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-02154c5) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. *Este artigo foi escrito por Catarina Dias e adaptado para Língua Gestual Portuguesa por Mariana Bártolo.* ## Encontrar uma identidade entre dois mundos Não fazia ideia do que era ser CODA até ao dia em que vi o filme *“[CODA – No Ritmo do Coração](https://www.imdb.com/title/tt10366460/)”*. Foi como encontrar uma palavra que explicava algo que sempre fez parte da minha vida, mas que eu nunca soube descrever. **CODA significa Child of Deaf Adult (Filho/a de Adultos Surdos)**, e foi nessa altura que percebi: ### Ah, então sou uma CODA ! Faço parte de um grupo especial de pessoas que vivem entre dois mundos – o mundo dos ouvintes e o mundo das pessoas surdas. No entanto, a minha história é bem diferente daquela da personagem do filme. Na minha família, todos são ouvintes, excepto a minha mãe. **E a história da minha mãe é única… como todas as histórias são.** ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/1-202501-Entre-Vozes-e-Silencio-1024x576.webp "2025.01 - Entre Vozes e Silêncio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Imagem cedida por Catarina Dias. ## A minha Mãe Ela não nasceu surda. Foi um acidente, quando tinha apenas 13 anos, que a deixou surda de um ouvido e com pouquíssima audição no outro. Para ouvir, a minha mãe usa um aparelho auditivo. De um ponto de vista médico, ela é surda, mas, se lhe perguntarem, ela responde com aquele jeitinho dela: “Não sou surda, só não ouço sem o aparelho”, como quem diz: “Ora essa, que pergunta tão estranha!” A minha mãe é uma mulher determinada e independente, que sempre encontrou formas de lidar com a sua perda auditiva de uma maneira aparentemente leve, mas isso nunca escondeu os desafios reais que enfrentou. Esta distinção que ela faz entre ser “surda” e “não ouvir” é algo que me ajudou a perceber que a surdez não é algo assim tão simples de definir. **A surdez é um espectro.** Nem todas as pessoas surdas têm uma perda auditiva profunda, e nem todas se identificam como pessoas com deficiência. Há quem se identifique como “Surdo” com “S” grande, afirmando a sua identidade cultural e linguística ligada à Língua Gestual e à comunidade Surda. Outros, como a minha mãe, preferem ver-se de forma diferente, talvez mais como “ouvintes interrompidos”. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Entre-Vozes-Silencio-mae-e-eu-768x549.webp "202501-Entre-Vozes-Silencio-mae-e-eu - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia cedida por Catarina Dias. ## Crescer como CODA Nasci nos anos 80 e cresci nos anos 90, ou seja… estou nos meus vinte e poucos (mais coisa, menos coisa, mas isso não interessa agora). **Crescer como CODA é viver numa ponte constante entre dois mundos.** Em casa, ajustamos a nossa comunicação às necessidades da minha mãe. Usávamos de tudo um pouco: palavras ditas, mímica, gestos que inventámos, leitura labial. Curiosamente, a Língua Gestual Portuguesa (LGP) não foi a minha primeira língua, nem foi parte do meu dia a dia enquanto crescia. Nem todos os CODAs crescem com a língua gestual como primeira língua, assim como nem todos os surdos a utilizam. A minha mãe nunca aprendeu LGP devido ao contexto da época, daí a nossa comunicação em família ser sempre uma adaptação criativa de recursos. A história da minha mãe é marcada pelo facto de nunca ter aprendido Língua Gestual Portuguesa (LGP). Quando perdeu a audição, já tinha 13 anos, frequentava a escola, falava fluentemente e, naquela época, o uso da língua gestual era desencorajado – **ou pior, proibido!** As escolas adoptavam práticas severas para impedir os alunos surdos de gestuarem. Acreditam que até as mãos lhes atavam para que não usassem gestos?! Parece inacreditável, não é? Sinto uma profunda fúria quando penso neste tempo da educação. Este contexto histórico influenciou profundamente a vida da minha mãe e de muitas outras pessoas surdas da sua geração. Assim, ela aprendeu a ler os lábios como principal forma de comunicação. Recentemente, li o artigo “[À Margem da Mesa: a Experiência da Síndrome da Mesa de Jantar](/a-margem-da-mesa-a-experiencia-da-sindrome-da-mesa-de-jantar/)“, da [Dr.ª Mariana Bártolo](/author/marianabartolo/), e senti uma necessidade quase urgente de traduzir os meus pensamentos em palavras. Isto é-me tão próximo! Foram tantas as vezes que vi a Síndrome da Mesa de Jantar acontecer na minha casa. O famoso “depois explico” à mesa, que quase nunca chegava. Desde muito nova, lembro-me de servir como “tradutora” da minha mãe, porque ela, cansada de esperar por uma explicação que não vinha, me perguntava: “O que foi que disseram?” Muitas vezes, repetia piadas que nem entendia… ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/2-202501-Entre-Vozes-e-Silencio.webp "2 202501 - Entre Vozes e Silêncio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Fotografia cedida por Catarina Dias. ## Construir pontes entre dois mundos Recentemente, a nossa família descobriu que a minha priminha de dois anos é surda. Comecei a aprender Língua Gestual Portuguesa (LGP) para que ela pudesse crescer sentindo-se plenamente incluída na nossa comunicação familiar. Queria muito motivar toda a família a aprender LGP, porque acredito que não podemos deixar o peso da comunicação só nos ombros dela e porque não quero que essa síndrome da mesa de jantar aconteça com a minha priminha. Infelizmente, ainda não consegui alcançar esse objetivo, e por isso decidi ecoar e tentar projetar a voz da comunidade surda, porque quanto mais formos, mais longe as nossas vozes ecoam (ou assim espero). Olhando para trás e pensando em tudo o que aprendi como CODA, acho que me deu uma perspetiva única sobre a surdez e ensinou-me que ela não é uma limitação, mas sim uma forma diferente de experimentar o mundo. Também me mostrou que a sociedade tem muito a aprender sobre acessibilidade e inclusão. Os desafios da minha mãe poderiam ter sido muito menores se houvesse mais empatia e adaptação às necessidades de cada um. Moro fora de Portugal, e decidi também aprender a Língua Gestual local. Estou a aprender, também, porque sou educadora e porque, se existirem crianças surdas na minha sala, quero que se sintam igualmente incluídas e parte da comunicação da turma. Felizmente,trabalho numa escola que apoia a inclusão e que, inclusive, me ajudou a encontrar recursos para aprender a Língua Gestual local. Aprender estas línguas gestuais tem sido transformador. Ser CODA é viver entre dois mundos, e agora sinto que estou a construir pontes entre eles… e, honestamente, acho que essa é uma das coisas mais bonitas da minha história. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/3-202501-Entre-Vozes-e-Silencio-768x768.webp "3 202501 - Entre Vozes e Silêncio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Foto cedida por Catarina Dias. **Categorias:** Opinião --- ### [Ser Intérprete de Língua Gestual Portuguesa: Passado, Presente e Futuro](https://apsurdos.org.pt/ser-interprete-de-lingua-gestual-portuguesa-passado-presente-e-futuro/) **Published:** Janeiro 24, 2025 **Author:** Cidália Jesus **Excerpt:** Na narrativa envolvente de Cidália Jesus, reflete-se sobre a história, os desafios e o futuro do Intérprete de LGP (iLGP) e o impacto dos CODA na profissão. **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-42fde3e) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. ## 22 de Janeiro: Dia Nacional do Intérprete de Língua Gestual Portuguesa O **Dia Nacional do Intérprete de Língua Gestual Portuguesa (iLGP)** não é apenas uma data simbólica no calendário – é um marco na história da **Comunidade Surda** e na luta pelo reconhecimento da profissão de intérprete. A sua origem remonta a 1991, quando um grupo de pioneiros da interpretação, na sua maioria **Filhos de Pais Surdos (CODA – *Children of Deaf Adults*)**, que durante anos desempenharam a função sem qualquer reconhecimento profissional, decidiu unir esforços e fundar a **Associação de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa (AILGP)**. O principal objetivo era garantir o **reconhecimento da profissão**, destacando o papel essencial do iLGP como elemento facilitador na comunicação entre as comunidades surda e ouvinte e defender os interesses da classe profissional. ![AILGP - Logótipo](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-AILGP.jpg "202501 - AILGP - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A AILGP teve um papel fundamental em momentos decisivos, como a **elaboração do primeiro Código de Ética e Deontológico do iLGP** e a sua integração na **Comissão para o Reconhecimento e Proteção da Língua Gestual Portuguesa (CPRPLGP)**, criada em 1995. A principal conquista concretizou-se em 1997, quando a **Língua Gestual Portuguesa (LGP) foi reconhecida na 4.ª Revisão Constitucional da Constituição da República Portuguesa (CRP)**. Graças ao incansável trabalho da CPRPLGP, este reconhecimento abriu portas para a regulamentação da profissão, consolidada em 1999 com a **[Lei 89/99](https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/89-1999-373656)**, que definiu as condições de acesso e exercício da atividade de intérprete de LGP. No entanto, apesar da sua importância histórica, a AILGP enfrentou desafios que culminaram na sua extinção. Problemas financeiros, escassez de recursos humanos e as próprias mudanças na profissão levaram à fragmentação da base associativa. Atualmente, existem duas associações de iLGP que dão continuidade ao trabalho de representação e defesa dos profissionais: - **[Associação de Tradutores e Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa](https://atilgp.pt/) (ATILGP)** – fundada em 2007 - **[Associação Nacional e Profissional de Interpretação – Língua Gestual](https://www.anapilg.pt/) (ANAPI-LG)** – fundada em 2011 Após esta breve contextualização histórica sobre o Dia Nacional do Intérprete de Língua Gestual Portuguesa, partilharei neste artigo algumas reflexões, sob um olhar muito pessoal, sobre **Ser Intérprete de Língua Gestual Portuguesa** **no presente**, estabelecendo ligações entre o **passado, presente e futuro**, com base na minha história de vida e na forma como ela influencia ### o meu modo de estar, sentir e ser intérprete de LGP. ## A minha história e o meu percurso O meu nome é **Cidália Correia Jesus** / Nome gestual (NG) **\[*Cowboy* / *Cowboy Intérprete* / *Cowboy Filha*\]** e sou intérprete de LGP há um pouco mais de 30 anos. O meu NG reporta-me ao meu pai e ao seu NG. Vários Filhos de Pais Surdos / CODA de gerações mais antigas adquirem o NG dos seus pais, ou seja, **\[*Cowboy Filha*\]**, que significa “a filha de”. O meu pai, **NG \[*Cowboy*\]**, a quem os seus pais, os meus avós, vestiam de cowboy para evitar birras ao ser deixado na escola interna, onde ficava durante a semana e regressava a casa apenas ao fim-de-semana e nas férias, e era apaixonado por filmes de cowboys. Foi essa paixão que lhe atribuiu este nome gestual, que o acompanhou para sempre. ![Rapaz vestido de Cowboy, foto em sépia.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Dia-ILGP-Cowboy.webp "202501 - Dia ILGP - Cowboy - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") José Correia, pai da Cidália, vestido de cowboy, o que lhe atribuiu o seu nome gestual \[Cowboy\]. Foto cedida por Cidália Jesus. Sou **Filha de Pais Surdos / CODA (Children of Deaf Adults)**. Na verdade, não só os meus pais são surdos, mas também os meus avós e tios-avós paternos, formando um núcleo familiar próximo e muito presente na minha infância. Do lado materno, também tenho tios e tias surdos e, como no meu caso, primos ouvintes. Cresci num ambiente **bilingue e bicultural**, onde a Língua Gestual Portuguesa era e é a língua natural da família. A minha ligação à **Comunidade Surda** começou desde cedo. O meu tio-avô **NG \[*168*\]**, um dos fundadores da **Associação Cultural de Surdos da Amadora (ACSA)**, levava a família para as atividades da associação, onde eu também participava. (É interessante notar que, na época do meu avô **NG \[*117*\]** e do meu tio-avô **NG \[*168*\]**, os nomes gestuais atribuídos aos alunos surdos, apenas rapazes, da **Casa Pia** correspondiam aos seus números de aluno, uma prática comum naquela instituição). O meu pai, **NG \[*Cowboy*\]**, foi sócio da **Associação Portuguesa de Surdos (APS)** desde a juventude. Casapiano, filho e sobrinho de surdos casapianos, aprendeu língua gestual com os seus pais e tios surdos, apesar de ter sido criado nos primeiros anos pelos seus avós ouvintes. Apaixonado por desporto, foi **futebolista surdo**, mais tarde responsável pela **secção desportiva da APS**, e ainda presidente da direção da **Associação de Surdos do Concelho de Almada (ASCA)**, cuja sede, durante muito tempo, foi a nossa casa. Na **ASCA**, tudo acontecia dentro de casa – as reuniões, os telefonemas, a escrita e envio de cartas e faxes. Muitas dessas tarefas eram feitas com a minha ajuda. Eu redigia cartas, fazia chamadas, ajudava a organizar eventos e, **sem me aperceber, estava já a interpretar.** ![Três homens a conviver.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Dia-ILGP-ASCA-em-casa-768x514.webp "202501 - Dia ILGP - ASCA em casa - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Reunião da Associação de Surdos do Concelho de Almada (ASCA), com sede na casa da família Correia. José Correia, NG \[Cowboy\], à direita, nessa altura Presidente da ASCA. Foto cedida por Cidália Jesus. Apesar de ter primos CODA, foi no contacto com **outros filhos de pais surdos**, alguns mais velhos, que comecei a reconhecer traços comuns entre nós – as brincadeiras, o tipo de conversas, a linguagem utilizada, as histórias e as peripécias vividas com os pais surdos. Detalhes que, por algum motivo, nunca tinha identificado nos meus primos. A identidade de um **Filho de Pais Surdos / CODA** é fluida e molda-se ao longo da vida. O facto de eu e os meus primos termos idades diferentes, interesses diferentes, amigos diferentes, experiências diferentes e dinâmicas familiares diferentes influenciou a forma como nos identificamos como CODAs. A interpretação começou de forma natural – em casa, na escola, no médico, nas associações. Foi ao ver **uma prima mais velha** a trabalhar como intérprete remunerada que me apercebi de que já desempenhava um papel profissional. A **primeira geração de intérpretes CODA** transmitiu à minha geração a energia e a vontade de **profissionalizar a interpretação em LGP** e lutar pelo seu reconhecimento. Em **1994**, registei-me como profissional liberal e comecei a trabalhar como intérprete, mesmo sem formação específica. Só mais tarde, em 1998, é que obtive formação formal, ao concluir o **Curso de Reciclagem para Intérpretes de LGP**, promovido pela APS e pelo **Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)**. Ao longo dos anos, trabalhei em várias áreas: **associativo, desportivo, jurídico, familiar, de saúde, académico, religioso, televisivo e político**. ![ILGP I Congresso Nacional da Juventude Surda](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Cidalia-CJS-2.webp "202501 - Cidália - CJS 2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A interpretar o I Congresso Nacional da Juventude Surda, em 1999. Foto cedida pela Cidália Jesus. Em 2001, aceitei um convite para trabalhar na **Associação de Surdos da Ilha de São Miguel (ASISM), nos Açores**. Na altura, a falta de iLGP na região criava enormes barreiras para a Comunidade Surda, o que resultou numa ligação imediata entre mim e aqueles que vieram a tornar-se não só beneficiários do meu trabalho, mas também grandes amigos. O que deveria ser uma experiência temporária, de um ano, acabou por se transformar numa vivência de **15 anos (2001-2016)**. Foi nesse período que assisti a duas conquistas importantes: - **A introdução da interpretação em LGP nos noticiários da RTP Açores**, garantindo acesso à informação televisiva à comunidade surda da região. - **A entrada de intérprete em contexto escolar**, no acompanhamento de alunos surdos, o que mais tarde abriu portas para a realização de concursos públicos para contratação de iLGP na área da educação. O trabalho desenvolvido nos Açores foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes da minha carreira, não só pela transformação que ajudou a impulsionar, mas pela relação de proximidade e confiança que se criou com a Comunidade Surda açoriana. ![Comunidade Surda açoriana com t-shirts azuis em comemorações do Dia Mundial do Surdo.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Acores-Cidalia.jpg "202501 - Açores Cidália - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Comunidade Surda Açoriana em comemorações do Dia Nacional e Mundial do Surdo, com a Cidália à direita. Ema Gonçalves, Presidente da Associação de Surdos da Ilha de São Miguel (ASISM), sentada no degrau, à direita. Foto cedida por Cidália Jesus. Em 2016, regressei ao Continente por motivos de saúde familiar, o que me levou a dedicar-me temporariamente ao trabalho como **freelancer**. No entanto, trazia comigo um novo objetivo prioritário: **obter formação académica**. Sentia que, apesar da minha experiência, a formação era essencial para consolidar conhecimentos e acompanhar a evolução da profissão. Assim, nesse mesmo ano, ingressei na licenciatura em **Tradução e Interpretação de LGP** na **Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE)**, que concluí em 2019. Atualmente, sou intérprete e funcionária da **Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS)**, algo que considero uma honra, pois mantém-me diretamente inserida no movimento associativo surdo, mesmo que numa estrutura de características mais institucionais. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Concentracao-768x512.webp "202501 - Concentracao - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A interpretar o Pedro Costa, Presidente da Federação Portuguesa das Associações de Surdos, numa entrevista para a SIC, na Concentração Nacional pela Acessibilidade, no dia 15 de novembro de 2024. Foto de Ângelo Bártolo \| Signomy. ## Um breve olhar pelo Passado, Presente e Futuro A evolução do perfil dos Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa (LGP), com a crescente predominância de diplomados do ensino superior, trouxe desafios à identidade profissional, à qualidade e ao futuro da interpretação em Portugal. Os **Intérpretes CODA**, pioneiros na área, desempenharam um papel essencial na profissionalização da interpretação, graças à sua experiência de vida e profundo conhecimento da cultura surda, o que lhes conferia uma credibilidade especial junto da comunidade. No entanto, o número de CODA na profissão tem vindo a diminuir, resultando num distanciamento progressivo entre os intérpretes e a Comunidade Surda, com impacto na qualidade da interpretação. Por outro lado, os **Intérpretes Formais**, reflexo da expansão da profissão, surgiram com a criação de cursos de interpretação de LGP no ensino superior, democratizando o acesso à profissão e garantindo uma formação teórica e prática mais estruturada. Apesar disso, a falta de contacto direto com a comunidade surda pode limitar a compreensão de nuances linguísticas, culturais e sociais. O surgimento desta nova geração de intérpretes trouxe novas competências e uma abordagem mais académica, baseada em princípios éticos, técnicas de tradução e estudo aprofundado da língua. No entanto, é fundamental encontrar um equilíbrio entre conhecimento teórico e imersão cultural, garantindo que a identidade da profissão continue enraizada na comunidade que serve. ![Interpretes no Congresso Mundial de Surdos em Brisbane, Austrália](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Congresso-WFD-1999-Brisbane.webp "202501 - Congresso WFD 1999 Brisbane - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") As intérpretes portuguesas no Congresso Mundial de Surdos, em Brisbane, Austrália, em 1999. Da esquerda à direita, Ana Silva, Ana Cristina Reis, Maria José Freire e Cidália. Foto cedida por Cidália Jesus. ## A perceção dos intérpretes CODA: um peso inaceitável Os **intérpretes CODA** são frequentemente vistos como uma bênção, **mas essa perceção pode tornar-se um fardo.** A expectativa de perfeição, a pressão pelo domínio absoluto da língua e cultura surdas e a constante comparação com um padrão ideal geram níveis elevados de stress e, em casos extremos, levam ao afastamento da profissão. A crença de que os CODA são “nativos” e, portanto, infalíveis, ignora os desafios da interpretação em contextos complexos e a necessidade de formação contínua. Esta visão cria uma falsa ideia de excelência inata, colocando uma pressão desnecessária sobre estes profissionais. O receio de não corresponder às expectativas, seja por parte de outros iLGP ou da própria Comunidade Surda, pode levá-los a hesitar em admitir dificuldades, **comprometendo a qualidade da interpretação.** Paralelamente, a forte ligação dos CODA à comunidade faz com que muitos recorram a membros ilustres da mesma para esclarecer dúvidas. No entanto, a constante comparação com outros intérpretes e a sensação de não pertencer totalmente a nenhum grupo podem resultar em isolamento profissional e diminuição da autoestima. Para alterar esta percepção, **é essencial reconhecer que a diversidade de perfis enriquece a profissão.** Tanto os intérpretes CODA como os formados no ensino superior e os intérpretes surdos trazem contributos valiosos e complementares. Os **intérpretes surdos**, em particular, possuem uma perspetiva única sobre a língua e a cultura surdas. A sua experiência enquanto membros da comunidade permite-lhes um conhecimento aprofundado das nuances culturais e sociais, essenciais para a interpretação. **Valorizar o seu papel reforça a importância da diversidade e da representatividade na profissão.** ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Ser-Interprete-LGP-brisbane-congresso-768x510.webp "202501-Ser-Interprete-LGP-brisbane-congresso - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") A interpretar (à esquerda) com o apoio da intérprete Ana Silva (à direita) no Congresso Mundial de Surdos, em Brisbane, Austrália, em 1999. Aqui é visível a grande diversidade de intérpretes e tradutores - ouvintes e surdos, para diversas línguas gestuais, orais e tácteis, para que todo o mundo pudesse aceder ao Congresso. ## Combater o preconceito contra os Intérpretes O preconceito contra os **iLGP**, muitas vezes associado a más práticas de alguns profissionais, leva a uma visão negativa e estereotipada, prejudicando tanto a confiança na profissão como a qualidade da interpretação. É fundamental desmistificar a ideia de que a interpretação é uma tarefa simples e acessível a qualquer pessoa. O facto de um **CODA** saber comunicar em LGP não significa, por si só, que possua as competências técnicas necessárias para ser intérprete. **A interpretação exige formação especializada, domínio linguístico e um conhecimento aprofundado das dimensões culturais.** A idealização dos intérpretes CODA precisa de ser abordada de forma aberta e honesta. Para combater o preconceito e a discriminação na profissão, é essencial **investir na formação contínua**, que considero indispensável para todos os intérpretes e que deveria ser obrigatória. Ao reconhecer e valorizar a diversidade de perfis entre os intérpretes, promover espaços de diálogo, implementar códigos de ética mais rigorosos e incentivar a formação contínua, **estamos a construir uma profissão mais justa e equitativa.** Esse compromisso com a diversidade e o respeito não só fortalece a prática da interpretação, como também contribui para uma melhor comunicação e compreensão na sociedade como um todo. ![202501-Concentracao-ilgps+1](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/elementor/thumbs/202501-Concentracao-ilgps1-r0dyiz4suajofjs90kgwfjfbwdcpzvu0oo8qottugg.webp "202501-Concentracao-ilgps+1") A interpretar os representantes do Movimento Surdo, na Concentração Nacional pela Acessibilidade, no dia 15 de novembro de 2024. Atrás, está a colega Inês Lino, e do lado esquerdo da Cidália, a colega Sofia Figueiredo. Foto de Ângelo Bártolo \| Signomy. ## As implicações da perceção da Comunidade Surda em relação aos intérpretes CODA A perceção dos **CODA** como “nativos” da LGP cria uma dinâmica complexa dentro da Comunidade Surda. Por um lado, são vistos como modelos a seguir, o que lhes impõe uma pressão adicional para corresponder a essas expectativas. Por outro, essa idealização pode gerar desconfiança entre colegas de profissão, como intérpretes surdos ou licenciados em iLGP, que não partilham a mesma experiência de vida. A sobrevalorização da experiência dos CODA levou, em alguns casos, à subvalorização das qualificações e competências de outros profissionais. Isso pode resultar em sobrecarga e isolamento, pois são frequentemente considerados os únicos capazes de satisfazer as necessidades da comunidade. Como a profissão de iLGP **ainda carece de regulamentação legal**, muitos CODA têm procurado complementar a sua experiência com formação académica, ingressando em licenciaturas e pós-graduações na área. Esta necessidade de adaptação tem gerado – e continua a gerar – tensões e conflitos de identidade dentro da profissão. Na minha visão, a experiência dos CODA continua a ser um complemento valioso à formação académica, e a sua ausência cria lacunas no conhecimento, na formação e na prática profissional. No entanto, a valorização da diversidade de perfis entre intérpretes é essencial para garantir a qualidade dos serviços e a plena acessibilidade da Comunidade Surda. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Ser-Interprete-LGP-cidalia-e-artur-768x576.webp "202501-Ser-Interprete-LGP-cidalia-e-artur - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Cidália com Artur Albuquerque, um dos intérpretes pioneiros, uma grande referência de intérprete CODA e antigo Presidente da Associação de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa. Foto cedida por Cidália Jesus. ## Estratégias para promover a valorização da diversidade Para que a profissão de **iLGP** seja mais justa e equitativa, é essencial valorizar a diversidade de perfis e experiências. A **formação contínua** é fundamental para que os intérpretes se mantenham atualizados e aprofundem o seu conhecimento sobre a cultura surda. Paralelamente, a promoção da **visibilidade das diferentes trajetórias profissionais** – CODA, intérpretes surdos e licenciados – ajudaria a destacar as contribuições de cada grupo. Fomentar **espaços de diálogo** entre intérpretes e a Comunidade Surda é igualmente essencial, permitindo a partilha de experiências e um entendimento mais profundo dos desafios da profissão. Por fim, apesar do crescimento da investigação académica sobre a interpretação em LGP, é necessário **incentivar ainda mais estudos na área**, promovendo uma reflexão contínua sobre as melhores práticas e o futuro da profissão. ## Uma Nota Final: A importância de comemorar o Dia Nacional do Intérprete de LGP ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-Ser-Interprete-LGP-concentracao-acessibilidade.webp "202501-Ser-Interprete-LGP-concentracao-acessibilidade - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Concentração Nacional pela Acessibilidade, com a mobilização da Comunidade Surda, incluindo vários intérpretes (e futuros intérpretes) de Língua Gestual Portuguesa, no dia 15 de novembro de 2024. Foto de Ângelo Bártolo \| Signomy. O Dia Nacional do Intérprete de Língua Gestual Portuguesa é um momento de **reconhecimento, mobilização e ação.** Aproveitando a visibilidade deste dia, devemos unir os profissionais da interpretação em LGP, a Comunidade Surda e a sociedade em geral para valorizar a profissão e defender publicamente os direitos dos intérpretes. Mais do que uma celebração, este é também um momento para reivindicar políticas públicas que garantam o acesso à interpretação em todas as dimensões da vida das pessoas surdas, assegurando, assim, a plena acessibilidade em LGP. Com os holofotes voltados para a profissão, é essencial promover ações que contribuam para uma maior divulgação do trabalho dos intérpretes – uma profissão tantas vezes visível, mas ainda desconhecida e incompreendida por muitos. Este dia deve ser um ponto de encontro para os **iLGP**, fortalecendo os laços profissionais e incentivando a partilha de experiências através de palestras, workshops, seminários ou outras iniciativas ligadas à interpretação em LGP. Além disso, o impacto e o alcance das redes sociais podem ser aproveitados para criar campanhas de sensibilização que destaquem a importância da profissão e os desafios enfrentados pelos intérpretes. Para mim, refletir sobre este dia é recordar os colegas **iLGP-CODA**, pioneiros na profissão, a quem guardo um profundo carinho e estima. São profissionais que dedicaram as suas vidas à interpretação e que merecem ser lembrados e homenageados. Celebrar esta data é **olhar para o passado com gratidão e para o futuro com otimismo**. Ao destacar a importância da nossa profissão, podemos inspirar novas gerações de intérpretes e fortalecer as nossas lutas. É hora de unirmos forças para construir um futuro mais justo e equitativo, consolidando os laços com a Comunidade Surda e promovendo o reconhecimento da interpretação em LGP como um pilar essencial da acessibilidade. ### Feliz Dia Nacional do Intérprete de Língua Gestual Portuguesa! **Categorias:** Opinião --- ### [À Margem da Mesa: a Experiência da Síndrome da Mesa de Jantar](https://apsurdos.org.pt/a-margem-da-mesa-a-experiencia-da-sindrome-da-mesa-de-jantar/) **Published:** Dezembro 20, 2024 **Author:** Mariana Bártolo **Excerpt:** A Síndrome da Mesa de Jantar reflete a exclusão que muitas pessoas surdas enfrentam em encontros familiares. Afetando 95% das que nascem em famílias ouvintes, este fenómeno destaca a importância de estratégias inclusivas e do uso da Língua Gestual Portuguesa para fortalecer laços familiares. **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-8814d09) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Na consoada de Natal, a família reúne-se à volta da mesa. Há partilha de histórias dos avós, novidades da vida de uns dos outros, algumas fofocas escandalosas e gargalhadas ruidosas com as piadas secas. No meio desta harmonia, há uma pessoa surda que observa atentamente a tudo, a tentar decifrar alguma informação que o ajude a compreender o que se passa. > “Sobre o que estão a falar? O que aconteceu? Porque é que estão todos a rir-se?”, pergunta-se. Quando finalmente pergunta a alguém, recebe uma resposta curta: **“Não é nada, depois explico-te.”**. Esse “depois” nunca chega e a pessoa surda continua à margem, num silêncio que contrasta com o rebuliço das conversas à sua volta. ## A Síndrome da Mesa de Jantar Este padrão representa um fenómeno social conhecido como **Síndrome da Mesa de Jantar** (*Dinner Table Syndrome*), que reflete uma forma de exclusão vivenciada por muitos indivíduos surdos, sobretudo aqueles que nasceram em famílias ouvintes – um cenário que corresponde a **95% dos casos**, segundo estudos de Mitchell & Karchmer (2004). Estas pessoas enfrentam barreiras comunicacionais, dado que a dinâmica familiar tende a depender sobretudo da comunicação oral, com mudanças rápidas de assuntos e intervenções simultâneas, que dificultam o acompanhamento. A Federação Mundial de Surdos (World Federation of the Deaf, WFD) destaca que esta exclusão raramente é intencional, mas resulta da **falta de acessibilidade linguística e de comunicação visual clara**. Por isso, a WFD sublinha a importância do acesso precoce à língua gestual, indispensável para o desenvolvimento emocional e social das crianças surdas. A experiência da Síndrome da Mesa de Jantar não ocorre somente no Natal e em encontros familiares, mas também em muitos outros contextos do dia-a-dia, onde a comunicação entre pessoas ouvintes flui naturalmente, sem considerar a participação das pessoas surdas. Exemplos disso incluem as reuniões de trabalho ou na escola, passeios turísticos em grupo, eventos sociais e festas ou até mesmo no ambiente familiar diário em casa. ![Síndrome da Mesa de Jantar - Saúde Mental](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/2024.12-sindrome-mesa-jantar-saudem-e1734003124514.webp "2024.12-sindrome-mesa-jantar-saudem - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O Impacto na Saúde Mental Embora seja um fenómeno social, estudos, como os de Marschark (2007) e Meek (2020), demonstram que a experiência da Síndrome da Mesa de Jantar tem um impacto profundo no bem-estar e na construção da identidade das pessoas surdas, provocando **ansiedade, isolamento e baixa auto-estima.** Numa de várias entrevistas referidas por Meek (2020), um testemunho marcante foi o de uma pessoa Surda que foi incentivada a ir ver televisão sozinha na noite de Natal, enquanto a família jogava um jogo que dependia exclusivamente da audição. Esta é apenas uma de muitas situações que acontecem nas famílias ouvintes, diariamente, e é especialmente doloroso nos eventos natalícios. Quando uma pessoa surda se queixa de falta de acessibilidade, não está a exagerar. ### Está a sinalizar uma ferida real na família. ## Algumas estratégias práticas Existem algumas **estratégias simples** que podem contribuir para que a pessoa surda se sinta mais incluída, note-se que **não se trata apenas de boa vontade, mas de responsabilidade comum** nestes encontros com pessoas ouvintes: - Organizar a mesa de jantar (preferencialmente redonda) de forma a que todos consigam ver uns aos outros, facilitando a comunicação; - Chamar a atenção antes de falar, com um acenar das mãos ou toque no ombro, para garantir que a pessoa surda esteja ciente do início de uma conversa; - Utilizar tecnologias assistivas como aplicações de transcrição automática; - Não desvalorizar as perguntas que a pessoa surda faz, evitando respostas como “não é nada”, “depois digo-te” ou versões muito sucintas do que foi conversado; - Escolher jogos que não dependam exclusivamente de pistas auditivas ou comunicação oral, garantindo a participação plena da pessoa surda. A melhor estratégia de todas é investir na aprendizagem da **Língua Gestual Portuguesa (LGP)** para que todos possam comunicar livremente entre todos ([fica a sugestão para um presente de Natal – oferecer a inscrição de um curso de LGP](https://apsurdos.org.pt/cursos-de-lingua-gestual/)), permitindo que ninguém se sinta de parte na família. ## Mensagem para as famílias ouvintes Às famílias ouvintes com crianças surdas, a mensagem é clara: garantir que todos os membros da família possam participar plenamente nas conversas não é apenas uma questão de acessibilidade, mas também um gesto de respeito e valorização. Pequenas coisas como aprender o básico de língua gestual pode transformar momentos familiares, fortalecendo os laços de amor e compreensão entre todos. Deixo aqui um pequeno poema que retrata muito bem o sentimento que a Síndrome da Mesa de Jantar deixa nas pessoas Surdas, com interpretação para Língua Gestual Portuguesa feita pelo [Pedro Mourão](/author/pedromourao/): Clique para ler o poema de Dianne Kinnee (1994) *Como é ser surdo? As pessoas perguntam-me. Surdo? Oh, hmm…como eu explico isso? Simples: não consigo ouvir.* Não, espera…é muito mais do que isso. É como um peixe dourado num aquário, Sempre a observar as coisas a acontecerem. As pessoas a conversarem o tempo todo. É como um homem na sua própria ilha Entre estranhos. *A solidão não me é estranha. Os familiares dizem olá e adeus, Mas eu fico sentada durante cinco horas entre eles, Sentindo um grande prazer de divertir bebés Ou entreter-me com a televisão. A ler livros, a descansar, a ajudar com a comida. *A curiosidade natural desperta Ao ver grandes gargalhadas, choro, raiva. Pergunto apenas para ouvir “Não importa” ou “Oh, não é importante”. Recebo um resumo Do dia todo.* *Devo sorrir para mostrar a minha felicidade. Mal sabem eles o quão infeliz eu realmente estou. As pessoas controlam o uso da linguagem, Eu fico à margem e desconfortável. *Sinto-me sempre como uma estranha Entre pessoas que ouvem, Mesmo que não sendo esta a intenção delas. *Sempre presumem que faço parte, Pela minha presença física, sem compreender A importância da comunicação.* *Perante a escolha entre um evento surdo no fim-de-semana e um encontro familiar. Perante a escolha entre o compromisso familiar E os amigos surdos. Devo fazer estas escolhas constantemente. É de admirar que escolha os amigos surdos?* *Sinto tanto prazer nas Associações de Surdos, Antes de me dar conta, já são duas da manhã, Enquanto que, numa reunião de família, Olho ansiosamente para o relógio a cada minuto. *Com as pessoas surdas, sinto-me tão normal, A nossa comunicação flui naturalmente. Partilhamos trivialidades, a nossa vida diária, A nossa frustração no mundo maior, Procuramos a compreensão mútua, Sorrisos satisfeitos e gargalhadas são musicais. Tão mágicos para mim, Tão sintonizados com os sentimentos uns dos outros. *A verdadeira felicidade é tão importante. Sinto-me mais em casa com as pessoas surdas De várias cores, religiões, baixas ou altas, Do que entre os meus próprios familiares ouvintes. E ainda te questionas do porquê? A nossa língua é comum. Compreendemo-nos uns aos outros. *Estar à mercê De um ambiente onde a comunicação é difícil, As pessoas entram em pânico e afastam-se, Evitam os surdos como se fossem uma praga. *Mas as pessoas surdas são seres humanos, Com sonhos, desejos e necessidades De pertencer, tal como qualquer outra pessoa.* > [Ver esta publicação no Instagram](https://www.instagram.com/reel/CtmlmCgI_7O/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=loading)[Uma publicação partilhada por Pedro Mourão (@pedromrmourao)](https://www.instagram.com/reel/CtmlmCgI_7O/?utm_source=ig_embed&utm_campaign=loading) Despeço-me com **votos de Boas Festas**, com muita comunicação e muita língua gestual para todos, e a promessa de que voltarei com mais artigos em 2025. Bibliografia 1. **Mitchell, R. E., & Karchmer, M. A. (2004).** *Chasing the Mythical Ten Percent: Parental Hearing Status of Deaf and Hard of Hearing Students in the United States.* Sign Language Studies, 4(2), 138–163. DOI: <https://doi.org/10.1353/sls.2004.0005> 2. **Marschark, M. (2007).** *Raising and Educating a Deaf Child: A Comprehensive Guide to the Choices, Controversies, and Decisions Faced by Parents and Educators.* New York: Oxford University Press. 3. **Meek, D. R. (2020).** *Dinner Table Syndrome: A Phenomenological Study of Deaf Individuals’ Experiences with Inaccessible Communication.* The Qualitative Report, 25(6), 1672–1687. Disponível em: <https://nsuworks.nova.edu/tqr/vol25/iss6/16/> 4. **World Federation of the Deaf (WFD).** *Position Paper on the Language Rights of Deaf Children.* Disponível em: [https://wfdeaf.org](https://wfdeaf.org/) **Categorias:** Investigação --- ### [A Importância do Acesso à LGP e de Espaços Seguros em 2025](https://apsurdos.org.pt/a-importancia-do-acesso-a-lgp-e-de-espacos-seguros-em-2025/) **Published:** Janeiro 9, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** Descubra como promover o acesso à Língua Gestual Portuguesa (LGP) e a criação de espaços seguros pode transformar a Comunidade Surda em 2025. **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-a1e5a2c) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Entramos em 2025 com uma determinação renovada e uma visão clara para o futuro da Comunidade Surda. Este não é apenas um novo ano, mas também uma nova oportunidade para continuarmos a construir um caminho onde a Língua Gestual Portuguesa (LGP), a nossa cultura e a nossa identidade sejam plenamente reconhecidas e respeitadas. Apesar dos progressos alcançados, continuamos a ter desafios significativos: a falta de representação nos espaços de decisão, a necessidade de assegurar que a nossa voz seja ouvida sem intermediários e a carência de informações, relativas à Comunidade Surda portuguesa, sobre as suas atividades, eventos, reportagens e outros. Enquanto comunidade, somos mais fortes quando nos apoiamos mutuamente, quando celebramos a nossa identidade sem receios e quando transformamos as barreiras em oportunidades de crescimento. Este ano, queremos ver mais espaços ocupados por pessoas surdas, mais reconhecimento para a nossa língua e mais momentos que celebrem a nossa cultura e história. ![Alfabeto Gestual parcial](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-lgp-alfabeto.webp "2025.01-lgp-alfabeto - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O Futuro da LGP está nas Nossas Mãos O acesso à Língua Gestual Portuguesa tem vindo a expandir-se, algo que consideramos extremamente positivo. Já lá vão os tempos em que os surdos, ainda no início deste milénio, eram vistos como macacos pela sociedade sempre que conversavam em língua gestual em cafés, restaurantes ou transportes públicos. A minha geração e as anteriores conhecem bem este sentimento: o número de vezes que víamos pessoas a comentar e a rir-se de nós, pensando que não nos apercebíamos. No entanto, sendo verdadeiros mestres da linguagem corporal, das expressões faciais e, sobretudo, possuidores de uma visão periférica aguçada em detrimento da audição, víamos estas condutas, mesmo enquanto fingíamos não as notar. As novas gerações têm sentido menos esta discriminação, pois a sociedade reconhece cada vez mais a LGP como um direito e uma parte integral da nossa identidade. Hoje, podemos conversar em público sem sermos alvo de olhares constantes ou risos desrespeitosos. Na verdade, somos frequentemente tratados como qualquer outra pessoa: ignoram-nos e passam por nós como se fôssemos “normais”. Quando alguém nos observa, geralmente é com fascínio, curiosidade e, por vezes, com a vontade de aprender e compreender mais sobre a nossa língua e cultura. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-resultados-pesquisa-LGP.webp "2025.01-resultados-pesquisa-LGP - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Este interesse em aprender tem vindo a crescer, como demonstra a tabela acima, que apresenta o top 10 de palavras pesquisadas no Google cujos resultados exibiram o site da APS durante o ano de 2024. No total, obtivemos mais de **27.000 cliques** e **243.000 impressões**. Contudo, também temos verificado que outros se beneficiam deste crescente interesse, nomeadamente pessoas ouvintes que ensinam LGP utilizando métodos questionáveis, e intérpretes que, ao ultrapassarem as suas competências, exploram o ensino da mesma para benefício próprio. Apesar disso, reconhecemos e valorizamos os aliados ouvintes que trabalham lado a lado com a Comunidade Surda, respeitando a nossa cultura, promovendo a LGP de forma ética e garantindo que a nossa voz é amplificada, não substituída. Em breve, vamos abrir inscrições para os [cursos intensivos de LGP](https://apsurdos.org.pt/cursos-de-lingua-gestual/) aqui na APS! Em 2025, gostaríamos de ver oportunidades concretas nas mãos de surdos: professores surdos a ensinar LGP, especialistas surdos a participarem em debates sobre acessibilidades e projetos culturais liderados por surdos, reforçando, assim, a autonomia da nossa comunidade. O futuro da LGP deve ser construído connosco e por nós, enquanto Comunidade Surda. ![Concentração de 15 de novembro de 2024](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-concentracao-lgp15nov.webp "202501-concentracao-lgp15nov - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") Nota: a fotografia é original, com exceção do cartaz ao fundo, que foi manipulado para remover o conteúdo político e incluir o ano de 2025. [Foto por Ângelo Bártolo \| Signomy](https://www.instagram.com/signomy) ## Espaços Seguros: Essenciais para a Comunidade Surda O passado dia 15 de novembro, Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, foi um marco significativo. Contámos com **centenas** de participantes (muito acima das “dezenas” reportadas por alguns meios de comunicação social), que trouxeram uma energia e um sentido de união que há muito não se via. Este evento proporcionou um espaço onde a Comunidade Surda se reuniu, não apenas para celebrar a LGP, mas também para partilhar barreiras e experiências comuns. Esses momentos reforçam a importância de existirem espaços seguros onde nos possamos expressar, conviver e dar visibilidade à nossa identidade, que vai muito além da deficiência auditiva. ![Seniores surdos da APS na Concentração de 15 de novembro](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/202501-seniores-surdos-lgp15nov.webp "2025.01-seniores-surdos-lgp15nov - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") [Foto por Ângelo Bártolo \| Signomy](https://www.instagram.com/signomy) Em 2025, a APS compromete-se, juntamente com outras instituições da Comunidade Surda, incluindo associações profissionais de professores e intérpretes, a continuar a criar e apoiar estes espaços de celebração e convivência. Mais do que simples celebrações, estes eventos devem permitir que a Comunidade Surda mostre à sociedade que está unida e consciente das barreiras sociais que ainda persistem. Queremos assegurar que os surdos possam sentir-se completos e seguros para expressar as suas insatisfações com as desigualdades existentes e, ao mesmo tempo, orgulhosos da sua identidade e cultura. **Categorias:** APS --- ### [Voz Gestual: Amplificando vozes da Comunidade Surda.](https://apsurdos.org.pt/voz-gestual-amplificando-vozes-da-comunidade-surda/) **Published:** Dezembro 5, 2024 **Author:** Pedro Mourão **Excerpt:** Inauguramos o Voz Gestual, o blog da APS: um espaço para amplificar vozes da Comunidade Surda. Partilhe connosco histórias, ideias e opiniões! **Content:** [ Ver Artigo em LGP ](#oew-modal-07f72c9) ### A versão em português escrito encontra-se a seguir. Hoje damos um passo importante na Associação Portuguesa de Surdos (APS): a inauguração do nosso espaço de notícias gestuais e comunitárias – **Voz Gestual**, um espaço digital que não só informa como também inspira. Criado a pensar na **Comunidade Surda** e nos seus aliados, além disso, este blog será um ponto de encontro acessível para todos. Portanto, este é mais do que um simples blog – é um espaço de **expressão e partilha**, onde amplificamos e respeitamos as vozes da Comunidade Surda. Aqui, todas as contribuições são valorizadas, sejam em **Língua Gestual Portuguesa (LGP)** ou em texto escrito. Afinal, a diversidade da nossa comunidade reflete-se na forma como comunicamos. ## O que podem encontrar neste espaço? Será um espaço dinâmico repleto de conteúdos variados e de qualidade, entre eles: - Crónicas pessoais, reflexões e histórias inspiradoras de diversos autores; - Tomadas de posição sobre temas relevantes para a Comunidade Surda; - Notícias e atualizações sobre eventos e iniciativas da APS e outros; - Avaliações e críticas de serviços e produtos; - Artigos científicos e/ou empíricos que promovam o conhecimento e o debate. Pensamos em cada artigo para ser **acessível e inclusivo**, respeitando a identidade da nossa comunidade. Traduzimos o conteúdo original em LGP para português escrito. E quando o conteúdo for produzido em português, o próprio autor ou um intérprete profissional traduzirá para LGP, para garantir que todos possam usufruir do mesmo. ![Chávena de café, livro com ilustrações e telemóvel com fundo de parede com a palavra "Blog". Todos os objetos estão acima de uma superfície com tecido branco, e uma toalha meio amarrotada ao lado, de cor amarela](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/imagemblog01.webp "imagemblog01 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Por que criámos este espaço? Na APS, acreditamos que a **voz da Comunidade Surda** merece ser ouvida de todas as formas possíveis. Este blog será um espaço onde as experiências, perspetivas e ideias dos surdos – e dos nossos aliados – poderão ser partilhadas sem barreiras. Queremos criar uma plataforma onde **surdos e ouvintes possam interagir**. Juntos, aprenderão e construirão um futuro mais inclusivo e informado. Mais do que um espaço, este é um palco para **empoderar a nossa comunidade**. ### Juntos, fazemos a diferença Este espaço é de todos nós. Por isso, convidamos-vos a participar! Sejam surdos ou aliados, as vossas contribuições são essenciais para dar vida a este blog. Partilhem as vossas histórias, opiniões e ideias. Juntos, seremos mais fortes. Enviem as vossas sugestões ou artigos no botão a seguir. Não importa se preferem escrever ou gravar em LGP; estamos aqui para transformar as vossas ideias em conteúdos que farão a diferença. [ Quer contribuir? ](/contribuicao-voz-gestual/) **Categorias:** APS, Notícias --- ## Páginas ### [Início](https://apsurdos.org.pt/) **Published:** Janeiro 5, 2024 **Author:** APS **Content:** # Cursos de Língua Gestual Aprender Língua Gestual Portuguesa para quê? Vem descobrir as vantagens e ofertas que temos para ti! [VER MAIS](/cursos-de-lingua-gestual/) ### [ Formação ](/cursos-de-lingua-gestual/) Fazemos várias formações, desde sensibilizações curtas a cursos intensivos com qualidade certificada. ### [ Interpretação e Tradução ](/interpretacao-e-traducao/) Traduzimos conteúdos escritos e falados para Língua Gestual e vice-versa em vários formatos ### [ Consultoria ](/consultoria/) Prestamos serviços de consultoria no que toca à adaptação de projetos, conteúdos e locais para a Comunidade Surda ## Últimas Notícias ![Capa Lugares de Sonho](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/Artigo-32-Capa-scaled.webp "Artigo 32 - Capa - Associação Portuguesa de Surdos") ## [Cinema Português para Todos: O Lugar dos Sonhos](https://apsurdos.org.pt/cinema-portugues-para-todos-o-lugar-dos-sonhos/ "Cinema Português para Todos: O Lugar dos Sonhos") [![Mariana Bártolo](https://secure.gravatar.com/avatar/c13e8321fbc695249a8fe738a11ec8f44b3a1a8ab99bae585ca372e281246f40?s=96&d=mm&r=g)](https://apsurdos.org.pt/author/marianabartolo/) [Mariana Bártolo](https://apsurdos.org.pt/author/marianabartolo/ "Posts by Mariana Bártolo")31 de Outubro, 2025 O Lugar dos Sonhos abriu as portas do cinema português à Comunidade Surda — um passo histórico rumo a uma cultura verdadeiramente acessível. ![Capa Mercado Surdo](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/10/202510-mercadosurdo-capa.webp "202510-mercadosurdo-capa - Associação Portuguesa de Surdos") ## [Mercado Surdo: o sucesso do primeiro em Portugal](https://apsurdos.org.pt/mercado-surdo-o-sucesso-do-primeiro-em-portugal/ "Mercado Surdo: o sucesso do primeiro em Portugal") [![Pedro Mourão](https://secure.gravatar.com/avatar/40d15e5fdc0547b2a422957af7e4adb5b8c30a8c9ab84fafa71a5874367a4ab6?s=96&d=mm&r=g)](https://apsurdos.org.pt/author/pedromourao/) [Pedro Mourão](https://apsurdos.org.pt/author/pedromourao/ "Posts by Pedro Mourão")17 de Outubro, 2025 O primeiro Mercado Surdo reuniu artistas e empreendedores surdos em Lisboa, com mais de 150 visitantes e um impacto marcante na comunidade. ![Capa 67.º Aniversário](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/202509-capaaniversario.webp "202509-capaaniversario - Associação Portuguesa de Surdos") ## [67.º Aniversário da Associação Portuguesa de Surdos](https://apsurdos.org.pt/67-o-aniversario-da-associacao-portuguesa-de-surdos/ "67.º Aniversário da Associação Portuguesa de Surdos") [![Pedro Mourão](https://secure.gravatar.com/avatar/40d15e5fdc0547b2a422957af7e4adb5b8c30a8c9ab84fafa71a5874367a4ab6?s=96&d=mm&r=g)](https://apsurdos.org.pt/author/pedromourao/) [Pedro Mourão](https://apsurdos.org.pt/author/pedromourao/ "Posts by Pedro Mourão")24 de Setembro, 2025 APS celebra 67 anos de história, resistência e conquistas pela Comunidade Surda e pela Língua Gestual Portuguesa em Portugal. ![Capa Comunicação Social Sinésio Cá](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/Artigo-29.webp "Artigo 29 - Associação Portuguesa de Surdos") ## [Comunicação social: por Sinésio Cá e por mais dignidade](https://apsurdos.org.pt/comunicacao-social-por-sinesio-ca-e-por-mais-dignidade/ "Comunicação social: por Sinésio Cá e por mais dignidade") [![Mariana Bártolo](https://secure.gravatar.com/avatar/c13e8321fbc695249a8fe738a11ec8f44b3a1a8ab99bae585ca372e281246f40?s=96&d=mm&r=g)](https://apsurdos.org.pt/author/marianabartolo/) [Mariana Bártolo](https://apsurdos.org.pt/author/marianabartolo/ "Posts by Mariana Bártolo")25 de Julho, 2025 Uma homenagem a Sinésio Cá e um apelo a uma comunicação social mais justa, que respeite a memória, a dignidade e a voz das pessoas surdas. ![Capa Entre o silêncio que acalma e o que isola](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/07/Capa-Artigo-28.webp "Capa Artigo 28 - Associação Portuguesa de Surdos") ## [Entre o silêncio que acalma e o que isola](https://apsurdos.org.pt/entre-o-silencio-que-acalma-e-o-que-isola/ "Entre o silêncio que acalma e o que isola") [![Catarina Dias](https://secure.gravatar.com/avatar/29e876f56b771174b19a5761a31bf0975a597e560f961b0b27f8a1bdeea0a1e9?s=96&d=mm&r=g)](https://apsurdos.org.pt/author/catarinadias/) [Catarina Dias](https://apsurdos.org.pt/author/catarinadias/ "Posts by Catarina Dias")11 de Julho, 2025 O relato de uma filha de mãe surda sobre barreiras invisíveis, audismo, silêncio imposto e a necessidade de inclusão real nos serviços de saúde. ![Capa Síndrome de Usher](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/06/Artigo-27.webp "Artigo 27 - Associação Portuguesa de Surdos") ## [Síndrome de Usher: Comunicar, Sentir e Existir](https://apsurdos.org.pt/sindrome-de-usher-comunicar-sentir-e-existir/ "Síndrome de Usher: Comunicar, Sentir e Existir") [![Mariana Bártolo](https://secure.gravatar.com/avatar/c13e8321fbc695249a8fe738a11ec8f44b3a1a8ab99bae585ca372e281246f40?s=96&d=mm&r=g)](https://apsurdos.org.pt/author/marianabartolo/) [Mariana Bártolo](https://apsurdos.org.pt/author/marianabartolo/ "Posts by Mariana Bártolo")27 de Junho, 2025 Explora a Síndrome de Usher no Dia Internacional das Pessoas Surdocegas, com um olhar sobre a diversidade e diferentes formas de comunicar. Load More [ Quer contribuir? ](/contribuicao-voz-gestual/) ## Entre em contacto connosco numa destas opções [![Serviços de Interpretação](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/servicos-interpretacao.webp "Serviços de Interpretação - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](/interpretacao-e-traducao/#InterpretacaoTag)### [Pedidos de Orçamento de Interpretação](/interpretacao-e-traducao/#InterpretacaoTag) [![Loja Gestual](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/cart_6907231.webp "Loja Gestual - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](/loja-gestual/#ComprarTag)### [Loja Gestual](/loja-gestual/#ComprarTag) [![Outros Assuntos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/options_14034695.png "Outros Assuntos - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](/contactos/)### [Outros Assuntos](/contactos/) --- ### [Língua Gestual Portuguesa - Cursos e Informações](https://apsurdos.org.pt/cursos-de-lingua-gestual/) **Published:** Janeiro 15, 2024 **Author:** APS **Content:** A Língua Gestual Portuguesa é uma das três línguas oficiais de Portugal, reconhecida na Constituição Portuguesa da República em 1997. 0 Pessoas Surdas utilizadoras de Língua Gestual Portuguesa ## OS NOSSOS CURSOS ![Curso Letivo](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/lifelong-learning_12641372.webp "lifelong-learning_12641372 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Curso Letivo (120h) Curso de 9 meses de duração com certificação em conformidade com o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECRL). ![Curso Intensivo](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/stopwatch_5952834.webp "stopwatch_5952834 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Curso Intensivo (120h) Igual ao curso letivo e com certificação mas com 5 meses de duração. As aulas têm mais horas e apenas o Nível 1 está disponível nesta modalidade. ![Curso de Verão](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/travel_15693049.webp "travel_15693049 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Curso de Verão (30h) Curso de sensibilização com o objetivo de introduzir as pessoas à Língua Gestual. Este curso não tem certificação em conformidade com o QECRL. ### CURSO LETIVO €55 / mês - 9 MESES - 120 HORAS CADA NÍVEL - PRESENCIAL OU ONLINE [ INSCRIÇÕES ABERTAS](https://inscricao.apsurdos.org.pt/)Horários: Consulte os horários disponíveis na inscrição. Início da primeira aula dos sábados (12 de setembro); início da primeira aula da semana (13 de outubro) Popular ### CURSO INTENSIVO €82,50 / mês - 6 MESES - 120 HORAS (NÍVEL 1) - PRESENCIAL OU ONLINE EM JANEIRO DE 2027 Horário: Fevereiro a Julho (2027) ### CURSO DE VERÃO €100 / Uma vez - 1 MÊS - 30 HORAS (BÁSICO) - PRESENCIAL OU ONLINE [ INSCRIÇÕES ABERTAS](https://inscricao.apsurdos.org.pt/)Horários: Consulte os horários disponíveis na inscrição. O curso começa no dia 7 de setembro e termina no dia 22 de setembro. As aulas são lecionadas todos os dias úteis. ## Porquê fazer os cursos na APS? 1. **Pioneiros em formação de Língua Gestual Portuguesa** – desde 1982, a APS tem liderado o ensino da LGP. Fomos os primeiros a oferecer cursos nesta área e acumulamos mais de 40 anos de experiência comprovada. 2. **Formadores Surdos: autenticidade e excelência garantidas** – Aprenda diretamente com formadores surdos altamente qualificados. A qualidade linguística é assegurada através de métodos visuais sem som, proporcionando a melhor prática possível. O ensino é 100% visual, sem recurso a som ou oralidade, garantindo uma imersão total na língua gestual. 3. **Receba o seu nome gestual e viva a Cultura Surda** – Ao estudar connosco, terá a oportunidade única de receber o seu próprio nome gestual, a ser atribuído por membros da comunidade surda, como dita a tradição cultural. Envolva-se profundamente e experimente a riqueza da cultura surda de forma autêntica. ## Porquê fazer os cursos na APS? 1. **Pioneiros em Língua Gestual Portuguesa** – desde 1982, a APS tem liderado o ensino da LGP. Fomos os primeiros a oferecer cursos nesta área e acumulamos mais de 40 anos de experiência comprovada. 2. **Formadores Surdos: autenticidade e excelência garantidas** – Aprenda diretamente com formadores surdos altamente qualificados. A qualidade linguística é assegurada através de métodos visuais sem som, proporcionando a melhor prática possível. O ensino é 100% visual, sem recurso a som ou oralidade, garantindo uma imersão total na língua gestual. 3. **Receba o seu nome gestual e viva a Cultura Surda** – Ao estudar connosco, terá a oportunidade única de receber o seu próprio nome gestual, a ser atribuído por membros da comunidade surda, como dita a tradição cultural. Envolva-se profundamente e experimente a riqueza da cultura surda de forma autêntica. O curso de Língua Gestual Portuguesa superou todas as minhas expetativas! A professora é incrível, consegue explicar tudo de forma clara e divertida. Adorei a dinâmica das aulas e a oportunidade de conhecer pessoas tão interessantes. Sinto que evoluí muito na minha comunicação e estou ansiosa para continuar a aprender. ![Maria Silva](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/Maria-Silva.webp) Maria Silva O curso foi uma experiência transformadora! O conteúdo é muito relevante e prático, e a interação com a comunidade surda enriqueceu muito a minha aprendizagem. Recomendo este curso a todos que desejam aprender a Língua Gestual Portuguesa. ![João Santos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/Joao-Santos.webp) João Santos Aprender uma nova língua nunca foi tão fácil e divertido! O ambiente de aula é muito acolhedor e a professora sempre disposta a ajudar. Adorei a oportunidade de praticar o que aprendemos em conversas com outros alunos. Recomendo este curso a todos que querem expandir seus horizontes e fazer a diferença na vida de outras pessoas. ![Ana Pereira](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/Ana-Pereira.webp) Ana Pereira O curso de Língua Gestual Portuguesa da APS foi uma das melhores decisões que já tomei! O professor é extremamente competente e apaixonado pelo que faz. O conteúdo é bem estruturado e as atividades práticas são muito eficazes. Sinto-me mais conectado com a comunidade surda e mais confiante para me comunicar em Língua Gestual. ![Pedro Almeida](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/Pedro-Almeida.webp) Pedro Almeida O curso foi uma experiência incrível! A professora é muito atenciosa e paciente, e o ambiente de aula é super agradável. Adorei a oportunidade de conhecer pessoas de diferentes lugares e trocar experiências. Recomendo este curso a todos que querem aprender uma nova língua e fazer novos amigos, já que no espaço da APS trabalham várias pessoas surdas. ![Carla Oliveira](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/Carla-Oliveira.webp) Carla Oliveira ![Logótipo da DGERT](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/cropped-1-logotipo-horizontal-principal-300x120.webp "cropped-1-logotipo-horizontal-principal - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Certificação de Qualidade **As nossas formações estão de acordo com um referencial de qualidade específico da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).** ## Inscrição **Quem pode inscrever-se?** Pessoas com mais de 14 anos ou instituições (mediante acordo). Excecionalmente, poderão ser criados grupos só para crianças com menos de 14 anos. **Como podem as pessoas entrar num nível mais avançado?** Devem pedir à APS uma avaliação. Isto é possível se: 1. Já souberem Língua Gestual Portuguesa (LGP); 2. Tiverem feito cursos de LGP fora da APS; 3. Não tiverem feito nenhum curso na APS nos últimos três anos. ## Pagamento ### Numerário Nas nossas instalações ### IBAN PT50 0036 0041 9910 0361 4704 6 ### MB WAY 91 424 78 09 Nota: os pagamentos só devem ser feitos após os serviços administrativos confirmarem a abertura de turma. ## Termos e Condições Inscrições Pagamentos Formações 1. - A inscrição está limitada a pessoas com mais de 14 anos ou entidades; - No caso das entidades, formalizam-se as formações mediante protocolos; - Excecionalmente, poderão ser criados grupos só de crianças com menos de 14 anos; - No caso do inscrito pretender ingressar num nível superior e não ter concluído uma formação na APS há mais de três anos, deverá solicitar uma avaliação mediante pagamento da taxa em vigor; - Cursos de LGP concluídos noutras entidades, independentemente da sua natureza, não isentam o inscrito da avaliação referida no ponto anterior, se a intenção for o ingresso num nível superior; - Os pacotes “Sensibilização”, “Curso Letivo” e “Curso Intensivo” pressupõem a inscrição individual em formações que têm lugar nas nossas plataformas de ensino presencial e à distância. Os valores serão, entretanto, diferentes no que toca às formações externas, pelo que para estas deverá contactar a APS. - 1. - Os pagamentos podem ser efetuados por uma das seguintes vias: em numerário, por transferência bancária ou por MB Way; - No caso de cursos com aulas aos sábados, as mensalidades devem ser pagas entre dia 1 e dia 10 de cada mês. Quanto às aulas durante a semana, as mesmas devem ser pagas entre dia 20 e o final de cada mês; - Ultrapassado o prazo limite de pagamento, é acrescido de 5€ por cada mês de atraso; - Não será realizado nenhum reembolso após o pagamento de qualquer taxa ou mensalidade; - No caso de desistência antes do início do curso ou de número insuficiente de inscritos, haverá lugar para restituição de quaisquer valores pagos. A desistência só é válida mediante comunicação antecipada. - - As turmas são constituídas com o número máximo estipulado na tabela, enquanto as turmas de entidades externas, conforme protocolo, com um mínimo de 8 formandos; - Quanto ao funcionamento das aulas: - Estas têm, por norma, um breve intervalo; - Os formandos devem respeitar ao máximo o tempo definido para a aula de modo a não provocar interrupções; - No decurso das aulas, será usada somente a Língua Gestual Portuguesa ou a mímica e, eventualmente, a escrita, sendo estritamente de evitar o uso da oralização; - Os formandos serão filmados para efeitos de avaliação; - Os formadores podem ser substituídos durante o curso de LGP, e as aulas podem ser lecionadas por mais que um formador de LGP; - A APS reserva-se o direito de juntar turmas sempre que isso se justifique. - Quanto às faltas: - As faltas justificadas devidamente comprovadas (por doença, falecimento de familiar, motivos profissionais ou outros de força maior) serão contadas como presenças para o número total de horas do certificado; - O formando terá direito a obter uma declaração de frequência, se solicitada; - Em caso de desistência, deverá informar imediatamente a secretaria preferencialmente por e-mail ou por WhatsApp. - Quanto às avaliações: - A avaliação contínua é da responsabilidade do formador de LGP; - A avaliação final é da responsabilidade de um júri composto por dois elementos. ## Níveis (Programas e Classificação) ### Nível 1 - Iniciação O Nível 1 ensina os alunos a comunicar em LGP de forma básica, abordando temas como saudações, relações familiares, emoções, vestuário, alimentação e transportes. ### Nível A1 A pessoa compreende e usa expressões simples para necessidades básicas, apresenta-se e faz perguntas sobre temas pessoais, como onde vive e quem conhece. Pode comunicar de forma simples, se o outro falar devagar e for cooperante. ### Nível 2 - Elementar No Nível 2, os alunos começam a descrever pessoas, locais e profissões, com foco em temas de cronologia, cores, acessibilidade e cultura surda. ### Nível A1 A pessoa compreende e usa expressões simples para necessidades básicas, apresenta-se e faz perguntas sobre temas pessoais, como onde vive e quem conhece. Pode comunicar de forma simples, se o outro falar devagar e for cooperante. ### Nível 3 - Pós-Elementar No Nível 3, o foco é descrever características físicas e psicológicas, viagens, dialetos e cultura surda, e a comunicação médica ### Nível A2 A pessoa compreende frases simples e expressões frequentes sobre temas imediatos, como informações pessoais e trabalho. Consegue comunicar em tarefas rotineiras, trocando informações diretas, e descrever de forma básica o seu meio e formação. ### Nível 4 - Pré-Intermédio No Nível 4, os alunos debatem sonhos, ambições e arte surda ### Nível B1 A pessoa compreende tópicos principais em linguagem clara sobre temas familiares, como trabalho e lazer, e consegue lidar com situações comuns com falantes da língua. É capaz de produzir discursos simples e coerentes sobre assuntos familiares, descrever experiências, sonhos e ambições, e justificar brevemente opiniões ou projetos. ### Nível 5 - Intermédio Já no Nível 5, aprofundam-se argumentos, marcos históricos e figuras de referência na comunidade surda ### Nível B1 A pessoa compreende tópicos principais em linguagem clara sobre temas familiares, como trabalho e lazer, e consegue lidar com situações comuns com falantes da língua. É capaz de produzir discursos simples e coerentes sobre assuntos familiares, descrever experiências, sonhos e ambições, e justificar brevemente opiniões ou projetos. ## Esperem... eu vi um curso com menos horas. Por que é que devo fazer na APS? Há cursos com menos horas, mas na nossa visão isso não é suficiente para aprender Língua Gestual Portuguesa, que exige mais prática e adaptação. 10 ou 20 horas nunca serão suficientes para comunicar com surdos, a ponto de considerarmos isso publicidade enganosa. As pessoas que vêm de outros cursos e se inscrevem nos nossos, na esperança de continuarem os estudos em níveis superiores, são avaliadas pela nossa equipa e acabam por não ter conhecimentos adequados. Até à data, nestas avaliações de competências, **todas** as pessoas tiveram de recomeçar no nível 1. Valorizamos a língua e somos cuidadosos no seu ensino. Contudo, sem legislação adequada, nada se pode fazer quanto à qualidade da oferta existente na sociedade. Porém, há exceções, normalmente de Associações de Surdos ou instituições de ensino superior. ## Esperem... eu vi um curso com menos horas. Por que é que devo fazer na APS? Há cursos com menos horas, mas na nossa visão isso não é suficiente para aprender Língua Gestual Portuguesa, que exige mais prática e adaptação. 10 ou 20 horas nunca serão suficientes para comunicar com surdos, a ponto de considerarmos isso publicidade enganosa. As pessoas que vêm de outros cursos e se inscrevem nos nossos, na esperança de continuarem os estudos em níveis superiores, são avaliadas pela nossa equipa e acabam por não ter conhecimentos adequados. Até à data, nestas avaliações de competências, **todas** as pessoas tiveram de recomeçar no nível 1. Valorizamos a língua e somos cuidadosos no seu ensino. Contudo, sem legislação adequada, nada se pode fazer quanto à qualidade da oferta existente na sociedade. Porém, há exceções, normalmente de Associações de Surdos ou instituições de ensino superior. --- ### [Inscrição - Curso de Verão](https://apsurdos.org.pt/inscricao-curso-de-verao/) **Published:** Junho 11, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Content:** ## Não temos inscrições abertas atualmente. ## Inscrição no Curso de Verão (LGP) Agradecemos o seu interesse nos nossos cursos de LGP! É um prazer poder partilhar consigo esta língua visual e rica em cultura, contribuindo para uma sociedade mais acessível e inclusiva. Antes de submeter a sua inscrição, pedimos que tenha a certeza de que deseja realmente avançar com o curso, evitando assim ocupar uma vaga que poderia ser atribuída a outra pessoa. A inscrição deve ser enviada **apenas uma vez**, não sendo necessário reenvios. Além disso, informamos que os pagamentos **não devem ser efetuados sem confirmação da turma**, a qual será enviada por nós, por e-mail. Caso necessite de alterar a opção de horário selecionada, basta enviar um e-mail com o seu pedido. Agradecemos a sua compreensão e colaboração! ### **Horário** O curso decorre em um horário. Consulte-o abaixo: - De manhã, das 10h00 às 12h30, Presencial - À noite, das 18h00 às 20h30, via Zoom O curso terá lugar todos os dias úteis, a começar no dia 06 de julho e a terminar no dia 21 de julho. Please enable JavaScript in your browser to complete this form. ### Dados Pessoais Nome Completo \*Conforme está no seu documento de identificação Morada \*Preferencialmente, a morada onde podemos lhe enviar o certificado final do curso. Código Postal \* horário Tem O Localidade \* Distrito/Região \*AçoresAveiroBejaBragaBragançaCastelo BrancoCoimbraÉvoraFaroGuardaLeiriaLisboaMadeiraOutroPortalegrePortoSantarémSetúbalViana do CasteloVila RealViseuSe não residir em Portugal, selecione "Outro" Email \*O e-mail que será utilizado para contacto. Telemóvel \*O número de telemóvel que será utilizado para contacto. Data de Nascimento \*Clear Date N.º Identificação (CC) \* N.º Contribuinte (NIF) \* Nacionalidade \*AfegãAfricanaAlbanesaAlemãAmericanaAndorranaAngolanaAntiguanaArgentinaArmêniaAustralianaAustríacaAzerbaijanBahamenseBahrainitaBangladeshiBarbadenseBielorrussaBielorrussoBelgaBelizenhaBeninenseBolivianaBósnia e HerzegovinaBotsuanenseBrancaBrasileiraBúlgaraBurkinabéBurundenseCabo-verdianaCamaronesaCanadenseChadianaChinesaChinesa de Hong KongChinesa de MacauChinesa de TaiwanColombianaComorenseCongolesaCores do NorteCores do SulCosta-riquenhaCubanaDinamarquesaDominicanaEquatorianaEslovacaEslovenaEspanholaEstonianaEtíopeFijianaFilipinaFinlandesaFrancêsGabonenseGambianaGeorgianaGermânicaGhanenseGibraltarenseGréciaGuatemaltecaGuineenseGuineense-BissauHaitianaHolandesaHondurenhaHúngaraIemenitaIraquianaIranianaIrlandesaIslândiaIsraelenseItalianoJamaicanaJaponesaJordanianaJudeuLaoLetãLibanesaLiberianaLituanaLuxemburguesaMacedônia do NorteMalawianaMalásiaMaltesaMaliMarroquinaMauricianaMexicanaMoldavaMongolMontenegrinaNauruanaNepalesaNigerinaNigerianaNorueguesaNova-iorquinaNova-zelandesaOutraPanamenhaParaguaiaPeruanaPolacaPortuguesaQuenianaQuirguizRomenaRuandenseRussoSenegalesaSérviaSicilianaSingapurenseSiriaSomaliSul-africanaSuecaSuíçaTailandesaTanzanianaTchecaTunisianaTurcaUcranianaVenezuelanaVietnamitaZambianaZimbabuenseSe a sua nacionalidade não constar na lista, selecione "Outra" Profissão \* Nível de Escolaridade \*1.º Ciclo2.º Ciclo3.º CicloEnsino SecundárioEnsino pós-SecundárioLicenciaturaMestradoDoutoramentoSem escolaridade ### Conhecimentos de LGP Tem conhecimentos de LGP \* - Sim - Não Tirou um curso na APS? \* - Sim - Não Qual foi o curso? \* - Curso letivo - Curso intensivo - Curso de Verão Qual foi o ano de conclusão? \* ### Relação com a Comunidade Surda É uma pessoa surda ou com deficiência auditiva? \* - Sim - Não Desde que idade? \* Grau de Surdez \* - Leve (25 a 40 dB) - Moderado (41 a 70 dB) - Severa (71 a 90 dB) - Profunda (acima de 90 dB) Utiliza tecnologia para ouvir? \* - Não - Próteses auditivas - Implantes cocleares Tem familiares surdos? \* - Sim - Não É professor(a) de surdos? \* - Sim - Não Trabalha com surdos? \* - Sim - Não ### Manifestação de Interesse Porque quer aprender Língua Gestual Portuguesa? \* O que pretende fazer depois de ter conhecimentos de Língua Gestual Portuguesa? \* ### Níveis e horários Escolha um horário \* - Manhã: 10h00 às 12h30 (Todos os dias úteis, Presencial) - Noite: 18h00 às 20h30 (Todos os dias úteis, Zoom) 06 a 21 de julho (30 horas) ### Proposta de Sócio Tem interesse em ser sócia(o) da APS? \* - Sim - Não - Já sou sócia(o) Qual o seu número de sócia(o)? \* ### Consentimento Tratamento de dados pessoais \* - Autorizo a Associação Portuguesa de Surdos a fazer o tratamento dos dados aqui descritos para efeitos de base de dados e comunicação com os formandos. Autorizo, também, que os dados, de forma anónima, sejam utilizados para inclusão de estatísticas no relatório final. Obrigatório Compromisso de honra \* - Declaro, sob compromisso de honra, serem verdadeiras as afirmações constantes deste formulário de inscrição. Obrigatório Fornecimento de dados à DGERT - Autorizo que os meus dados pessoais sejam fornecidos à DGERT/Sistema de acreditação de entidades formadoras, para efeitos de uma eventual auscultação. Opcional Enviar![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Documentação](https://apsurdos.org.pt/documentacao/) **Published:** Janeiro 16, 2024 **Author:** APS **Content:** ### Plano de Atividades e Orçamento [ ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/12/aps-pao2026.webp "aps-pao2026 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-pao2026.pdf) ##### [2026](/wp-content/uploads/aps-pao2026.pdf) [ ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/12/aps-pao2025.webp "aps-pao2025 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-pao2025.pdf) ##### [2025](/wp-content/uploads/aps-pao2025.pdf) [ ![Plano de Atividades e Orçamento 2024](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/aps-pao2024.webp "aps-pao2024 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-pao2024.pdf) ##### [2024](/wp-content/uploads/aps-pao2024.pdf) [ ![Plano de Atividades e Orçamento 2023](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/aps-pao2023.webp "aps-pao2023 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-pao2023.pdf) ##### [2023](/wp-content/uploads/aps-pao2023.pdf) [ ![Plano de Atividades e Orçamento 2022](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/aps-pao2022.webp "aps-pao2022 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-pao2022.pdf) ##### [2022](/wp-content/uploads/aps-pao2022.pdf) ### Relatório de Atividades e Contas [ ![Cover of the 2025 Relatório de Atividades e Contas for the Associação Portuguesa de Surdos, featuring the organization's logo and contact details.](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2026/04/raco2025-150x150.webp "rac2025 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-rac2025.pdf) ##### [2025](/wp-content/uploads/aps-rac2025.pdf) [ ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/aps-rac2024.webp "aps-rac2024 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-rac2024.pdf) ##### [2024](/wp-content/uploads/aps-rac2024.pdf) [ ![Relatório de Atividades e Contas 2023](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/aps-rac2023.webp "aps-rac2023 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-rac2023.pdf) ##### [2023](/wp-content/uploads/aps-rac2023.pdf) [ ![Relatório de Atividades e Contas 2022](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/aps-rac2022.webp "aps-rac2022 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-rac2022.pdf) ##### [2022](/wp-content/uploads/aps-rac2022.pdf) [ ![Relatório de Atividades e Contas 2021](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/aps-rac2021.webp "aps-rac2021 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-rac2021.pdf) ##### [2021](/wp-content/uploads/aps-rac2021.pdf) ### Contas de Gerência [ ![Contas de Gerência 2020](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/contas2020.webp "contas2020 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/contas2025.pdf) ##### [2025](/wp-content/uploads/contas2025.pdf) [ ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/04/contas2024.webp "contas2024 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/contas2024.pdf) ##### [2024](/wp-content/uploads/contas2024.pdf) [ ![Contas de Gerência 2023](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/contas2023.webp "contas2023 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/contas2023.pdf) ##### [2023](/wp-content/uploads/contas2023.pdf) [ ![Contas de Gerência 2022](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/contas2022.webp "contas2022 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/contas2022.pdf) ##### [2022](/wp-content/uploads/contas2022.pdf) [ ![Contas de Gerência 2021](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/contas2021.webp "contas2021 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/contas2021.pdf) ##### [2021](/wp-content/uploads/contas2021.pdf) ### Estatutos e Regulamentos [ ![Estatutos da APS](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/aps-estatutos.jpg "aps-estatutos - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/aps-estatutos.pdf) ##### [Estatutos (2017)](/wp-content/uploads/aps-estatutos.pdf) [ ![Regulamento Eleitoral 2023](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/regulamento-eleitoral-2023.jpg "regulamento-eleitoral-2023 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ](/wp-content/uploads/regulamento-eleitoral-2023.pdf) ##### [Regulamento Eleitoral (2023)](/wp-content/uploads/regulamento-eleitoral-2023.pdf) --- ### [Inscrição - Cursos Intensivos](https://apsurdos.org.pt/inscricao-cursos-intensivos/) **Published:** Janeiro 28, 2025 **Author:** APS **Content:** ## Não temos inscrições abertas atualmente. ## Inscrição nos Cursos Intensivos de Língua Gestual Portuguesa (LGP) Agradecemos o seu interesse nos nossos cursos de LGP! É um prazer poder partilhar consigo esta língua visual e rica em cultura, contribuindo para uma sociedade mais acessível e inclusiva. Antes de submeter a sua inscrição, pedimos que tenha a certeza de que deseja realmente avançar com o curso, evitando assim ocupar uma vaga que poderia ser atribuída a outra pessoa. A inscrição deve ser enviada **apenas uma vez**, não sendo necessário reenvios. Além disso, informamos que os pagamentos **não devem ser efetuados sem confirmação da turma**, a qual será enviada por nós, por e-mail. Caso necessite de alterar a opção de horário selecionada, basta enviar um e-mail com o seu pedido. Agradecemos a sua compreensão e colaboração! ### **Horários Disponíveis** Os cursos decorrem em diferentes horários para melhor conveniência dos formandos. Consulte abaixo as opções disponíveis: - 3.ª e 5.ª feiras, das 9h30 às 12h30 – **Início**: 10 de fevereiro \| **Fim**: 9 de julho Caso tenha preferência por um horário específico, certifique-se de selecionar corretamente no formulário. Please enable JavaScript in your browser to complete this form. ### Dados Pessoais Nome Completo \*Conforme está no seu documento de identificação Morada \*Preferencialmente, a morada onde podemos lhe enviar o certificado final do curso. Código Postal \* Localidade \* Distrito/Região \*AçoresAveiroBejaBragaBragançaCastelo BrancoCoimbraÉvoraFaroGuardaLeiriaLisboaMadeiraOutroPortalegrePortoSantarémSetúbalViana do CasteloVila RealViseuSe não residir em Portugal, selecione "Outro" Email \*O e-mail que será utilizado para contacto. Telemóvel \*O número de telemóvel que será utilizado para contacto. Data de Nascimento \*Clear Date N.º Identificação (CC) \* N.º Contribuinte (NIF) \* Nacionalidade \*AfegãAfricanaAlbanesaAlemãAmericanaAndorranaAngolanaAntiguanaArgentinaArmêniaAustralianaAustríacaAzerbaijanBahamenseBahrainitaBangladeshiBarbadenseBielorrussaBielorrussoBelgaBelizenhaBeninenseBolivianaBósnia e HerzegovinaBotsuanenseBrancaBrasileiraBúlgaraBurkinabéBurundenseCabo-verdianaCamaronesaCanadenseChadianaChinesaChinesa de Hong KongChinesa de MacauChinesa de TaiwanColombianaComorenseCongolesaCores do NorteCores do SulCosta-riquenhaCubanaDinamarquesaDominicanaEquatorianaEslovacaEslovenaEspanholaEstonianaEtíopeFijianaFilipinaFinlandesaFrancêsGabonenseGambianaGeorgianaGermânicaGhanenseGibraltarenseGréciaGuatemaltecaGuineenseGuineense-BissauHaitianaHolandesaHondurenhaHúngaraIemenitaIraquianaIranianaIrlandesaIslândiaIsraelenseItalianoJamaicanaJaponesaJordanianaJudeuLaoLetãLibanesaLiberianaLituanaLuxemburguesaMacedônia do NorteMalawianaMalásiaMaltesaMaliMarroquinaMauricianaMexicanaMoldavaMongolMontenegrinaNauruanaNepalesaNigerinaNigerianaNorueguesaNova-iorquinaNova-zelandesaOutraPanamenhaParaguaiaPeruanaPolacaPortuguesaQuenianaQuirguizRomenaRuandenseRussoSenegalesaSérviaSicilianaSingapurenseSiriaSomaliSul-africanaSuecaSuíçaTailandesaTanzanianaTchecaTunisianaTurcaUcranianaVenezuelanaVietnamitaZambianaZimbabuenseSe a sua nacionalidade não constar na lista, selecione "Outra" Profissão \* Nível de Escolaridade \*1.º Ciclo2.º Ciclo3.º CicloEnsino SecundárioEnsino pós-SecundárioLicenciaturaMestradoDoutoramentoSem escolaridade ### Conhecimentos de LGP Tem conhecimentos de LGP \* - Sim - Não Tirou um curso na APS? \* - Sim - Não Qual foi o curso? \* - Curso letivo - Curso intensivo - Curso de Verão Qual foi o ano de conclusão? \* ### Relação com a Comunidade Surda É uma pessoa surda ou com deficiência auditiva? \* - Sim - Não surdos? surda conhecimentos Desde que idade? \* Grau de Surdez \* - Leve (25 a 40 dB) - Moderado (41 a 70 dB) - Severa (71 a 90 dB) - Profunda (acima de 90 dB) Utiliza tecnologia para ouvir? \* - Não - Próteses auditivas - Implantes cocleares Tem familiares surdos? \* - Sim - Não É professor(a) de surdos? \* - Sim - Não Trabalha com surdos? \* - Sim - Não ### Manifestação de Interesse Porque quer aprender Língua Gestual Portuguesa? \* O que pretende fazer depois de ter conhecimentos de Língua Gestual Portuguesa? \* ### Níveis e horários Escolha um horário \* - Manhã: 9h30 às 12h30 (3.ª e 5.ª feiras \| Zoom) 10 de fevereiro a 9 de julho ### Proposta de Sócio Tem interesse em ser sócia(o) da APS? \* - Sim - Não - Já sou sócia(o) Os sócios da APS não pagam a inscrição (30€) e têm um desconto na mensalidade (75€/mês em vez de 82,50€/mês). O custo de ser sócio da APS é de 12€ ou 24€ por ano, conforme se é desempregado/estudante ou trabalha, mais 2€ pela emissão do cartão. Qual o seu número de sócia(o)? \* ### Consentimento Tratamento de dados pessoais \* - Autorizo a Associação Portuguesa de Surdos a fazer o tratamento dos dados aqui descritos para efeitos de base de dados e comunicação com os formandos. Autorizo, também, que os dados, de forma anónima, sejam utilizados para inclusão de estatísticas no relatório final. Obrigatório Compromisso de honra \* - Declaro, sob compromisso de honra, serem verdadeiras as afirmações constantes deste formulário de inscrição. Obrigatório Fornecimento de dados à DGERT - Autorizo que os meus dados pessoais sejam fornecidos à DGERT/Sistema de acreditação de entidades formadoras, para efeitos de uma eventual auscultação. Opcional Enviar![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Loja Gestual](https://apsurdos.org.pt/loja-gestual/) **Published:** Janeiro 16, 2024 **Author:** APS **Content:** [![Livros](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/book_4052389.webp "book_4052389 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](#LivrosTag)### [Livros](#LivrosTag) [![Livros Infantis](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/reading-book_2689128.webp "reading-book_2689128 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](#LivrosInfantisTag)### [Livros Infantis](#LivrosInfantisTag) [![Vestuário](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/shirt_998670.webp "shirt_998670 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](#VestuarioTag)### [Vestuário](#VestuarioTag) [![Outros](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/shopping-bag_3514254.webp "shopping-bag_3514254 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](#OutrosTag)### [Outros](#OutrosTag) [![Loja Gestual](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/cart_6907231.webp "Loja Gestual - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos")](#ComprarTag)### [Comprar](#ComprarTag) ## Livros ![Livro "Em Busca da Surdidade Vol. 1 - Colonização dos Surdos"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/26-300x208.webp "26 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Em Busca da Surdidade - Vol. 1 (Paddy Ladd) Sócio – 16,00€ \| Não Sócio – 19,00€ Este livro, de relevância académica e humana, é um “guia turístico” que propõe um novo conceito de cultura Surda, comparando-a com outras culturas minoritárias e discursos multilingues. ![Livro "Em Busca da Surdidade Vol. 2 - Compreender a Cultura Surda"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/25-300x208.webp "25 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Em Busca da Surdidade - Vol. 2 (Paddy Ladd) Sócio – 16,00€ \| Não Sócio – 19,00€ Este livro examina a cultura Surda, criticando o conceito médico de “surdez” e desafiando pressupostos audiocêntricos, destacando a riqueza linguística e social da comunidade Surda. ![Livro "O Grito da Gaivota"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/9-300x208.webp "9 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O Grito da Gaivota (Emmanuelle Laborit) Sócio – 12,00€ \| Não Sócio – 15,00€ Emmanuelle Laborit, surda profunda, narra sua vida marcada pelo silêncio, incompreensão, desafios diários, libertação, comunicação, reconhecimento e luta pela inclusão e igualdade. ![Livro "Os surdos na escola"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/23-300x208.webp "23 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Os Surdos na Escola (José Afonso Baptista) Sócio – 13,00€ \| Não Sócio – 16,00€ Estudo baseado em 30 anos de investigação demonstra que surdos têm a mesma inteligência e aptidão para linguagem que ouvintes. Promove escolas e apoio adequados. ![Livro "Breve História dos Surdos em Portugal e no Mundo"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/20-300x208.webp "20 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Breve História dos Surdos no Mundo (Paulo Vaz de Carvalho) Sócio – 13,00€ \| Não Sócio – 16,00€ Este livro explora eventos históricos da Comunidade Surda e destaca eventos e líderes surdos, dividido em duas partes: Mundo (172 páginas) e Portugal (36 páginas). ![Livro "Língua Gestual Portuguesa: História, Sociolinguística e Política Linguística"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/24-300x208.webp "24 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística (Filipe Venade) Sócio – 16,00€ \| Não Sócio – 19,00€ Obra multidisciplinar para compreensão da realidade da Língua Gestual Portuguesa e sua importância na identidade da Comunidade Surda. ![Livro "Léo, O Puto Surdo"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/13-300x208.webp "13 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Léo, O Puto Surdo (Yves Lapalu) Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ Léo, uma criança surda, enfrenta desafios de comunicação de forma bem-humorada e realista, valorizando a experiência surda e promovendo aceitação e orgulho. ![Livro "Surdos, 100 Piadas!"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/21-300x208.webp "21 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Surdos, 100 Piadas! (Yves Lapalu e Marc Renard) Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ Este livro reúne 100 piadas do folclore surdo, usando humor para retratar os desafios diários dos surdos, como situações inesperadas com aparelhos auditivos ou comunicação. ## Livros Infantis ![Livro "O Gato Branco"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/11-300x208.webp "11 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## O Gato Branco (APS e Betweien) Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ Sebastião, ansioso pelo primeiro dia de aulas, vive num mundo de silêncio. Clara descobre que esse mundo é mais ativo e vibrante do que pensava. ![Livro "A Turma do Dinis"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/2-300x208.webp "2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## A Turma do Dinis - 1.º Ano (Marta Morgado) ESGOTADO Sócio – 10,00€ \| Não Sócio – 13,00€ A Turma do Dinis é um material escolar em papel e vídeo, destinado a crianças surdas do primeiro ano, alinhado com o currículo de LGP e Português. ![Livro "Mamadu, O Herói Surdo"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/12-300x208.webp "12 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Mamadu, o Herói Surdo (Marta Morgado) Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ Mamadu conta a história de um menino surdo da Guiné-Bissau, que viaja para Portugal para estudar, inspirando outros. Inclui DVD. ![Livro "Sou Asas"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/22-300x208.webp "22 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Sou Asas (Marta Morgado) Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ Joana, surda, muda para uma escola de surdos, descobre a Língua Gestual e recebe o seu nome gestual, adquirindo uma nova identidade. ![Livro "Luanda, Lua"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/19-300x208.webp "19 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Luanda, Lua (Marta Morgado) Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ A história de Luanda, uma cachorra adotada por duas mães, celebra o amor familiar. A chegada de novos membros traz ainda mais alegria. ## Vestuário ![T-Shirt "Eu Sei Língua Gestual Portuguesa E Tu?"](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/3-300x208.webp "3 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## T-shirt - Eu Sei Língua Gestual Portuguesa e Tu? Sócio – 13,00€ \| Não Sócio – 15,00€ Cores disponíveis: branco, verde seco, preto, laranja, vermelho, cinzento ![Cachecol APS - Verde e Vermelho](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/28-300x208.webp "28 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Cachecol - Verde e Vermelho Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ Cachecol com design exclusivo da Associação Portuguesa de Surdos, destacando as cores e o emblema da APS. ![Cachecol APS - Branco](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/27-300x208.webp "27 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Cachecol - Branco Sócio – 11,00€ \| Não Sócio – 13,00€ Cachecol com design exclusivo da Associação Portuguesa de Surdos, destacando um fundo branco e o emblema da APS. ## Outros ![Íman - Bandeira Surda](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/10/14-300x208.webp "14 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Íman - Bandeira da C. Surda Sócio – 2,50€ \| Não Sócio – 3,50€ Íman com a bandeira oficial da Comunidade Surda, ideal para exibir em superfícies magnéticas e mostrar o orgulho pela comunidade. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/1-300x208.webp "1 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Íman - Eat Drink Sign Repeat Sócio – 2,50€ \| Não Sócio – 3,50€ Íman inspirado no espírito do bar da APS, ideal para colocar em qualquer superfície magnética e celebrar a convivência da Comunidade Surda com humor e estilo. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/4-300x208.webp "4 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Íman - My Hands are Louder Sócio – 2,50€ \| Não Sócio – 3,50€ Íman “My Hands are Louder than Your Voice”, uma mensagem impactante que celebra a força da comunicação em Língua Gestual — ideal para exibir em qualquer superfície magnética com orgulho e estilo. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/3-300x208.webp "3 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Íman - Beard Sócio – 2,50€ \| Não Sócio – 3,50€ Íman “Lip reading expert until you grow a beard”, uma frase divertida que revela os desafios do dia a dia da leitura labial — ideal para exibir com humor em qualquer superfície magnética. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/5-300x208.webp "5 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Íman - Gossip Sócio – 2,50€ \| Não Sócio – 3,50€ Íman “Yes, I’m interpreting your gossip too.”, um toque divertido e cheio de ironia para superfícies magnéticas — perfeito para intérpretes que não deixam escapar nada. ![](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/09/2-300x208.webp "2 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Íman - Interpreter Mode On Sócio – 2,50€ \| Não Sócio – 3,50€ Íman “Interpreter Mode: Always On!”, uma frase divertida e cheia de energia, perfeita para destacar a dedicação dos intérpretes em qualquer superfície magnética. ## Está interessado em algum produto? Peça aqui! Please enable JavaScript in your browser to complete this form. É sócio(a) da APS com as quotas pagas? \* - Sim - Não Qual o número de sócio? \* Produto 1 - Sócio \*Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 16,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 16,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 12,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 13,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 13,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 16,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 11,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 11,00 €Livro \| O Gato Branco - 11,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 11,00 €Livro \| Sou Asas - 11,00 €Livro \| Luanda, Lua - 11,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 11,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 11,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 2,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 2,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 2,50 €Outros \| Íman "Beard" - 2,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 2,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 2,50 €012345678910 Produto 2 - SócioLivro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 16,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 16,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 12,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 13,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 13,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 16,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 11,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 11,00 €Livro \| O Gato Branco - 11,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 11,00 €Livro \| Sou Asas - 11,00 €Livro \| Luanda, Lua - 11,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 11,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 11,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 2,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 2,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 2,50 €Outros \| Íman "Beard" - 2,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 2,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 2,50 €012345678910 sócio? Não de Produto 3 - SócioLivro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 16,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 16,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 12,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 13,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 13,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 16,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 11,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 11,00 €Livro \| O Gato Branco - 11,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 11,00 €Livro \| Sou Asas - 11,00 €Livro \| Luanda, Lua - 11,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 11,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 11,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 2,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 2,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 2,50 €Outros \| Íman "Beard" - 2,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 2,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 2,50 €012345678910 Produto 4 - SócioLivro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 16,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 16,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 12,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 13,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 13,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 16,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 11,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 11,00 €Livro \| O Gato Branco - 11,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 11,00 €Livro \| Sou Asas - 11,00 €Livro \| Luanda, Lua - 11,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 11,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 11,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 2,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 2,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 2,50 €Outros \| Íman "Beard" - 2,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 2,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 2,50 €012345678910 Produto 1 - Não Sócio \*Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 19,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 19,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 15,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 16,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 16,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 19,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 13,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 13,00 €Livro \| O Gato Branco - 13,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 13,00 €Livro \| Sou Asas - 13,00 €Livro \| Luanda, Lua - 13,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 15,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 13,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 3,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 3,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 3,50 €Outros \| Íman "Beard" - 3,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 3,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 3,50 €012345678910 Produto 2 - Não SócioLivro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 19,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 19,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 15,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 16,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 16,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 19,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 13,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 13,00 €Livro \| O Gato Branco - 13,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 13,00 €Livro \| Sou Asas - 13,00 €Livro \| Luanda, Lua - 13,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 15,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 13,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 3,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 3,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 3,50 €Outros \| Íman "Beard" - 3,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 3,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 3,50 €012345678910 Produto 3 - Não SócioLivro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 19,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 19,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 15,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 16,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 16,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 19,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 13,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 13,00 €Livro \| O Gato Branco - 13,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 13,00 €Livro \| Sou Asas - 13,00 €Livro \| Luanda, Lua - 13,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 15,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 13,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 3,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 3,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 3,50 €Outros \| Íman "Beard" - 3,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 3,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 3,50 €012345678910 Produto 4 - Não SócioLivro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 1 - 19,00 €Livro \| Em Busca da Surdidade - Vol. 2 - 19,00 €Livro \| O Grito da Gaivota - 15,00 €Livro \| Os Surdos na Escola - 16,00 €Livro \| Breve História dos Surdos no Mundo - 16,00 €Livro \| Língua Gestual Portuguesa - História, Sociolinguística e Política Linguística - 19,00 €Livro \| Léo, O Puto Surdo - 13,00 €Livro \| Surdos, 100 Piadas! - 13,00 €Livro \| O Gato Branco - 13,00 €Livro \| Mamadu, o Herói Surdo - 13,00 €Livro \| Sou Asas - 13,00 €Livro \| Luanda, Lua - 13,00 €Vestuário \| T-shirt - Eu Sei Língua Gestual - 15,00 €Vestuário \| Cachecol - Verde e Vermelho - 13,00 €Vestuário \| Cachecol - Branco - 13,00 €Outros \| Íman - Bandeira da C. Surda - 3,50 €Outros \| Íman "Eat Drink Sign Repeat" - 3,50 €Outros \| Íman "My Hands are Louder" - 3,50 €Outros \| Íman "Beard" - 3,50 €Outros \| Íman "Gossip" - 3,50 €Outros \| Íman "Interpreter Mode On" - 3,50 €012345678910 #### Ao valor total acrescerá os portes de envio, que iremos enviar depois de confirmarmos o stock existente. Nome \*First Last Email \* Telemóvel \* N.º Contribuinte (NIF) \* Morada de Envio \*Morada (Linha 1) Morada (Linha 2) Cidade Localidade Código Postal AfghanistanAlbaniaAlgeriaAmerican SamoaAndorraAngolaAnguillaAntarcticaAntigua and BarbudaArgentinaArmeniaArubaAustraliaAustriaAzerbaijanBahamasBahrainBangladeshBarbadosBelarusBelgiumBelizeBeninBermudaBhutanBolivia (Plurinational State of)Bonaire, Saint Eustatius and SabaBosnia and HerzegovinaBotswanaBouvet IslandBrazilBritish Indian Ocean TerritoryBrunei DarussalamBulgariaBurkina FasoBurundiCabo VerdeCambodiaCameroonCanadaCayman IslandsCentral African RepublicChadChileChinaChristmas IslandCocos (Keeling) IslandsColombiaComorosCongoCongo (Democratic Republic of the)Cook IslandsCosta RicaCroatiaCubaCuraçaoCyprusCzech RepublicCôte d'IvoireDenmarkDjiboutiDominicaDominican RepublicEcuadorEgyptEl SalvadorEquatorial GuineaEritreaEstoniaEswatini (Kingdom of)EthiopiaFalkland Islands (Malvinas)Faroe IslandsFijiFinlandFranceFrench GuianaFrench PolynesiaFrench Southern TerritoriesGabonGambiaGeorgiaGermanyGhanaGibraltarGreeceGreenlandGrenadaGuadeloupeGuamGuatemalaGuernseyGuineaGuinea-BissauGuyanaHaitiHeard Island and McDonald IslandsHondurasHong KongHungaryIcelandIndiaIndonesiaIran (Islamic Republic of)IraqIreland (Republic of)Isle of ManIsraelItalyJamaicaJapanJerseyJordanKazakhstanKenyaKiribatiKorea (Democratic People's Republic of)Korea (Republic of)KosovoKuwaitKyrgyzstanLao People's Democratic RepublicLatviaLebanonLesothoLiberiaLibyaLiechtensteinLithuaniaLuxembourgMacaoMadagascarMalawiMalaysiaMaldivesMaliMaltaMarshall IslandsMartiniqueMauritaniaMauritiusMayotteMexicoMicronesia (Federated States of)Moldova (Republic of)MonacoMongoliaMontenegroMontserratMoroccoMozambiqueMyanmarNamibiaNauruNepalNetherlandsNew CaledoniaNew ZealandNicaraguaNigerNigeriaNiueNorfolk IslandNorth Macedonia (Republic of)Northern Mariana IslandsNorwayOmanPakistanPalauPalestine (State of)PanamaPapua New GuineaParaguayPeruPhilippinesPitcairnPolandPortugalPuerto RicoQatarRomaniaRussian FederationRwandaRéunionSaint BarthélemySaint Helena, Ascension and Tristan da CunhaSaint Kitts and NevisSaint LuciaSaint Martin (French part)Saint Pierre and MiquelonSaint Vincent and the GrenadinesSamoaSan MarinoSao Tome and PrincipeSaudi ArabiaSenegalSerbiaSeychellesSierra LeoneSingaporeSint Maarten (Dutch part)SlovakiaSloveniaSolomon IslandsSomaliaSouth AfricaSouth Georgia and the South Sandwich IslandsSouth SudanSpainSri LankaSudanSurinameSvalbard and Jan MayenSwedenSwitzerlandSyrian Arab RepublicTaiwan, Republic of ChinaTajikistanTanzania (United Republic of)ThailandTimor-LesteTogoTokelauTongaTrinidad and TobagoTunisiaTurkmenistanTurks and Caicos IslandsTuvaluTürkiyeUgandaUkraineUnited Arab EmiratesUnited Kingdom of Great Britain and Northern IrelandUnited States Minor Outlying IslandsUnited States of AmericaUruguayUzbekistanVanuatuVatican City StateVenezuela (Bolivarian Republic of)VietnamVirgin Islands (British)Virgin Islands (U.S.)Wallis and FutunaWestern SaharaYemenZambiaZimbabweÅland IslandsPaís A morada de faturação é a mesma da morada de envio? \* - Sim - Não Morada de Faturação \*Morada (Linha 1) Morada (Linha 2) Cidade Localidade Código Postal AfghanistanAlbaniaAlgeriaAmerican SamoaAndorraAngolaAnguillaAntarcticaAntigua and BarbudaArgentinaArmeniaArubaAustraliaAustriaAzerbaijanBahamasBahrainBangladeshBarbadosBelarusBelgiumBelizeBeninBermudaBhutanBolivia (Plurinational State of)Bonaire, Saint Eustatius and SabaBosnia and HerzegovinaBotswanaBouvet IslandBrazilBritish Indian Ocean TerritoryBrunei DarussalamBulgariaBurkina FasoBurundiCabo VerdeCambodiaCameroonCanadaCayman IslandsCentral African RepublicChadChileChinaChristmas IslandCocos (Keeling) IslandsColombiaComorosCongoCongo (Democratic Republic of the)Cook IslandsCosta RicaCroatiaCubaCuraçaoCyprusCzech RepublicCôte d'IvoireDenmarkDjiboutiDominicaDominican RepublicEcuadorEgyptEl SalvadorEquatorial GuineaEritreaEstoniaEswatini (Kingdom of)EthiopiaFalkland Islands (Malvinas)Faroe IslandsFijiFinlandFranceFrench GuianaFrench PolynesiaFrench Southern TerritoriesGabonGambiaGeorgiaGermanyGhanaGibraltarGreeceGreenlandGrenadaGuadeloupeGuamGuatemalaGuernseyGuineaGuinea-BissauGuyanaHaitiHeard Island and McDonald IslandsHondurasHong KongHungaryIcelandIndiaIndonesiaIran (Islamic Republic of)IraqIreland (Republic of)Isle of ManIsraelItalyJamaicaJapanJerseyJordanKazakhstanKenyaKiribatiKorea (Democratic People's Republic of)Korea (Republic of)KosovoKuwaitKyrgyzstanLao People's Democratic RepublicLatviaLebanonLesothoLiberiaLibyaLiechtensteinLithuaniaLuxembourgMacaoMadagascarMalawiMalaysiaMaldivesMaliMaltaMarshall IslandsMartiniqueMauritaniaMauritiusMayotteMexicoMicronesia (Federated States of)Moldova (Republic of)MonacoMongoliaMontenegroMontserratMoroccoMozambiqueMyanmarNamibiaNauruNepalNetherlandsNew CaledoniaNew ZealandNicaraguaNigerNigeriaNiueNorfolk IslandNorth Macedonia (Republic of)Northern Mariana IslandsNorwayOmanPakistanPalauPalestine (State of)PanamaPapua New GuineaParaguayPeruPhilippinesPitcairnPolandPortugalPuerto RicoQatarRomaniaRussian FederationRwandaRéunionSaint BarthélemySaint Helena, Ascension and Tristan da CunhaSaint Kitts and NevisSaint LuciaSaint Martin (French part)Saint Pierre and MiquelonSaint Vincent and the GrenadinesSamoaSan MarinoSao Tome and PrincipeSaudi ArabiaSenegalSerbiaSeychellesSierra LeoneSingaporeSint Maarten (Dutch part)SlovakiaSloveniaSolomon IslandsSomaliaSouth AfricaSouth Georgia and the South Sandwich IslandsSouth SudanSpainSri LankaSudanSurinameSvalbard and Jan MayenSwedenSwitzerlandSyrian Arab RepublicTaiwan, Republic of ChinaTajikistanTanzania (United Republic of)ThailandTimor-LesteTogoTokelauTongaTrinidad and TobagoTunisiaTurkmenistanTurks and Caicos IslandsTuvaluTürkiyeUgandaUkraineUnited Arab EmiratesUnited Kingdom of Great Britain and Northern IrelandUnited States Minor Outlying IslandsUnited States of AmericaUruguayUzbekistanVanuatuVatican City StateVenezuela (Bolivarian Republic of)VietnamVirgin Islands (British)Virgin Islands (U.S.)Wallis and FutunaWestern SaharaYemenZambiaZimbabweÅland IslandsPaís Comprar![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Inscrição - Cursos Letivos](https://apsurdos.org.pt/inscricao-cursos-letivos/) **Published:** Agosto 5, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Content:** ## Não temos inscrições abertas atualmente. ## Inscrição nos Cursos Letivos de Língua Gestual Portuguesa (LGP) Agradecemos o seu interesse nos nossos cursos de LGP! É um prazer poder partilhar consigo esta língua visual e rica em cultura, contribuindo para uma sociedade mais acessível e inclusiva. Antes de submeter a sua inscrição, pedimos que tenha a certeza de que deseja realmente avançar com o curso, evitando assim ocupar uma vaga que poderia ser atribuída a outra pessoa. A inscrição deve ser enviada **apenas uma vez**, não sendo necessário reenvios. Além disso, informamos que os pagamentos **não devem ser efetuados sem confirmação da turma**, a qual será enviada por nós, por e-mail. Caso necessite de alterar a opção de horário selecionada, basta enviar um e-mail com o seu pedido. Agradecemos a sua compreensão e colaboração! ### **Horários Disponíveis** Os cursos decorrem em diferentes horários para melhor conveniência dos formandos. Consulte abaixo as opções disponíveis: Nível 1 Manhã: - 10h00 às 13h00, aos sábados, presencial - 10h00 às 12h00, às 2.ª e 4.ª feiras, Zoom - 10h00 às 12h00, às 3.ª e 5.ª feiras, presencial Tarde: - 14h00 às 16h00, às 2.ª e 4.ª feiras, presencial Noite: - 18h00 às 20h00, às 3.ª e 5.ª feiras, Zoom - 19h00 às 21h00, às 3.ª e 5.ª feiras, Zoom - 19h00 às 21h00, às 2.ª e 4.ª feiras, Zoom O calendário das aulas é o seguinte: - Às 2.ª e 4.ª feiras, começa no dia 13 de outubro de 2025 e termina no dia 8 de junho de 2026 - Às 3.ª e 5.ª feiras, começa no dia 14 de outubro de 2025 e termina no dia 2 de junho de 2026 - Aos sábados, começa no dia 20 de setembro de 2025 e termina no dia 25 de julho de 2026 Nível 2 Manhã: - 10h00 às 13h00, aos sábados, presencial Noite: - 18h00 às 20h00, às 3.ª e 5.ª feiras, Zoom O calendário das aulas é o seguinte: - Às 3.ª e 5.ª feiras, começa no dia 14 de outubro de 2025 e termina no dia 2 de junho de 2026 - Aos sábados, começa no dia 20 de setembro de 2025 e termina no dia 25 de julho de 2026 Nível 3 Manhã: - 10h00 às 13h00, aos sábados, presencial Noite: - 19h00 às 21h00, às 2.ª e 4.ª feiras, Zoom O calendário das aulas é o seguinte: - Às 2.ª e 4.ª feiras, começa no dia 13 de outubro de 2025 e termina no dia 8 de junho de 2026 - Aos sábados, começa no dia 20 de setembro de 2025 e termina no dia 25 de julho de 2026 Nível 4 Noite: - 19h00 às 21h00, às 2.ª e 4.ª feiras, Zoom O calendário das aulas é o seguinte: - Às 2.ª e 4.ª feiras, começa no dia 13 de outubro de 2025 e termina no dia 8 de junho de 2026 Caso tenha preferência por um horário específico, certifique-se de selecionar corretamente no formulário. Please enable JavaScript in your browser to complete this form. ### Dados Pessoais Nome Completo \*Conforme está no seu documento de identificação Morada \*Preferencialmente, a morada onde podemos lhe enviar o certificado final do curso. a Desde ter Código Postal \* Localidade \* Distrito/Região \*AçoresAveiroBejaBragaBragançaCastelo BrancoCoimbraÉvoraFaroGuardaLeiriaLisboaMadeiraOutroPortalegrePortoSantarémSetúbalViana do CasteloVila RealViseuSe não residir em Portugal, selecione "Outro" Email \*O e-mail que será utilizado para contacto. Telemóvel \*O número de telemóvel que será utilizado para contacto. Data de Nascimento \*Clear Date N.º Identificação (CC) \* N.º Contribuinte (NIF) \* Nacionalidade \*AfegãAfricanaAlbanesaAlemãAmericanaAndorranaAngolanaAntiguanaArgentinaArmêniaAustralianaAustríacaAzerbaijanBahamenseBahrainitaBangladeshiBarbadenseBielorrussaBielorrussoBelgaBelizenhaBeninenseBolivianaBósnia e HerzegovinaBotsuanenseBrancaBrasileiraBúlgaraBurkinabéBurundenseCabo-verdianaCamaronesaCanadenseChadianaChinesaChinesa de Hong KongChinesa de MacauChinesa de TaiwanColombianaComorenseCongolesaCores do NorteCores do SulCosta-riquenhaCubanaDinamarquesaDominicanaEquatorianaEslovacaEslovenaEspanholaEstonianaEtíopeFijianaFilipinaFinlandesaFrancêsGabonenseGambianaGeorgianaGermânicaGhanenseGibraltarenseGréciaGuatemaltecaGuineenseGuineense-BissauHaitianaHolandesaHondurenhaHúngaraIemenitaIraquianaIranianaIrlandesaIslândiaIsraelenseItalianoJamaicanaJaponesaJordanianaJudeuLaoLetãLibanesaLiberianaLituanaLuxemburguesaMacedônia do NorteMalawianaMalásiaMaltesaMaliMarroquinaMauricianaMexicanaMoldavaMongolMontenegrinaNauruanaNepalesaNigerinaNigerianaNorueguesaNova-iorquinaNova-zelandesaOutraPanamenhaParaguaiaPeruanaPolacaPortuguesaQuenianaQuirguizRomenaRuandenseRussoSenegalesaSérviaSicilianaSingapurenseSiriaSomaliSul-africanaSuecaSuíçaTailandesaTanzanianaTchecaTunisianaTurcaUcranianaVenezuelanaVietnamitaZambianaZimbabuenseSe a sua nacionalidade não constar na lista, selecione "Outra" Profissão \* Nível de Escolaridade \*1.º Ciclo2.º Ciclo3.º CicloEnsino SecundárioEnsino pós-SecundárioLicenciaturaMestradoDoutoramentoSem escolaridade ### Conhecimentos de LGP Tem conhecimentos de LGP \* - Sim - Não Tirou um curso na APS? \* - Sim - Não Qual foi o curso? \* - Curso letivo - Curso intensivo - Curso de Verão Qual foi o ano de conclusão? \* ### Relação com a Comunidade Surda É uma pessoa surda ou com deficiência auditiva? \* - Sim - Não Desde que idade? \* Grau de Surdez \* - Leve (25 a 40 dB) - Moderado (41 a 70 dB) - Severa (71 a 90 dB) - Profunda (acima de 90 dB) Utiliza tecnologia para ouvir? \* - Não - Próteses auditivas - Implantes cocleares Tem familiares surdos? \* - Sim - Não É professor(a) de surdos? \* - Sim - Não Trabalha com surdos? \* - Sim - Não ### Manifestação de Interesse Porque quer aprender Língua Gestual Portuguesa? \* O que pretende fazer depois de ter conhecimentos de Língua Gestual Portuguesa? \* ### Níveis e horários Qual o nível que vai frequentar? \* - Nível 1 - Nível 2 - Nível 3 - Nível 4 Escolha um horário (Nível 1) \* - Tarde: 14h00 às 16h00 (2.ª e 4.ª feiras \| Presencial) 2ª e 4ª-feiras - De 13/10/2025 a 08/06/2026 3ª e 5ª-feiras - De 14/10/2025 a 02/06/2026 Sábados - De 20/09/2025 a 25/07/2026 Manhã: 10h00 às 13h00 (Sábados \| Presencial) Manhã: 10h00 às 12h00 (2.ª e 4.ª feiras \| Zoom) Manhã: 10h00 às 12h00 (3.ª e 5.ª feiras \| Presencial) Noite: 19h00 às 21h00 (2.ª e 4.ª feiras \| Zoom) Noite: 18h00 às 20h00 (3.ª e 5.ª feiras \| Zoom) Noite: 19h00 às 21h00 (3.ª e 5.ª feiras \| Zoom) Qual a sua disponibilidade para outros horários? (Nível 1) - Tarde: 14h00 às 16h00 (2.ª e 4.ª feiras \| Presencial) Se não houver inscrições suficientes para abrir turma no horário que escolheu, pedimos que nos diga outros horários em que está disponível. Assim, podemos tentar colocar a sua inscrição noutro horário. Mais tarde, vamos confirmar tudo consigo. 2ª e 4ª-feiras - De 13/10/2025 a 08/06/2026 3ª e 5ª-feiras - De 14/10/2025 a 02/06/2026 Sábados - De 20/09/2025 a 25/07/2026 Escolha um horário (Nível 2) \* - Manhã: 10h00 às 13h00 (Sábados \| Presencial) - Noite: 18h00 às 20h00 (3.ª e 5.ª feiras \| Zoom) 3ª e 5ª-feiras - De 14/10/2025 a 02/06/2026 Sábados - De 20/09/2025 a 25/07/2026 Qual a sua disponibilidade para outros horários? (Nível 2) - Manhã: 10h00 às 13h00 (Sábados \| Presencial) - Noite: 18h00 às 20h00 (3.ª e 5.ª feiras \| Zoom) Se não houver inscrições suficientes para abrir turma no horário que escolheu, pedimos que nos diga outros horários em que está disponível. Assim, podemos tentar colocar a sua inscrição noutro horário. Mais tarde, vamos confirmar tudo consigo. 3ª e 5ª-feiras - De 14/10/2025 a 02/06/2026 Sábados - De 20/09/2025 a 25/07/2026 Escolha um horário (Nível 3) \* - Manhã: 10h00 às 13h00 (Sábados \| Presencial) - Noite: 19h00 às 21h00 (2.ª e 4.ª feiras \| Zoom) 2ª e 4ª-feiras - De 13/10/2025 a 08/06/2026 Sábados - De 20/09/2025 a 25/07/2026 Qual a sua disponibilidade para outros horários? (Nível 3) - Manhã: 10h00 às 13h00 (Sábados \| Presencial) - Noite: 19h00 às 21h00 (2.ª e 4.ª feiras \| Zoom) Se não houver inscrições suficientes para abrir turma no horário que escolheu, pedimos que nos diga outros horários em que está disponível. Assim, podemos tentar colocar a sua inscrição noutro horário. Mais tarde, vamos confirmar tudo consigo. 2ª e 4ª-feiras - De 13/10/2025 a 08/06/2026 Sábados - De 20/09/2025 a 25/07/2026 Escolha um horário (Nível 4) \* - Noite: 19h00 às 21h00 (2.ª e 4.ª feiras \| Zoom) 2ª e 4ª-feiras - De 13/10/2025 a 08/06/2026 ### Proposta de Sócio Tem interesse em ser sócia(o) da APS? \* - Sim - Não - Já sou sócia(o) Os sócios da APS não pagam a inscrição (30€) e têm um desconto na mensalidade (50€/mês em vez de 55€/mês). O custo de ser sócio da APS é de 12€ ou 24€ por ano, conforme se é desempregado/estudante ou trabalha, mais 2€ pela emissão do cartão. Qual o seu número de sócia(o)? \* ### Consentimento Tratamento de dados pessoais \* - Autorizo a Associação Portuguesa de Surdos a fazer o tratamento dos dados aqui descritos para efeitos de base de dados e comunicação com os formandos. Autorizo, também, que os dados, de forma anónima, sejam utilizados para inclusão de estatísticas no relatório final. Obrigatório Compromisso de honra \* - Declaro, sob compromisso de honra, serem verdadeiras as afirmações constantes deste formulário de inscrição. Obrigatório Fornecimento de dados à DGERT - Autorizo que os meus dados pessoais sejam fornecidos à DGERT/Sistema de acreditação de entidades formadoras, para efeitos de uma eventual auscultação. Opcional Enviar![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Bolsa de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa](https://apsurdos.org.pt/bolsa-de-interpretes-de-lingua-gestual-portuguesa/) **Published:** Maio 28, 2025 **Author:** Pedro Mourão **Content:** # Bolsa de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa A Associação Portuguesa de Surdos (APS) dispõe de uma **Bolsa de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa (LGP)** com o objetivo de garantir uma resposta eficaz, ética e de qualidade às múltiplas solicitações da Comunidade Surda em diversos contextos. Esta bolsa destina-se a **intérpretes certificados(1) e com experiência profissional** que desejem colaborar com a APS em regime de prestação de serviços, em áreas como: ### Educação ### Cultura ### Eventos ### Conferências ### Outros (1) Intérpretes ouvintes deverão apresentar certificação válida. No caso de intérpretes surdos, valorizamos a experiência prática, o domínio do Gesto Internacional ou outras competências relevantes, mesmo sem certificação formal. ## Porquê integrar a nossa Bolsa? Fazer parte da Bolsa de Intérpretes da APS é mais do que aceitar serviços — é alinhar-se com uma causa concreta, enraizada na realidade da Comunidade Surda, **liderada por quem vive essa realidade**. Aqui, a Língua Gestual Portuguesa não é um serviço ocasional, mas uma expressão profunda de identidade e pertença. - **Participação ativa numa organização liderada por Pessoas Surdas** Na APS, decisões e prioridades são definidas por quem vive, com profundidade, a importância da Língua Gestual Portuguesa. Valorizamos intérpretes que compreendem que o seu papel é garantir que a comunicação flui com fidelidade e respeito, nunca se sobrepondo à voz original. Trabalhar connosco é contribuir para que cada Pessoa Surda fale por si — e não por terceiros. - **Apoio técnico e ético permanente** A nossa equipa está disponível para apoiar, preparar e acompanhar. Privilegiamos intérpretes que não receiam crescer, ajustar, melhorar. Que entendem que a ética não é um apêndice, mas a base de uma prática digna. - **Remuneração justa e transparente** Acreditamos que o reconhecimento justo do trabalho passa por respeito mútuo, seriedade nos compromissos e clareza nos entendimentos. A nossa abordagem é personalizada e proporcional ao contexto de cada serviço, procurando sempre equilíbrio entre as condições da instituição e a dignidade do profissional. - **Flexibilidade com responsabilidade** Cada profissional gere a sua disponibilidade com liberdade. Entretanto, essa liberdade caminha lado a lado com um compromisso claro e uma responsabilidade ética: estar presente onde faz diferença, com rigor, respeito e consciência do impacto que o seu trabalho representa. - **Crescimento num terreno fértil** A diversidade de contextos — culturais, educativos, comunitários, institucionais — desafia a superficialidade. É um terreno para quem deseja mais do que repetições automáticas. Para quem deseja deixar marca, não apenas presença. ## Processo de inscrição Se reúne os critérios e gostaria de colaborar connosco, preencha o formulário abaixo. A equipa da APS analisará as candidaturas e poderá entrar em contacto para uma reunião inicial. A submissão do formulário não garante entrada automática na bolsa. Acreditamos que o trabalho em equipa, o respeito pela LGP enquanto língua plena e o conhecimento das dinâmicas da Comunidade Surda são pilares essenciais para uma prática de interpretação com impacto real. ## Envie-nos a sua candidatura através deste formulário Please enable JavaScript in your browser to complete this form. ### Dados Pessoais Nome Completo \* Data de Nascimento \*Clear Date Email \* Telemóvel Morada \* Código Postal \* Localidade \* Distrito de Residência \*AveiroBejaBragaBragançaCastelo BrancoCoimbraÉvoraFaroGuardaLeiriaLisboaPortalegrePortoRegião Autónoma dos AçoresRegião Autónoma da MadeiraSantarémSetúbalViana do CasteloVila RealViseu Número de identificação fiscal (NIF) \* Género \*FemininoMasculinoNão-binárioPrefiro não dizerOutro Etnia \*Branca (Caucasiana)Pessoa de Cor (BIPOC) Eu sou... \* - Pessoa Surda - Ouvinte - CODA ### Formação Académica e Certificação Tem licenciatura na área de interpretação de Língua Gestual Portuguesa? \* - Sim - Não Instituição de Ensino Superior onde concluiu o curso de Língua Gestual Portuguesa \* - Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) - Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE-IPS) - Escola Superior de Educação do Porto (ESE-IPP) - Outra Qual foi a instituição onde concluiu o curso? \* Certificado de conclusão do curso \* Drag & Drop Files, Choose Files to Upload Só serão aceites documentos em formato PDF Outros cursos ou formações relevantes ### Experiência Profissional Quantos anos de experiência tem como intérprete de LGP? Valor selecionado: 0 Áreas de especialização/atuação \* - Assuntos Gerais - Aulas e formações - Conferências, Palestras e Seminários - Ensino Superior - Espetáculos de Música - Museu e Turismo - Religião (Missa e outros) - Saúde - Teatro - Televisão e Notícias - Tribunais e Assuntos Legais Experiência com plataformas online (Zoom, Teams, outros) \* - Sim - Não Qual é a sua situação profissional atual? \* - Estou a trabalhar como Intérprete de Língua Gestual - Estou a trabalhar noutra área - Estou desempregada(o) Como avaliaria a sua capacidade de traduzir para LGP \* | Sem conhecimentos Fluente | |---| | 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | Como avaliaria a sua capacidade de traduzir para Voz \* | Sem conhecimentos Fluente | |---| | 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | Como avaliaria a sua capacidade de traduzir para Escrita \* | Sem conhecimentos Fluente | |---| | 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | Como avaliaria a sua capacidade de traduzir para Gesto Internacional \* | Sem conhecimentos Fluente | |---| | 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | Como avaliaria a sua capacidade de interpretação Táctil? \* | Sem conhecimentos Fluente | |---| | 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | Tem conhecimentos de inglês? \* - Sim - Não Domina outras línguas estrangeiras (orais/escritas/gestuais)? \* - Sim - Não Quais? \* Declaração de Veracidade e Avaliação \* - Declaro que respondi de forma honesta e verdadeira quanto à minha autoavaliação e aceito ser avaliado/a em relação aos meus conhecimentos caso a APS considere necessário. ### Disponibilidade e Localização Disponibilidade de 2.ª a 6.ª feira \* - Manhã - Tarde - Noite Disponibilidade aos fins-de-semana e feriados \* - Manhã - Tarde - Noite Tem carta de condução? \* - Sim - Não Tem viatura própria? \* - Sim - Não Em que distritos tem disponibilidade para serviços? \* - Aveiro - Beja - Braga - Bragança - Castelo Branco - Coimbra - Évora - Faro - Guarda - Leiria - Lisboa - Portalegre - Porto - Região Autónoma dos Açores - Região Autónoma da Madeira - Santarém - Setúbal - Viana do Castelo - Vila Real - Viseu Aceita interpretar/traduzir em sessões que sejam gravadas? \* - Sim - Não Aceita interpretar/traduzir na televisão? \* - Sim - Não Se existirem determinados tipos de serviços que não aceita realizar, indique-os ### Experiência na Comunidade Surda Costuma ter contacto frequente com a Comunidade Surda? \* - Sim - Não Detalhe a sua experiência \* - Sou Intérprete de LGP em contexto comunitário - Trabalho ou colaborei com associações de surdos - Participo regularmente em eventos da Comunidade Surda - Tenho familiares ou amigos surdos com quem interajo frequentemente - Fui voluntária(o) em projetos para a Comunidade Surda - Outro Se selecionou "Outro", detalhe esta experiência \* Com que frequência interage com a Comunidade Surda? \* - Diariamente - Semanalmente - Mensalmente - Ocasionalmente Nome das associações/grupos com os quais colaborou ou colabora Descreva brevemente a sua experiência e o seu papel nas interações com a Comunidade Surda ### Materiais e Equipamentos Tem acesso a computador e internet estável para interpretação à distância? \* - Sim - Não Possui auriculares e microfone de qualidade? \* - Sim - Não Possui webcam de alta definição? \* - Sim - Não Tem um fundo preto? \* - Sim - Não Tem um fundo verde para chroma key? \* - Sim - Não ### Outras Informações Curriculum Vitae (CV) \* Drag & Drop Files, Choose Files to Upload Só serão aceites documentos em formato PDF Carta de Motivação (opcional) Drag & Drop Files, Choose Files to Upload Só serão aceites documentos em formato PDF Portefólio (opcional) Drag & Drop Files, Choose Files to Upload Podes carregar até 3 ficheiros. Link para vídeos de interpretação (Campo 1) Link para vídeos de interpretação (Campo 2) Link para vídeos de interpretação (Campo 3) ### Consentimento e Validação de Dados Consentimento \* - Autorizo a Associação Portuguesa de Surdos (APS) a fazer o tratamentos dos dados aqui fornecidos exclusivamente para efeitos da Bolsa de Intérpretes de Língua Gestual. é (Campo de Validação \* - Declaro que todas as informações e dados aqui fornecidos por mim são verdadeiros. Enviar![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Contribuição para o blog Voz Gestual](https://apsurdos.org.pt/contribuicao-voz-gestual/) **Published:** Dezembro 2, 2024 **Author:** APS **Content:** ![Logótipo da APS](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/aps-128x128-1.png "aps-128x128 - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Termos e Condições - Submissão de Conteúdos ao blog Voz Gestual da APS ### 1. Introdução Estes Termos e Condições regem a submissão de conteúdos ao Blog Voz Gestual da Associação Portuguesa de Surdos (APS). Ao submeter qualquer conteúdo, o utilizador concorda em cumprir os termos descritos abaixo. Estes termos destinam-se a garantir a inclusão, o respeito e a segurança de todas as contribuições. ### 2. Elegibilidade para Submissão Podem submeter conteúdos surdos ou aliados que tenham interesse em partilhar experiências, perspetivas, opiniões ou outros tipos de informações relevantes para a Comunidade Surda. Todos os autores devem ser maiores de 18 anos ou ter a autorização de um tutor legal. ### 3. Tipos de Conteúdos Aceites O blog aceita diversos tipos de conteúdos, incluindo: - Artigos escritos; - Vídeos em Língua Gestual Portuguesa (LGP); - Crónicas pessoais; - Reflexões e opiniões; - Avaliações e críticas de produtos/serviços; - Artigos científicos ou empíricos. ### 4. Direitos de Autor e Originalidade Ao submeter um conteúdo, o autor declara que é o criador original do mesmo e que não está a infringir os direitos de autor de terceiros. Todo o conteúdo submetido deve ser original, sem violação de direitos de propriedade intelectual. Se algum material de terceiros for utilizado, o autor deve obter a devida permissão e referenciar claramente a fonte. ### 5. Direitos de Utilização Ao submeter o conteúdo ao blog da APS, o autor concede à APS o direito não exclusivo, perpétuo e irrevogável de usar, reproduzir, adaptar, publicar, traduzir e distribuir o conteúdo no blog e em outras plataformas associadas à APS, sem compensação. Os autores serão devidamente creditados quando os seus conteúdos forem publicados. ### 6. Edição e Modificação de Conteúdos A APS reserva-se o direito de editar e modificar o conteúdo submetido para garantir a clareza, o cumprimento dos padrões editoriais, e a adequação ao público do blog. Tais edições serão feitas de forma a manter a integridade e a intenção original do autor. Por fim, todas as edições serão previamente aprovadas pelo autor antes da publicação final. ### 7. Conduta e Respeito Os conteúdos submetidos devem respeitar os valores da APS, incluindo a inclusão, a diversidade e o respeito pelos outros. Conteúdos ofensivos, discriminatórios, difamatórios ou que incitem ao ódio não serão aceites e serão removidos sem aviso prévio. ### 8. Padrões de Acessibilidade Para efeitos de acessibilidade, os vídeos em LGP devem ser submetidos com fundo e roupa pretas, de modo a maximizar a acessibilidade visual (este é o padrão requerido). Entretanto, se se tratar de uma pessoa de cor (BIPOC), poderá, em alternativa, utilizar fundo e roupa clara para garantir um bom contraste. Este padrão aplica-se exclusivamente a vídeos de discurso direto para a câmara. No caso de filmes e outros tipos de vídeos, haverá maior flexibilidade, ficando ao critério da APS avaliar a elegibilidade do conteúdo. ### 9. Responsabilidade do Autor O autor é exclusivamente responsável pelo conteúdo submetido e pelas consequências da sua publicação. A APS não assume qualquer responsabilidade pelo material submetido por terceiros. ### 10. Privacidade e Dados Pessoais Os dados pessoais recolhidos através do formulário de submissão serão usados exclusivamente para fins de comunicação relacionada à submissão de conteúdos. A APS compromete-se a proteger a privacidade dos utilizadores e a não partilhar dados pessoais com terceiros sem autorização. ### 11. Aceitação dos Termos Ao submeter o seu conteúdo, o autor confirma que leu e aceitou estes Termos e Condições na íntegra. A APS reserva-se o direito de atualizar estes Termos a qualquer momento, e as alterações serão publicadas na página dedicada. ### 12. Contacto Se tiver alguma questão sobre estes Termos e Condições, pode contactar a APS através do e-mail: apsurdos@apsurdos.org.pt ## Envie-nos a sua contribuição através deste formulário Please enable JavaScript in your browser to complete this form. Nome Completo \* E-mail \* Telemóvel Tipo de Contribuição \* - Artigo escrito - Vídeo em LGP - Crónica pessoal - Reflexão e opinião - Avaliação e crítica de produtos/serviços - Artigo científico ou empírico de Link Autorização Título da Contribuição \* Resumo da Contribuição \*2 ou 3 frases, de forma a entendermos o tema principal e o objetivo do conteúdo. Formato da Submissão \* - Vídeo em LGP - Texto Escrito Link do vídeo (YouTube) \* Texto \* Drag & Drop Files, Choose Files to Upload Máximo 5MB, apenas documentos em PDF serão aceites. Autorização para Edição \* - Concordo que a APS possa editar o conteúdo submetido para melhorar a clareza e adaptação ao blog. Autorização para Publicação \* - Concordo com a publicação no Blog Voz Gestual da APS. Declaração de Direitos Autorais \* - Declaro ser o autor do conteúdo submetido e que não estou a infringir direitos de terceiros. Termos e Condições \* - Declaro que li e aceito os termos e condições de submissão de conteúdos ao blog Voz Gestual da APS. Enviar![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Órgãos Sociais](https://apsurdos.org.pt/orgaos-sociais/) **Published:** Janeiro 15, 2024 **Author:** APS **Content:** ## Quadriénio de 2024 - 2027 ## Mesa da Assembleia Geral Órgão responsável por conduzir e organizar as reuniões da Assembleia Geral, que é a instância máxima de deliberação da associação. A sua função principal é garantir o funcionamento adequado das assembleias, zelando pela ordem dos trabalhos, pelo cumprimento dos estatutos e pela legitimidade das decisões tomadas pelos associados. ![Paulo Garcia](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/paulogarcia.webp "Paulo Garcia") ### Paulo Garcia Presidente ![Isabel Pinheiro](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/isabelpinheiro.webp "Isabel Pinheiro") ### Isabel Pinheiro Vice-Presidente ![Paula Pimpão](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/paulapimpao.webp "Paula Pimpão") ### Paula Pimpão Secretária ## Direção Órgão executivo responsável pela gestão diária da Associação Portuguesa de Surdos. A sua função principal é assegurar a implementação das decisões da Assembleia Geral, supervisionar as atividades da associação, gerir os seus recursos financeiros e humanos, e representar a APS perante entidades externas. A Direção coordena todos os projetos e iniciativas, garantindo o cumprimento dos estatutos e dos objetivos definidos pela associação. ![Pedro Mourão](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/pedromourao.webp "Pedro Mourão") ### Pedro Mourão Presidente ![Susana Carvalho](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/susanacarvalho2.webp "Susana Carvalho") ### Susana Carvalho Vice-Presidente ![Francisco Vaz](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/franciscomourato.webp "Francisco Vaz") ### Francisco Vaz Secretário ![João Carvalheiros](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/joaocarvalheiros.webp "João Carvalheiros") ### João Carvalheiros Vogal ![Miguel Cruz](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/miguelcruz.webp "Miguel Cruz") ### Miguel Cruz Vogal ## Conselho Fiscal Órgão fiscalizador responsável pela supervisão da gestão financeira e patrimonial da Associação Portuguesa de Surdos. A sua função principal é garantir que a administração dos recursos da associação é feita de forma transparente, legal e eficiente. O Conselho Fiscal analisa contas, relatórios financeiros e audita a atividade da Direção, assegurando que as decisões cumprem os requisitos legais e estatutários. ![Hugo Couto](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/hugocouto.webp "Hugo Couto") ### Hugo Couto Presidente ![Carla Benge](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/carlabenge.webp "Carla Benge") ### Carla Benge Secretária ![Hugo Passos](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/11/hugopassos.webp "Hugo Passos") ### Hugo Passos Relator --- ### [Interpretação e Tradução](https://apsurdos.org.pt/interpretacao-e-traducao/) **Published:** Janeiro 15, 2024 **Author:** APS **Content:** ![Intérpretes de Língua Gestual entre gerações](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/header-interpretacaoetraducao.webp "header-interpretacaoetraducao - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ### Aqui onde a Voz Surda é autêntica ### Os primeiros intérpretes cursos serviços surgiram na APS. ## A nossa Equipa ## Profissionais Surdos e Ouvintes A nossa equipa é composta por intérpretes surdos e ouvintes qualificados, garantindo uma tradução precisa e autêntica da Língua Gestual. ## Conhecimentos Atualizados Mantemos a nossa equipa constantemente atualizada com o vocabulário e as melhores práticas de interpretação e tradução. ## Múltiplas Línguas Gestuais Oferecemos serviços de interpretação em Gesto Internacional e outras línguas gestuais, para além da Língua Gestual Portuguesa. ## Tipo de Serviços ![Intérprete a trabalhar no call-center](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/imagem-callcenter.webp "imagem-callcenter - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Interpretação A interpretação em LGP é o processo de converter, em tempo real, a informação falada para Língua Gestual Portuguesa, facilitando a comunicação imediata entre surdos e ouvintes. ![Intérprete a traduzir num estúdio](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/imagem-estudio.webp "imagem-estudio - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Tradução A tradução em LGP envolve a conversão de textos escritos ou materiais gravados para Língua Gestual Portuguesa, garantindo o acesso à informação de forma clara e fiel. ## Categorias ## Assuntos Legais Interpretação em contextos jurídicos, como advogado, notário, tribunal e segurança social. ## Educação Serviços de interpretação para escolas, universidades, e reuniões com pais. ## Saúde Interpretação em consultas médicas, hospitais e contextos relacionados com saúde. ## Negócios e Finanças Apoio em reuniões de trabalho, assuntos bancários e finanças pessoais. ## Comunicações e Serviços Públicos Interpretação em áreas de telecomunicações, condomínios e segurança social. ## Vida Familiar Suporte em situações familiares, como reuniões e encontros com instituições ligadas à família. ## Cultura, Turismo e Restauração Interpretação em restaurantes, serviços turísticos, alojamento e museus. ## Tradução e Legendas Tradução de conteúdos e criação de legendas para vídeos e outros formatos. ## Marcação e Consultoria Assistência na marcação de consultas e serviços diversos, como seguros ou polícia. ## Entre em contacto connosco para pedir um orçamento. Please enable JavaScript in your browser to complete this form. Nome do Cliente \* Email \* Tipo de Serviço \* - Interpretação (direta e simultânea, sem repetições) - Tradução (via gravações e com possibilidade de repetições) Na dúvida, ver a seção acima no que diz respeito a interpretações e traduções. O que temos de traduzir? \* - Áudio - Textos - Vídeos Qual o ritmo para o tempo das traduções? \* - Fixo - Flexível Por exemplo, se querem que o vídeo de tradução tenha exatamente X minutos de tradução para ser incluído noutro vídeo ou uma fonte diferente, ou se a tradução é um vídeo independente, podendo ter um ritmo flexível (e de maior qualidade). Qual o tempo total do(s) áudio(s) em minutos? \* Qual o número total de palavras do(s) texto(s) \* Qual o tempo total do(s) vídeo(s) em minutos? \* Prazo de entrega das traduções \*Clear Date Prazos urgentes poderão ter um custo acrescido. Tipo de fundo \* - ![Preto](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/fundo-preto-ILGP.webp "Preto")Preto - ![Chroma key](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/chroma-key-ILGP.webp "Chroma key")Chroma key O fundo preto é o formato mais indicado para a melhor acessibilidade, que inclui também as pessoas surdocegas. O chroma key é mais indicado para quem deseja integrar o vídeo noutra fonte com a remoção do fundo. De notar que o chroma key tem **custos acrescidos**, enquanto o fundo preto é a opção mais económica. Qual a área para a qual requer interpretação? \*Conferências - Congressos e SemináriosConferências - Empresariais e AcadémicasConferências - Eventos GovernamentaisConferências - Reuniões e AssembleiasConferências - OutrosCultura - EspetáculosCultura - Museu e ExposiçõesCultura - Visitas GuiadasCultura - OutrosDesporto - EventosDesporto - Jogos e CompetiçõesDesporto - Treinos e AulasDesporto - OutrosEducação - EscolaEducação - FormaçãoEducação - UniversidadeEducação - OutrosEmprego - EntrevistaEmprego - FormaçãoEmprego - ReuniõesEmprego - OutrosJustiça - ConsultoriaJustiça - NotárioMídia - Rádio e PodcastsMídia - Televisão e NotíciasMídia - Vídeos e Conteúdos DigitaisMídia - OutrosOutrosReligião - Casamentos e BatizadosReligião - CatequeseReligião - Missas e CultosReligião - OutrosSaúde - ConsultasSaúde - PsicólogoSaúde - OutrosServiços Públicos - ConservatóriasServiços Públicos - FinançasServiços Públicos - Segurança SocialServiços Públicos - OutrosSe não tiver certeza de qual categoria deve escolher, selecione "Outros" Que frequência de serviço pretende? \* - Pontual (uma vez) - Contínua (várias vezes) Data do serviço \* Hora de início \* Hora de fim \* As horas a serem indicadas não são obrigatórias dado que por vezes não se tem esta informação ainda, mas se a tiver e se forem vários períodos diferentes, indique-os. Data de início \* Data de fim \* Hora 1 - início Hora 1 - fim Hora 2 - Início Hora 2 - fim Hora 3 - Início Hora 3 - fim Hora 4 - Início Hora 4 - fim de Nome Cliente Local do serviço \* Para qual língua gestual temos de traduzir? \* - Língua Gestual Portuguesa - Gesto Internacional - Ambas - Outra língua gestual A Língua Gestual Portuguesa é normalmente direcionada para a Comunidade Surda Portuguesa, enquanto o Gesto Internacional abrange um público composto por diferentes nacionalidades. Qual o conteúdo da interpretação/tradução? \*Forneça o maior número de detalhes possível, para que possamos saber exatamente o que iremos traduzir. Pedir Orçamento![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Estatutos](https://apsurdos.org.pt/estatutos/) **Published:** Janeiro 16, 2024 **Author:** APS **Content:** Para descarregar a versão em PDF, clique [ aqui](/wp-content/uploads/aps-estatutos.pdf). Aprovada na Assembleia Geral de **1 de julho de 2017** (Ata nº 134/2017) Capítulo I - Associação Capítulo II - Sócios Capítulo III - Corpos Sociais Capítulo IV - Outras Disposições Capítulo I - Associação **Artigo 1.º Natureza e Fins** 1. A Associação Portuguesa de Surdos, designada abreviadamente por APS, é uma instituição particular de solidariedade social, livre e independente dos poderes políticos, religiosos e sociais, que se rege pelos presentes estatutos e pela lei geral aplicável. 2. A APS prossegue a sua atividade em todo o território nacional, incluindo as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. 3. A APS tem a sua sede em Lisboa, na Rua Professor Orlando Ribeiro, número cinco, loja B. 4. A APS tem como fim a defesa e promoção dos interesses sociais, culturais, educativos, desportivos, económicos e profissionais das pessoas surdas, zelando pelo cumprimento dos direitos e deveres dos surdos, em plena igualdade com a legislação em vigor. 5. As línguas utilizadas na APS são a Língua Gestual Portuguesa (LGP) e o Português. **Artigo 2.º Missão** 1. Para a realização dos seus objetivos compete especialmente à APS, em conformidade com as ordens jurídicas nacional e internacional: 1. Defender os direitos dos surdos, em igualdade com os demais cidadãos; 2. Contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas surdas; 3. Defender o total acesso das pessoas surdas à informação e à comunicação em todas áreas; 4. Defender, preservar, valorizar, difundir e informar acerca da língua, da cultura e da identidade da comunidade surda portuguesa; 5. Defender a qualidade da educação e do ensino bilingue e bicultural para os alunos surdos; 6. Defender a qualidade da formação dos surdos; 7. Defender a qualidade da formação geral, profissional e académica na área da LGP; 8. Garantir espaços de encontro para a comunidade surda através da organização de eventos e atividades de índole científica, cultural e desportiva, a nível nacional e internacional. 3. Afirmar-se enquanto organização de referência no que respeita o conhecimento da comunidade surda e a qualidade linguística da LGP. **Artigo 3.º Funcionamento** 1. A APS poderá estabelecer e celebrar acordos de cooperação com instituições públicas e privadas nacionais e estrangeiras, em projetos e atividades que prossigam fins idênticos de defesa dos interesses e direitos dos surdos. 2. A organização e funcionamento dos diversos setores de atividade constarão de regulamentos internos. 3. Os serviços prestados pela instituição poderão ser remunerados de acordo com a situação económico-financeira dos utentes. 4. As tabelas de comparticipação dos utentes são elaboradas em conformidade com as normas legais aplicáveis e com os acordos de cooperação celebrados com os serviços competentes. Capítulo II - Sócios **Artigo 4.º Admissão** 1. Pode ser sócio da APS qualquer pessoa que se proponha contribuir para a realização dos fins da APS mediante o pagamento de quotas fixadas internamente. 2. O exercício dos mandatos para os órgãos sociais é reservado aos sócios com, pelo menos, um ano de vida associativa. 3. Há duas categorias de sócios: 1. Efetivos: todos os sócios maiores de dezoito anos na plena fruição dos seus direitos associativos; 2. Auxiliares: todos os sócios menores de dezassete anos, inclusive, que queiram participar nas atividades desportivas e culturais promovidas pela APS. 5. A admissão de sócios auxiliares é imediata e a de sócios efetivos é decidida pela direção. 6. As propostas de admissão de sócios efetivos e auxiliares devem estar afixadas na sede da APS por, pelo menos, quinze dias. 7. Durante este período de tempo, qualquer sócio poderá apresentar oposição à admissão do candidato a sócio, contestando a mesma por escrito, verbalmente ou em LGP junto da direção. 8. A qualidade de sócio não é transmissível, quer por ato entre vivos, quer por sucessão. 9. O sócio que por qualquer forma deixar de pertencer à associação não tem direito a reaver as quotizações que haja pago. **Artigo 5.º Direitos** 1. São direitos dos sócios efetivos: 1. Participar ativamente (votar e contribuir com opiniões e comentários) nas reuniões da assembleia geral; 2. Eleger e ser eleito para os cargos sociais da APS, após um ano de vida associativa; 3. Requerer a convocação da assembleia geral extraordinária; 4. Contestar junto da direção a admissão de qualquer sócio; 5. Examinar os livros, relatórios, contas e demais documentos, desde que o requeiram por escrito com a antecedência mínima de oito dias; 6. Apresentar sugestões que sejam julgadas convenientes para a prossecução dos fins da APS; 7. Usufruir dos serviços da APS com condições especiais previamente estabelecidas; 8. Inquirir junto dos órgãos competentes da APS sobre a atividade de qualquer setor da APS. 3. A admissão de sócios auxiliares é imediata e a de sócios efetivos é decidida pela direção. **Artigo 6.º Deveres** 1. Constituem deveres dos sócios efetivos: 1. Participar nas assembleias gerais e noutras reuniões para as quais forem atempadamente convocados; 2. Desempenhar com dedicação, eficiência e honestidade os cargos para que forem eleitos ou nomeados; 3. Cooperar com os corpos sociais e outros órgãos da APS sempre que solicitados; 4. Pagar as quotas fixadas, consoante as condições estabelecidas; 5. Cumprir os presentes estatutos e outros regulamentos da APS, bem como zelar pelo cumprimento dos mesmos; 6. Respeitar e cumprir as deliberações das assembleias gerais, assim como as decisões tomadas pelas direções; 7. Colaborar em iniciativas promovidas pela APS com vista à defesa dos interesses dos surdos; 8. Ser portador do seu cartão de identificação de sócio da APS, e apresentá-lo sempre que tal lhe seja solicitado; 9. Informar a sede sempre que ocorre a mudança de residência ou a alteração de qualquer outro dado pessoal. 3. Constituem deveres dos sócios auxiliares os indicados nas alíneas e) a i), mediante consentimento do encarregado de educação. 4. Não podem usufruir dos direitos mencionados no artigo quinto, os sócios que tiverem pelo menos um ano de quotas em atraso. 5. O atraso injustificado na liquidação das quotas por um período superior a dois anos implica a perda da condição de sócio. 6. Os sócios referidos no número anterior serão objeto de uma intenção de eliminação, comunicada por carta registada pela direção. Após trinta dias, contados a partir da data de expedição daquela carta é formalizada a eliminação do sócio. **Artigo 7.º Sanções** 1. Aos sócios da APS, que de qualquer modo tenham praticado atos contrários aos objetivos da APS ou suscetíveis de afetar o prestígio daquela, ou que tenham desrespeitado a necessária disciplina e compostura nas suas instalações, ou ainda que tenham desrespeitado os estatutos da APS poderão ser alvo de penas de repreensão, de suspensão, entre um mês e um ano, ou de expulsão da APS. 2. As sanções disciplinares referidas no número anterior são aplicadas por decisão da direção, excetuando-se a pena de expulsão que é aplicada por decisão maioritária, em voto secreto, tomada pela assembleia geral, sob proposta da direção. 3. Aos sócios que são alvo de um processo ou de sanções disciplinares, é-lhes facultado o direito de utilizar todos os meios que lhes permitam apresentar a sua defesa, incluindo o recurso à interpretação em Língua Gestual Portuguesa. 4. Perdem a qualidade de sócios: 1. Aqueles que pedirem a exoneração; 2. Aqueles que virem os seus direitos revogados; 3. Aqueles cujas quotas não sejam regularizadas num período máximo de dois anos. 6. Um sócio que tenha sido eliminado e que, após um período mínimo de dois anos, queira propor-se novamente o sócio poderá fazê-lo de acordo com as condições estabelecidas em regulamento interno. 7. Os membros dos mesmos corpos sociais não podem ser reeleitos ou novamente designados se tiverem sido condenados em processo judicial por sentença transitada em julgado, em Portugal ou no estrangeiro, por crime doloso contra o património, abuso de cartão de garantia ou de crédito, usura, insolvência dolosa ou negligente, apropriação ilegítima de bens do setor público ou não lucrativo, falsificação, corrupção e branqueamento de capitais, salve se, entretanto, tiver ocorrido extinção da pena. 8. Não podem ser eleitos para os corpos sociais os sócios que tenham sido objeto de expulsão. 9. A proibição referida no ponto anterior poderá ser retirada mediante votação da assembleia geral. Capítulo III - Corpos Sociais   **Artigo 8.º Disposições Gerais** 1. São corpos sociais da APS a assembleia geral, a direção e o conselho fiscal. 2. Compete aos corpos sociais gerir todas as atividades desenvolvidas pela APS. 3. Os corpos sociais não podem ser constituídos maioritariamente por trabalhadores da APS. 4. O presidente do conselho fiscal não pode ser trabalhador da APS. 5. É vedado aos sócios proporem-se a mais de um cargo e a mais de uma lista candidata aos corpos sociais da APS. 6. Os membros dos corpos sociais são sócios efetivos fluentes em LGP, que não tenham sido alvo de processo disciplinar. 7. O presidente da direção deve ser surdo com fluência em LGP. 8. O exercício de qualquer cargo nos corpos sociais é gratuito, mas pode justificar o pagamento de despesas dele derivadas.   **Artigo 9.º Deliberações** 1. Os membros dos corpos sociais não poderão votar em assuntos que diretamente lhes digam respeito, ou nos quais sejam interessados os respetivos cônjuges ou pessoa com quem vivam em condições análogas às dos cônjuges, ascendentes, descendentes ou qualquer parente ou afim em linha reta ou no 2.º grau da linha colateral. 2. As decisões tomadas por qualquer elemento dos corpos sociais da APS fora da respetiva competência são anuláveis. 3. Além dos motivos previstos na lei, os membros dos corpos sociais ficam exonerados de responsabilidade se: 1. Não tiverem tomado parte na respetiva resolução e a reprovarem com declaração na ata da sessão imediata em que se encontrem presentes; 2. Tiverem votado contra essa resolução e o fizerem consignar na ata respetiva. 5. Os membros dos corpos sociais são responsáveis civil e criminalmente pelas faltas ou irregularidades cometidas nos exercício do seu mandato. 6. Das reuniões dos corpos sociais serão sempre lavradas atas em livro próprio numerado e rubricado, que serão obrigatoriamente assinadas pelos membros presentes ou, quando respeitem a reuniões da assembleia geral, pelos membros da respetiva mesa, podendo os sócios ter acesso às mesmas. 7. As deliberações são tomadas por maioria de votos dos titulares presentes, tendo o presidente, além do seu voto, direito a voto de desempate.   **Artigo 10.º Mandato** 1. A duração do mandato dos titulares dos corpos sociais é de quatro anos. 2. Os titulares dos corpos sociais mantêm-se em funções até à posse dos novos titulares. 3. O exercício do mandato dos titulares dos corpos sociais só pode ter início após a respetiva tomada de posse, sem prejuízo do disposto no número cinco. 4. A posse é dada pelo presidente cessante da mesa da assembleia geral e deve ter lugar até ao 30.º dia posterior ao da eleição. 5. Caso o presidente cessante da mesa da assembleia geral não confira a posse até ao 30.º dia posterior ao da eleição, os titulares eleitos pela assembleia geral entram em exercício independentemente da posse, salvo se a deliberação de eleição tiver sido suspensa por procedimento cautelar. 6. O presidente da direção só pode ser eleito para três mandatos consecutivos. 7. A inobservância do disposto no presente artigo determina a nulidade da eleição.   **Artigo 11.º Vacatura** 1. Perdem o mandato os membros dos corpos sociais da APS que sejam colocados em situação que os torne inelegíveis ou de manifesta incompatibilidade. 2. Em caso de vacatura de qualquer um dos membros dos corpos sociais, procede-se à sua substituição no prazo máximo de um mês, sendo a informação aos sócios afixada publicamente de imediato e terminando o seu mandato aquando os restantes membros. 3. No caso de ocorrer uma demissão em bloco de qualquer órgão dos corpos sociais, ou da maior parte dos elementos de quaisquer órgãos, este só cessará as suas funções após a tomada de posse dos novos membros do órgão que lhe suceder.   **Artigo 12.º Assembleia Geral** 1. A assembleia geral é dirigida por uma mesa composta por três membros: um presidente, um vice-presidente e um secretário. 2. Em caso de ausência dos membros da mesa, compete à assembleia geral nomear dos respetivos substitutos de entre os sócios presentes, cujas funções cessarão no final da mesma. 3. É da competência da mesa da assembleia geral: 1. Proceder à convocação da assembleia geral; 2. Dirigir, orientar e disciplinar os trabalhos da assembleia geral; 3. Decidir sobre reclamações relativas ao processo eleitoral; 4. Conferir posse aos órgãos sociais eleitos; 5. Esclarecer dúvidas que envolvam a interpretação dos presentes estatutos; 6. Lavrar as respetivas atas.   **Artigo 13.º Competência da Assembleia Geral** 1. É da competência da assembleia geral: 1. Definir as linhas fundamentais de atuação da APS; 2. Eleger e destituir a totalidade ou parte dos membros dos corpos sociais; 3. Apreciar, discutir e votar a aprovação ou a rejeição do relatório de atividades e de contas do ano anterior e do plano de atividades e do orçamento para o ano seguinte apresentados pela direção, após o parecer do conselho fiscal; 4. Aprovar menções honrosas e membros beneméritos; 5. Decidir sobre a expulsão de sócios que pelo comportamento tenham causado sérios prejuízos ao bom nome da APS e à harmonia entre os sócios; 6. Deliberar sobre a aquisição onerosa e a alienação, a qualquer título, de bens imóveis e de outros bens patrimoniais; 7. Decidir sobre a realização de empréstimos; 8. Aprovar a adesão a uniões, federações, confederações ou outras entidades; 9. Deliberar sobre a alteração dos estatutos; 10. Deliberar sobre a extinção, fusão ou cisão da APS; 11. Autorizar a APS a demandar os membros dos corpos sociais por factos praticados no exercício das suas funções. 3. As matérias das alíneas i) e j), assim como outros assuntos que se revelem manifestamente pertinentes, são tratados em assembleia geral extraordinária.   **Artigo 14.º Convocação da Assembleia Geral** 1. A assembleia geral é convocada com, pelo menos, 15 dias de antecedência, pelo presidente da mesa ou pelo seu substituto. 2. A convocatória é afixada na sede da APS e é também feita pessoalmente, por meio de aviso eletrónico ou postal expedido para cada sócio. 3. Independentemente das convocatórias, é dada publicidade à realização das assembleias gerais nos espaços institucionais da APS, quer os físicos quer os virtuais. 4. Da convocatória deve constar o dia, a hora, o local e a ordem de trabalhos da assembleia geral. 5. Os documentos referentes aos diversos pontos da ordem de trabalhos devem estar disponíveis para consulta na sede e no sítio institucional da APS, logo que a convocatória seja expedida por correio para os sócios.   **Artigo 15.º Organização da Assembleia Geral** 1. A assembleia geral reunirá em sessões ordinárias e extraordinárias ao acordo com a direção e conselho fiscal. 2. A assembleia geral reunirá à hora marcada na convocatória se estiverem presentes mais de metade dos sócios ou trinta minutos depois com qualquer número de sócios. 3. Constitui-se a assembleia geral e são válidas as decisões tomadas, quando o número de sócios presentes e os termos em que a convocação tiver sido feita estiverem de acordo com a legislação aplicável, os estatutos e a reunião se efetuar no local, dia e hora constantes da convocatória. 4. As deliberações da assembleia geral são tomadas por maioria simples de votos, não se contando as abstenções, podendo a votação ser feita através de escrutínio secreto, quando tal se justificar. 5. É exigida maioria qualificada, de, pelo menos, dois terços dos votos expressos na aprovação das matérias das alíneas h), i), j) e k) do número um do artigo 13.º. 6. No caso das alíneas i) e j) do número um do artigo 13º, a dissolução não tem lugar se, pelo menos, vinte e dois sócios se declararem dispostos a assegurar a permanência da APS, qualquer que seja o número de votos contra. 7. São anuláveis as deliberações contrárias à lei ou aos estatutos, seja pelo seu objeto, seja em virtude de irregularidades havidas na convocação ou no funcionamento da assembleia geral, assim como as deliberações tomadas sobre matérias que não constem da ordem de trabalhos fixada na convocatória, salvo se estiverem presentes ou devidamente representados todos os sócios no pleno gozo dos seus direitos e todos concordarem com o aditamento. 8. Os sócios podem fazer-se representar por outros sócios nas sessões, mediante procuração devidamente reconhecida, sendo que cada sócio não pode representar mais de um sócio.   **Artigo 16.º Sessões Ordinárias** 1. As reuniões ordinárias realizar-se-ão obrigatoriamente duas vezes em cada ano, uma até trinta e um de março para apreciação e votação do relatório de contas e de atividades do ano anterior e outra até quinze de novembro para apreciação e votação do orçamento e do plano de atividades para o ano seguinte. 2. Nas sessões ordinárias, a assembleia geral poderá tratar de qualquer assunto, desde que incluído na ordem de trabalhos e na respetiva convocatória, exceto alteração dos estatutos, fusão e liquidação da APS. 3. A assembleia geral para fins eleitorais reunirá ordinariamente de quatro em quatro anos, até trinta e um de dezembro, para exercer as atribuições previstas no artigo seguinte. 4. As disposições sobre a organização e funcionamento do ato eleitoral na assembleia geral para fins eleitorais serão estabelecidas no respetivo regulamento eleitoral, elaborado e aprovado em assembleia geral.   **Artigo 17.º Sessões Extraordinárias** 1. A assembleia geral reúne extraordinariamente quando convocada pelo presidente da mesa, por iniciativa deste, a pedido da direção, do conselho fiscal ou a requerimento de, no mínimo, 10% dos número de sócios no pleno gozo dos seus direitos. 2. A assembleia deve realizar-se no prazo máximo de trinta dias a contar da data da receção do pedido ou requerimento. 3. Para a assembleia geral poder funcionar quando requerida pelos sócios é indispensável estarem presentes três quartos dos requerentes. 4. As deliberações sobre reforma ou quaisquer alterações dos estatutos da APS exigem o voto favorável de pelo menos três quartos dos sócios presentes na assembleia geral em cuja ordem de trabalhos figure este assunto.   **Artigo 18.º Direção** 1. A direção é composta por cinco membros: um presidente, um vice-presidente, um secretário e dois vogais que se reúnem regularmente, sempre que estejam presentes, pelo menos, três dos seus membros. 2. É da competência da direção gerir a APS e representá-la, incumbindo-lhe, sem prejuízo das disposições legais aplicáveis: 1. Garantir a efetivação dos direitos dos beneficiários, zelando pelo cumprimento da lei, dos estatutos e das deliberações dos órgãos da associação; 2. Representar a APS em juízo ou fora dele, nomeando, quando necessário, representantes da APS; 3. Criar, organizar e dirigir os serviços da APS, elaborando os necessários regulamentos internos de acordo com o regulamento geral; 4. Administrar os bens da APS e transmiti-los por inventário à direção que lhe suceder; 5. Apresentar anualmente à assembleia geral o relatório de contas e de atividades, acompanhados do parecer do conselho fiscal, referente ao ano anterior, e o orçamento e o plano de atividades, relativo ao ano seguinte; 6. Exercer a sua competência disciplinar sobre os sócios em atos que digam respeito à APS; 7. Contratar e gerir o pessoal da associação. 4. Para obrigar a APS são necessárias e bastantes, as assinaturas de três membros da direção, devendo uma delas ser sempre a do presidente ou a do vice-presidente, exceto em atos de mero expediente em que bastará a assinatura de um dos membros da direção. 5. A direção e o conselho fiscal são convocados pelos respetivos presidentes, por iniciativa destes, ou a pedido da maioria dos seus membros.   **Artigo 19.º Conselho Fiscal** 1. O conselho fiscal é composto por três membros: um presidente, um secretário e um relator. 2. Compete ao conselho fiscal: 1. Zelar pelo cumprimento das disposições estatutárias e regulamentares e deliberações da assembleia geral; 2. Dar parecer sobre o relatório de contas anual apresentado pela direção e sobre outros assuntos que lhe sejam submetidos pela assembleia geral e pela direção. 4. O conselho fiscal reunirá, pelo menos, uma vez por semestre e extraordinariamente sempre que um dos seus elementos o convocar e funcionará logo que estejam presentes dois dos seus membros. Capítulo IV - Outras Disposições   **Artigo 20.º Regime Financeiro** 1. Constituem bens patrimoniais da APS as aquisições próprias e as heranças, legados e doações instituídas a seu favor e por aquela aceite. 2. Constituem receitas da APS: 1. O produto das quotas dos sócios; 2. As comparticipações dos utentes, tais como as resultantes dos cursos de LGP, entre outras; 3. Os rendimentos de bens próprios, tais como as resultantes de materiais produzidos pela APS; 4. As heranças, legados e doações instituídas a seu favor e por aquela aceite e respetivos rendimentos; 5. Os subsídios concedidos pelo estado ou por outras entidades públicas ou privadas; 6. Donativos e produtos de festas, subscrições e outras iniciativas; 7. Quaisquer outras receitas não especificadas. 3. Os capitais da APS são depositados à ordem, e, por decisão da direção, também a prazo, na(s) respetiva(s) conta(s) bancária(s) de que é titular. 4. Carecem de autorização da assembleia geral da APS: 1. Aquisição de bens imóveis a título oneroso; 2. Alienação de imóveis a qualquer título; 3. Realização de empréstimos. 5. Podem ser efetuadas vendas ou arrendamentos de bens imóveis da APS por negociação direta, quando seja previsíveis que daí advenham vantagens para a APS, ou por motivo de urgência fundamentada em ata. 6. As contas do exercício são publicitadas obrigatoriamente no sítio institucional até 31 de maio do ano seguinte a que dizem respeito.   **Artigo 21.º Fusão, Dissolução e Liquidação** 1. A fusão da APS com outras associações, substituindo esta, terá de ser deliberada em assembleia geral extraordinária, convocada exclusivamente para tal fim, sendo que as deliberações só podem ser tomadas com voto favorável de três quartos do número de sócios presentes. 2. A APS pode dissolver-se por deliberação da assembleia geral convocada exclusivamente para tal fim, salvo se, pelo menos, vinte e dois membros se declarem dispostos a assegurar a permanência da associação, qualquer que seja o número de votos contra. 3. Dissolvendo-se a APS a sua liquidação e partilha serão feitas nos termos da lei.   **Artigo 22.º Disposições Transitórias** 1. Estas disposições estatutárias serão completadas, se necessário, por um regulamento geral aprovado em assembleia geral. 2. Os casos omissos serão resolvidos de acordo com a legislação em vigor, v.g. pela aplicação de disposições do Código Civil e demais legislação aplicável. --- ### [Consultoria](https://apsurdos.org.pt/consultoria/) **Published:** Janeiro 16, 2024 **Author:** APS **Content:** ## Consultoria Especializada para a Comunidade Surda Na APS, oferecemos serviços de consultoria dedicados à criação de ambientes acessíveis e inclusivos para a Comunidade Surda. Desde a adaptação de espaços físicos a estratégias de comunicação e materiais multimédia, ajudamos empresas, organizações e eventos a serem mais inclusivos. ## Acessibilidade em Espaços Públicos e Privados Adaptamos espaços como escolas, locais de trabalho, eventos e museus para garantir acessibilidade total para surdos. Oferecemos recomendações específicas para a sinalização visual, acessos e ambiente comunicativo. ## Adaptação de Conteúdos Multimédia Ajudamos a adaptar vídeos, websites e apresentações através da implementação de legendas, vídeos em LGP e outras tecnologias que promovem a acessibilidade digital para a Comunidade Surda. ## Formação e Sensibilização Oferecemos formações para empresas e instituições sobre como interagir eficazmente com a Comunidade Surda, promovendo a inclusão e uma comunicação fluida através de metodologias e práticas acessíveis. ## Consultoria para Projetos Inclusivos Trabalhamos desde o início com empresas que desejam criar produtos, serviços e projetos que respondam às necessidades da Comunidade Surda, garantindo que as soluções implementadas sejam eficazes e inclusivas. ## Processo ### 1. Diagnóstico **Realizamos uma análise detalhada do projeto ou espaço para identificar as áreas que necessitam de adaptação.** ### 2. 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Qual o tempo total do(s) áudio(s) em minutos? \* Qual o número total de palavras do(s) texto(s) \* Qual o tempo total do(s) vídeo(s) em minutos? \* Prazo de entrega das traduções \*Clear Date Prazos urgentes poderão ter um custo acrescido. Tipo de fundo \* - ![Preto](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/fundo-preto-ILGP.webp "Preto")Preto - ![Chroma key](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2025/01/chroma-key-ILGP.webp "Chroma key")Chroma key O fundo preto é o formato mais indicado para a melhor acessibilidade, que inclui também as pessoas surdocegas. O chroma key é mais indicado para quem deseja integrar o vídeo noutra fonte com a remoção do fundo. De notar que o chroma key tem **custos acrescidos**, enquanto o fundo preto é a opção mais económica. Qual a área para a qual requer interpretação? \*Conferências - Congressos e SemináriosConferências - Empresariais e AcadémicasConferências - Eventos GovernamentaisConferências - Reuniões e AssembleiasConferências - OutrosCultura - EspetáculosCultura - Museu e ExposiçõesCultura - Visitas GuiadasCultura - OutrosDesporto - EventosDesporto - Jogos e CompetiçõesDesporto - Treinos e AulasDesporto - OutrosEducação - EscolaEducação - FormaçãoEducação - UniversidadeEducação - OutrosEmprego - EntrevistaEmprego - FormaçãoEmprego - ReuniõesEmprego - OutrosJustiça - ConsultoriaJustiça - NotárioMídia - Rádio e PodcastsMídia - Televisão e NotíciasMídia - Vídeos e Conteúdos DigitaisMídia - OutrosOutrosReligião - Casamentos e BatizadosReligião - CatequeseReligião - Missas e CultosReligião - OutrosSaúde - ConsultasSaúde - PsicólogoSaúde - OutrosServiços Públicos - ConservatóriasServiços Públicos - FinançasServiços Públicos - Segurança SocialServiços Públicos - OutrosSe não tiver certeza de qual categoria deve escolher, selecione "Outros" Que frequência de serviço pretende? \* - Pontual (uma vez) - Contínua (várias vezes) Data do serviço \* Hora de início \* Hora de fim \* As horas a serem indicadas não são obrigatórias dado que por vezes não se tem esta informação ainda, mas se a tiver e se forem vários períodos diferentes, indique-os. Data de início \* Data de fim \* Hora 1 - início Hora 1 - fim Hora 2 - Início Hora 2 - fim Hora 3 - Início Hora 3 - fim Hora 4 - Início Hora 4 - fim Local do serviço \* Para qual língua gestual temos de traduzir? \* - Língua Gestual Portuguesa - Gesto Internacional - Ambas - Outra língua gestual A Língua Gestual Portuguesa é normalmente direcionada para a Comunidade Surda Portuguesa, enquanto o Gesto Internacional abrange um público composto por diferentes nacionalidades. 4 serviço Hora Qual o conteúdo da interpretação/tradução? \*Forneça o maior número de detalhes possível, para que possamos saber exatamente o que iremos traduzir. Pedir Orçamento![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) --- ### [Contactos](https://apsurdos.org.pt/contactos/) **Published:** Janeiro 16, 2024 **Author:** APS **Content:** ## Entre em contacto connosco para outras questões Please enable JavaScript in your browser to complete this form. Nome \* Mensagem Assunto Nome Email \* Assunto \* Mensagem \* Enviar Mensagem![Loading](https://apsurdos.org.pt/wp-content/plugins/wpforms/assets/images/submit-spin.svg) ### Morada R. Professor Orlando Ribeiro, 5-B 1600-796 Lisboa ### WhatsApp +351 91 424 78 09 (SMS/Videochamada) ### E-mail apsurdos@apsurdos.org.pt --- ### [Organograma](https://apsurdos.org.pt/organograma/) **Published:** Janeiro 15, 2024 **Author:** APS **Content:** ![Organograma](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/Organograma-1024x724.webp "Organograma - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") --- ### [Missão e Valores](https://apsurdos.org.pt/missao-e-valores/) **Published:** Janeiro 15, 2024 **Author:** APS **Content:** ![Cenário com árvore isolada no meio e pôr-de-sol](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/header-missaoevalores.webp "header-missaoevalores - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## Missão A missão da Associação Portuguesa de Surdos (APS) é promover a inclusão, defesa dos direitos e a plena participação da Comunidade Surda na sociedade. A APS trabalha para garantir a igualdade de oportunidades, facilitando o acesso à educação, cultura, emprego, e outros serviços essenciais através da promoção da Língua Gestual Portuguesa (LGP) e de iniciativas que valorizem a identidade e os direitos das pessoas surdas. Além disso, a APS dedica-se à criação de espaços seguros para a Comunidade Surda, onde possam desenvolver atividades, reforçar a sua identidade e fortalecer os seus laços comunitários. ## Valores ## Respeito pela Identidade Surda Valorizamos a cultura surda e a LGP, promovendo o seu reconhecimento e uso como elementos essenciais da nossa identidade. ## Empoderamento Damos ferramentas à Comunidade Surda para que se possa afirmar como agente de mudança, tanto a nível individual como coletivo. ## Acessibilidade Defendemos a acessibilidade em todos os contextos, desde o acesso à informação até à adaptação de serviços públicos e privados. ## Solidariedade Trabalhamos em união para fortalecer a Comunidade Surda, colaborando com outras instituições e promovendo o bem-estar comum. ## Inclusão Acreditamos numa sociedade em que todas as pessoas, independentemente da sua condição, têm direito à participação plena e igual. ## Inovação Promovemos novas soluções e abordagens que melhorem a qualidade de vida e a participação ativa das pessoas surdas em todas as esferas da sociedade. --- ### [A nossa Instituição](https://apsurdos.org.pt/a-nossa-instituicao/) **Published:** Setembro 13, 2024 **Author:** APS **Content:** ![Vitrine da APS com troféus](https://apsurdos.org.pt/wp-content/uploads/2024/09/header-anossainstituicao.webp "header-anossainstituicao - Associação Portuguesa de Surdos - Associação Portuguesa de Surdos") ## A nossa Instituição A **Associação Portuguesa de Surdos (APS)** foi fundada em 1958 e é a maior e mais antiga organização dedicada à defesa dos direitos e interesses da Comunidade Surda em Portugal. Ao longo das décadas, a APS tem trabalhado incansavelmente para promover a inclusão social, a igualdade de oportunidades e o reconhecimento da **Língua Gestual Portuguesa (LGP)** como parte fundamental da identidade surda. Com uma missão focada na criação de uma sociedade mais inclusiva, a APS dedica-se a garantir que as pessoas surdas tenham pleno acesso à educação, cultura, saúde, e ao mercado de trabalho. Ao promover a LGP e ao criar condições para a autonomia das pessoas surdas, a APS contribui para o seu empoderamento, defendendo os seus direitos enquanto cidadãos. A **APS** assume um papel crucial no fomento de um ambiente seguro e acolhedor, onde a Comunidade Surda pode reunir-se, partilhar experiências, desenvolver atividades e reforçar os seus laços comunitários. Trabalhamos com instituições públicas e privadas para garantir que a acessibilidade e a inclusão sejam uma realidade para todos. Através de parcerias com outras organizações e com o apoio de membros e voluntários, a APS desenvolve projetos de sensibilização, educação e formação, promovendo uma sociedade que valorize e respeite a diversidade. A nossa instituição está na vanguarda da luta pelos direitos da Comunidade Surda em Portugal, continuando a inovar e a adaptar-se aos desafios do presente e do futuro. --- ## Categorias ### [Notícias](https://apsurdos.org.pt/category/noticias/) --- ### [Acessibilidade](https://apsurdos.org.pt/category/acessibilidade/) --- ### [Língua Gestual](https://apsurdos.org.pt/category/lingua-gestual/) --- ### [Investigação](https://apsurdos.org.pt/category/investigacao/) --- ### [Crónicas](https://apsurdos.org.pt/category/cronicas/) --- ### [Opinião](https://apsurdos.org.pt/category/opiniao/) --- ### [História](https://apsurdos.org.pt/category/historia/) --- ### [APS](https://apsurdos.org.pt/category/aps/) --- ### [Internacional](https://apsurdos.org.pt/category/internacional/) --- ### [Arte e Cultura](https://apsurdos.org.pt/category/arte-cultura/) --- ### [Educação](https://apsurdos.org.pt/category/educacao/) --- ### [Saúde e Bem-Estar](https://apsurdos.org.pt/category/saude-e-bem-estar/) --- ### [Política e Direitos](https://apsurdos.org.pt/category/politica-e-direitos/) --- ### [Desporto](https://apsurdos.org.pt/category/desporto/) ---